REsp 1853945 - DECISAO
O recurso foi provido parcialmente porque a interrupção da prescrição ocorreu apenas na data em que a parte autora sanou o vício da inicial (juntada da guia de complementação das custas em 18/09/2014), retroagindo, assim, o termo inicial da pretensão punitiva três anos (até 18/09/2011). Quanto à alegação relativa à...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 March 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Provido Em Parte
- Outcome
- Recurso especial provido, em parte.
- Legal Topics
- Locação Imobiliária, Prescrição, Resilição Unilateral, Administração Pública Como Locadora, Entrega Das Chaves
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Provido Em Parte
Legal Issues
- 1 Termo inicial da prescrição
- 2 Interrupção da prescrição em razão da emenda à petição inicial
- 3 Efeitos da resilição unilateral da administração pública sobre a obrigação de pagar aluguéis
Ratio Decidendi
O recurso foi provido parcialmente porque a interrupção da prescrição ocorreu apenas na data em que a parte autora sanou o vício da inicial (juntada da guia de complementação das custas em 18/09/2014), retroagindo, assim, o termo inicial da pretensão punitiva três anos (até 18/09/2011). Quanto à alegação relativa à Lei 8.666/1993 sobre a rescisão unilateral e pagamento até a data da rescisão, a matéria não foi especificamente impugnada no recurso e há óbice da Súmula 283/STF, de modo que tal ponto não foi reformado.
Court Disposition
Recurso especial provido, em parte.
Orders
- Dou parcial provimento ao recurso especial para protrair o termo inicial da condenação ao pagamento de aluguéis até a data de 18/09/2011.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos etc. Trata-se de recurso especial interposto por MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO em face de acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. CONTRATO DE LOCAÇÃO DE BEM IMÓVEL URBANO. AÇÃO DE DESPEJO CUMULADA COM COBRANÇA DE ALUGUEIS E DEMAIS ENCARGOS.SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. RAZÕES DE APELO DA PARTE RÉ QUE PLEITEA A REFORMA DA SENTENÇA PARA JULGAR IMPROCEDENTE OS PEDIDOS AUTORAIS.INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 8.666/93. CONTRATO REGIDO PELA LEI Nº 8.425/91. PRESCRIÇÃO PARCIAL DAS PARCELAS A TÍTULO DE ALUGUEL DOS MESES DE 10/3/2011, 10/4/2011, 10/5/2011, 10/6/2011 e 10/7/2011. PARTE AUTORA FAZ JUS AOS ALUGUEIS A PARTIR DE 14/7/2011 E DEMAIS ENCARGOS A PARTIR DE 10/3/2011, QUE SERÃO DEVIDOS ATÉ A DATA DA EFETIVA ENTREGA DAS CHAVES, MEDIANTE RECIBO. CONTRATO ESCRITO.RESILIÇÃO DEVE SER ESCRITA. ENTREGA DAS CHAVES É ATO SOLENE. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. (fl. 799) Em suas razões, alega a parte recorrente violação aos arts.206, § 3º, I, do Código Civil, art. 240, § 3º, do Código de Processo Civil e art.78, I e XII, e arts.79 da Lei 8.666/1993, sob os argumentos de: (a) fluência da prescrição em virtude do atraso imputável à parte demandante em promover a citação; (b) possibilidade de rescisão unilateral do imóvel por força das cláusulas exorbitantes previstas na Lei de Licitações;e (c) descabimento de alugueis após a rescisão. Contrarrazões às fls. 854/61. É o relatório. Passo a decidir. O recurso especial merece ser provido, em parte. A controvérsia diz respeito à resilição unilateral de um contrato de locação em que a administração pública municipalfigura como locadora. Quanto ao termo inicial da obrigação de pagar alugueis, o Tribunal de origem tomou como referência da data do ajuizamento, computando três anos retroativamente, que é o prazo prescricional. Confira-se, a propósito, o seguinte trecho do acórdão recorrido: Examinando os autos, verifiquei que após o despacho que determinou o complemento das custas processuais no prazo de 30 dias, fls. 43, em 17/7/2014, a parte autora peticionou requerendo nova certificação cartorária por entender que o recolhimento estava correto, fls. 48, em 30/7/2014, e, nova certidão cartorária de fls.49 se deu apenas em 16/9/2014, explicando a parte autora que as custas foram recolhidas a menor. Assim, após certidão cartorária de fls. 49, a parte autora peticionou e juntou as guias de recolhimento em 18/9/2014, conforme fls. 52 a 56. Dessa forma, não há que se falar em demora da parte autora em promover a citação da parte ré, devendo-se aplicar o disposto no art. 240, § 3º, do Código de Processo Civil de 2015. (fls. 803/4) Como se verifica no trecho acima transcrito,a demora na citação foi causada pelo recolhimento a menor do valor das custas processuais, fato imputável à parte autora da demanda. Nessas hipóteses, a jurisprudência desta Corte Superior é pacífica no sentido de que a interrupção daprescrição não se dá na data do ajuizamento, mas nadata em que sanada o vício da inicial, no caso, em 18/09/2014, quando juntada guia de recolhimento de custas complementares. Nesse sentido, por todos: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROPRIEDADE INTELECTUAL. AÇÃO COMINATÓRIA E INDENIZATÓRIA. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO. NOVO EXAME DO RECURSO. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. EFEITO DA CITAÇÃO VÁLIDA. ATRASO ATRIBUÍDO À PARTE AUTORA. PEÇA INAUGURAL QUE NÃO PREENCHEU AS CONDIÇÕES DE PROCEDIBILIDADE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência desta Corte, se a petição inicial não preenche os requisitos do art. 282 do CPC/1973 (correspondente ao 319 do CPC/2015), deve-se considerar a data da emenda à petição inicial para os efeitos de retroação da citação, pois este é o momento em que a ação passou a reunir condições de procedibilidade. 2. Razões recursais insuficientes para a revisão do julgado. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AgInt no AREsp 1137266/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/10/2019, DJe 22/10/2019) Nesse ponto, portanto, o acórdão recorrido merece reforma. De outra parte, no que tange ao termo final da incidência de alugueis, o Tribunal de origem entendeu que esse termo seria a data da entrega das chaves. Nas razões do apelo nobre, a parte ora recorrente alegou ofensa a dispositivos da Lei 8.666/1993 que não versam especificamente sobre a entrega das chaves, mas sobre a possibilidade de rescisão unilateral do contrato por iniciativa da administração pública, e a necessidade de pagamento pela execução do contrato "até a data da rescisão" (cf. art. 79, § 2º, II, da Lei 8.666/1993). Trata-se, portanto, de norma genérica da Lei de Licitações, que não versa sobre locação, e portanto, nãose presta a impugnar os fundamentos do acórdão recorrido. Incide quanto ao ponto, portanto, o óbice da Súmula 283/STF, abaixo transcrita: Súmula 283/STF -É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos êles. Destarte, o recurso especial merece ser provido, em parte, apenas no que tange ao termo inicial da prescrição. Ante o exposto, DOU PARCIAL provimento ao recurso especial para protrair o termo inicial da condenação ao pagamento de alugueis até a data de18/09/2011 (três anos antes da data dajuntada da guia de complementaçãode custas). Advirta-se para o disposto nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015. Intimem-se. EMENTA RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E ADMINISTRATIVO. LOCAÇÃO IMOBILIÁRIA. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO LOCATÁRIA. PRESCRIÇÃO. TERMO"A QUO". DATA DA EMENDA À PETIÇÃO INICIAL. RETROAÇÃO À DATA DO AJUIZAMENTO. DESCABIMENTO. CULPA DA PARTE AUTORA PELO RETARDO NA CITAÇÃO. RETROAÇÃO ATÉ À DATA DA EMENDA À INICIAL.JULGADOS DESTA CORTE SUPERIOR. RESCISÃO DA LOCAÇÃO POR ATO UNILATERAL DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DAS CHAVES. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 79, § 2º, DA LEI 8.666/19991. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AO ACÓRDÃO RECORRIDO. ÓBICE DA SÚMULA 283//STF.RECURSO ESPECIAL PROVIDO, EM PARTE.