HC 962556 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido liminarmente porque trata-se de mera reiteração de pedido já decidido no HC n. 915.524/PR (decisão transitada em julgado em 11/06/2024), circunstância que autoriza o relator a indeferir liminarmente o writ com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ; ademais, a Corte...
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- Parties
- Paciente: MARCOS LOPES FERREIRA; Recorrente: MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 November 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido Liminarmente
- Outcome
- Liminarmente, não conheço do habeas corpus.
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Falta Grave (novo Delito), Art. 83, III, "a" Do Código Penal, Reiteração De Pedido E Indeferimento Liminar (art. 210 Do Ristj), Princípio Da Fungibilidade Recursal, Jurisprudência Consolidada E Julgamento Monocrático
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Parties
MARCOS LOPES FERREIRA
Paciente
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL
Recorrente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido Liminarmente
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do requisito de inexistência de falta grave nos últimos 12 meses para concessão do livramento condicional
- 2 Admissibilidade do habeas corpus como substituto de recurso próprio
- 3 Reiteração de pedido já decidido e transitado em julgado (coisa julgada)
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido liminarmente porque trata-se de mera reiteração de pedido já decidido no HC n. 915.524/PR (decisão transitada em julgado em 11/06/2024), circunstância que autoriza o relator a indeferir liminarmente o writ com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ; ademais, a Corte admite decisão monocrática em casos de jurisprudência pacífica para racionalizar o processo decisório.
Court Disposition
Liminarmente, não conheço do habeas corpus.
Orders
- Liminarmente, não conheço do habeas corpus.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de MARCOS LOPES FERREIRA contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, no julgamento do Agravo de Execução Penal n. 4000322-34.2024.8.16.0019. Consta dos autos que o Juiz das Execuções Criminais deferiu ao executado o benefício do Livramento condicional (e-STJ, fls. 53/54). Contra a decisão, o Ministério público estadual interpôs agravo em execução perante a Corte de origem, o qual deu provimento ao recurso, recebendo o acórdão a seguinte ementa (e-STJ, fl. 13): RECURSO DE AGRAVO Nº 4000322-34.2024.8.16.0019, DA COMARCA DE PONTA GROSSA, VARA DE EXECUÇÕES PENAIS. RECORRENTE - MINISTÉRIO PÚBLICO RECORRIDO - MARCOS LOPES FERREIRA RELATOR - DES. TELMO CHEREM EXECUÇÃO PENAL - LIVRAMENTO CONDICIONAL -REQUISITO SUBJETIVO - FALTA GRAVE (NOVO DELITO)DURANTE O CUMPRIMENTO DA PENA - COMPORTAMENTO CARCERÁRIO INSATISFATÓRIO - CONDIÇÕES PESSOAIS DESFAVORÁVEIS À REINTEGRAÇÃO SOCIAL - ART. 83-III DO CÓDIGO PENAL E ORIENTAÇÃO DO E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO (TEMA Nº 1161) -DECISÃO REFORMADA - RECURSO PROVIDO Nesta impetração, a defesa ressalta que A decisão ora combatida ofende, de maneira flagrante e inexorável, o disposto no artigo 83, inciso III, cláusula "a", do Código Penal, conforme redação dada pela Lei nº 13.964/2019, que estabelece, de forma inequívoca, a necessidade de inexistência de falta grave nos últimos 12 meses como requisito subjetivo para a concessão do livramento condicional. Tal exigência não é mera formalidade, mas, antes, traduz o ponto de equilíbrio cuidadosamente delineado pelo legislador entre a preservação da segurança pública e a tutela dos direitos fundamentais do apenado, descartando, de maneira veemente, a perpetuação de punições alicerçadas em eventos remotos, já superados no tempo e devidamente reabilitados. (e-STJ fls. 5/6). Alega que A decisão atacada constitui flagrante violação aos princípios basilares da proporcionalidade e da individualização da pena, que configuram alicerces imprescindíveis do sistema penal brasileiro e encontram garantia expressa no artigo 5º, inciso XLVI, da Constituição Federal. Ao desconsiderar os esforços contínuos do paciente em sua ressocialização e o lapso temporal transcorrido sem faltas recentes, o Tribunal de origem optou por uma abordagem punitivista, divorciada dos avanços conquistados pelo reeducando, e, assim, perpetrou um ato de manifestação de injustiça (e-STJ fl. 9). Diante disso, requer, liminarmente , seja suspensa a decisão que revogou o livramento condicional do paciente, restabelecendo-se sua liberdade até o julgamento final deste habeas corpus; e no mérito, pede a confirmação da liminar. É o relatório. Decido. Inicialmente, o Superior Tribunal de Justiça, seguindo o entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, como forma de racionalizar o emprego do habeas corpus e prestigiar o sistema recursal, não admite a sua impetração em substituição ao recurso próprio. Cumpre analisar, contudo, em cada caso, a existência de ameaça ou coação à liberdade de locomoção do paciente, em razão de manifesta ilegalidade, abuso de poder ou teratologia na decisão impugnada, a ensejar a concessão da ordem de ofício. Na espécie, embora a impetrante não tenha adotado a via processual adequada, para que não haja prejuízo à defesa do paciente, passo à análise da pretensão formulada na inicial, a fim de verificar a existência de eventual constrangimento ilegal. Acerca do rito a ser adotado para o julgamento desta impetração, as disposições previstas nos arts. 64, III, e 202, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça não afastam do relator a faculdade de decidir liminarmente, em sede de habeas corpus e de recurso em habeas corpus, a pretensão que se conforme com súmula ou com a jurisprudência consolidada dos Tribunais Superiores ou a contraria (AgRg no HC 513.993/RJ, Relator Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 25/06/2019, DJe 01/07/2019; AgRg no HC 475.293/RS, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 27/11/2018, DJe 03/12/2018; AgRg no HC 499.838/SP, Relator Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 11/04/2019, DJe 22/04/2019; AgRg no HC 426.703/SP, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 18/10/2018, DJe 23/10/2018 e AgRg no RHC 37.622/RN, Relatora Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, julgado em 6/6/2013, DJe 14/6/2013). Nesse diapasão, uma vez verificado que as matérias trazidas a debate por meio do habeas corpus constituem objeto de jurisprudência consolidada neste Superior Tribunal, não há nenhum óbice a que o Relator conceda a ordem liminarmente, sobretudo ante a evidência de manifesto e grave constrangimento ilegal a que estava sendo submetido o paciente, pois a concessão liminar da ordem de habeas corpus apenas consagra a exigência de racionalização do processo decisório e de efetivação do próprio princípio constitucional da razoável duração do processo, previsto no art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal, o qual foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela EC n.45/2004 com status de princípio fundamental (AgRg no HC 268.099/SP, Relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 2/5/2013, DJe 13/5/2013). Na verdade, a ciência posterior do Parquet, longe de suplantar sua prerrogativa institucional, homenageia o princípio da celeridade processual e inviabiliza a tramitação de ações cujo desfecho, em princípio, já é conhecido (EDcl no AgRg no HC 324.401/SP, Relator Ministro GURGEL DE FARIA, Quinta Turma, julgado em 2/2/2016, DJe 23/2/2016). Em suma, para conferir maior celeridade aos habeas corpus e garantir a efetividade das decisões judiciais que versam sobre o direito de locomoção, bem como por se tratar de medida necessária para assegurar a viabilidade dos trabalhos das Turmas que compõem a Terceira Seção, a jurisprudência desta Corte admite o julgamento monocrático do writ antes da ouvida do Parquet em casos de jurisprudência pacífica (AgRg no HC 514.048/RS, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 06/08/2019, DJe 13/08/2019). Possível, assim, a análise do mérito da impetração, já nesta oportunidade. No caso específico destes autos, observo que todas as teses defensivas já haviam enfrentadas e afastadas no feito conexo, qual seja, no HC n. 915.524/PR, inviabilizando novo exame nesta oportunidade. Naquela ocasião, quanto ao pleito de concessão do benefício do livramento condicional, considerei que "não está preenchido o requisito subjetivo previsto no art. 83, III, "a", do CP, acima mencionado, para a concessão do benefício, relativo ao bom comportamento carcerário, que deve ser entendido de modo global, o que justifica, efetivamente, o indeferimento da benesse." Referida decisão transitou em julgado em 11/06/2024. Assim, em se tratando de mera repetição de pedido anterior, o não conhecimento da matéria efetivamente é medida que se impõe. Nesse sentido: PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO EM HABEAS CORPUS. RECEBIMENTO COMO AGRAVO REGIMENTAL. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. MERA REITERAÇÃO DE HABEAS CORPUS CONEXO. WRIT INDEFERIDO LIMINARMENTE. 1. O pedido de reconsideração apresentado pela defesa dentro do prazo legal deve ser recebido como agravo regimental, em homenagem ao princípio da fungibilidade das formas processuais. 2. O presente mandamus possui as mesmas causas de pedir e pedido do HC 754.379/SP, verificando, assim, tratar-se de mera reiteração daquele habeas corpus. 3. Pedido de reconsideração recebido como agravo regimental, ao qual se nega provimento. (RCD no HC n. 760.091/SP, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 4/10/2022, DJe de 7/10/2022.) PENAL. AGRAVO REGIMENTAL CONTRA INDEFERIMENTO LIMINAR DE HABEAS CORPUS. ABSOLVIÇÃO QUANTO AO CRIME DE ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO E REVISÃO DA DOSIMETRIA DA PENA. REITERAÇÃO DE PEDIDO JÁ DECIDIDO. 1. Configurada a reiteração de pedido, está o Relator autorizado a indeferir liminarmente o habeas corpus, nos termos do art. 210 do RISTJ. 2. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 771.832/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 4/10/2022, DJe de 10/10/2022.) PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. ART. 33, DA LEI N. 11.343/2006, E ART. 2.º, DA LEI N. 8.072/1990. PLEITO DE REDUÇÃO DA PENA E DE ABRANDAMENTO DO REGIME PRISIONAL INICIAL. REITERAÇÃO DO PEDIDO. MATÉRIA JÁ VEICULADA, COM A MESMA CAUSA DE PEDIR, NO ARESP N. 1.222.516/MG. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. HIPÓTESE DE INDEFERIMENTO LIMINAR DO WRIT. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. - A defesa pretendeu, com o mandamus, que a pena definitiva do agravante fosse reduzida e que se abrandasse o seu regime prisional inicial. - O mandamus, porém, consiste em mera reiteração do pedido formulado no AREsp n. 1.222.516/MG, o qual, ademais, tinha a mesma causa de pedir. - Naquela oportunidade (julgamento do AgRg nos EDcl no AREsp n.º 1.222.516/MG) decidiu-se que "houve fundamentação concreta quando do não reconhecimento do tráfico privilegiado, consubstanciada na conclusão de que o recorrente se dedica às atividades criminosas, ante a apreensão de quantidade elevada de drogas e pelas demais circunstâncias que envolveram o delito, elementos aptos a justificar o afastamento do redutor do art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006". Outrossim, ficou decidido que, "considerando o patamar da pena definitiva que, em tese, comportaria o regime semiaberto, foi estabelecido o fechado de forma fundamentada, não havendo, portanto, ilegalidade a ser sanada.". - Em casos como o presente, a impetração deve ser inadmitida de plano, nos termos do art. 210, do RISTJ. - Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 762.206/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 23/8/2022, DJe de 26/8/2022.) Ante o exposto, com base no art. 210 do Regimento Interno do STJ, liminarmente, não conheço do habeas corpus. Intimem-se. EMENTA