EREsp 1912066 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão recorrido estava devidamente fundamentado, sem omissão, contradição ou obscuridade (art. 1.022 CPC/2015), continha fundamento não impugnado suficiente para manter suas conclusões (Súmula 283/STF) e as alegações que exigiriam reexame de fatos e provas são...
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- Parties
- Agravante: SANDOZ DO BRASIL INDÚSTRIA FARMACÊUTICA LTDA.; Agravada: Eli Lilly
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Pela Terceira Turma Acórdão
- Outcome
- Agravo interno no recurso especial não provido
- Legal Topics
- Liquidação De Sentença, Embargos De Declaração, Reexame De Fatos E Provas, Súmula 7/stj, Súmula 283/stf, Prescrição, Inépcia Da Petição Inicial, Perícia Contábil, Honorários Periciais, Danos Morais, Lucros Cessantes
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Parties
SANDOZ DO BRASIL INDÚSTRIA FARMACÊUTICA LTDA.
Agravante
Eli Lilly
Agravada
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Pela Terceira Turma Acórdão
Legal Issues
- 1 Violação do art. 1.022 do CPC/2015
- 2 Existência de fundamento do acórdão não impugnado (Súmula 283/STF)
- 3 Inadmissibilidade do reexame de fatos e provas em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão recorrido estava devidamente fundamentado, sem omissão, contradição ou obscuridade (art. 1.022 CPC/2015), continha fundamento não impugnado suficiente para manter suas conclusões (Súmula 283/STF) e as alegações que exigiriam reexame de fatos e provas são inadmissíveis em recurso especial (Súmula 7/STJ).
Court Disposition
Agravo interno no recurso especial não provido
Orders
- Negou-se provimento ao agravo interno no recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Paulo de Tarso Sanseverino, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NORECURSO ESPECIAL. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. 1. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 1.022 do CPC. 2. A existência de fundamento do acórdão recorrido não impugnado - quando suficiente para a manutenção de suas conclusões - impede a apreciação do recurso especial. 3. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 4.Agravo internono recurso especial não provido.
RELATÓRIO A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI (Relatora): Cuida-se de agravo interno interposto por SANDOZ DO BRASIL INDÚSTRIA FARMACÊUTICA LTDA., contra decisão que conheceuem parte do recurso especial e negou-lhe provimento. Ação: liquidação de sentença ajuizada pela recorrente a fim de ser ressarcida pelos prejuízos decorrentes da impossibilidade de comercializar o medicamento GEMCIT durante o período em que vigorou a tutela provisória (revogada por ocasião do julgamento definitivo) concedida em favor da recorrida. Decisão: rejeitou as preliminares, determinou a realização de perícia contábil para apurar os danos e facultou às partes a apresentação de quesitos e indicação de assistente técnico, além de fixar o período de três meses para a apuração dos prejuízos. Acórdão recorrido: deu parcial provimento ao agravo de instrumento interposto pelas partes, nos termos da seguinte ementa (e-STJ, fls. 2.505/2.506): LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA AJUIZADA COM BASE NO ART. 811, I, DO CPC/1973. Agravada pretende ser ressarcida dos prejuízos conhecidos por conta da impossibilidade de comercializar o medicamento GEMCIT (para tratamento de câncer), em razão de liminar concedida pelo d. Magistrado a quo em favor da agravante, que ao final do processo obteve sentença desfavorável. Apuração que deve ser feita nos próprios autos da ação em que foi concedida a tutela (art. 811, parágrafo único, do CPC/1973 atual art. 302, parágrafo único, do CPC/2015). Agravo interposto contra a r. decisão que rejeitou as preliminares apresentadas na contestação; ordenou a realização de prova pericial, atribuindo o pagamento dos honorários à agravante;facultou às partes a apresentação de quesitos e indicação de assistente técnico; excluiu o corréu do polo passivo; e fixou o período de apuração dos prejuízos em três meses. EXTENSÃO DOS EFEITOS DO RECURSO ESPECIAL. Juízo considerou que as preliminares de litispendência e prescrição foram apreciadas no REsp 1.637.747/SP pelo E. STJ. E por entender que a inépcia da petição inicial se confundia com o mérito, observou que restava ser apreciado apenas o dano causado. Inadmissibilidade. Recurso Especial reformou a decisão desta Colenda Corte que extinguiu a execução em apreço, limitando-se a afastar o fundamento utilizado. Não realizou juízo de admissibilidade do pedido executório, tarefa que expressamente atribuiu ao Magistrado processante. Necessidade, portanto, de apreciação das preliminares apontadas pela executada (ora agravante). LITISPENDÊNCIA. Inocorrência. Liquidação intentada perante a Justiça Estadual se deu cinco anos antes do ajuizamento da execução perante a Justiça Federal. Assim, se houve repetição da ação em curso seria por conta da execução federal, competindo ao d. Magistrado daquele feito o reconhecimento do vício. De mais a mais, o pedido e a causa de pedir de ambas as lides são distintos; ausentes, portanto, os requisitos do art. 337 do CPC/2015 (antigo art. 301 do CPC/1973). BIS IN IDEM, DUPLICIDADE DE EXECUÇÕES PELO MESMO FATO. Inocorrência. As execuções (federal e estadual) têm por fundamento a liminar proferida pelo respectivo Tribunal.O E. STJ já decidiu pela viabilidade do processamento de ambas, trata-se de matéria preclusa. PRESCRIÇÃO TRIENAL. Pretensão fundada no art. 206, § 3º, V, do CC (reparação civil) e na Súmula nº 150 do E. STJ. Ausência de lapso temporalnecessário. Termo a quo deve ser computado da data da sentença desfavorável e não da revogação da liminar. Precedentes. INÉPCIA DA PETIÇÃO INICIAL. Dos fatos decorrem logicamente os pedidos, até porque o "direito de demandar" o ressarcimento exsurge da simples caracterização da hipótese prevista no art. 811, I, do CPC/1973 (responsabilidade objetiva). Tal circunstância, todavia, não afasta a necessidade de a agravada provar a existência do dano e o nexo causal com o ocorrido, bem como a exigência do d.Magistrado a quo de ter de aferir referida peça quanto aos seus requisitos e pedidos traçados. Na hipótese, a pretensão de ressarcimento relacionada às licitações, que foram ganhas pela agravante, não pode ser admitida, pois não há certeza quanto ao fato de que a agravada as teria vencido caso tivesse participado do certame.Também não está evidenciada a existência de danos morais. A "carta ao mercado" emitida pela agravante e os prejuízos dela decorrentes são matéria preclusa.Ausentes outras condutas que pudessem ter abalado a reputação e a credibilidade da agravada. Igualmente, lucros cessantes pretendidos, por ausência de lastro mínimo de prova em relação ao quanto auferia com o medicamento antes da proibição da comercialização, impede qualquer análise a respeito. Impossibilidade de concessão de danos hipotéticos e fantásticos, sem base segura. Precedentes.Mantida, porém, a necessidade de realização de perícia em relação aos prejuízos decorrentes das licitações que a agravada participou, deu lance vencedor e foi excluída por conta da liminar. PERÍCIA. Limitação do período. O expert deverá se ater ao lapso temporal de 28/09/2007 a 25/03/2008 (vigência da liminar, ainda que parcial), especificando clara e objetivamente se a perda da licitação ocorreu por conta da proibição da comercialização do GENCIT. HONORÁRIOS PERICIAIS. Prova requerida por ambas os litigantes. Dever de rateio, em partes iguais, decorre do disposto no art. 95 do CPC/2015. NOMEAÇÃO DE ADMINISTRADOR PÚBLICO. Desnecessidade. Questão meramente contábil, limitada aos pregões relacionados no item 48 da petição inicial. RECURSOS PARCIALMENTE PROVIDOS. Embargos de declaração: opostos pelas partes foram rejeitados. Recurso especial: alegou violação dos arts. 402 do Código Civil; e 141, 373, I, 490, 492 e 1.022, I e II do CPC/15 (arts. 2º, 128, 333, I, e 460 do CPC/73). Sustentou, em suma, os seguintes aspectos: (i) contradição no acórdão recorrido, ao afirmar que a recorrente não teria narrado mácula à sua imagem, mesmo tendo admitido a existência de inúmeras licitações vencidas que não puderam ser atendidas em razão da proibição de venda do medicamento imposta pela liminar e, ainda, diante do fato de ter sido impedida de participar de outras licitações, situações que, de per si, já causam desgaste a imagem, bem como ao mencionar que não foi formulado pedido para liquidação dos lucros cessantes decorrentes da perda da receita causada pela liminar que proibiu as vendas do GEMCIT. (ii) os lucros cessantes são presumidos e, assim, a liquidação deveria abarcar as licitações de que a recorrente foi excluída ou impedida de participar, diante da presunção de que seria vencedora caso participasse delas, com base no seu histórico de vitórias. (iii) cabe à recorrida o ônus de comprovar que as licitações feitas durante a vigência da liminar não teriam sido vencidas pela recorrente, caso tivesse participado delas. Decisão unipessoal: conheceu em parte do recurso especial e negou-lhe provimento, diante da inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/15 e da incidência das Súmulas 7/STJ e 283/STF. Agravo interno: a parte agravante afirma que as contradições do acórdão proferido pelo Tribunal de origem não foram devidamente examinadas e que não é o caso de aplicação dos óbices apresentados, além de insistir nos argumentos suscitados no apelo extremo. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NORECURSO ESPECIAL. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. 1. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 1.022 do CPC. 2. A existência de fundamento do acórdão recorrido não impugnado - quando suficiente para a manutenção de suas conclusões - impede a apreciação do recurso especial. 3. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 4.Agravo internono recurso especial não provido. VOTO A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI (Relatora): A despeito das alegações aduzidas neste recurso, percebe-se que a parte agravante não trouxe qualquer argumento novo capaz de ilidir o entendimento firmado na decisão ora agravada. - Da violação do art. 1.022 do CPC/2015 Com efeito, é firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC/15 quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: AgInt nos EDcl no AREsp 1.094.857/SC, 3ª Turma, DJe de 02/02/2018 e AgInt no AREsp 1.089.677/AM, 4ª Turma, DJe de 16/02/2018. No particular, verifica-se que o acórdão recorrido afirmou que "a petição inicial não apontou nenhuma conduta que tivesse acarretado difamação ou ato atentatório ao bom nome da SANDOZ" (e-STJ, fl. 2.533), bem como que a recorrente pretende, na verdade, "que se reconheça o dano moral in re ipsa, pelo simples fato de ter sido deferida a liminar para suspensão de seu medicamento, o que não pode ser admitido sem uma base concreta, mesmo porque a questão não demorou a ser resolvida, vigendo a liminar por poucos meses (28/09/2007 a 25/03/2008)" (e-STJ, fl. 2.672). Acentuou, ainda, que "a Eli Lilly não apontou uma "mácula" em relação ao produto da Sandoz perante fornecedores ou consumidores, apenas noticiou que comercialização estava vedada e o fez com base em decisões judiciais que obteve ao longo do processo" (e-STJ, fls. 2.672/2.673). Consignou, ademais, que "a perícia não deverá apurar a drástica redução da receita em que a agravada SANDOZ sofreu durante o período em que foi proibida de comercializar normalmente seu medicamento GEMCIT", tendo em vista que, "diversamente do que consta na contraminuta, a petição inicial da execução não pleiteou indenização em relação ao prejuízo pela comercialização do medicamento deforma restritiva (com exclusão do câncer de mama) ou quaisquer outros prejuízos, limitando a causa de pedir ao item 46 (licitações e dano moral), complementado pelo item 47 (que cita os pregões), e ao item 48 (lucros cessantes) outrora mencionados" (e- STJ, fl. 2.535; ambas as citações). Portanto, a Corte local se manifestou sobre todas as questões necessárias ao deslinde da controvérsia, sem incorrer em contradição. O que se verifica, a bem da verdade, é o inconformismo da recorrente com a conclusão adotada pelo Tribunal de origem, não havendo, de fato, violação do art. 1.022 do CPC/15. - Da existência de fundamento não impugnado Ademais, ao contrário do alegado, arecorrente não impugnou o fundamento utilizado pelo TJ/SP, ao indeferir o pleito de danos morais pela existência de licitações vencidas que não puderam ser atendidas. Com efeito, ficou incólume a conclusão de que seria impossível a liquidação dos danos morais in re ipsa decorrentes da liminar, que proibiu a recorrente de cumprir as licitações ganhas e fornecer seu medicamento, diante da inexistência de uma base concreta e da brevidade da vigência da liminar. Da mesma forma, não houve insurgência quanto à conclusão do acórdão proferido pelo Tribunal de origem, ao reconhecer a impossibilidade de apuração dos lucros cessantes em relação às licitações que a SANDOZ deixou de participar, de que "seria puramente subjetiva a quantificação dos locais/pessoas jurídicas para os quais forneceria o GEMCIT, o que não pode ser admitido, pena de enriquecimento ilícito" (e-STJ, fls. 2.533/2.534), razão pela qual deve ser mantido o acórdão a quo. Assim, correta a aplicação, na hipótese, da Súmula 283/STF. - Do reexame de fatos e provas Por fim, a análise da alegação de que caberia à recorrida o ônus de comprovar que as licitações feitas durante a vigência da liminar não teriam sido vencidas pela recorrente, caso tivesse participado dela, realmente exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial e, por isso, justifica a incidência daSúmula 7/STJ. Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno norecurso especial.