AREsp 1876138 - DECISAO
Conheceu‑se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque sua admissão demandaria o reexame do quantitativo em que autor e réu saíram vencedores ou vencidos (matéria fático‑probatória), vedado pela Súmula 7 do STJ; reconheceu‑se correção de erro material sem alteração do resultado e, com fundamento no art....
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: JOÃO FERNANDO BALDASSARRI SGARBI; Agravada: WALOR LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial (conhecimento Do Agravo)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Locação Comercial, Ação Renovatória, Honorários Advocatícios, Sucumbência Recíproca, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JOÃO FERNANDO BALDASSARRI SGARBI
Agravante
WALOR LTDA.
Agravada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial (conhecimento Do Agravo)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do parágrafo único do art. 86 do CPC quanto à sucumbência mínima
- 2 Obrigatoriedade de condenação proporcional em honorários (art. 85, §§ 10 e 14, e art. 86 do CPC)
- 3 Possibilidade de reexame do quantitativo de sucumbência pelo STJ diante da Súmula 7
Ratio Decidendi
Conheceu‑se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque sua admissão demandaria o reexame do quantitativo em que autor e réu saíram vencedores ou vencidos (matéria fático‑probatória), vedado pela Súmula 7 do STJ; reconheceu‑se correção de erro material sem alteração do resultado e, com fundamento no art. 85, §11, do CPC, majoraram‑se em 15% os honorários da parte recorrente.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conhecer do agravo interposto
- Não conhecer do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por JOÃO FERNANDO BALDASSARRI SGARBI contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - CONSELHEIRO FURTADO - PÁTIO DO COLÉGIO, assim resumido: APELAÇÃO. LOCAÇÃO COMERCIAL. AÇÃO RENOVATÓRIA. ART. 51 DA LEI 8.245/1991. ACESSIO TEMPORIS. PRAZO DA RENOVAÇÃO NÃO RESTRITO À VIGÊNCIA TEMPORAL DO ÚLTIMO CONTRATO EM VIGOR. PREVALÊNCIA DO PRAZO DE CINCO ANOS. Sentença de parcial procedência. Insurgência da autora ao argumento de que o prazo do novo contrato deve ser fixado pela somatória dos lapsos temporais de vigência dos contratos anteriores, a legitimar a renovação por cinco anos. Possibilidade. Interpretação literal do artigo 51, caput, da Lei nº 8.241/91 afastada. Precedente do C. STJ e deste E. Tribunal. Sucumbência atribuída integralmente ao apelado. Sentença reformada. Recurso provido (fl. 259). Alega violação do art. 85, §§ 10 e 14, bem como do art. 86, ambos do CPC, no que concerne à "necessária condenação da recorrida em honorários de sucumbência proporcionais ao seu decaimento" (fl. 299). Traz os seguintes argumentos: .. para aferição da sucumbência recíproca é necessário verificar em quantos pedidos cada parte venceu e foi vencido, bem como comparar a proporcionalidade da importância de cada um desses pleitos em relação ao outro. Neste ponto, vale frisar que, à luz do princípio da causalidade, que ganha concretude normativa no caput e § 10 do artigo 85 do CPC, aquele que deu causa ao litígio deve arcar com a sucumbência, mesmo em caso de perda superveniente do objeto, e ainda que venha a manifestar concordância com a posição da parte contrária, sendo tais elementos irrelevantes para fins de aferição da reciprocidade ou não da sucumbência (fl. 310). .. os E. Julgadores entenderam que a sucumbência da recorrida em valor de R$ 103.612,80 (cento e três mil, seiscentos e doze reais e oitenta centavos) - total que se extrai a partir do valor de R$ 1.451,43 (mil e quatrocentos e cinquenta e um reais e quarenta e três centavos) devidamente atualizado e multiplicado pelo número de meses do contrato - seria "insignificante" em relação ao decaimento da WALOR LTDA., defendida pelo ora recorrente, que se traduz em uma diferença de 36 (trinta e seis) meses de locação a mais a favor da recorrida. O que fizeram os E. Julgadores, portanto, foi aplicar - equivocadamente - o parágrafo único do artigo 86 do Código de Processo Civil, que exclui a distribuição proporcional da sucumbência quando uma das partes sucumbir em parte mínima em relação à outra. Deve-se, assim, analisar se é juridicamente possível que o decaimento da recorrida no total de R$ 103.612,80 (cento e três mil, seiscentos e doze reais e oitenta centavos) seja juridicamente caracterizado como "insignificante" em relação ao seu decaimento quanto ao valor do aluguel (fl. 311). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, acórdão que julgou os primeiros embargos declaratórios assim decidiu: .. não se sustenta o argumento dos embargantes de que houve sucumbência expressiva da embargada, haja vista sua sucumbência mínima em relação ao valor do aluguel, considerando a diferença entre o valor proposto e o fixado na r. sentença, respectivamente R$ 10.654,57 e R$ 11.875,00; tanto mais relevante tal constatação, no cotejo analítico com a expressiva sucumbência da ré quanto ao prazo da renovação, majorado para 60 meses pelo v. acórdão (fl. 282). Já o acórdão que julgou o segundo recurso integrativo entendeu: Trata-se de embargos de declaração opostos por João Fernando Baldassarri Sgarbi em face do v. acórdão de fls. 15/18 dos autos de precedentes aclaratórios, ao pressuposto da ocorrência de erro material. Isso porque o aluguel fixado no v. acórdão da apelação nos autos da ação renovatória foi de R$ 11.875,00, excluído o IPTU, de forma que a diferença entre o valor ofertado pela locatária e o definido, não se limitou a R$ 1.220,43, como concluiu a decisão colegiada embargada, atingindo R$ 1.451,43, com expressiva repercussão à consideração dos 60 meses de locação renovada, perfazendo R$ 103.612,80. Daí porque persegue o reconhecimento da enorme sucumbência da apelante nos autos. É o relatório. Em que pese o efetivo reconhecimento do erro material apontado, a majorar de fato a diferença entre o valor ofertado, e o definido, de R$ 1.220,43 para R$ 1.451,43, o certo é que, no cômputo global da questão posta, sistematicamente considerada em todos os seus contornos, persiste mínima a diferença entre o valor ofertado pela locatária (R$ 10.423,57) e o definido (R$ 11.875,00), com reflexo proporcionalmente de insignificante relevância, para fins de definição de sucumbência, legitimando a aplicação do preceito gizado pelo parágrafo único do art. 86 do CPC. Se assim o é, respeitada a insurgência veiculada, é caso de acolhimento dos embargos, para correção do erro material identificado, no entanto, sem alteração de resultado, presente situação de fato a legitimar a imputação integral dos ônus sucumbenciais à apelada, até porque sua sucumbência no equacionamento do litígio não se limitou à questão do valor do aluguel ofertado, sendo ainda de maior relevância a definição do lapso temporal da relação locatícia renovada, fixado em 60 meses, e não 24 meses, como houvera sido definido na r. sentença recorrida. Do exposto, pelo meu voto, ACOLHEM-SE os embargos, para correção do erro material apontado, sem alteração de resultado (fls. 294/295, grifos meus). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que, muito embora possa o STJ atuar na revisão das verbas honorárias, a apreciação do quantitativo em que autor e réu saíram vencedores ou vencidos na demanda enseja o revolvimento de matéria eminentemente fática. Nesse sentido: "A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de não ser possível a revisão do quantitativo em que autor e réu decaíram do pedido, para fins de aferir a sucumbência recíproca ou mínima, por implicar reexame de matéria fático-probatória, procedimento vedado pela Súmula n. 7 do STJ". (AgInt no AREsp 969.868/MT, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 25/6/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no REsp 1.848.602/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 28/8/2020; AgInt no AREsp 1.571.133/MG, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 7/5/2020; AgInt no REsp 1.336.000/SC, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 14/2/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.