AREsp 2704807 - ACORDAO
O agravo interno foi improvido porque a parte não demonstrou com clareza afronta a lei federal, apontando apenas caput de dispositivos sem comando normativo suficiente (incidência da Súmula 284/STF), e porque o acolhimento de seus argumentos exigiria reexame de matéria fático-probatória e interpretação contratual,...
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- Parties
- Agravante: CREFISA S.A. CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2024
- Procedural Posture
- AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / Julgamento (decisão Colegiada Pela Terceira Turma)
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Negócios Jurídicos Bancários, Ação Revisional, Abusividade Da Taxa De Juros, Cerceamento De Defesa, Prova Pericial Contábil, Súmula 284/stf, Súmulas 5 E 7/stj, Dissídio Jurisprudencial
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Parties
CREFISA S.A. CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
Agravante
Procedural Posture
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / Julgamento (decisão Colegiada Pela Terceira Turma)
Legal Issues
- 1 Alegada afronta à lei federal sem comando normativo suficiente (incidência da Súmula 284/STF)
- 2 Pedido de produção de prova pericial contábil e alegado cerceamento de defesa
- 3 Necessidade de reexame de matéria fático-probatória e interpretação contratual vedada por Súmulas 5 e 7/STJ
Ratio Decidendi
O agravo interno foi improvido porque a parte não demonstrou com clareza afronta a lei federal, apontando apenas caput de dispositivos sem comando normativo suficiente (incidência da Súmula 284/STF), e porque o acolhimento de seus argumentos exigiria reexame de matéria fático-probatória e interpretação contratual, vedados nesta Corte pelas Súmulas 5 e 7/STJ.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL. ABUSIVIDADE DA TAXA DE JUROS. DISPOSITIVOS INDICADOS QUE NÃO SUSTENTAM A TESE RECURSAL POR SI SÓ. AUSÊNCIA DE COMANDO NORMATIVO. SÚMULA N. 284/STF. 1. A alegada afronta à lei federal não foi demonstrada com clareza, pois o único dispositivo apontado como violado não tem comando normativo suficiente para amparar a tese recursal, atraindo, por analogia, o óbice da Súmula 284 do STF (AgInt no REsp n. 1.981.159/RS, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 22/6/2022). 2. Recurso especial que aponta como violado apenas caput de artigo sem comando normativo, e não indica que incisos ou parágrafos teriam sido violados. Incidência da Súmula n. 284/STF. 3. Verificar a necessidade da prova pleiteada e a ocorrência ou não de cerceamento de defesa demandaria reexame de matéria fático-probatória e interpretação das cláusulas contratuais, procedimentos vedados a esta Corte, em razão dos óbices das Súmulas n. 5 e 7/STJ. Agravo interno improvido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Cuida-se de agravo interno interposto por CREFISA S.A. CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS, contra decisão da presidência do STJ que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial (fls. 668-672). Extrai-se dos autos que o recurso especial inadmitido foi interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL assim ementado (fl. 374): APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL. EMPRÉSTIMO PESSOAL. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA POR INEXISTÊNCIA DE DESPACHO SANEADOR. INOCORRÊNCIA. MÉRITO. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE RECONHECIDA. ONEROSIDADE EXCESSIVA NO CASO CONCRETO. SUPERAÇÃO DA TAXA MÉDIA DO BACEN PARA ALÉM DA FAIXA RAZOÁVEL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA QUE NÃO APRESENTOU JUSTIFICATIVA INDIVIDUALIZADA PARA EXIGIR DA PARTE AUTORA, NO CASO CONCRETO, JUROS SUPERIORES À TAL PATAMAR. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES MÍNIMAS, A CARGO DA PARTE DEMANDADA, QUANTO AO PERFIL DE RISCO DO TOMADOR E OUTROS DADOS INDIVIDUALIZADOS DA CONTRATAÇÃO QUE AO BANCO CUMPRIA INFORMAR. DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA. REPETIÇÃO DE VALORES. HONORÁRIOS RECURSAIS DEVIDOS. SENTENÇA MANTIDA. Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls. 404-405). Alega a agravante que não incidiriam no seu recurso especial as Súmulas n. 282, 356 e 284 do STF e n. 7 e 13 do STJ. Aduz, ainda, que (fls. 683-684): Fora destacado o entendimento pacificado da Corte Superior de que a taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle da abusividade, mas o simples fato de a taxa efetiva cobrada no contrato estar acima da taxa média de mercado não significa, por si só, abusividade, devendo ser considerados fatores como os custos da captação dos recursos no local e época do contrato, o valor e o prazo do financiamento, fontes de renda e as garantias ofertadas, dentre outros, em outras palavras, não pode haver o simples julgamento de ação revisional pela Taxa Média informada pelo Banco Central, isso porque, é média e não limite. Pugna, por fim, caso não seja reconsiderada a decisão agravada, submeta-se o presente agravo à apreciação da Turma. A agravada apresentou contrarrazões (fls. 690-698). É, no essencial, o relatório. EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL. ABUSIVIDADE DA TAXA DE JUROS. DISPOSITIVOS INDICADOS QUE NÃO SUSTENTAM A TESE RECURSAL POR SI SÓ. AUSÊNCIA DE COMANDO NORMATIVO. SÚMULA N. 284/STF. 1. A alegada afronta à lei federal não foi demonstrada com clareza, pois o único dispositivo apontado como violado não tem comando normativo suficiente para amparar a tese recursal, atraindo, por analogia, o óbice da Súmula 284 do STF (AgInt no REsp n. 1.981.159/RS, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 22/6/2022). 2. Recurso especial que aponta como violado apenas caput de artigo sem comando normativo, e não indica que incisos ou parágrafos teriam sido violados. Incidência da Súmula n. 284/STF. 3. Verificar a necessidade da prova pleiteada e a ocorrência ou não de cerceamento de defesa demandaria reexame de matéria fático-probatória e interpretação das cláusulas contratuais, procedimentos vedados a esta Corte, em razão dos óbices das Súmulas n. 5 e 7/STJ. Agravo interno improvido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): O agravo interno não merece prosperar. Apesar do esforço argumentativo, entendo que a ausência de qualquer novo subsídio trazido pelo agravante, capaz de alterar os fundamentos da decisão ora agravada, faz subsistir incólume o entendimento nela firmado. No recurso especial, a parte alega violação do art. 421 do CC, pois entende indevida a revisão do contrato bancário para alterar as taxas de juros fixadas, em desrespeito ao princípio da intervenção mínima na relação contratual. Aduz violação dos arts. 355, I e II, e 356, I e II, do CPC, pois considera imprescindível a realização de prova pericial contábil a fim de aferir se de fato há abusividade na taxa de juros fixada e para definir a nova taxa a ser aplicada. Afirma ainda violação do art. 927 do CPC. Por fim, aduz dissídio jurisprudencial com o acórdão do REsp 1.821.182/RS, pois teria reduzido a taxa à média do mercado indevidamente. De início, como pontuado na decisão agravada, o recurso especial não comporta conhecimento quanto à alegada violação do art. 421 do CC, visto que tal dispositivo não têm comando normativo apto a amparar a tese recursal por si só, pois dele não decorre a inviabilidade de revisão de cláusulas contratuais abusivas, o que atrai, por conseguinte, os preceitos da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". No mesmo sentido, cito: III - Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF em razão da ausência de comando normativo dos dispositivos apontados como violados, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." IV - Segundo a jurisprudência do STJ, o óbice de ausência de comando normativo do artigo de lei federal apontado como violado ou como objeto de divergência jurisprudencial incide nas seguintes situações: quando não tem correlação com a controvérsia recursal, por versar sobre tema diverso; e quando sua indicação não é apta, por si só, para sustentar a tese recursal, seja porque o dispositivo legal tem caráter genérico, seja porque, embora consigne em seu texto comando específico, exigiria a combinação com outros dispositivo legais. (AgInt no AREsp n. 2.035.985/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 31/8/2022.) 1. A alegada afronta à lei federal não foi demonstrada com clareza, pois o único dispositivo apontado como violado não tem comando normativo suficiente para amparar a tese recursal, atraindo, por analogia, o óbice da Súmula 284 do STF. (AgInt no REsp n. 1.981.159/RS, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 22/6/2022.) Também não é possível conhecer da alegada violação do art. 927 do CPC. O caput do referido artigo dispõe apenas que "Os juízes e os tribunais observarão". A recorrente, nas razões do recurso especial não especifica quais parágrafos, incisos ou alíneas foram contrariados, o que atrai a incidência do óbice na Súmula 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, confiram-se os julgados: 2. Com efeito, observa-se que o recorrente, ao apontar violação ao art. 1.015 do CPC, não especificou o inciso ou parágrafo que serve de supedâneo aos fundamentos recursais, o que se considera imprescindível para a exata compreensão da tese e delimitação do julgamento, atraindo a incidência da Súmula 284/STF. 3. "A indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz a compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, que, no caso, traz em seu texto uma mera introdução ao regramento legal contido nos incisos ou nas alíneas. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.558.460/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 11/3/2020, AgInt no AREsp n. 1.229.292/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 4/9/2018;AgInt no AgRg no AREsp n. 801.901/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 1º/12/2017; AgInt nos EDcl no AREsp n. 875.399/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 1º/8/2017; AgInt no REsp n. 1.679.614/PE, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 18/9/2017 (..)" (AgInt no AREsp 1.833.676/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 22.9.2021). .. (AgInt no AREsp n. 2.102.230/MA, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 4/11/2022.) 2. Em relação ao pedido de majoração do quantum indenizatório, a alegação genérica de violação à lei federal, sem indicar de forma precisa o artigo, parágrafo ou alínea, da legislação tida por violada, tampouco em que medida teria o acórdão recorrido vulnerado a lei federal, bem como em que consistiu a suposta negativa de vigência da lei e, ainda, qual seria sua correta interpretação, ensejam deficiência de fundamentação no recurso especial, inviabilizando a abertura da instância excepcional. Aplicação da Súmula n. 284/STF. (AgInt no AREsp n. 2.042.341/RJ, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 17/8/2022.) Por fim, quanto à tese de que houve afronta aos arts. 355, I e II, e 356, I e II, do CPC, pois seria imprescindível a realização de prova pericial contábil, veja-se o que consignou o acórdão recorrido (fl. 364): A instituição financeira arguiu cerceamento de defesa, por ausência de sua intimação para produção da prova pericial que requereu em contestação. Sem razão. A uma, porque é o juiz o destinatário da prova, cabendo a este aferir da necessidade ou não de sua produção, na esteira do que preceitua o art. 370 do CPC. A duas, porque a demanda versa matéria exclusivamente de direito, comportando julgamento imediato, fulcro no art. 355, I, do CPC, pois desnecessária a produção de outras provas, sendo àquelas constantes nos autos suficientes para o seu convencimento. Desse modo, considerando a fundamentação do acórdão objeto do recurso especial, os argumentos utilizados pela parte recorrente somente poderiam ter sua procedência verificada mediante o necessário reexame de matéria fático-probatória e interpretação das cláusulas contratuais, procedimentos vedados a esta Corte, em razão dos óbices das Súmulas n. 5 e 7/STJ. Por fim, a incidência da Súmula n. 7 do STJ quanto à interposição pela alínea "a" do permissivo constitucional impede o conhecimento do recurso especial pela divergência jurisprudencial sobre a mesma questão. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como penso. É como voto.