HC 840681 - DECISAO
A decisão denegou a ordem por entender que o Tribunal de origem fundamentou-se em elementos concretos dos autos (ouvida a vítima, demonstração de ameaça, oferecimento e recebimento da denúncia, audiência de instrução designada) que evidenciam situação de risco pendente, justificando a manutenção das medidas...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: CARLOS HENRIQUE SILVA DE OLIVEIRA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 February 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória
- Outcome
- Ordem denegada
- Legal Topics
- Medidas Protetivas De Urgência, Injúria, Ameaça, Revogação De Medidas Protetivas, Proteção Da Integridade Da Vítima
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CARLOS HENRIQUE SILVA DE OLIVEIRA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória
Legal Issues
- 1 Cabimento de manutenção de medidas protetivas de urgência até o julgamento da persecução penal diante de situação de risco pendente
- 2 Necessidade de prévia oitiva da vítima para revogação de medidas protetivas
- 3 Fundamento para decretação de custódia cautelar para proteger a integridade da vítima (art. 313, III, CPP)
Ratio Decidendi
A decisão denegou a ordem por entender que o Tribunal de origem fundamentou-se em elementos concretos dos autos (ouvida a vítima, demonstração de ameaça, oferecimento e recebimento da denúncia, audiência de instrução designada) que evidenciam situação de risco pendente, justificando a manutenção das medidas protetivas até o julgamento da persecução penal e inexistindo flagrante ilegalidade a ser sanada.
Court Disposition
Ordem denegada
Orders
- Denegar a ordem em habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de CARLOS HENRIQUE SILVA DE OLIVEIRA, em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS. Consta dos autos que o paciente teve em seu desfavor, no âmbito de acusação de violência doméstica (injúria e ameaça), a imposição de medidas protetivas, a saber, proibição de se aproximar da vítima a certa distância, além de evitar com ela qualquer tipo de comunicação, sendo que, transcorrido o prazo estabelecido pelo Juízo competente, foram as medidas revogadas e depois readmitidas com o provimento de apelação interposta pelo Ministério Público Estadual, em acórdão assim ementado (fls. 148-153): "APELAÇÃO CRIMINAL. AMEAÇA EM CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DE GÊNERO. REVOGADAS AS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA. SITUAÇÃO DE RISCO PENDENTE. PROCEDÊNCIA. 1. A revogação de medidas protetivas de urgência exige a prévia oitiva da vítima para avaliação da cessação efetiva da situação de risco à sua integridade física, moral, psicológica, sexual e patrimonial. 2. Se evidenciada concretamente a situação de risco pendente de violência de gênero, consistente na ameaça, em tese, deduzida contra a vítima, tanto culminou no oferecimento e recebimento da denúncia, razoável as medidas protetivas deferidas perdurem até o julgamento da persecução penal, a teor da finalidade preventiva. 3. Recurso conhecido e provido." (fl. 148) Neste writ, portanto, a impetrante aduz a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto não se é admissível a permanência de medidas protetivas por tempo indeterminado, sobretudo quando comprovada a estabilidade da situação e inexistência de atualidade e urgência em se manter as constrições contra o paciente. Requer, liminarmente e no mérito, a revogação das medidas protetivas. A liminar foi indeferida, às fls. 156-157. Informações prestadas às fls. 169-173, 182-187 e 188-215. O Ministério Público Federal, às fls. 220-221, opinou pela denegação da ordem. Confira-se a ementa do parecer: "PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. INJÚRIA E AMEAÇA. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. MEDIDA PROTETIVA DE URGÊNCIA. REVOGAÇÃO. NÃO CABIMENTO SITUAÇÃO DE RISCO PENDENTE. NECESSIDADE DE PROTEÇÃO DEMONSTRADA. PARECER PELA DENEGAÇÃO DA ORDEM." (fl. 220). É o relatório. DECIDO. No caso em tela, tenho que a decisão do Tribunal de origem se encontra devidamente fundamentada, em dados concretos extraídos dos autos, notadamente se considerada a gravidade concreta da conduta; haja vista que, em tese, " (..) No caso dos autos, embora sem descumprimento das medidas protetivas, consoante informado (mov. 17), além de transcorrido quase 1 (um) ano desde o seu deferimento, como previamente ouvida a vítima e manifestado-se pela continuidade de tais, ainda o apelado não resida na mesma cidade em que ela, é razoável sua duração perdure ao menos até o julgamento da persecução penal deflagrada, estando a audiência de instrução e julgamento designada para 28/02/2024 (Proc. 5710848-66,mov. 40), considerada a finalidade de prevenir a "situação de risco pendente" de violência de gênero (mov. 25), evidenciado concretamente pela ameaça, em tese, deduzida contra a vítima, o que, inclusive, resultou no oferecimento e recebimento da denúncia. (..)" (fl. 213); circunstâncias que evidenciam um maior desvalor da conduta e a periculosidade do agente, justificando as medidas protetivas impostas, mormente, como forma de assegurar a integridade física e psíquica da vítima. Sobre o tema: "Constitui fundamento idôneo à decretação da custódia cautelar a necessidade de resguardar a integridade física e psicológica da vítima que se encontra em situação de violência doméstica, como é o presente caso, conforme art. 313, III, do Código de Processo Penal (AgRg no HC n. 725.221/SP, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 22/3/2022, DJe de 25/3/2022)" (AgRg no HC n. 776.045/TO, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), DJe de 30/8/2023). Diante de tais considerações, portanto, não se vislumbra a existência de qualquer flagrante ilegalidade passível de ser sanada. Ante o exposto, denego a ordem em habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA