AREsp 1921007 - DECISAO
O agravo foi negado provimento porque o Tribunal a quo, ao decidir a causa, não deixou omissão apta a configurar violação ao art. 1.022 do CPC/2015 e as teses legais indicadas pelo agravante não foram apreciadas pelo tribunal de origem, caracterizando ausência de prequestionamento, óbice que impede o conhecimento do...
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- Parties
- Agravante: UNIÃO; Agravado/autor: MILITAR ANISTIADO DA AERONÁUTICA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão (negado Provimento)
- Outcome
- Nega-se provimento ao Agravo em Recurso Especial da UNIÃO
- Legal Topics
- Negativa De Prestação Jurisdicional, Prequestionamento (súmula 211/stj), Anistia Política, Promoção De Militar Anistiado, Prescrição Do Fundo De Direito (decadência), Atualização Monetária (art. 1º F Lei 9.494/97)
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Parties
UNIÃO
Agravante
MILITAR ANISTIADO DA AERONÁUTICA
Agravado/autor
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 Violação ao art. 1.022 do CPC/2015 (omissão)
- 2 Ausência de prequestionamento quanto às normas suscitadas
- 3 Direito à promoção de anistiado político às graduações que teria alcançado
Ratio Decidendi
O agravo foi negado provimento porque o Tribunal a quo, ao decidir a causa, não deixou omissão apta a configurar violação ao art. 1.022 do CPC/2015 e as teses legais indicadas pelo agravante não foram apreciadas pelo tribunal de origem, caracterizando ausência de prequestionamento, óbice que impede o conhecimento do recurso especial nos termos da Súmula 211/STJ.
Court Disposition
Nega-se provimento ao Agravo em Recurso Especial da UNIÃO
Orders
- Nega-se provimento ao Agravo em Recurso Especial da UNIÃO
- Majoram-se, em desfavor da parte recorrente, os honorários sucumbenciais em 10% do valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites dos §§ 2º e 3º e o art. 98, § 3º do mesmo diploma
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1 paragraphs
DECISÃO PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. MILITAR DA AERONÁUTICA. ANISTIADO POLÍTICO.AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL D A UNIÃO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Agrava-se de decisão que inadmitiu o recurso especial interposto pela UNIÃO, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneaa, da CF/1988, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo TRF da 1ª Região, assim ementado: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR MILITAR. ANISTIADO POLÍTICO. LEI Nº 10.559/2002. PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE DIREITO. INOCORRÊNCIA. PROMOÇÃO DE TERCEIRO SARGENTO DA AERONÁUTICA PARA SUBOFICIAL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF E DESTE TRIBUNAL. 1. Militar anistiado da Aeronáutica na graduação de Segundo-Sargento, com soldo e vantagens de Primeiro-Sargento, que pretende seja deferida sua promoção à graduação de Suboficial, com soldo e vantagens de Segundo-Tenente, com efeitos pretéritos à data da publicação do ato que o anistiou. 2. Inocorrência, na hipótese, da prescrição do fundo de direito (decadência), tendo em vista que a Lei 10.559/02, regulamentando o art. 8º do ADCT/88, veiculou renúncia à prescrição, ao reconhecer, por meio de um regime próprio, o direito à reparação econômica de caráter indenizatório aos anistiados políticos. 3. Nos termos da interpretação dada pelo Supremo Tribunal Federal "ao disposto no artigo 8º do ADCT, incluem-se no âmbito de incidência do beneficio constitucional da anistia tanto as promoções fundadas no critério de antiguidade quanto no critério de merecimento, há de exigir-se, apenas, a observância dos prazos de permanência em atividades inscritas nas leis e regulamentos vigentes, inclusive, em consequência do requisito de idade-limite para ingresso em graduações ou postos que constem de leis e regulamentos vigentes na ocasião em que o servidor seria promovido. (Precedentes: RE n. 166.791-EDv, Relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário, DJe de 19.10.07; RE n. 628.570-ED, Relator o Ministro Gilmar Mendes, 2ª Turma, DJe de 23.03.11; RE n. 596.827-ED, r Turma, Relator o Ministro Eros Grau, DJ de 09.04.10). (..) Todavia, as promoções devem, necessariamente, ser feitas dentro do mesmo quadro da carreira militar (Precedente: RE 165.438, Relator o Ministro Carlos Velloso, Pleno, DJ de 05.05.06)." (RE 645084 AgR, Relator: Min. LUIZ FUX, 1" Turma, DJe 05-09-2012). 4. Com esteio na orientação da Corte Suprema, assentada em repercussão geral (ARE 781792/RJ), esta Corte Regional de Justiça firmou o entendimento de que "O anistiado na graduação de segundo-sargento com proventos e vantagens de primeiro-sargento tem direito à promoção ao posto de suboficial, com proventos de segundo-tenente, cumprindo os prazos de permanência em atividade inscritos nas leis e regulamentos vigentes, inclusive, em conseqüência, do requisito de idade-limite para ingresso em graduações ou postos, que constem de leis e regulamentos vigentes na ocasião em que seriam promovidos." (AC 19939-73.2006.4.01.3400/DF, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL GILDA SIGMARINGA SEIXAS, 1 8 Turma, e-DJF de 09/07/2015). 5. Sentença reformada para afastar a prescrição do fundo de direito e reconhecer o direito à promoção do autor, anistiado político, à graduação de Suboficial da Aeronáutica do Brasil, observados os prazos de permanência em atividades inscritas nas leis e regulamentos vigentes,inclusive, em consequência do requisito de idade-limite para ingresso em graduações ou postos que constem de leis e regulamentos vigentes na ocasião em que o servidor seria promovido. Atrasados corrigidos segundo o MCJF. 6. Inversão da sucumbência. 7. Apelação do autor provida. (fls. 541/542). 2. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 573/579). 3. Nasrazões do seurecurso especial (fls. 582/592), a parte agravante sustenta:(a) violação aos arts. 458, II, e 1022 do CPC. A omissão consiste na recusa a enfrentar ponto de extrema relevância para o justo desfecho da causa, qual seja, a existência de prova nos autos de que algum cabo já tenha alcançado a graduação de Suboficial, isto é, a comprovação concreta de que a graduação de maior frequência, dentre os que permaneceram na ativa, era a de Suboficial, de modo a se concluir que essa é, de fato, a situação funcional dos militares paradigmas (art. 6º, § 4º, da Lei n. 10.529/2002)(fl. 586);(b) violação ao art. 6º da Lei n. 10.559/2002, a jurisprudência da Suprema Corte não afasta a obediência ao requisito da observância do paradigma tal como previsto em lei. Aliás, o STF, bem ao contrário disso, orienta que sejam respeitados "as leis e os regulamentos vigentes". Ocorre que a Corte Regional desconsiderou a necessidade de observância dos paradigmas para fins de promoção dos militares anistiados (fl. 587);(c) que no art. l-F da Lei nº 9.494/97, na redação conferida pela Lei 11.960/09, afirma quecaberá ao Supremo estipular o termo final da utilização da TR, a partir do qual os débitos judiciais da Fazenda Pública passarão a ser atualizados pelo IPCA-E(fl. 591). 4. Devidamente intimada a parte agravada não apresentou as contrarrazões. 5. No caso, o Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial em razão dos seguintes fundamentos: (a) afastada a alegada negativa de prestação jurisdicional; (b) incidência da Súmula 83 do STJ-O acórdão recorrido está em consonância com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de conceder ao anistiado político as promoções a que teria direito se permanecesse na ativa do serviço militar, independentemente de aprovação em cursos ou avaliações, observados os prazos de permanência em atividades e no caso de paradigmas o quadro que originalmente integrava(fl. 613); e (c) já restou decidido, tanto pelo STJ quanto pelo STF, que o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 não prevê parâmetro adequado à atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública(fl.617), razão pela qual se interpôs o presente agravo em recurso especial, ora em análise. 6. É o relatório. 7. A irresignação não merece prosperar. 8.Inicialmente, é importante ressaltar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3 do STJ, segundo o qual, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016), serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo Código. 9. Não há violação ao art. 1.022 do CPC/2015, quando o Tribunal a quo se manifesta clara e assentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a fundamentadamente (art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. 10. No que toca aos demais artigos tidos por violadospara que se configure o prequestionamento, não basta que o recorrente devolva a questão controvertida ao Tribunal, é necessário que a causa tenha sido decidida à luz da legislação federal indicada, bem como que seja exercido juízo de valor sobre o dispositivo legal indicado e a tese recursal a ele vinculada, interpretando-se a sua aplicação ou não ao caso concreto. 11. Ausente oprequestionamentoda matéria tida porviolada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n.211da Súmula do STJ: "inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 das Súmulas do STF. 12. É cediço que não há contradição entre a inexistência de ofensa ao art. 535 do CPC/1973 (1.022 do CPC/2015) e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo Tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. 13.Nesse contexto, por simples cotejo das razões recursais com os fundamentos do acórdão, percebe-se que a tese recursal vinculada aos dispositivos tidos como violados não foi examinada pelo Tribunal de origem. A propósito: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. REEXAME DE PROVAS. INVIABILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA Nº 211/STJ. DISSÍDIO NÃO CONHECIDO. SÚMULA Nº 13/STJ. 1. A reforma do julgado demandaria o reexame do contexto fático-probatório, procedimento vedado na estreita via do recurso especial, a teor da Súmula nº 7/STJ. 2. O Superior Tribunal de Justiça não reconhece o prequestionamento pela simples oposição de embargos declaratórios (Súmula nº 211). Persistindo a omissão, é necessário interpor recurso especial por afronta ao art. 535 do Código de Processo Civil de 1973, sob pena de perseverar o óbice da ausência de prequestionamento. 3. Agravo interno não provido(AgInt nos EDcl no AREsp 1.074.244/SP, Rel. Min. RICARDO VILLAS B AS CUEVA, DJe 6.10.2017). TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. DEMORA NA CITAÇÃO. CONTRIBUINTE. SÚMULA 106/STJ. 1. A alegação do contribuinte sobre a afronta dos arts. 355, 358, 429 431-A, 433, 435 e 535, II, do CPC e do art. 106 CTN, a despeito da oposição de Embargos Declaratórios, não foi apreciada pelo acórdão recorrido. Dessa forma, inobservou-se o requisito do prequestionamento. Incidência da Súmula 211/STJ. (..) 3. Recurso Especial conhecido parcialmente e, nessa parte, não provido(REsp 1.503.147/PE, Rel. Min. Rel. HERMAN BENJAMIN, DJe 31.3.2015). 14 . Diante do exposto, nega-se provimento ao Agravo em Recurso Especial da UNIÃO. 15.Por fim, caso exista nos autos prévia fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias de origem, majoro, em desfavor da parte recorrente, em 10% (dez por cento) o valor já arbitrado (na origem), nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo, bem como os termos do art. 98, § 3º, do mesmo diploma legal. 16. Publique-se. Intimações necessárias.