REsp 2194745 - ACORDAO
O Tribunal concluiu que não houve omissão nem negativa de prestação jurisdicional, pois o Tribunal de origem enfrentou e fundamentou as questões suscitadas de forma suficiente; assim, o agravo interno interposto pela União não merece provimento, devendo ser negado provimento ao recurso.
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- Parties
- Agravante: União; Agravada: MARIA DO BOM PARTO RODRIGUES SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Sessão Virtual De 03/06/2025 a 09/06/2025 (julgamento Colegiado)
- Outcome
- Nega-se provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Negativa De Prestação Jurisdicional, Embargos De Declaração, Requisição De Pagamento (rpv), Legitimidade Processual, Ofensa Aos Arts. 489, §1º, IV E 1.022, I E II Do CPC
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Parties
União
Agravante
MARIA DO BOM PARTO RODRIGUES SILVA
Agravada
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Sessão Virtual De 03/06/2025 a 09/06/2025 (julgamento Colegiado)
Legal Issues
- 1 Houve omissão/negativa de prestação jurisdicional nos termos dos arts. 489, §1º, IV e 1.022, I e II do CPC?
- 2 Deve ser reconhecida ilegitimidade processual e anulada ordem de pagamento expedida a pessoa estranha à demanda?
- 3 Deve ser expedida requisição de pagamento em nome de MARIA DO BOM PARTO RODRIGUES SILVA em razão de divergência de CPF no RPV?
Ratio Decidendi
O Tribunal concluiu que não houve omissão nem negativa de prestação jurisdicional, pois o Tribunal de origem enfrentou e fundamentou as questões suscitadas de forma suficiente; assim, o agravo interno interposto pela União não merece provimento, devendo ser negado provimento ao recurso.
Court Disposition
Nega-se provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 03/06/2025 a 09/06/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489, § 1º, IV, E 1.022, I E II, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Não ocorreu omissão no aresto combatido, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos; não se pode, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. Precedentes. 2. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): Trata-se de agravo interno interposto pela União desafiando a decisão que negou provimento ao recurso especial, sob o fundamento de inexistência de ofensa aos artigos 489, § 1º, IV, e 1.022, I e II, do CPC. A parte agravante, em suas razões, repisa seus argumentos sob a alegação de que "observa-se de plano que o acórdão proferido em sede de embargos de declaração no TRF não analisou a questão apresentada pela União em sua peça recursal, especificamente relacionada, qual seja: o reconhecimento da Ilegitimidade Processual e Ordem Judicial de Pagamento de Requisição à pessoa estranha à demanda. Logo, é preciso insistir que o r. acórdão não julgou a lide "integralmente", sendo necessário recorrer pela nulidade do acórdão, para assegurar o completo exame da lide, à luz da legislação pertinente, diante de que o mesmo incorrera em negativa jurisdicional" (fl. 4.610). Transcorrido in albis o prazo para impugnação (fls. 4.618/4.619). É o relatório. EMENTA SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489, § 1º, IV, E 1.022, I E II, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Não ocorreu omissão no aresto combatido, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos; não se pode, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. Precedentes. 2. Agravo interno não provido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): Da simples leitura do relatório, extrai-se o nítido intento da parte de infringir o julgado, o que não se coaduna com a via integrativa. Realmente, conforme dispõe o artigo 1.022 do CPC, os embargos de declaração somente são cabíveis nas hipóteses de obscuridade, contradição, omissão do acórdão atacado ou para corrigir erro material. No caso, não se verifica a existência de quaisquer das referidas deficiências. A parte ora recorrente repisa a argumentação já enfrentada pelo decisório embargado, insistindo na tese de que o Sodalício de origem teria incorrido em negativa de prestação jurisdicional, porque não teria se manifestado acerca das seguintes alegações: " o reconhecimento da Ilegitimidade Processual e Ordem Judicial de Pagamento de Requisição à pessoa estranha à demanda" (fl. 4.610). Entretanto, como asseverado no decisum ora impugnado, a Corte estadual se manifestou de forma suficiente sobre as referidas questões. A propósito (fl. 4.043): "Concessa venia" do entendimento do magistrado de origem, o caso comporta reforma do pronunciamento atacado. É que a causa para o indeferimento do pedido de expedição da requisição de pagamento em favor da requerente MARIA DO BOM PARTO RODRIGUES SILVA foi o reconhecimento de que já teria antes sido expedido. O juízo recorrido registrou, ao julgar embargos de declaração contra a decisão primeva: " Com efeito, a combatida decisão considerou que o requisitório autuado como RPV1839094-PE = 20178300007000298, inclusive já depositado na CEF desde 23/03/2018, não constando como cancelado, havia sido expedido em seu nome, pois consta como expedido em nome de MARIA BOM PARTO DA SILVA, conforme consulta processual então feita no ". E depois completou: sítio eletrônico do TRF5. " Somente pode, então, referir-se a MARIA DO BOM PARTO RODRIGUES SILVA, não constando como cancelado, conforme consulta processual então realizada no sítio eletrônico do TRF5. ". Sucede que a parte não tem acesso aos valores, justo porque o CPF é diverso. Com efeito, como sustenta a agravante, bem assim demonstram os autos, MARIA BOM PARTO DA SILVA e MARIA DO BOM PARTO RODRIGUES SILVA são pessoas completamente distintas, sendo certo que o RPV 1839094-PE=20178300007000298 não diz respeito à ora agravante, tanto que o CPF que consta no requisitório de pagamento em comento é o de nº 097.648.604-00, ao passo que o CPF da agravante MARIA DO BOM PARTO RODRIGUES SILVA é o nº 125.886.444-49, o que também se coaduna com as informações que constam no site da Receita Federal, conforme respectiva certidão de regularidade fiscal. Sob essa ótica, cumpre acolher a irresignação recursal. DOU PROVIMENTO AO AGRAVO DE INSTRUMENTO, para reformar a decisão agravada e determinar que seja expedida requisição de pagamento em nome da agravante, MARIA DO BOM PARTO RODRIGUES SILVA, CPF nº 125.886.444-49 . A esse respeito, "não há que se falar em negativa de prestação jurisdicional, visto que tal somente se configura quando, na apreciação de recurso, o órgão julgador insiste em omitir pronunciamento sobre questão que deveria ser decidida, e não foi. .. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza negativa de prestação jurisdicional" (AgInt no AREsp 879.172/MG, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 22/9/2016, DJe de 28/9/2016). Nesse sentido: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 1022 DO CPC/15. ALCANCE DO VALOR DO ICMS A SER EXCLUÍDO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. ACÓRDÃO LASTREADO EM MOTIVAÇÃO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. 1. Não se verifica ofensa ao art. 1022 do CPC/15 quando o Tribunal de origem dirime, fundamentadamente, as questões que lhe são submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos, não se podendo, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 2. Inviável o conhecimento do recurso especial pelo STJ, na medida em que a Corte local decidiu a causa com lastro em motivação eminentemente constitucional, louvando-se, para tanto, na ratio externada pela Suprema Corte no âmbito de recurso extraordinário julgado sob o regime da repercussão geral, a saber, RE 574.706 (Tema 69 - Rel. Ministra Cármen Lúcia, Pleno, DJU 02/12/2017). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1.592.476/RS, rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 18/2/2020, DJe de 26/2/2020.) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/1973. INEXISTÊNCIA. ENERGIA ELÉTRICA. FORNECIMENTO. INTERRUPÇÃO. DANOS MORAIS. RECONHECIMENTO. CASO FORTUITO. AFASTAMENTO. SÚMULAS 284 DO STF E 7 DO STJ. APLICAÇÃO. JUROS DE MORA. MARCO INICIAL DA FLUÊNCIA. SÚMULA 54 DO STJ. CASO CONCRETO. 1. O Plenário do STJ decidiu que "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo n. 2).2. Inexiste violação ao art. 535, II, do CPC/1973, muito menos negativa de prestação jurisdicional, quando o acórdão "adota, para a resolução da causa, fundamentação suficiente, porém diversa da pretendida pela parte recorrente, para decidir de modo integral a controvérsia posta" (AgRg no REsp 1340652/SC, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/11/2015, DJe de 13/11/2015), pois o magistrado não está obrigado a responder a todas as alegações das partes nem tampouco a rebater um a um todos seus argumentos, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como ocorre na espécie (AgRg no AREsp 163417/AL, Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 29/9/2014). (grifei) .. . 7. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 431.143/RS, rel. Ministro Gurgel De Faria, Primeira Turma, julgado em 16/2/2017, DJe de 10/3/2017.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/73. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNC IA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. MINISTÉRIO PÚBLICO. ATUAÇÃO COMO PARTE. INTERVENÇÃO COMO FISCAL DA LEI. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES DO STJ. ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA. REQUISITOS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. QUESTÃO DE MÉRITO AINDA NÃO JULGADA, EM ÚNICA OU ÚLTIMA INSTÂNCIA, PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. EXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 735/STF. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. .. III. Não há falar, na hipótese, em violação ao art. 535 do CPC/73, porquanto a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, de vez que os votos condutores do acórdão recorrido e do acórdão dos Embargos Declaratórios apreciaram fundamentadamente, de modo coerente e completo, as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida. .. VII. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 698.557/BA, rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 13/9/2016, DJe de 27/9/2016.) ANTE O EXPOSTO, nega-se provimento ao agravo interno. É o voto.