AREsp 2206293 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque o Tribunal de origem fundamentou adequadamente sua decisão sem omissão nos termos do art. 1.022 do CPC/2015, e a questão relativa à preclusão temporal e ao termo inicial foi resolvida com base no conjunto fático-probatório dos autos, cuja revisão exigiria novo exame de provas...
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- Parties
- Agravante: Maria Luzia da Conceição Santos
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Julgamento Virtual (20/02/2024 a 26/02/2024)
- Outcome
- Agravo interno não provido.
- Legal Topics
- Negativa De Prestação Jurisdicional, Preclusão Temporal, Fixação Do Termo Inicial Dos Juros, Súmula 7/stj, Súmula 490/stj, Art. 1.022 Do Cpc/2015, Reexame Necessário
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Parties
Maria Luzia da Conceição Santos
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Julgamento Virtual (20/02/2024 a 26/02/2024)
Legal Issues
- 1 ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 (omissão)
- 2 ocorrência de preclusão temporal e fixação do termo inicial
- 3 vedação ao reexame do acervo fático-probatório em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque o Tribunal de origem fundamentou adequadamente sua decisão sem omissão nos termos do art. 1.022 do CPC/2015, e a questão relativa à preclusão temporal e ao termo inicial foi resolvida com base no conjunto fático-probatório dos autos, cuja revisão exigiria novo exame de provas vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Agravo interno não provido.
Orders
- Agravo interno não provido.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 20/02/2024 a 26/02/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL. RESOLUÇÃO NA ORIGEM COM BASE NO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. A fundamentação do acórdão recorrido, integrada com a apreciação de embargos de declaração, permite concluir que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão e solucionou a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. 2. Para infirmar as premissas da Corte de origem sobre a ocorrência de preclusão temporal, seria necessário novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o obstáculo contido na Súmula 7/STJ. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): Trata-se de agravo interno manejado por Maria Luzia da Conceição Santos contra decisão monocrática de fls. 341/343, que negou provimento ao agravo diante dos seguintes fundamentos: (I) não configuração de ofensa ao art. 1.022 do CPC; e (II) impossibilidade de análise da ocorrência da preclusão temporal no caso concreto em virtude do óbice da Súmula 7/STJ. Neste agravo interno, sustenta a parte recorrente, inicialmente, que "ainda que se entenda não ter ocorrido a violação ao artigo 1022 do CPC, isso não impede a análise da matéria principal no recurso especial, visto que a alegação de violação ao artigo 1022 do CPC se tratou apenas de um pedido subsidiário" (fl. 351). Adentra, a seguir, o mérito da discussão, argumentando que "não há que se falar em preclusão temporal para a aplicação dos juros tão somente após a data da homologação do cálculo original (11/10/2016), em razão da decisão de fls. 140(do agravo de instrumento) que havia fixado os parâmetros para o cálculo do saldo remanescente de precatório" (fl. 353). Prossegue, ainda, defendendo que "não há que se falar na ocorrência de preclusão temporal, em razão do autor não ter recorrido do r. despacho de fls. 140, que havia fixado parâmetros para o cálculo, uma vez que a mencionada decisão se trata de um despacho de mero expediente, que apenas fixou parâmetros para o cálculo, determinando a realização de novo cálculo, não sendo passível de recurso" (fl. 357). Por fim, assevera a inaplicabilidade da Súmula 7/STJ ao caso, pois "o recurso especial do autor não busca a revisão de provas dos autos, mas sim a correta aplicação da Lei e da jurisprudência sobre o caso, para que seja afastada a ocorrência de preclusão temporal e determinada a incidência de juros entre a data da conta e a inscrição do precatório, nos termos do Tema 96 do STF" (fl. 362). Sem impugnação (fl. 370). É O RELATÓRIO. EMENTA PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL. RESOLUÇÃO NA ORIGEM COM BASE NO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. A fundamentação do acórdão recorrido, integrada com a apreciação de embargos de declaração, permite concluir que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão e solucionou a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. 2. Para infirmar as premissas da Corte de origem sobre a ocorrência de preclusão temporal, seria necessário novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o obstáculo contido na Súmula 7/STJ. 3. Agravo interno não provido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): O recurso não prospera, pois, a despeito dos argumentos defendidos no recurso ora em análise, a decisão agravada não merece reparos. Como destacado anteriormente, não se vislumbra na hipótese vertente que o v. acórdão recorrido padeça de qualquer dos vícios descritos no art. 1.022, II, do CPC. Com efeito, o órgão julgador apreciou, com coerência, clareza e devida fundamentação, as teses suscitadas pelo jurisdicionado. A propósito, observa-se que o Colegiado a quo se manifestou expressamente acerca dos temas necessários à integral solução da lide; não é legítimo confundir a fundamentação deficiente com a sucinta, porém suficiente, mormente quando contrária aos interesses da parte. O julgado abordou as questões apresentadas pelas partes de modo consistente a formar e demonstrar seu convencimento bem como elucidou as suas razões de decidir de maneira clara e transparente, não se vislumbrando a alegada violação legal. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. DATA DA CITAÇÃO 1. Se as questões trazidas à discussão foram dirimidas, pelo Tribunal de origem, de forma suficientemente ampla, fundamentada e sem omissões, obscuridades ou contradições, devem ser afastadas as alegadas ofensas ao artigo 1.022 do Código de Processo Civil de 2015. 2. O Superior Tribunal de Justiça firmou orientação no sentido de que o termo inicial dos juros de mora, nas indenizações por danos materiais e morais decorrentes de ilícito contratual, é a data da citação. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.364.146/MG, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 5/9/2019, DJe 19/9/2019.) PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015 NÃO CONFIGURADA. REEXAME NECESSÁRIO. SENTENÇA ILÍQUIDA. SÚMULA 490/STJ. 1. No que se refere à alegada afronta ao disposto no art. 1.022 do CPC/2015, verifico que o julgado recorrido não padece de omissão, porquanto decidiu fundamentadamente a quaestio trazida à sua análise, não podendo ser considerado nulo tão somente porque contrário aos interesses da parte. 2. Hipótese em que o Tribunal de origem não conheceu da Remessa Necessária por entender que, "no caso concreto, o valor do proveito econômico, ainda que não registrado na sentença, é mensurável por cálculos meramente aritméticos" (fl. 140, e-STJ). 3. O STJ, no julgamento do Recurso Especial 1.101.727/PR, submetido ao rito do art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973, firmou entendimento segundo o qual o Reexame Necessário de sentença proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público (art. 475, § 2º, do CPC/73) é regra, admitindo-se sua dispensa nos casos em que o valor da condenação seja certo e não exceda a 60 (sessenta) salários mínimos. 4. Tal entendimento foi ratificado com o enunciado da Súmula 490/STJ: A dispensa de reexame necessário, quando o valor da condenação ou do direito controvertido for inferior a sessenta salários mínimos, não se aplica a sentenças ilíquidas. 5. Recurso Especial parcialmente provido para determinar o retorno dos autos à origem para que a sentença seja submetida ao Reexame Necessário. (REsp n. 1.679.312/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/8/2017, DJe 12/9/2017.) Registre-se que o mero inconformismo da parte não autoriza a reabertura do exame de matérias já apreciadas e julgadas, ou a introdução de questão nova, conforme já se manifestou este Superior Tribunal: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. UTILIZAÇÃO DE ÁGUA SUBTERRÂNEA PROVENIENTE DE POÇO ARTESIANO PARA CONSUMO HUMANO. LOCAL ABASTECIDO PELA REDE PÚBLICA. NECESSIDADE DE OUTORGA. QUESTÃO DECIDIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM MEDIANTE ANÁLISE DE LEGISLAÇÃO LOCAL. OFENSA REFLEXA. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA 280/STF. INEXISTÊNCIA DE QUAISQUER DOS VÍCIOS DO ART. 1022 DO CPC/2015. REDISCUSSÃO DE QUESTÕES JÁ RESOLVIDAS NA DECISÃO EMBARGADA. MERO INCONFORMISMO. PRETENSÃO DE EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. EMBARGOS REJEITADOS. 1 - Para que os aclaratórios, como recurso de fundamentação vinculada que é, possam prosperar, se faz necessário que o embargante demonstre, de forma clara, a ocorrência de obscuridade, contradição ou omissão em algum ponto do julgado, sendo tais vícios capazes de comprometer a verdade e os fatos postos nos autos. 2 - Eventual violação de lei federal, tal como posta pela embargante, seria reflexa, e não direta, uma vez que para o deslinde da controvérsia seria imprescindível a interpretação do Decreto Estadual nº 23.430/74, descabendo, portanto, o exame da questão em recurso especial. 3 - Embargos rejeitados (EDcI no Aglnt no AREsp n. 875.208/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/9/2016, DJe 20/9/2016.) No mais, em relação à alegação de que não se teria configurado a preclusão temporal no caso concreto, faz-se oportuna a observação do seguinte trecho extraído do acórdão recorrido (fls. 190/191): "Todavia, é imperativo que se reconheça que as questões já apreciadas anteriormente estão fulminadas pela preclusão temporal, cujo termo inicial deve ser a data em que foi o agravante intimado da primeira decisão que fixou os critérios de apuração do saldo remanescente (publicada em 10.10.2018 - fls. 306 dos autos principais), havendo, por conseguinte, óbice ao processamento do presente agravo de instrumento, protocolado apenas em 25.03.2021, em respeito ao que dispõe os artigos 507 e 1.015, § único, do novo Código de Processo Civil. (..) Nem se argumente que a r. decisão de fls. 140 se trata de mero despacho, pois a determinação não foi para que o contador conferisse os cálculos das partes tão somente, muito pelo contrário, o juiz decidiu questão incidental de relevância para o deslinde da controvérsia". Assim, inafastável a conclusão de que a alteração das premissas adotadas pela Corte de origem, tal como colocada a questão nas razões recursais, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. ANTE O EXPOSTO, nega-se provimento ao agravo interno. É o voto.