HC 973936 - DECISAO
O Tribunal concluiu que não há flagrante ilegalidade na manutenção da monitoração eletrônica no regime aberto, tendo em vista a legislação superveniente (Lei 14.843/2024, artigos 146-B e 115 da LEP) e a jurisprudência do STJ que admite a tornozeleira quando há déficit de vagas em estabelecimento prisional, motivo...
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- Parties
- Paciente: JOSIMAR TEOTONIO PONTES; Manifestante: Ministério Público Federal; Órgão Coator: Tribunal de Justiça do Estado de Goiás
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 May 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória
- Outcome
- Denegada a ordem de habeas corpus
- Legal Topics
- Monitoração Eletrônica, Tornozeleira Eletrônica, Progressão De Regime, Súmula Vinculante 56, Déficit De Vagas
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Parties
JOSIMAR TEOTONIO PONTES
Paciente
Ministério Público Federal
Manifestante
Tribunal de Justiça do Estado de Goiás
Órgão Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória
Legal Issues
- 1 Legalidade da imposição de monitoração eletrônica no regime aberto
- 2 Aplicabilidade da Lei 14.843/2024 e artigos 146-B e 115 da LEP
- 3 Aplicação da Súmula Vinculante 56 em caso de déficit de vagas
Ratio Decidendi
O Tribunal concluiu que não há flagrante ilegalidade na manutenção da monitoração eletrônica no regime aberto, tendo em vista a legislação superveniente (Lei 14.843/2024, artigos 146-B e 115 da LEP) e a jurisprudência do STJ que admite a tornozeleira quando há déficit de vagas em estabelecimento prisional, motivo pelo qual a ordem de habeas corpus foi denegada.
Court Disposition
Denegada a ordem de habeas corpus
Orders
- Denego a ordem de habeas corpus.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO JOSIMAR TEOTONIO PONTES alega ser vítima de coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás no Habeas Corpus n. 5970857-95.2024.8.09.0000. Consta dos autos que o paciente foi sentenciado ao cumprimento de 18 anos de reclusão, por ter praticado o delito previsto no artigo 121, § 2º, I e IV, e artigo 121, § 2º, II e IV, c/c com o artigo 14, II, do Código Penal. Em 26/6/2023, o Juiz da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal concedeu a progressão de regime do semiaberto para o aberto com a imposição de monitoramento eletrônico (fls. 37). A defesa aduz, em síntese, que a manutenção do paciente sob monitoração eletrônica, estando em regime aberto, é desproporcional e contraria os objetivos da execução penal, o que requer a concessão da liminar para a retirada da tornozeleira; no mérito, pugna pela sua confirmação da medida (fls. 29). Indeferida a liminar, o Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do habeas corpus e, vencida a preliminar, pela denegação da ordem, sob o argumento de que não há ilegalidade na imposição da monitoração eletrônica no regime aberto, conforme a Lei de Execução Penal e jurisprudência consolidada (fls. 56-60). Decido. O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás assim fundamentou o acórdão combatido (fls. 30-32, destaquei): .. Primeiramente, com a devida venia, entendo que o item 4 da ementa apresentada pelo eminente Relator, de que a monitoração eletrônica, no regime aberto, não possui previsão legal e viola o princípio da legalidade da execução penal, além de ser incompatível com a finalidade do regime, encontra-se em descompasso com o ordenamento jurídico, visto que com a superveniência da Lei 14.843/2024, publicada no dia 11.04.2024, restou sedimentado o entendimento de que não há incompatibilidade no cumprimento da pena no regime aberto em domicílio com a monitoração eletrônica, consoante disposto nos artigos 146-B e 115 da LEP. .. Poder-se-ia alegar que, por ser a decisão da autoridade apontada como coatora anterior à inovação legislativa, a ilegalidade patente da decisão objurgada restaria configurada, e, por isto, o presente Habeas Corpus deveria ser conhecido. Referida alegação não mereceria prosperar, e explico o porquê. Antes mesmo da inovação legislativa supramencionada, a Corte Superior já havia sedimentado o entendimento acerca da legalidade da imposição do uso de tornozeleira no regime aberto quando houver reconhecido déficit de vagas no regime adequado, situação que atende aos parâmetros referenciados na Súmula Vinculante 56. Precedentes: AgRg no HC n. 750.926/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/8/2022, D Je de 8/8/2022; AgRg no HC n. 735.396/PR, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Quinta Turma, julgado em 14/6/2022, D Je de 20/6/2022; AgRg no HC n. 737.045/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 10/5/2022, D Je de 16/5/2022; AgRg no HC n. 695.943/MA, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 14/12/2021, D Je de 17/12/2021; AgRg no HC n. 691.963/RS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 19/10/2021, D Je de 22/10/2021. Aliás, oportuno registrar que o STJ tivera oportunidade de enfrentar a matéria ao julgar o Agravo Regimental no Habeas Corpus de nº 767.689 cujo processo principal era oriundo deste Estado e a decisão assentada fora no sentido de que a imposição do uso de tornozeleira eletrônica durante o cumprimento de pena no regime aberto não implica nem em ofensa ao sistema progressivo que rege a execução penal, nem tampouco em agravamento indevido das condições do regime aberto. O acórdão está em consonância com o entendimento desta Corte Superior e não merece reforma. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO AO REGIME ABERTO. MANUTENÇÃO DA PRISÃO DOMICILIAR MONITORADA FIXADA NO REGIME ANTERIOR (SEMIABERTO HARMONIZADO). INEXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE. SOLUÇÃO QUE ENCONTRA GUARIDA NOS PARÂMETROS REFERENCIADOS NA SÚMULA VINCULANTE 56. PRECEDENTES DO STJ. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO SISTEMA PROGRESSIVO. 1. A manutenção do monitoramento eletrônico ao apenado agraciado com a progressão ao regime aberto não implica constrangimento ilegal, pois atende aos parâmetros referenciados na Súmula Vinculante 56. 2. Não há falar em ofensa ao sistema progressivo, pois a observância desse princípio se dá mediante a análise das condições às quais o apenado estaria submetido caso cumprisse a pena em estabelecimento prisional adequado, sendo certo que a prisão domiciliar monitorada, verificada no caso dos autos, não se afigura mais penosa do que aquela que o paciente vivenciaria no cumprimento da pena em regime aberto. 3. No, caso as circunstâncias estabelecidas permitem o deslocamento do paciente até o trabalho e o monitoramento estabelecido traduz a vigilância mínima necessária para aferir o cumprimento de pena fora de estabelecimento prisional, não constituindo meio físico apto a impedir a fuga do agravante, razão pela qual não destoa dos parâmetros estabelecidos para o cumprimento da pena em Casa de Albergado. 4. Se a solução jurídica estabelecida no julgamento do RE n. 641.320/RS e replicada na Súmula Vinculante 56/STF buscou, de um lado, evitar o excesso na execução, de outro, acabou por equiparar, em muitos casos, as condições de cumprimento da pena em regime semiaberto e aberto, consequência essa inarredável. 5. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 691.963/RS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 19/10/2021, DJe de 22/10/2021) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS COLETIVO SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. EXECUÇÃO PENAL. REGIME ABERTO EM PRISÃO DOMICILIAR COM MONITORAMENTO ELETRÔNICO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VAGAS EM ESTABELECIMENTO PRISIONAL COMPATÍVEL. OBSERVÂNCIA DOS PARÂMETROS FIXADOS NO RE 641.320/RS. PLEITO DE RETIRADA DO EQUIPAMENTO. NÃO CABIMENTO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA NA ORIGEM. MEDIDA NECESSÁRIA E ADEQUADA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIVO. 1. O Superior Tribunal de Justiça, alinhando-se à nova jurisprudência da Corte Suprema, também passou a restringir as hipóteses de cabimento do habeas corpus, não admitindo que o remédio constitucional seja utilizado em substituição ao recurso ou ação cabível, ressalvadas as situações em que, à vista da flagrante ilegalidade do ato apontado como coator, em prejuízo da liberdade do paciente, seja cogente a concessão, de ofício, da ordem de habeas corpus. (AgRg no HC 437.522/PR, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 07/06/2018, DJe 15/06/2018) 2. A jurisprudência desta Corte tem reconhecido a legalidade da imposição do uso de tornozeleira no regime aberto quando houver reconhecido déficit de vagas no regime adequado, situação que atende aos parâmetros referenciados na Súmula Vinculante 56. Precedentes: AgRg no HC n. 750.926/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 8/8/2022; AgRg no HC n. 735.396/PR, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Quinta Turma, julgado em 14/6/2022, DJe de 20/6/2022; (AgRg no HC n. 737.045/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 10/5/2022, DJe de 16/5/2022; AgRg no HC n. 695.943/MA, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 14/12/2021, DJe de 17/12/2021; (AgRg no HC n. 691.963/RS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 19/10/2021, DJe de 22/10/2021. 3. A imposição do uso de tornozeleira eletrônica durante o cumprimento de pena no regime aberto não implica nem em ofensa ao sistema progressivo que rege a execução penal, nem tampouco em agravamento indevido das condições do regime aberto. Isso porque, a par de o recolhimento do preso em seu próprio domicílio ser reconhecidamente menos gravoso do que a obrigação de recolhimento noturno em Casa de Albergado, o regime aberto não significa liberdade e, portanto, ausência de intervenção estatal, haja vista que é modalidade de prisão, devendo o executado cumprir regras e adaptar suas atividades a elas, se preciso, de acordo com as possibilidades de fiscalização. 4, Não prospera a alegação de falta de tratamento isonômico entre os sentenciados que cumprem pena no regime aberto em Goiânia/GO, se o Juízo das Execuções informou que a utilização de monitoração eletrônica nos apenados do regime aberto é a regra na Vara, desde 17/03/2020, inicialmente como medida preventiva para evitar a contaminação da COVID-19, mas também diante da precariedade estrutural da Casa de Albergado existente na cidade e da insuficiência de vagas no referido estabelecimento penal. Ademais, as informações prestadas esclareciam que, em novembro/2022, 985 apenados cumpriam pena em Goiânia, no regime aberto, com o uso de tornozeleira eletrônica, e apenas 177 cumpriam a obrigação de comparecimento semanal à casa de albergado para justificar suas atividades, enquanto aguardavam a disponibilização de tornozeleira cuja previsão de fornecimento era de cerca de dois meses. 5. Tampouco há como se acolher a alegação de que a convivência de reeducandos em regime aberto com apenados no semiaberto na Casa de Albergado infligiria aos executados em regime aberto situação mais gravosa, se a própria defesa narra que tal convivência - a par de excepcional e decorrente de rebelião ocorrida na Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto no início do ano de 2018 - teria se encerrado em 31/05/2019, conforme determinação da Portaria 01/2019, editada pelo Juízo da 3ª Vara de Execução Penal de Goiânia em 1º/03/2019. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 767.689/GO, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18/4/2023, DJe de 24/4/2023 ) Assim, uma vez que o Tribunal de origem, em exame do conjunto probatório, entendeu pela adequação da medida, estando ausente hipótese de flagrante ilegalidade, impõe-se a denegação da ordem. À vista do exposto, denego a ordem de habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA