AREsp 2830048 - ACORDAO
Afasta-se a existência de omissão, contradição ou obscuridade arguida com fundamento no art. 1.022 do CPC, mas reconhece-se a nulidade do julgamento por não ter havido prévia publicação da pauta da sessão de julgamento, nos termos do art. 935 do CPC e da jurisprudência do STJ, devendo o agravo de instrumento ser...
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- Parties
- Agravante: CODEME ENGENHARIA S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- Agravo conhecido. Recurso especial provido. Reconhecida a nulidade do julgamento por ausência de publicação da pauta e determinado novo julgamento após intimação regular da pauta.
- Legal Topics
- Liquidação De Sentença, Publicação Da Pauta De Julgamento, Nulidade Do Julgado, Art. 1.022 Do CPC, Art. 935 Do CPC
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Parties
CODEME ENGENHARIA S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 Alegada omissão do acórdão quanto à publicação da pauta (art. 1.022 do CPC)
- 2 Necessidade de publicação prévia da pauta com antecedência mínima de 5 dias (art. 935 do CPC)
- 3 Nulidade do julgamento virtual por ausência de publicação da pauta
Ratio Decidendi
Afasta-se a existência de omissão, contradição ou obscuridade arguida com fundamento no art. 1.022 do CPC, mas reconhece-se a nulidade do julgamento por não ter havido prévia publicação da pauta da sessão de julgamento, nos termos do art. 935 do CPC e da jurisprudência do STJ, devendo o agravo de instrumento ser julgado novamente após regular intimação da pauta.
Court Disposition
Agravo conhecido. Recurso especial provido. Reconhecida a nulidade do julgamento por ausência de publicação da pauta e determinado novo julgamento após intimação regular da pauta.
Orders
- Dar provimento ao recurso especial
- Reconhecer a nulidade do julgamento por ausência de publicação prévia da pauta
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/03/2025 a 17/03/2025, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. CONTRATO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA TÉCNICO-COMERCIAL. FORNECIMENTO DE PRODUTOS SIDERÚRGICOS. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. AUSÊNCIA. PAUTA DE JULGAMENTO. PRÉVIA PUBLICAÇÃO. NECESSIDADE. NULIDADE. 1. Inexistem omissão, contradição ou obscuridade, vícios elencados no art. 1.022 do NCPC, sendo forçoso reconhecer que a pretensão recursal ostentava caráter nitidamente infringente, visando rediscutir matéria que já havia sido analisada pelo acórdão vergastado. 2. É nulo o julgamento realizado sem prévia publicação da pauta da sessão de julgamento, ainda que se trate de julgamento virtual, assegurando-se às partes, sob a égide do Código de Processo Civil de 2015, prazo de 5 dias entre a publicação e a sessão, nos termos do art. 935 do CPC do referido diploma. 3. Agravo conhecido. Recurso especial provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por CODEME ENGENHARIA S.A. (CODEME) contra decisão que não admitiu seu apelo nobre manejado com fundamento no art. 105, III, alínea a, da CF contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, relatado pela Des.ª CLAUDIA MENGE, assim ementado: RECURSO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO. Contraprestação de serviços de assessoria técnico-comercial em concorrência para fornecimento de produtos siderúrgicos. Liquidação de sentença. Decisão de rejeição da impugnação. Insurgência da devedora. - Nulidade da decisão agravada. Não ocorrência. Ato judicial dotado de fundamentação suficiente. Rejeição. - Cumprimento provisório de sentença. Possibilidade de seguimento. Recurso especial pendente de julgamento pela Corte Superior que não é dotado de efeito suspensivo, de sorte que nada obsta o andamento do incidente de cumprimento. RECURSO DESPROVIDO. (e-STJ, fl. 91) Foi apresentada contraminuta (e-STJ, fls. 175/179). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. CONTRATO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA TÉCNICO-COMERCIAL. FORNECIMENTO DE PRODUTOS SIDERÚRGICOS. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. AUSÊNCIA. PAUTA DE JULGAMENTO. PRÉVIA PUBLICAÇÃO. NECESSIDADE. NULIDADE. 1. Inexistem omissão, contradição ou obscuridade, vícios elencados no art. 1.022 do NCPC, sendo forçoso reconhecer que a pretensão recursal ostentava caráter nitidamente infringente, visando rediscutir matéria que já havia sido analisada pelo acórdão vergastado. 2. É nulo o julgamento realizado sem prévia publicação da pauta da sessão de julgamento, ainda que se trate de julgamento virtual, assegurando-se às partes, sob a égide do Código de Processo Civil de 2015, prazo de 5 dias entre a publicação e a sessão, nos termos do art. 935 do CPC do referido diploma. 3. Agravo conhecido. Recurso especial provido. VOTO O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, do agravo e passo ao exame do recurso especial, que merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre interposto com base no art. 105, III, alínea a, da CF, CODEME alegou a violação dos arts. 935 e 1.022 do CPC, ao sustentar que (1) o acórdão recorrido foi omisso quanto à ausência de publicação da pauta; e (2) é imprescindível a intimação da pauta da sessão de julgamento do agravo de instrumento (e-STJ, fls. 108/128). (1) (2) Da violação do art. 1.022 do CPC e da publicação da pauta Nas razões de recurso especial, CODEME apontou que o acórdão recorrido teria sido omisso acerca da necessidade de publicação da pauta. Nesse ponto, o acórdão vergastado consignou que seria dispensável a referida intimação, em atenção aos princípios da celeridade e economia processuais. Confira-se o excerto: Em homenagem à economia e à celeridade processuais, era mesmo despropositado aguardar a inclusão do recurso em pauta de sessão presencial, se o julgamento virtual confere maior agilidade na solução do recurso, sem gerar prejuízo à agravante, que não poderia mesmo se manifestar, uma vez que, considerada a matéria objeto de recurso, não é admitida a sustentação oral em sessão de julgamento, nos termos do art. 937, inciso VIII, do Código de Processo Civil e pelo art. 146, § 4º, do Regimento Interno deste Tribunal de Justiça (e-STJ, fls. 104/105). Assim, inexistem os vícios elencados no art. 1.022 do NCPC, sendo forçoso reconhecer que a pretensão recursal ostenta caráter nitidamente infringente, visando rediscutir matéria que já foi analisada. A jurisprudência desta Casa é pacífica ao proclamar que, se os fundamentos adotados bastam para justificar o concluído na decisão, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos utilizados pela parte. Nesse sentido, confira-se o seguinte precedente: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA COLETIVA PROMOVIDA PELO IDEC EM NOME DE POUPADORES ESPECÍFICOS E DETERMINADOS. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. INCIDÊNCIA DA REGRA DO PROCESSO CIVIL TRADICIONAL. NECESSIDADE DE RECOLHIMENTO PRÉVIO DAS CUSTAS JUDICIAIS DO PROCESSO DE LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS ENSEJADORES À OPOSIÇÃO DOS DECLARATÓRIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Nos termos do que dispõe o art. 1.022 do CPC/2015, os embargos de declaração são cabíveis apenas quando amparados em suposta omissão, contradição, obscuridade ou erro material na decisão embargada, não se caracterizando via própria ao rejulgamento da causa. 2. No presente caso, não se evidencia a existência da omissão e da contradição apontadas, porquanto decididas, clara e devidamente fundamentadas, as questões submetidas a julgamento pela parte embargante, sobretudo no que diz respeito à necessidade de recolhimento das custas judiciais na fase de liquidação de sentença intentada pelo Idec, na condição de representante processual, em nome de beneficiários específicos de determinados, equiparando-se, portanto, à liquidação individual de sentença coletiva, a qual se sujeita à regra geral disposta na lei processual acerca da responsabilidade pelo pagamento das despesas processuais. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1.637.366/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. em 22/2/2022, DJe 3/3/2022) Afasta-se, portanto, a alegada violação. Afastada a suposta violação do art. 1.022 do CPC, há que se examinar a alegação de nulidade por falta de publicação da pauta da sessão de julgamento. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que é nulo o julgamento realizado sem prévia publicação da pauta da sessão de julgamento, sob a égide do Código de Processo Civil de 2015, prazo de 5 dias entre a publicação e a sessão, nos termos do art. 935 do CPC do referido diploma. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PUBLICAÇÃO DA PAUTA DE JULGAMENTO. PREJUÍZO. NULIDADE DO JULGADO. AGRAVO INTERNO PROVIDO. 1. Conforme expressamente dispõem os artigos 934 e 935 do Código de Processo Civil de 2015, é necessária a publicação da pauta de julgamento no órgão oficial, sendo que entre a data de publicação e a da sessão de julgamento decorrerá, pelo menos, o prazo de cinco dias. 2. A ausência de publicação da pauta de julgamento, ainda que na modalidade virtual, acarreta nulidade do julgado, notadamente quando a omissão causa prejuízo ao recorrente. 3. Agravo interno provido. (AgInt no AREsp n. 2.103.074/SP, relator Ministro MARCO BUZZI, relator para acórdão Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, j. em 14/5/2024, DJe de 5/9/2024) AGRAVO INTERNO NA PETIÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. 1. DEVE SER RENOVADO O JULGAMENTO SE DA PUBLICAÇÃO DA PAUTA NÃO FOI INTIMADA A RECORRENTE, UNIÃO. 2. PEDIDO DA UNIÃO DE INGRESSO COMO ASSISTENTE LITISCONSORCIAL. CESSIONÁRIA DO CRÉDITO RURAL CONTESTADO, NOS TERMOS DA MP 2196/2001. NÃO RECONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. INTERESSE JURÍDICO NÃO EVIDENCIADO. 3. NULIDADE DE INTIMAÇÃO PARA VISTA DOS AUTOS. AUSÊNCIA. REQUERENTE QUE NUNCA FIGUROU COMO PARTE OU TERCEIRO INTERVENIENTE. 4. PRECLUSÃO, ADEMAIS, DA OPORTUNIDADE DE APONTAMENTO DO VÍCIO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. (AgInt na PET no REsp n. 1.834.571/MG, relator Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, Terceira Turma, j. em 27/3/2023, DJe de 29/3/2023) Portanto, mostra-se irregular o julgamento do agravo de instrumento, por não ter sido precedido de intimação da pauta da sessão de julgamento. Nessas condições, CONHEÇO do agravo para DAR PROVIMENTO ao recurso especial, reconhecendo a nulidade do julgamento, determinando que o agravo de instrumento seja julgado novamente, após regular intimação da pauta. É o voto. Por oportuno, previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação nos termos do art. 1.026, § 2º, do CPC.