REsp 1908996 - DECISAO
O STJ concluiu que, diante da possibilidade de individualização do crédito e da apuração do quantum por meros cálculos aritméticos, não é necessária a prévia liquidação do título judicial formado em mandado de segurança coletivo, razão pela qual deu provimento ao recurso especial para determinar o prosseguimento da...
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- Parties
- Recorrentes: EDMA FERREIRA DA SILVA e outros; Recorrido: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE; Impetrante No Mandado De Segurança Coletivo: Associação Nacional dos Aposentados e Pensionistas do IBGE - DAIBGE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 October 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Colegiada De Provimento Pelo STJ
- Outcome
- Recurso especial provido.
- Legal Topics
- Liquidação De Sentença Coletiva, Execução Individual De Título Judicial Formado Em Ação Coletiva, Mandado De Segurança Coletivo, Substituição Processual, Honorários Advocatícios, Prequestionamento
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Parties
EDMA FERREIRA DA SILVA e outros
Recorrentes
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE
Recorrido
Associação Nacional dos Aposentados e Pensionistas do IBGE - DAIBGE
Impetrante No Mandado De Segurança Coletivo
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Colegiada De Provimento Pelo STJ
Legal Issues
- 1 Necessidade ou não de liquidação prévia de sentença coletiva para execução individual
- 2 Possibilidade de individualização do crédito e apuração do quantum por cálculos aritméticos
- 3 Legitimidade de associados para cumprimento da sentença mandamental coletiva
Ratio Decidendi
O STJ concluiu que, diante da possibilidade de individualização do crédito e da apuração do quantum por meros cálculos aritméticos, não é necessária a prévia liquidação do título judicial formado em mandado de segurança coletivo, razão pela qual deu provimento ao recurso especial para determinar o prosseguimento da execução e inverter os ônus sucumbenciais.
Court Disposition
Recurso especial provido.
Orders
- Dar provimento ao recurso especial para determinar o prosseguimento da execução.
- Ficam invertidos os ônus sucumbenciais.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de recurso especial interposto por EDMA FERREIRA DA SILVA e outros,com amparo na alínea "a" do inciso III do art. 105 da CF/1988, contra acórdão doTRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃOassim ementado (e-STJ, fls. 715-716): ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. GRATIFICAÇÃO GDIBGE. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA PROFERIDA EMMANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. NECESSIDADE DE PRÉVIA LIQUIDAÇÃO DOJULGADO COLETIVO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO DE DESENVOLVIMENTO VÁLIDO. EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO. MÉRITO DO RECURSO PREJUDICADO. 1. Trata-se de Agravo de Instrumento interposto em face de decisão na qual o MM. Juízo a quo fixou os critérios de correção monetária do valor executado. 2. Na origem, os Agravantes ajuizaram ação de execução de título executivo judicial, formado nos autos do mandado de segurança coletivo nº 2009.51.01.002254-6, impetrado pela Associação Nacional dos Aposentados e Pensionistas do IBGE - DAIBGE em face da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, objetivando o imediato pagamento, mediante incorporação aos contracheques dos Exequentes, do valor equivalente a quarenta pontos adicionais referente à denominada GDIBGE. 3. Não obstante a questão controvertida no presente recurso diga respeito ao mérito do processo executivo que tramita na instância de origem, cumpre examinar questão preliminar, referente à exigência de liquidação prévia da sentença coletiva. Sobre essa questão, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.247.150/PR, submetido ao rito do art. 543-C do CPC/73, fixou entendimento no sentido de que a sentença genérica proferida em processo coletivo, "por si, não confere ao vencido o atributo de devedor de "quantia certa ou já fixada em liquidação" (art. 475-J do CPC), porquanto, "em caso de procedência do pedido, a condenação será genérica", apenas "fixando a responsabilidade do réu pelos danos causados" (art. 95 do CDC)". Nesse sentido: STJ - AgInt no AREsp1.360.567/RJ - Rel. Min. Gurgel de Faria, 1ª Turma, DJe 27/06/2019. 4. Dessa forma, não deve prosperar o entendimento no sentido de que a liquidação seja processada na forma do disposto no art. 509, § 2º, do CPC/2015 ("Quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, o credor poderá promover, desde logo, o cumprimento da sentença"). Nesse sentido: TRF/2ª Região - AG: 0003342-94.2018.4.02.0000, Rel. Des. FederalMARCELO PEREIRA DA SILVA, 8ª Turma Especializada, DJe 11/10/2018; TRF/2ª Região - AC 0107074-85.2016.4.02.5101, Rel. Des. FederalVERALÚCIA LIMA, 8ª Turma Especializada, DJe 04/10/2018. 5. No caso concreto, à vista das provas dos autos, conclui-se que o título judicial em apreço é ilíquido, não possuindo, por ora, eficácia executiva. Dessa forma, ausente condição de prosseguimento válido e regular, a ação executiva deve ser extinta, sem resolução demérito, na forma do art. 485, IV, do CPC. De conseguinte, fica prejudicada a análise do mérito do presente recurso. 6. Condenação dos Agravantes em honorários advocatícios fixados em valor equivalente a 2% sobre o valor da causa, devendo ser feita a partilha, em igual proporção, entre os litisconsortes que promoveram a execução ora extinta sem julgamento do mérito. 7. Extinção do processo de origem sem resolução de mérito. Agravo de Instrumento não conhecido. Sustentam osrecorrentes, empreambular, a nulidade do acórdão impugnado, por suposta persistência das omissões apontadas nos embargos declaratórios, configurando-se violação do disposto no art. 1.022, II, do CPC/2015. Ainda em preliminar, alegam a nulidade do acórdão recorrido, por ter sido empregado fundamento não debatido nos autos, em ofensa ao disposto nos arts. 10 e 933 do CPC/2015. No mérito, apontam contrariedade aos arts. 277, 283, parágrafo único, 509, § 2º, do CPC/2015; e 95, 97 e 98 do CDC, por entenderem desnecessária a prévia liquidação do julgado, na medida em que a apuração do valor devido depende de simples cálculos aritméticos. Subsidiariamente, argumentam que, ainda que se entenda necessária a prévia liquidação pelo procedimento comum, seria o caso de conversão de rito, não de extinção do processo, consoanteteor dos arts. 4º, 277, 283 e 1.048, I, do CPC/2015. Sem contrarrazões (e-STJ, fl. 790), o recurso especial foi admitido na origem(e-STJ, fls. 793-801). É o relatório. Na origem, trata-se deagravo de instrumento do ente público que foi provido para extinguir a execução, por se entender que seria imprescindível a prévia liquidação do julgado, pelo fato de se tratar de execução individual de sentença genérica proferida em ação coletiva. Confira-se (e-STJ, fl. 711): Assim, tendo em vista que a sentença condenatória oriunda de ação coletiva é necessariamente genérica (art. 95, do CDC), afigura-se indispensável, para apuração de um valor líquido e exigível, a realização de processo de liquidação, respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa. Atente-se que, sem a prévia liquidação, não será possível o início de execução de condenação estabelecida em termos genéricos. A posição firmada pelo Tribunal de origem está em dissonância com a jurisprudência consolidada desta Corte, segundo a qual é possível a propositura da execução individual de título judicial formado em ação coletiva quando for possível a individualização do crédito e a definição do quantum debeatur por meros cálculos aritméticos. Nesse sentido, colaciono precedentes relativos ao mesmo título judicial: PROCESSUAL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA LIQUIDAÇÃO, NO CASO DOS AUTOS. AGRAVO INTERNO DOS PARTICULARES PROVIDO. 1. A jurisprudência do STJ tem reconhecido a possibilidade da realização da execução individual de título judicial formado em Ação Coletiva quando for possível a individualização do crédito e a definição do quantum debeatur por meros cálculos aritméticos, mesmo que estes não tenham sido fornecidos pelo devedor, como é o caso sob análise, em que se requer o pagamento de valores atrasados relacionados a parcelas remuneratórias devidas aos recorrentes como servidores públicos (AREsp 1.554.598/RJ, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 18.10.2019). No mesmo sentido: AgInt no AREsp 1.482.647/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJe 10.2.2020. 2. Agravo Interno dos Particulares provido, a fim de afastar a exigência de liquidação prévia do título executivo, nos termos da jurisprudência desta Corte Superior. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.412.387/RJ, relatorMinistro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 3/12/2020). PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. GRATIFICAÇÃO POR DESEMPENHO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE TÍTULO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. LEGITIMIDADE. DESNECESSIDADE DE PROVA DA FILIAÇÃO ATÉ O MOMENTO DO TRÂNSITO EM JULGADO. AGRAVO INTERNO. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO. INEXISTENTES. I - Na origem, trata-se de execução individual da sentença proferida no mandado de segurança coletivo impetrado pela Associação Nacional dos Aposentados e Pensionistas do IBGE - Dapibge. A decisão exequenda determinou "que a autoridade impetrada promova o pagamento ao substituídos (a saber, aos aposentados e pensionistas do IBGE associados à Associação impetrante), da parcela denominada GDIBGE, na mesma proporção que é paga aos servidores em atividade mencionados no art. 80 da Lei n. 11.355/2006". II - Na decisão do Juízo de origem, acolheu-se parcialmente a impugnação da executada, por excesso na execução. Na Tribunal a quo, conheceu-se do agravo de instrumento e, de ofício, a decisão foi reformada para julgar extinta a execução, por ilegitimidade ativa e inviabilidade da execução antes da liquidação da sentença coletiva.Nesta Corte, deu-se provimento ao recurso especial, determinando-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que prossiga com a execução, julgando-se o agravo de instrumento. III - A pretensão versa questão de direito, para cujo deslinde não há necessidade de reexame de matéria fático-probatória. IV - Afasto a alegação de ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, porque não demonstrada omissão capaz de comprometer a fundamentação do acórdão recorrido ou de constituir-se em empecilho ao conhecimento do recurso especial. Citem-se, a propósito, os seguintes precedentes: EDcl nos EDcl nos EDcl na Pet n. 9.942/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 8/2/2017, DJe de 14/2/2017; EDcl no AgInt no REsp n. 1.611.355/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 14/2/2017, DJe de 24/2/2017; AgInt no AgInt no AREsp n. 955.180/RJ, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 14/2/2017, DJe de 20/2/2017; AgRg no REsp n. 1.374.797/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 10/9/2014. V - No tocante à legitimidade ativa para o cumprimento da sentença mandamental coletiva, prevalece no STJ o entendimento de que a impetração de mandado de segurança coletivo por entidade associativa dispensa a apresentação da lista de associados e tampouco exige a autorização expressa deles. VI - Configurado, portanto, caso de substituição processual, os efeitos da decisão proferida no mandado de segurança coletivo impetrado por associação alcançam todos os associados, sendo irrelevante que estejam ou não indicados em uma lista nominal ou a data da filiação. Nesse sentido, recente acórdão da Segunda Turma, proferido em recurso de minha relatoria, em caso semelhante: AREsp n. 1.477.877/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 13/8/2019, DJe 19/8/2019. VII - A propósito, ver ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.494.381/RJ, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 19/8/2019, DJe de 22/8/2019; AgInt no REsp n. 1.775.204/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 23/5/2019, DJe de 19/6/2019; AgInt no AREsp n. 1.377.063/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 16/5/2019, DJe de 21/5/2019; REsp n. 1.793.003/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 12/3/2019, DJe de 29/5/2019 e AgInt no REsp n. 1.447.834/CE, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 11/12/2018, DJe de 4/2/2019. VIII - Quanto à ausência de condição válida para o prosseguimento da execução individual, no caso, da prévia liquidação da sentença mandamental coletiva, esta Corte, pela Segunda Turma, examinando recurso especial com origem também na execução da sentença proferida no Mandado de Segurança Coletivo n. 2009.51.01.002254-6, aplicou entendimento firmado nesta Corte no sentido de reconhecer a possibilidade de ajuizamento da execução individual do título formado em ação coletiva, quando for possível a individualização do crédito e a definição do quantum debeatur por meros cálculos aritméticos. IX - Segundo essa jurisprudência, em tal situação não é imprescindível que o credor aguarde a juntada de documentos a cargo do devedor, como é o caso sob análise, em que se pretende o pagamento de valores atrasados de parcelas remuneratórias. Conferir: REsp n. 1.773.287/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 6/12/2018, DJe de 8/3/2019. X - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 1.482.647/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 10/02/2020). ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. SERVIDOR PÚBLICO. TÍTULO JUDICIAL FORMADO EM MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. AÇÃO DE EXECUÇÃO INDIVIDUAL. PRÉVIA LIQUIDAÇÃO. ASSOCIAÇÃO. LISTA DE ASSOCIADOS. DESNECESSIDADE. 1. Cuida-se, na origem, de Agravo de Instrumento contra decisão proferida em Ação de Execução individual de sentença coletiva em que foi declarada de ofício a ilegitimidade ativa de associados que não figuravam, no momento do ajuizamento da ação, no quadro de associados e na lista apresentada pela associação, excluindo-se também do título executivo aqueles associados que não liquidaram previamente o valor reconhecido na Ação Coletiva. 2. Não se pode conhecer da irresignação contra a ofensa aos arts. 489, § 1º, do CPC; 4º, 10, 277, 283, parágrafo único, 502, 503, 509, §§ 2º e 4º, 524, § 3º, 926, 933 e 1.048, I, do CPC; 81, 82, 83, 103 e 104 do CDC; 14, § 4º, 21 e 22 da LMS, pois os referidos dispositivos legais não foram analisados pela instância de origem.Ausente, portanto, o requisito do prequestionamento, o que atrai, por analogia, o óbice da Súmula 282/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada". 3. Constato que não se configura a ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil/2015, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Nesse sentido: REsp 927.216/RS, Segunda Turma, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13.8.2007; e REsp 855.073/SC, Primeira Turma, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 28.6.2007. 4. A jurisprudência do STJ consolidou-se no sentido de não ser exigível a apresentação de autorização dos associados, nem de lista nominal dos representados para impetração de Mandado de Segurança Coletivo pela associação. Configurada hipótese de substituição processual, os efeitos da decisão proferida beneficia todos os associados. Precedentes: AgInt no AREsp 1.307.723/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 13/12/2018; AgInt no REsp 1.447.834/CE, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 4/2/2019; AgInt no REsp 1.567.160/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 14/12/2018. 5. Tal entendimento não é aplicável às Ações Coletivas de rito ordinário propostas por associações, quando se tem exigido, com base em precedente do STF, a necessidade da filiação prévia do associado e a juntada da lista de associados na ocasião do ajuizamento da Ação Individual para o cumprimento da sentença coletiva transitada em julgado. Nesse sentido: REsp 1.395.692/SP, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 23/10/2018; AgInt no AgInt no AREsp 1.187.832/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 20/6/2018. 6. Os efeitos da decisão proferida em Mandado de Segurança Coletivo beneficia todos os associados, ou parte deles cuja situação jurídica seja idêntica àquela tratada no decisum, sendo irrelevante se a filiação ocorreu após a impetração do writ. Nesse sentido: AgInt no AgInt no AREsp 1.187.832/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 20/6/2018. 7. A jurisprudência do STJ tem reconhecido a possibilidade da realização da execução individual de título judicial formado em Ação Coletiva quando for possível a individualização do crédito e a definição do quantum debeatur por meros cálculos aritméticos, mesmo que estes não tenham sido fornecidos pelo devedor, como é o caso sob análise, em que se requer o pagamento de valores atrasados relacionados a parcelas remuneratórias devidas aos recorrentes como servidores públicos. 8. Nessa linha, a compreensão sedimentada no julgamento do REsp 1.336.026/PE (Rel. Ministro Og Fernandes, Primeira Seção, DJe 30.6.2017 - Tema 880), exarada sob o rito dos recursos repetitivos: "A partir da vigência da Lei n. 10.444/2002, que incluiu o § 1º ao art. 604, dispositivo que foi sucedido, conforme Lei n. 11.232/2005, pelo art. 475-B, §§ 1º e 2º, todos do CPC/1973, não é mais imprescindível, para acertamento de cálculos, a juntada de documentos pela parte executada ou por terceiros, reputando-se correta a conta apresentada pelo exequente, quando a requisição judicial de tais documentos deixar de ser atendida, injustificadamente, depois de transcorrido o prazo legal". 9. Em síntese: buscou o STJ, ao interpretar as alterações processuais realizadas ainda na época do código revogado, simplificar a fase de cumprimento da sentença. Quando necessária para liquidação do título executivo judicial a realização de meros cálculos aritméticos, como no caso concreto, o próprio credor apresenta os cálculos com os valores que entende devidos e promove a execução, sem aguardar outro ato de terceiros para o exercício do seu direito. 10. Agravo conhecido para conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, dar-lhe provimento. (AREsp n. 1.554.598/RJ, relatorMinistro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/10/2019). Ressalte-se a desnecessidade de analisar as alegações de nulidade do acórdão recorrido, em razão da procedência recursal quanto ao mérito, conforme previsão do art. 282, § 2º, do CPC/2015. Ante o exposto, com fulcro no art. 932, V, do CPC/2015, c/c o art. 255, § 4º, III, do RISTJ, dou provimento ao recurso especial para determinar o prosseguimento da execução. Ficam invertidos os ônus sucumbenciais. Publique-se. Intimem-se.