AREsp 2490423 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o agravante não demonstrou dissídio jurisprudencial apto a autorizar o recurso especial, em razão da ausência de semelhança entre as bases fáticas dos acórdãos confrontados e da necessidade de reexame do contexto fático-probatório (vedado pela Súmula 7/STJ); ainda, não se...
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- Parties
- Agravante: WILLIAM PETKOWICZ VESELY
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- Agravo interno desprovido.
- Legal Topics
- Liquidação De Sentença, Honorários Advocatícios, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 7/stj, Multa Do Art. 1.021, § 4º Do CPC
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Parties
WILLIAM PETKOWICZ VESELY
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 Fixação de honorários advocatícios na fase de liquidação de sentença
- 2 Comprovação de dissídio jurisprudencial para admissibilidade do recurso especial (alínea c)
- 3 Impedimento de reexame de matéria fático-probatória pela Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o agravante não demonstrou dissídio jurisprudencial apto a autorizar o recurso especial, em razão da ausência de semelhança entre as bases fáticas dos acórdãos confrontados e da necessidade de reexame do contexto fático-probatório (vedado pela Súmula 7/STJ); ainda, não se configurou manifesta inadmissibilidade que autorizasse a aplicação da multa do art. 1.021, § 4º, do CPC.
Court Disposition
Agravo interno desprovido.
Orders
- Nego provimento ao agravo interno.
- Não é cabível a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC no caso concreto.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 07/05/2024 a 13/05/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER CONTENCIOSO. REEXAME DO CONTEXTO FÁTICO. IMPOSSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONHECIDO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. MULTA PREVISTA NO ART. 1.021, § 4º, DO CPC. INAPLICABILIDADE. 1. A admissibilidade do recurso especial fundado na alínea c do permissivo constitucional depende do preenchimento dos requisitos essenciais para comprovação do dissídio pretoriano, conforme prescrições dos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do RISTJ. 2. Os acórdãos confrontados não são aptos para demonstrar o dissídio jurisprudencial quando não há semelhança entre suas bases fáticas. 3. A impossibilidade de análise do acervo fático-probatório dos autos também impede o exame do dissídio jurisprudencial quando, para aferir a similitude entre os julgados confrontados, é necessário o reexame de fatos e provas. 4. A multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC não decorre do mero desprovimento do agravo interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou da improcedência do recurso para autorizar sua imposição. 5. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por WILLIAM PETKOWICZ VESELY contra decisão de fls. 100-102, que não conheceu do recurso especial com fundamento na falta de comprovação do dissídio jurisprudencial. O agravante reitera as razões do recurso especial. Defende estar caracterizada a divergência jurisprudencial sobre a necessidade de fixação de honorários de sucumbência na fase de liquidação de sentença, em razão da resistência da parte devedora e do lapso temporal transcorrido. Sustenta ainda não ser aplicável à espécie o óbice da Súmula n. 7 do STJ, uma vez que busca apenas a adequada valoração da matéria. Requer seja reconsiderada a decisão agravada ou seja o agravo submetido ao colegiado. Contrarrazões pelo desprovimento do recurso (fls. 112-117), em que a parte agravada pleiteia a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER CONTENCIOSO. REEXAME DO CONTEXTO FÁTICO. IMPOSSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONHECIDO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. MULTA PREVISTA NO ART. 1.021, § 4º, DO CPC. INAPLICABILIDADE. 1. A admissibilidade do recurso especial fundado na alínea c do permissivo constitucional depende do preenchimento dos requisitos essenciais para comprovação do dissídio pretoriano, conforme prescrições dos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do RISTJ. 2. Os acórdãos confrontados não são aptos para demonstrar o dissídio jurisprudencial quando não há semelhança entre suas bases fáticas. 3. A impossibilidade de análise do acervo fático-probatório dos autos também impede o exame do dissídio jurisprudencial quando, para aferir a similitude entre os julgados confrontados, é necessário o reexame de fatos e provas. 4. A multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC não decorre do mero desprovimento do agravo interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou da improcedência do recurso para autorizar sua imposição. 5. Agravo interno desprovido. VOTO O recurso não reúne condições de prosperar. Trata-se, na origem, de agravo de instrumento interposto contra decisão proferida nos autos de ação de liquidação de sentença que indeferiu a fixação de honorários. Discute-se a possibilidade de fixação de honorários de sucumbência na fase de liquidação de sentença. De acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, é cabível a condenação em honorários advocatícios em liquidação de sentença apenas em casos excepcionais, quando configurada nítida litigiosidade entre as partes. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. LITIGIOSIDADE COMPROVADA. MAJORAÇÃO DA VERBA ESTABELECIDA NA SENTENÇA NO PROCESSO DE CONHECIMENTO. 1. Nos termos da jurisprudência pacífica desta Corte, é cabível a condenação em honorários advocatícios em liquidação de sentença apenas em casos excepcionais quando configurada uma litigiosidade entre as partes. Precedentes. 2. A fixação dos honorários sucumbenciais da fase de liquidação deve se restringir à majoração dos honorários fixados na fase de conhecimento, porquanto a liquidação objetiva apenas completar o título executivo judicial e torná-lo líquido. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.039.909/DF, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 11/3/2024, DJe de 14/3/2024, destaquei.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS TIDOS POR VIOLADOS. SÚMULA 211/STJ. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. EXCEPCIONAL. NÍTIDO CUNHO LITIGIOSO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial impede o seu conhecimento, a teor da Súmula 211/STJ. 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que são devidos honorários advocatícios na fase de liquidação de sentença quando houver nítido cunho litigioso entre os participantes da relação processual. Nesse sentido: AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.124.832/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/6/2023; AgInt no AgInt no REsp n. 1.955.594/MG, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe de 6/6/2023. 4. No caso dos autos, o Tribunal de origem, após ampla análise do conjunto fático-probatório, firmou compreensão de que não se verificou a existência de nítida litigiosidade além dos procedimentos inerentes à própria liquidação por arbitramento, razão pela qual incabível a fixação de honorários advocatícios sucumbenciais nesta fase processual. A revisão de tal entendimento esbarra no óbice da Súmula 7/STJ. 5 . Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.055.080/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 9/10/2023, DJe de 11/10/2023, destaquei.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA PARTE DEMANDANTE. 1. Rever a conclusão a que chegou o Tribunal de origem, sobre a conclusão acerca de ofensa à coisa julgada, bem como, da observância dos procedimentos legais da fase de cumprimento de sentença, demandaria o reexame das provas dos autos, juízo obstado pelo óbice da Súmula 7/STJ. Precedentes. 2. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, são devidos honorários advocatícios sucumbenciais em sede de liquidação de sentença quando a liquidação ostentar nítido caráter litigioso. Incidência da Súmula 83/STJ. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.330.678/RS, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 4/9/2023, DJe de 8/9/2023, destaquei.) Para a interposição de recurso especial fundado na alínea c do permissivo constitucional, é necessário o atendimento dos requisitos essenciais para a comprovação do dissídio pretoriano, conforme prescrições dos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do RISTJ, o que não ocorreu na espécie. No recurso especial, a parte exequente, ora agravante, alegou que o acórdão recorrido divergira do entendimento do STJ, colacionando, a título de divergência pretoriana, julgado em que reconhecido pelas instâncias de origem o caráter contencioso da liquidação (AREsp n. 896.730/SP). No caso dos autos, entretanto, o Tribunal de origem, soberano na análise do contexto fático-probatório, consignou não ter havido litigiosidade excessiva além dos procedimentos inerentes à própria liquidação, afastando, assim, a fixação de honorários em liquidação de sentença. Confira-se (fls. 33-34): O agravante pugna pelo reconhecimento de litigiosidade na fase de liquidação de sentença, com consequente fixação de honorários advocatícios para a referida fase. Sem razão, contudo. Veja-se que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça entende que, em regra, não é possível a fixação de honorários advocatícios em sede de liquidação de sentença, admitindo, contudo, que sejam fixados em caso de litigiosidade excessiva, conforme seguinte julgado: .. Nesse sentido, não há que se falar em litigiosidade excessiva no caso em tela, conforme passa-se a expor. Da análise da presente liquidação de sentença, observa-se que houve discussão acerca do cálculo pericial, em que foi interposto o agravo de instrumento de n. 0014987-88.2021.8.16.0000, em que o acórdão (mov. 31.1) determinou que: "Desta forma, entendo pelo parcial provimento ao presente recurso, para tão somente reconhecer que a apuração do saldo devedor médio deve levar em consideração o ano comercial (360 dias e por consequência, 30 dias no mês), e não a quantidade de dias existente em cada mês." Desta feita, importante salientar que a discussão acerca do cálculo pericial é questão inerente à liquidação de sentença e, por ser questão que deve ser tratada nessa fase, não pode ser considerada como litigiosidade excessiva, devendo ser aplicada a regra da não fixação de honorários. Veja-se que, em que pese a parte alegue que a liquidação tenha perdurado por quase sete anos, a discussão foi inteiramente em razão do cálculo pericial, conforme bem exposto no resumo da decisão de mov. 117.1, não havendo que se falar em excessiva litigiosidade. Observa-se que, além de o entendimento do Tribunal de origem estar de acordo com a jurisprudência do STJ (Súmula n. 83 do STJ), não há semelhança entre as bases fáticas dos acórdãos confrontados, razão pela qual não são aptos para demonstrar o dissídio jurisprudencial. Registre-se ainda ser inviável rever as premissas adotadas pelo Tribunal de origem acerca da inexistência de nítido caráter litigioso da liquidação, firmadas com base na análise do acervo fático-probatório dos autos (Súmula n. 7 do STJ). Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.055.080/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 9/10/2023, DJe de 11/10/2023; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.124.832/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 29/5/2023, DJe de 26/6/2023; AgInt no AREsp n. 2.290.215/DF, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 5/6/2023, DJe de 12/6/2023. Nesse contexto, a impossibilidade de análise do acervo fático-probatório dos autos também impede o exame do dissídio jurisprudencial quando, para a análise da similitude fática entre os julgados confrontados, é necessário o reexame de fatos e provas (AgInt no REsp n. 1.906.516/MA, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 11/10/2021, DJe de 14/10/2021). Portanto, a parte agravante não logrou êxito em demonstrar situação superveniente que justificasse a alteração da decisão agravada. No que se refere à aplicação do art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil, pleiteada em contrarrazões, a orientação desta Corte é no sentido de que "a multa aludida no art. 1.021, §§ 4º e 5º, do CPC/2015, não se aplica em qualquer hipótese de inadmissibilidade ou de improcedência, mas apenas em situações que se revelam qualificadas como de manifesta inviabilidade de conhecimento do agravo interno ou de impossibilidade de acolhimento das razões recursais porque inexoravelmente infundadas" (AgInt no RMS n. 51.042/MG, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 28/3/2017, DJe de 3/4/2017). No caso, apesar do desprovimento do agravo interno, não está configurada a manifesta inadmissibilidade, motivo pelo qual é incabível a aplicação de multa. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.