REsp 2146596 - ACORDAO
Não houve omissão no acórdão recorrido, pois o tribunal de origem fundamentou a decisão e apreciou integralmente a controvérsia; ademais, reconhecer a pretensão recursal exigiria alteração de premissas e novo exame do acervo probatório, providência vedada em recurso especial pela Súmula 7/STJ, razão pela qual o...
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- Parties
- Agravante: Jussara Pego de Oliveira e outros; Agravado: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS; Autor Originário: Sindicato dos Fiscais de Contribuições Previdenciárias de Pernambuco (SINDIFIPPE)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 October 2024
- Procedural Posture
- AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL / Julgamento Na Primeira Turma
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Negativa De Prestação Jurisdicional, Coisa Julgada, Compensação De Pagamentos Administrativos, Súmula 7/stj, Reajuste De 3, 17%, Tema 476/stj
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Parties
Jussara Pego de Oliveira e outros
Agravante
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Agravado
Sindicato dos Fiscais de Contribuições Previdenciárias de Pernambuco (SINDIFIPPE)
Autor Originário
Procedural Posture
AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL / Julgamento Na Primeira Turma
Legal Issues
- 1 Alegada omissão/negativa de prestação jurisdicional nos termos dos arts. 489, II, e 1.022, I, do CPC
- 2 Possibilidade de compensação de parcelas administrativas relativas ao reajuste de 3,17% pagas após o trânsito em julgado
- 3 Vedação ao reexame de matéria fática em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Não houve omissão no acórdão recorrido, pois o tribunal de origem fundamentou a decisão e apreciou integralmente a controvérsia; ademais, reconhecer a pretensão recursal exigiria alteração de premissas e novo exame do acervo probatório, providência vedada em recurso especial pela Súmula 7/STJ, razão pela qual o agravo interno foi negado provimento.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 01/10/2024 a 07/10/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489, II, E 1.022, I, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REAJUSTE DE 3,17%. COMPENSAÇÃO. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICA. NECESSIDADE. SÚMULA 7/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Não ocorreu omissão no aresto combatido, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos, não se podendo, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 2. A alteração das premissas adotadas pela Corte de origem, tal como proposta pela parte recorrente, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): Trata-se de agravo interno interposto por Jussara Pego de Oliveira e outros desafiando a decisão que negou provimento ao recurso especial, sob os seguintes fundamentos: (I) inexistência de ofensa aos artigos 489, II, e 1.022, I, do CPC; e (II) que a alteração das premissas adotadas pela Corte de origem demandaria novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada pela Súmula 7/STJ. A parte agravante, em suas razões, repisa seus argumentos quanto à negativa de prestação jurisdicional, bem como a não aplicação ao caso de reexame de provas dos autos, sob a alegação de que "não se pretende, tampouco se faz necessário, proceder ao revolvimento fático-probatório dos autos ao julgamento do pleito recursal. Isto porque o objeto recursal diz respeito à aplicação inadequada do Tema nº 476/STJ pelo acórdão a quo, notadamente pela impossibilidade de suscitar a necessidade de compensação de valores após o trânsito em julgado da demanda, especialmente quando a questão deveria ter sido alegada no curso do processo e não o fora" (fl. 4.557). As razões do recurso não foram impugnadas. É o relatório. EMENTA SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489, II, E 1.022, I, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REAJUSTE DE 3,17%. COMPENSAÇÃO. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICA. NECESSIDADE. SÚMULA 7/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Não ocorreu omissão no aresto combatido, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos, não se podendo, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 2. A alteração das premissas adotadas pela Corte de origem, tal como proposta pela parte recorrente, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 3. Agravo interno não provido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): A irresignação não merece acolhimento, tendo em conta que a parte agravante não logrou desenvolver argumentação apta a desconstituir os fundamentos adotados pela decisão recorrida. Como asseverado no decisum, verifica-se não ter ocorrido qualquer omissão no aresto combatido, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos, não se podendo, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. A propósito, " n ão há que se falar em negativa de prestação jurisdicional, visto que tal somente se configura quando, na apreciação de recurso, o órgão julgador insiste em omitir pronunciamento sobre questão que deveria ser decidida, e não foi. .. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza negativa de prestação jurisdicional" (AgInt no AREsp 879.172/MG, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 22/9/2016, DJe de 28/9/2016). Neste sentido: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/73. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. MINISTÉRIO PÚBLICO. ATUAÇÃO COMO PARTE. INTERVENÇÃO COMO FISCAL DA LEI. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES DO STJ. ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA. REQUISITOS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. QUESTÃO DE MÉRITO AINDA NÃO JULGADA, EM ÚNICA OU ÚLTIMA INSTÂNCIA, PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. EXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 735/STF. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. .. III. Não há falar, na hipótese, em violação ao art. 535 do CPC/73, porquanto a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, de vez que os votos condutores do acórdão recorrido e do acórdão dos Embargos Declaratórios apreciaram fundamentadamente, de modo coerente e completo, as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida. .. VII. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 698.557/BA, rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 13/9/2016, DJe de 27/9/2016). Ademais, colhe-se do acórdão o seguinte trecho, verbis (fl. 4.361): Trata-se, na origem, de cumprimento de sentença promovida contra o INSS, objetivando executar o título judicial oriundo da Ação Ordinária nº 0005652- 56.1997.4.05.8300 (antiga nº 97.0005652-0) ajuizada pelo Sindicato dos Fiscais de Contribuições Previdenciárias de Pernambuco (SINDIFIPPE), que reconheceu o direito dos substituídos ao resíduo no percentual de 3,17%, nos seus vencimentos, a partir de janeiro de 1995, acrescidos de juros e correção monetária. Defende o ente público agravante, em síntese, a compensação das parcelas recebidas administrativamente, tendo em vista que tais pagamentos foram realizados a partir de dezembro de 2002, ou seja, posteriormente ao trânsito em julgado da ação ordinária originária (nº 0005652-56.1997.4.05.8300), que ocorreu no dia 22/03/2001, restando claro que não é aplicável à presente hipótese a regra geral, mas sim a exceção fixada pelo STJ no julgamento do REsp n.º 1.235.513/AL. A questão deve ser analisada sob a ótica da decisão proferida em 20/08/2012, pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.235.513/AL (Tema 476), no qual assentou que, inexistindo previsão no título judicial acerca de limitação temporal do residual de 3,17%, não pode o fato ser alegado em embargos à execução, sob pena de ofensa à coisa julgada. Entretanto, na mesma oportunidade, externou entendimento segundo o qual a compensação com reajustes concedidos por leis posteriores à última oportunidade de alegação da objeção de defesa no processo cognitivo não ofende a coisa julgada. No caso concreto, considerando que os pagamentos administrativos do reajuste em questão tiveram início (dez/2002) após o trânsito em julgado da decisão final exarada no processo de conhecimento (mar/2001), a compensação ora pleiteada não representa violação à coisa julgada, até porque constitui providência que, evitando o enriquecimento sem causa, concorre para o fiel cumprimento do quanto fixado no título. Importante destacar que, muito embora o título judicial exequendo tenha assegurado aos servidores o pagamento do índice de 3,17% a partir de 01/01/1995, isso não significa que os exequentes teriam direito a pagamentos em duplicidade na hipótese de já terem sido devidamente quitados pela Administração. Nesse contexto, está correta a decisão ao observar que a alteração das premissas adotadas pela Corte de origem, tal como colocada a questão nas razões recursais, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 284/STF. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. REAJUSTE DE 3,17%. LIMITAÇÃO. TÍTULO EXEQUENDO. TEOR. COISA JULGADA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. INCIDÊNCIA. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - A jurisprudência desta Corte considera que quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal. III - O termo final do pagamento das diferenças oriundas do reajuste de 3,17% opera-se na data da reestruturação/reorganização da carreira e respectivas tabelas de remuneração, nos termos do art. 10 da Medida Provisória n. 2.225/2001, ou em 1º.01.2002, para as carreiras que não foram reestruturadas/reorganizadas até essa data. Está, contudo, sedimentada a orientação desta Corte, firmada em precedente julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil (Tema n. 476), consoante a qual, na fase de execução, a compensação só pode ser arguida quando lastreada em fato que não era passível de ser invocado no processo cognitivo. IV - Esta Corte firmou orientação no sentido de não ser possível, em recurso especial, rever o entendimento do tribunal de origem acerca do teor do título em execução, para aferir eventual ofensa à coisa julgada, à luz do enunciado da Súmula 7/STJ. V - Não apresentação de argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VI - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VII - Agravo Interno improvido. (AgInt nos EDcl no REsp 1.950.427/MG, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 24/10/2022, DJe de 26/10/2022.) ANTE O EXPOSTO, nega-se provimento ao agravo interno. É o voto.