AREsp 1980439 - DECISAO
Verificada a subida de recurso especial sobre controvérsia já submetida ao rito dos recursos repetitivos, e não tendo o Tribunal de origem realizado o juízo de conformidade antes da decisão de admissibilidade, determina-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que observe o procedimento previsto no art....
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Município de Natal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Autos devolvidos ao Tribunal de origem para observância do rito previsto no art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015.
- Legal Topics
- Natureza Do ISS (direto/indireto), Repetição De Indébito Tributário, Art. 166 Do CTN (prova De Não Repercussão), Recursos Especiais Repetitivos (art. 543 C Do Cpc/73), Juízo De Conformidade Pelo Tribunal De Origem (art. 1.030 Do Cpc/2015)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Município de Natal
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se o Tribunal de origem devia proceder ao juízo de conformidade em relação a precedentes repetitivos antes de examinar a admissibilidade do recurso especial
- 2 Necessidade de prova da não repercussão (art. 166 do CTN) para autorizar repetição de indébito quando o ISS tem natureza indireta
- 3 Se a Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do RN incorreu em erro ao inadmitir de pronto o recurso especial sem observar o rito dos recursos repetitivos
Ratio Decidendi
Verificada a subida de recurso especial sobre controvérsia já submetida ao rito dos recursos repetitivos, e não tendo o Tribunal de origem realizado o juízo de conformidade antes da decisão de admissibilidade, determina-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que observe o procedimento previsto no art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015.
Court Disposition
Autos devolvidos ao Tribunal de origem para observância do rito previsto no art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015.
Orders
- Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, a fim de que seja observado o rito previsto no 1.030, I, b, e II, do CPC/2015.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado pelo Município de Natal, desafiando decisão denegatória de admissibilidade a recurso especial, este interposto com base no art. 105, III, a e c, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte, assim ementado (fls. 332/333): EMENTA: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO.APELAÇÃO CÍVEL EM AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE DO PROCESSO POR CERCEAMENTO DE DEFESA DO MUNICÍPIO:AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO EFETIVA DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVENCIMENTO DO MAGISTRADO SENTENCIANTE. PRERROGATIVA DO JULGADOR DE AVALIAR A NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. CONCLUSÃO PELA SUFICIÊNCIA DAS PROVAS JÁ PRODUZIDAS.PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA.NULIDADE INEXISTENTE. REJEIÇÃO. MÉRITO.SOCIEDADE UNIPROFISSIONAL DE ADVOGADOS.RECOLHIMENTO DE IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISSQN COM BASE EM VALOR FIXO ANUAL. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DIFERENCIADO PREVISTO NO ARTIGO 9". § 3", DO DECRETO-LEI Nº 406/68. COMANDO NORMATIVORECEPCIONADO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.AUSÊNCIA DE REVOGAÇÃO DO CITADOMANUTENÇÃO DA CONHECIMENTO E DISPOSITIVO. PRECEDENTES.SENTENÇA QUE SE IMPÕE.IMPROVIMENTO DO RECURSO. Opostos embargos declaratórios, foram acolhidos sem atribuição de efeitos modificativos(fls. 367/372). Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação aoart. 166 do CTN, sustentando que "resta fartamente comprovado que o Tribunal a quo, mantendo inalterados os termos da sentença de primeiro grau, negou vigência aos termos do art. 166, CTN, ignorando que, no caso em apreço, o ISS assume feição de tributo indireto, ao passo que calculado sob a sistemática de alíquota x base de cálculo, sendo indispensável para fins de repetição a observância dos condicionantes ali postos." (fl. 404). Contrarrazões às fls. 411/439. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Discute-se nos autos questão referente a natureza do ISS bem como a necessidade de o contribuinte demonstrar que absorveu o impacto financeiro decorrente do pagamento indevido para fazer jus à repetição de indébito tributário. Verifica-se que, ao tempo da prolação do juízo de admissibilidade do especial apelo, o Superior Tribunal de Justiça já havia afetado a julgamento, pelo rito do art. 1.036 do CPC/2015, recurso representativo da controvérsia acerca do tema (REsp 1131476/RS - Tema 398). A propósito, a ementa do referido julgado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. ISS. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PROVA DA NÃO REPERCUSSÃO. EXIGIBILIDADE, IN CASU. ART. 166 DO CTN. 1. O ISS é espécie tributária que admite a sua dicotomização como tributo direto ou indireto, consoante o caso concreto. 2. A pretensão repetitória de valores indevidamente recolhidos a título de ISS incidente sobre a locação de bens móveis (cilindros, máquinas e equipamentos utilizados para acondicionamento dos gases vendidos), hipótese em que o tributo assume natureza indireta, reclama da parte autora a prova da não repercussão, ou, na hipótese de ter a mesma transferido o encargo a terceiro, de estar autorizada por este a recebê-los, o que não ocorreu in casu, consoante dessume-se do seguinte excerto da sentença, in verbis: "Com efeito, embora pudesse o autor ter efetuado a prova necessária, que lhe foi facultada, deixou de demonstrar que absorveu o impacto financeiro decorrente do pagamento indevido do ISS sobre a operação de locação de móveis, ou que está autorizado a demandar em nome de quem o fez. Omitiu prova de que tenha deixado de repassar o encargo aos seus clientes ou que tenha autorização destes para buscar a repetição, conforme exigência expressa inscrita no art. 166 do CTN." 3. Precedentes: REsp 1009518/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; AgRg no AgRg no REsp 947.702/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/08/2009, DJe 17/08/2009; AgRg no REsp 1006862/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/08/2008, DJe 18/09/2008; REsp 989.634/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2008, DJe 10/11/2008; AgRg no REsp n.º 968.582/SC, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJU de 18/10/2007;AgRg no Ag n.º 692.583/RJ, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJU de 14/11/2005; REsp n.º 657.707/RJ, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJU de 16/11/2004). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art.543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1131476/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) Mesmo na vigência do CPC/73, a aplicação da sistemática dos recursos especiais repetitivos deveria anteceder a análise dos pressupostos de admissibilidade do apelo raro, incumbindo ao Presidente do Tribunal de origem assim proceder em relação aos recursos especiais que versassem sobre os temas já julgados sob o rito do art. 543-C do CPC/73: "Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: I - terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; II - serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça" (art. 543-C, § 7º, I e II, do CPC/73). Esse mesmo procedimento restou ratificado pelo novel diploma processual civil (cf art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015). Assim, haverá o juízo de admissibilidade do recurso especial somente nos casos em que, ultrapassada a fase relativa ao juízo de conformidade, o Tribunal a quo, em decisão colegiada, mantiver a decisão divergente daquela firmada no leading case (art. 543-C, § 8º, do CPC/73: "Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, far-se-á o exame de admissibilidade do recurso especial"; cf ainda art. 1.030, V, c, do CPC/2015). Compete, pois, ao Tribunal a quo efetuar o juízo de conformidade (art. 543-C, §§ 7º e 8º, do CPC/73; art. 1.030, I, b, CPC/2015) antes de analisar os pressupostos de prelibação do recurso especial. De fato, na sistemática introduzida pelo artigo 543-C do CPC/73, incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repetitivo, sob pena de tornar-se ineficaz o propósito racionalizador implantado pela Lei 11.672/2008. Essa conclusão pode ser extraída da fundamentação constante da Questão de Ordem no Ag 1.154.599/SP, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, DJe de 12/5/2011, submetida à apreciação da Corte Especial: "A edição da Lei n. 11.672, de 8.5.2008, decorreu, sabidamente, da explosão de processos repetidos junto ao Superior Tribunal de Justiça, ensejando centenas e, conforme a matéria, milhares de julgados idênticos, mesmo após a questão jurídica já estar pacificada. O mecanismo criado no referido diploma, assim, foi a solução encontrada para afastar julgamentos meramente "burocráticos" nesta Corte, já que previsível o resultado desses diante da orientação firmada em leading case pelo órgão judicante competente. Não se perca de vista que a redução de processos idênticos permite que o Superior Tribunal de Justiça se ocupe cada vez mais de questões novas, ainda não resolvidas, e relevantes para as partes e para o País. Assim, criado o mecanismo legal para acabar com inúmeros julgamentos desnecessários e inviabilizadores de atividade jurisdicional ágil e com qualidade, os objetivos da lei devem, então, ser seguidos também no momento de interpretação dos dispositivos por ela inseridos no Código de Processo Civil e a ela vinculados, sob pena de tornar o esforço legislativo totalmente inócuo e de eternizar a insatisfação das pessoas que buscam o Poder Judiciário com esperança de uma justiça rápida." Nessa linha de intelecção, foi editada a Resolução STJ n.º 17, de 4 de setembro de 2013, cujo art. 2º, II, expressamente dispõe: Art. 2º Verificada a subida de recursos fundados em controvérsia idêntica a controvérsia já submetida ao rito previsto no art. 543-C do Código de Processo Civil, o presidente poderá: I - determinar a devolução ao tribunal de origem, para nele permanecerem sobrestados os casos em que não tiver havido julgamento do mérito do recurso recebido como representativo de controvérsia; II - determinar a devolução dos novos recursos ao tribunal de origem, para os efeitos dos incisos I e II do § 7º do art. 543-C do Código de Processo Civil, ressalvada a hipótese do § 8º do referido artigo, se já proferido julgamento do mérito do recurso representativo da controvérsia. No caso, a Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte inadmitiu, de pronto, o recurso especial, sem que antes fosse cumprido o rito do art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015, isto é: ou negativa de seguimento do recurso especial se o acórdão recorrido estiver em conformidade com o julgado repetitivo; ou encaminhamento do processo ao órgão colegiado para eventual juízo de retratação se o acórdão recorrido divergir do entendimento do STJ. ANTE O EXPOSTO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, a fim de que seja observado o rito previsto no 1.030, I, b, e II, do CPC/2015. Publique-se.