AREsp 2837898 - DECISAO
Conhecido o agravo, o Tribunal entendeu não configurada negativa de prestação jurisdicional, porquanto o Tribunal de origem fundamentou a decisão e enfrentou os dispositivos e precedentes relevantes, aplicando entendimento do STJ sobre juros e capitalização em contratos de entidades fechadas de previdência...
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- Parties
- Agravante: FUNDAÇÃO CORSAN DOS FUNCIONÁRIOS DA COMPANHIA RIOGRANDENSE DE SANEAMENTO - CORSAN; Embargante: ALCEO RIGOTTI LIPRERI
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer e negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Negativa De Prestação Jurisdicional, Juros Remuneratórios, Capitalização De Juros, Ação Revisional De Contrato Bancário, Honorários Sucumbenciais
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Parties
FUNDAÇÃO CORSAN DOS FUNCIONÁRIOS DA COMPANHIA RIOGRANDENSE DE SANEAMENTO - CORSAN
Agravante
ALCEO RIGOTTI LIPRERI
Embargante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 Violação do art. 1.022, II, do CPC (alegação de negativa de prestação jurisdicional por omissão sobre aplicabilidade da Resolução nº 3.792/2009/BACEN e da LC nº 109/2001)
- 2 Excesso de juros remuneratórios pactuados (1,10% ao mês vs limite de 1% ao mês)
- 3 Proibição de capitalização mensal de juros por entidades fechadas de previdência complementar e condição de pactuação para capitalização anual
Ratio Decidendi
Conhecido o agravo, o Tribunal entendeu não configurada negativa de prestação jurisdicional, porquanto o Tribunal de origem fundamentou a decisão e enfrentou os dispositivos e precedentes relevantes, aplicando entendimento do STJ sobre juros e capitalização em contratos de entidades fechadas de previdência complementar; assim, negou provimento ao recurso especial e majorou os honorários sucumbenciais para R$ 600,00.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer e negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo.
- Conheço do recurso especial e nego-lhe provimento.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por FUNDAÇÃO CORSAN DOS FUNCIONÁRIOS DA COMPANHIA RIOGRANDENSE DE SANEAMENTO - CORSAN contra a decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no artigo 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul assim ementado: "APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS E CLÁUSULAS ANÁLOGAS. A PRETENSÃO REVISIONAL DE CONTRATO DE CRÉDITO BANCÁRIO E A QUESTÃO DOS JUROS REMUNERATÓRIOS E CLÁUSULAS ANÁLOGAS RESOLVEM-SE DE ACORDO COM OS PRECEDENTES VINCULANTES FIRMADOS PELO STF E PELO STJ. APELAÇÃO PROVIDA" (e-STJ fl. 275). Os embargos de declaração opostos por ALCEO RIGOTTI LIPRERI foram acolhidos, para julgar procedente o pedido inicial, com a seguinte ementa: "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AÇÃO DE REVISÃO DE CONTRATO BANCÁRIO. OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO SÓ SE PODEM JUSTIFICAR NAS CAUSAS TÍPICAS, PREVISTAS NA LEI PROCESSUAL, DE OBSCURIDADE, OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS" (e-STJ fl. 314). Opostos embargos declaratórios por FUNDAÇÃO CORSAN DOS FUNCIONÁRIOS DA COMPANHIA RIOGRANDENSE DE SANEAMENTO - CORSAN, estes foram rejeitados (e-STJ fls. 350). No recurso especial, a recorrente alega a violação do art. 1.022, II, do CPC. Sustenta a tese de negativa de prestação jurisdicional ao argumento de que o Tribunal de origem não se manifestou sobre a aplicabilidade da Resolução nº 3.792/2009/BACEN e dos dispositivos da LC nº 109/2001, essenciais ao deslinde do pleito judicial em exame. Sem as contrarrazões (e-STJ fl. 371), o recurso especial foi inadmitido, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A insurgência não merece prosperar. No tocante à negativa de prestação jurisdicional, verifica-se que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. No caso, o Tribunal de Justiça manifestou-se expressamente quanto aos regulamentos mencionados, conforme se verifica do seguinte trecho do acórdão: "Com relação aos juros remuneratórios praticados pelas entidades fechadas de previdência privada, o STJ possui o entendimento, perfilhado pela Câmara, de que, "nos contratos de mútuo celebrados pelas entidades fechadas de previdência complementar com seus participantes/beneficiários, é ilegítima a cobrança de juros remuneratórios acima do limite legal 12% ao ano e apenas estão autorizados a arrecadar capitalização de juros na periodicidade anual, desde que pactuado o encargo, após a entrada em vigor do Código Civil de 2002, ou seja, há expressa proibição legal à obtenção de lucro pelas entidades fechadas (art. 31, § 1º da LC 109/2001 e art. 9º, parágrafo único da LC 108/2001), e, também, evidente vedação para a cobrança de juros remuneratórios acima da taxa legal e capitalização em periodicidade diversa da anual (art. 1º do Decreto nº 22.626/33, arts. 406 e 591 do CC/2002 e art. 161, § 1º do CTN), já que as entidades fechadas de previdência complementar não são equiparadas ou equiparáveis a instituições financeiras" (R Esp n. 1.854.818/DF, Relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Redator para acórdão Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 7/6/2022, publicado no D Je de 30/6/2022). O juro remuneratório dito puro, como preço do dinheiro obtido emprestado, distingue-se da correção monetária como fator de atualização da moeda por efeito da perda do seu poder aquisitivo ao longo do tempo. O contrato de crédito pode distinguir o juro remuneratório da correção monetária, como pode situar implicitamente nos juros remuneratórios a correção monetária, que se presume quando o instrumento contratual deixa de distingui-los e quantifica exclusivamente o juro - e faz com que fique implícita a correção monetária, que necessariamente existe de direito, por previsão legal, e de fato, pela desvalorização da moeda ou do seu poder aquisitivo. Assim, o limite legal de 1% incidente ao juro remuneratório como preço potencializa-se com a correção monetária, em situação segundo a qual o juro e atualização monetária podem ultrapassar o limite legal do juro sem ilicitude, que se caracterizará se o juro e a correção monetária somarem expressivamente mais do que o juro de 1% ao mês e a correção monetária respectiva e verdadeira. Nas circunstâncias do caso, delimitada a controvérsia nos parágrafos acima, o pleito revisional refere-se ao contrato de empréstimo nº 0048968-1/2014 no valor de R$ 24.000,00, firmado em 22-01-2014, os juros remuneratórios foram estipulados em 1,10% ao mês. (Evento 1 - CONTR5 dos autos originários). Como se verifica, os juros remuneratórios pactuados ficaram acima do fator limitador de 1% ao mês, existe, assim, excesso dos juros remuneratórios. A cobrança da capitalização mensal do juro remuneratório é proibida para empréstimos concedidos por entidade de previdência privada fechada. A jurisprudência do STJ, no julgado anteriormente citado, considera que, "nos contratos de mútuo celebrados pelas entidades fechadas de previdência complementar com seus participantes/beneficiários, .. apenas estão autorizados a arrecadar capitalização de juros na periodicidade anual, desde que pactuado o encargo, após a entrada em vigor do Código Civil de 2002, ou seja, há expressa proibição legal à obtenção de lucro pelas entidades fechadas (art. 31, § 1º da LC 109/2001 e art. 9º, parágrafo único da LC 108/2001), e, também, evidente vedação para a cobrança de juros remuneratórios acima da taxa legal e capitalização em periodicidade diversa da anual (art. 1º do Decreto nº 22.626/33, arts. 406 e 591 do CC/2002 e art. 161, § 1º do CTN), já que as entidades fechadas de previdência complementar não são equiparadas ou equiparáveis a instituições financeiras". No mesmo precedente, referiu-se que "a súmula nº 541/STJ, segundo a qual "a previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada" foi elaborada com base no entendimento sedimentado no recurso repetitivo nº 973.827/RS, rel. p/ acórdão a e. Ministra Maria Isabel Gallotti, julgado em 08/08/2012, D Je 24/09/2012, no qual expressamente delineado que a mera circunstância de estarem pactuadas taxas efetiva e nominal de juros não implica capitalização, mas apenas processo de formação da taxa de juros pelo método composto" (REsp n. 1.854.818/DF, Quarta Turma, publicado no D Je de 30/6/2022). Embora a permissão da cobrança de capitalização anual se condicione à expressa pactuação que, nas circunstâncias do caso, não há, razão pela qual deve ser mantido a extinção do processo no que tange ao pedido de capitalização mensal de juros remuneratórios. Assim, em conclusão, julga-se procedente o pleito revisional. (e-STJ fls. 312-313). Não há falar, portanto, em existência de omissão apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. A esse respeito, os seguintes precedentes: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE CUSTEIO DE MEDICAMENTO (THIOTEPA). 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. 2. FUNDAMENTO SUFICIENTE NÃO ATACADO. SÚMULA 283/STF. 3. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. 4. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282/STF E 211/STJ. 5. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação ao art. 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma fundamentada, sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. O acórdão recorrido encontra-se em perfeita harmonia com a jurisprudência desta Corte no sentido de que, "embora se trate de fármaco importado ainda não registrado pela ANVISA, teve a sua importação excepcionalmente autorizada pela referida Agência Nacional, sendo, pois, de cobertura obrigatória pela operadora de plano de saúde" (REsp 1.923.107/SP, relatora ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 10/8/2021, DJe 16/8/2021). 3. Atentando-se aos argumentos trazidos pela recorrente e aos fundamentos adotados pela Corte estadual de que a ANVISA admite a importação do fármaco, verifica-se que estes não foram objeto de impugnação nas razões do recurso especial, e a subsistência de argumento que, por si só, mantém o acórdão recorrido torna inviável o conhecimento do apelo especial, atraindo a aplicação do enunciado n. 283 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 4. A ausência de debate acerca do conteúdo normativo dos arts. 66 da Lei n. 6.360/1976 e 10, V, da Lei n. 6.437/1976, apesar da oposição de embargos de declaração, atrai os óbices das Súmulas 282/STF e 211/STJ. 5. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 2.164.998/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE REGRESSO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DOS DEMANDADOS. 1. Não há se falar em negativa de prestação jurisdicional, na medida em que o órgão julgador dirimiu todas as questões que lhe foram postas à apreciação, de forma clara e sem omissões, embora não tenha acolhido a pretensão da parte. 2. Rever a conclusão do Tribunal de origem com relação à responsabilidade pelo ressarcimento dos valores pagos em reclamação trabalhista demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusulas contratuais, providencias que encontram óbice no disposto nas Súmulas 5 e 7 do STJ. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido." (AgInt nos EDcl no AREsp 2.135.800/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, os honorários sucumbenciais fixados pelas instâncias ordinárias, devidos pela ora recorrente, devem ser majorados para R$ 600,00 (seiscentos reais), atualizados desde o arbitramento na origem, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. AÇÃO REVISIONAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURIDICIONAL. INEXISTÊNCIA. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, ainda que de forma sucinta, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 2. Agravo conhecido para conhecer e negar provimento ao recurso especial.