AREsp 2750104 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o recorrente possui maus antecedentes (quatro condenações definitivas anteriores) e a lei veda expressamente a concessão do redutor previsto no §4º do art. 33 da Lei 11.343/06 a acusados com maus antecedentes; como os requisitos da minorante são cumulativos, não se...
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- Parties
- Recorrente: ADRIANO MACIEL DE SENE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão (julgamento Colegiado)
- Outcome
- Agravo regimental não provido; mantida a decisão anterior que negou o redutor.
- Legal Topics
- Minorante Do Art. 33, §4º Da Lei N. 11.343/06, Maus Antecedentes, Requisitos Cumulativos Para Aplicação De Redutor
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Parties
ADRIANO MACIEL DE SENE
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão (julgamento Colegiado)
Legal Issues
- 1 Aplicação do redutor do §4º do art. 33 da Lei n. 11.343/06
- 2 Efeito dos maus antecedentes sobre a minorante
- 3 Interpretação dos requisitos cumulativos para a causa de diminuição de pena
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o recorrente possui maus antecedentes (quatro condenações definitivas anteriores) e a lei veda expressamente a concessão do redutor previsto no §4º do art. 33 da Lei 11.343/06 a acusados com maus antecedentes; como os requisitos da minorante são cumulativos, não se pode reconhecer o benefício.
Court Disposition
Agravo regimental não provido; mantida a decisão anterior que negou o redutor.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter inalterada a reprimenda imposta ao recorrente.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Og Fernandes. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. MAUS ANTECEDENTES. REDUTOR. INVIABILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Não há como ser reconhecida a minorante em favor do réu, haja vista a vedação legal expressa da concessão desse redutor aos acusados possuidores de maus antecedentes, tal como no caso, em que o acusado possui quatro condenações definitivas anteriores. 2. Agravo Regimental não provido.
RELATÓRIO ADRIANO MACIEL DE SENE interpõe agravo regimental contra decisão de minha relatoria, em que conheci do agravo e neguei provimento ao recurso especial e, por conseguinte, mantive inalterada a reprimenda a ele imposta pela prática do crime de tráfico de drogas. A defesa reitera a sua compreensão de que "condenações anteriores relacionadas a crimes não elencados na Lei de Drogas, não têm o condão de descaracterizar, por si sós, o perfil de "pequeno traficante ocasional" de um acusado a autorizar, portanto, a incidência do redutor, ainda que se trate de réu reincidente, caso presentes os demais requisitos do art. 33, §4º, da Lei n. 11.343/06" (fl. 624). Requer, assim, a reconsideração do decisum anteriormente proferido ou a submissão do feito a julgamento pelo órgão colegiado, para que seja provido o recurso especial. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. MAUS ANTECEDENTES. REDUTOR. INVIABILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Não há como ser reconhecida a minorante em favor do réu, haja vista a vedação legal expressa da concessão desse redutor aos acusados possuidores de maus antecedentes, tal como no caso, em que o acusado possui quatro condenações definitivas anteriores. 2. Agravo Regimental não provido. VOTO Em que pesem os argumentos despendidos pela defesa, entendo que não lhe assiste razão Para a aplicação da minorante prevista no § 4º do art. 33 da Lei de Drogas, é exigido, além da primariedade e dos bons antecedentes do acusado, que este não integre organização criminosa nem se dedique a atividades delituosas. Isso porque a razão de ser da causa especial de diminuição de pena é justamente punir com menor rigor o pequeno traficante. A propósito, confira-se o seguinte trecho de voto deste Superior Tribunal: "Como é cediço, o legislador, ao instituir o referido benefício legal, teve como objetivo conferir tratamento diferenciado aos pequenos e eventuais traficantes, não alcançando, assim, aqueles que fazem do tráfico de entorpecentes um meio de vida" (HC n. 437.178/SC, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, 5ª T., DJe 11/6/2019). A instância originária negou o benefício ao recorrente, pelos seguintes fundamentos (fls. 518-519, grifei): Na terceira fase, igualmente, razão assiste ao Ministério Público, sendo o caso de afastamento do "privilégio", eis que o réu, sendo portador de maus antecedentes, não preenche os requisitos legais para a diminuição da pena. Como é sabido, "a causa de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da Lei de Drogas só pode ser aplicada se todos os requisitos, cumulativamente, estiverem presentes" (STJ - HC 510.077/SP - Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, Dje 05.08.2019). Dessa forma, verifico que não há como ser reconhecida a incidência do redutor em favor do recorrente, haja vista a vedação expressa da concessão desse benefício aos acusados possuidores de maus antecedentes, conforme bem salientou a Corte Estadual. À vista do exposto, nego provimento ao agravo regimental.