REsp 2155416 - DECISAO
O recurso não merece provimento porque não houve omissão a que se refere o art. 1.022 do CPC; o Tribunal de origem corretamente aplicou o entendimento do Tema 692/STJ, autorizando a devolução por desconto até 30% nos próprios autos somente quando houver benefício ativo, e determinando que, na ausência de benefício...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL; Recorrida: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento/decisão
- Outcome
- Conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Negativa De Prestação Jurisdicional, Ressarcimento De Valores Recebidos Em Tutela Antecipada Revogada, Inscrição Em Dívida Ativa, Aplicação Do Tema 692/stj, Incidência Das Súmulas 283 E 284/stf
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
parte autora
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento/decisão
Legal Issues
- 1 Possibilidade de cobrança nos próprios autos dos valores recebidos em tutela antecipada posteriormente revogada quando houver benefício previdenciário ativo
- 2 Na ausência de benefício ativo, cobrança por meio de processo administrativo ou judicial e possibilidade de inscrição em dívida ativa
- 3 Alegação de omissão sob o art. 1.022 do CPC e sua rejeição pelo tribunal
Ratio Decidendi
O recurso não merece provimento porque não houve omissão a que se refere o art. 1.022 do CPC; o Tribunal de origem corretamente aplicou o entendimento do Tema 692/STJ, autorizando a devolução por desconto até 30% nos próprios autos somente quando houver benefício ativo, e determinando que, na ausência de benefício ativo, a cobrança se dê por processo administrativo ou judicial, inclusive via inscrição em dívida ativa nos termos do art. 115 da Lei 8.213/91; ademais, a recorrente deixou de impugnar especificamente o fundamento autônomo do acórdão, atraindo as Súmulas 283 e 284 do STF, razão pela qual o recurso foi parcialmente conhecido e, nessa extensão, negado provimento.
Court Disposition
Conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO assim ementado (fl. 33): AGRAVO DE INSTRUMENTO. TEMA 692/STJ. RESSARCIMENTO DE VALORES RECEBIDOS EM TUTELA ANTECIPADA POSTERIORMENTE REVOGADA. AUSÊNCIA DE BENEFÍCIO ATIVO. COBRANÇA NOS PRÓPRIOS AUTOS. INVIABILIDADE. 1. A questão da devolução de valores percebidos em tutela antecipada, posteriormente revogada, foi confirmada em pedido de revisão de tese, pelo Superior Tribunal de Justiça, no Tema 692, ficando estabelecida a obrigação do autor da ação de devolver os valores do benefício previdenciário recebido em antecipação de tutela que restou revogada, o que pode ser feito, nos próprios autos, por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que lhe estiver sendo pago. 2. Entretanto, no caso da ausência de benefício ativo, os valores pagos além do devido poderão ser cobrados pelo INSS mediante o devido processo legal, administrativo ou judicial, salientando-se, inclusive, a possibilidade de inscrição em dívida ativa para fins de execução fiscal. Interpretação conforme a constituição do art. 115 da Lei 8.213/91. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. Nas razões do apelo nobre, fundamentado na alínea a do permissivo constitucional, o INSS alega, inicialmente, ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, aduzindo negativa de prestação jurisdicional. Sustenta, ainda, violação dos arts. 297, parágrafo único; 300, § 3º; 302, I e III; 520, I e II, e §5º, e 927, III, todos do Código de Processo Civil, assinalando que, "mesmo na hipótese de o título executivo não conter disposição expressa quanto à necessidade de devolução dos valores, a cobrança nos próprios autos é possível" (fl. 67). Sem contrarrazões, o recurso especial foi admitido na origem. É o relatório. Decido. De início, o recurso não prospera quanto à alegada ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, pois o Tribunal a quo enfrentou expressamente o tema referente ao pleito do INSS de restituição, nos próprios autos, dos valores auferidos pela parte autora por força de tutela antecipada posteriormente revogada, apenas não tendo acolhido a tese da autarquia. Portanto, inexiste omissão, razão pela qual não há falar em ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.878.277/DF, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 7/12/2023; AgInt no AREsp n. 2.156.525/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 2/12/2022. Quanto ao mais, o Tribunal de origem manifestou-se nos seguintes termos (fls. 30-31; grifos no original): O Superior Tribunal de Justiça, ao julgar, na sessão de 11/05/2022, a Pet. 12482/DF, reafirmou a tese jurídica quanto ao Tema nº 692, fixando a seguinte tese: A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago. .. Assim, é questão que já foi confirmada em pedido de revisão de tese, pelo Superior Tribunal de Justiça, no Tema 692, ficando estabelecida a obrigação do autor da ação de devolver os valores do benefício previdenciário recebido em antecipação de tutela que restou revogada, o que pode ser feito, nos próprios autos, por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que lhe estiver sendo pago. Contudo, caso não haja benefício previdenciário ativo, os valores pagos além do devido poderão ser cobrados pelo INSS mediante o devido processo legal, administrativo ou judicial, salientando-se, inclusive, a possibilidade de inscrição em dívida ativa para fins de execução fiscal. Importa considerar que, ainda que o julgamento do Tema 692 não tenha enfrentado diretamente a questão acerca dos critérios processuais para a execução dos valores a serem repetidos, é fato que o STJ se valeu do disposto no art. 115 da Lei n. 8213/91, em sua atual redação, o qual trouxe ao ordenamento jurídico a possibilidade de inscrição em dívida ativa dos créditos constituídos pelo INSS, em razão de benefício previdenciário ou assistencial pago indevidamente, inclusive, acrescentando à tese o percentual de 30% para cobrança. A propósito, veja-se o que prevê a legislação específica: (..) Art. 115. Podem ser descontados dos benefícios: (..) II - pagamento administrativo ou judicial de benefício previdenciário ou assistencial indevido, ou além do devido, inclusive na hipótese de cessação do benefício pela revogação de decisão judicial, em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da sua importância, nos termos do regulamento; (Redação dada pela Lei nº 13.846, de 2019) (..) § 3º Serão inscritos em dívida ativa pela Procuradoria-Geral Federal os créditos constituídos pelo INSS em decorrência de benefício previdenciário ou assistencial pago indevidamente ou além do devido, inclusive na hipótese de cessação do benefício pela revogação de decisão judicial, nos termos da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, para a execução judicial. (Redação dada pela Lei nº 13.846, de 2019) (..) Desse modo, parece-nos acertado que a cobrança dos valores a serem repetidos ocorra através da inscrição dos débitos em dívida ativa. Tanto é assim que, expressamente, apontou que se tratava de observância de norma editada regularmente pelo Congresso Nacional, no estrito uso da competência constitucional a ele atribuída, não cabendo ao Poder Judiciário, a meu sentir, reduzir a aplicabilidade do dispositivo legal em comento, decorrente de escolha legislativa explicitada com bastante clareza, sob pena de violação ao art. 97 da CF/1988 (reserva de Plenário) e à Sumula 10 do STF, haja vista a inaplicabilidade de artigo em que não houve a declaração de inconstitucionalidade. Referiu, ademais, o relator que o fato de o STF ter alguns precedentes contrários ao entendimento do Tema 692 não invalidaria a tese firmada com o recurso repetitivo, uma vez que esse posicionamento da Suprema Corte foi adotado em algumas ações originárias (na maioria, mandados de segurança). Acrescentou, ainda, que não o fazia "com caráter de guardião da Constituição Federal, mas sim na análise concreta das ações originárias. A maioria dos precedentes do STF não diz respeito a lides previdenciárias e, além disso, são todos anteriores às alterações inseridas no artigo 115, II, da Lei 8.213/1991". Acrescente-se à cadeia argumentativa que, os Temas 1064 e 598, ambos do STJ, corroboram o entendimento ora adotado. Ocorre que, além de a Corte Superior entender pela possibilidade de inscrições em dívida ativa dos créditos referentes a benefícios previdenciários ou assistenciais pagos indevidamente ou além do devido, estabeleceu critérios para a sua validade (Tema 598): 1º) a presença de lei autorizativa para a apuração administrativa (constituição); 2º) a oportunização de contraditório prévio nessa apuração; e 3º) a presença de lei autorizativa para a inscrição do débito em dívida ativa. Reconhecendo, apenas, a nulidade das inscrições em dívida ativa dos créditos referentes a benefícios previdenciários ou assistenciais pagos indevidamente ou além do devido constituídos por processos administrativos que tenham sido iniciados antes da vigência da MP 780, de 2017, convertida na Lei 13.494/2017 (antes de 22 de maio de 2017), determinando que a constituição desses créditos ser reiniciada através de notificações/intimações administrativas a fim de permitir-se o contraditório administrativo e a ampla defesa aos devedores e, ao final, a inscrição em dívida ativa, obedecendo-se os prazos prescricionais aplicáveis (tema 1064). .. Firmadas estas premissas, não verifico razões para modificar o julgado, razão pela qual, mantenho integralmente a decisão proferida. No julgamento dos embargos de declaração, o Tribunal de origem reiterou que (fl. 52; grifos no original): .. o Julgado consignou, expressamente, que é possível a execução dos valores percebidos em razão de tutela antecipada e posteriormente revogada nos próprios autos desde que haja benefício ativo. Em outras palavras, caso não haja benefício previdenciário ativo, os valores pagos além do devido poderão ser cobrados pelo INSS mediante o devido processo legal, administrativo ou judicial, salientando-se, inclusive, a possibilidade de inscrição em dívida ativa para fins de execução fiscal. Como se percebe, o Tribunal de origem entendeu ser possível a execução, nos próprios autos, dos valores percebidos em razão de tutela antecipada e posteriormente revogada, se houver benefício ativo, mas que, no caso de ausência de benefício ativo, os valores "poderão ser cobrados pelo INSS mediante o devido processo legal, administrativo ou judicial, salientando-se, inclusive, a possibilidade de inscrição em dívida ativa para fins de execução fiscal". A parte recorrente, no entanto, deixou de impugnar especificamente tal fundamento. Assim, ante a deficiência na motivação e a ausência de impugnação de fundamento autônomo, aplica-se na espécie, por analogia, as Súmulas n. 284 e 283 do STF. Nesse sentido, mutatis mutandis: .. IV. Não merece prosperar o Recurso Especial, quando a peça recursal não refuta determinado fundamento do acórdão recorrido, suficiente para a sua manutenção, em face da incidência da Súmula 283/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles"). V. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 2.322.755/TO, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 19/10/2023). .. a insurgente não colaciona argumentos aptos a afastar a conclusão de preclusão, atraindo a incidência, por analogia, da Súmula 283/STF, que assim dispõe: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". .. 11. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido em parte. (REsp n. 1.698.577/RO, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 6/11/2018, DJe de 19/11/2018.) PROCESSUAL CIVIL. .. . FUNDAMENTO INATACADO DO ARESTO RECORRIDO. SÚMULA 283/STF. .. . 2. A falta de combate a fundamento específico da decisão agravada justifica a impossibilidade de análise do recurso especial ante o óbice da Súmula 283/STF. .. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.205.543/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 5/12/2017, DJe de 13/12/2017.) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. .. . FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS NÃO IMPUGNADOS. RAZÕES RECURSAIS DEFICIENTES. SÚMULAS 283 E 284/STF. SINDICATO EM SUBSTITUIÇÃO A SERVIDORES PÚBLICOS. VALOR DA CAUSA. PROVEITO ECONÔMICO DA DEMANDA. SOMA DAS PRETENSÕES INDIVIDUAIS. .. 2. A falta de argumentação ou sua deficiência implica não conhecimento do recurso especial quanto à questão deduzida, pois não permite a exata compreensão da controvérsia. Incidência da Súmula 284/STF. 3. A ausência de impugnação a fundamento que, por si só, respalda o resultado do julgamento proferido pela Corte de origem impede a admissão do recurso especial. Incide ao caso a Súmula 283/STF. .. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.876.661/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 21/2/2022, DJe de 23/2/2022.) Ante o exposto, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. IRREPETIBILIDADE DE VALORES. FALTA DE IMPUGNAÇÃO D E FUNDAMENTO AUTÔNOMO DO ACÓRDÃO COMBATIDO. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULAS N. 283 E 284 DO STF. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO.