REsp 2186238 - ACORDAO
Não houve omissão no acórdão recorrido, pois o Tribunal de origem apreciou e fundamentou integralmente a controvérsia; além disso, a alteração do entendimento acerca da ilegitimidade ativa ad causam exigiria novo exame do acervo fático-probatório dos autos, providência vedada em recurso especial nos termos da Súmula...
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- Parties
- Agravante / Recorrente: Eugênio Mário de Lima e outros; Agravado / Recorrido: Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgado Sessão Virtual Da Primeira Turma (06/08/2025 a 12/08/2025)
- Outcome
- Agravo interno não provido (negado provimento ao agravo interno)
- Legal Topics
- Negativa De Prestação Jurisdicional, Ilegitimidade Ativa Ad Causam, Rediscussão De Matéria Fático Probatória, Súmula 7/stj, Gratificação De Desempenho De Atividade De Transportes (gdit)
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Parties
Eugênio Mário de Lima e outros
Agravante / Recorrente
Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT
Agravado / Recorrido
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgado Sessão Virtual Da Primeira Turma (06/08/2025 a 12/08/2025)
Legal Issues
- 1 Alegada negativa de prestação jurisdicional (arts. 489, §1º, e 1.022 do CPC)
- 2 Ilegitimidade ativa ad causam dos exequentes
- 3 Necessidade de reexame do acervo fático-probatório e incidência da Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
Não houve omissão no acórdão recorrido, pois o Tribunal de origem apreciou e fundamentou integralmente a controvérsia; além disso, a alteração do entendimento acerca da ilegitimidade ativa ad causam exigiria novo exame do acervo fático-probatório dos autos, providência vedada em recurso especial nos termos da Súmula 7/STJ, motivo pelo qual o agravo interno foi negado provimento.
Court Disposition
Agravo interno não provido (negado provimento ao agravo interno)
Orders
- Nega-se provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 06/08/2025 a 12/08/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489, § 1º, E 1.022, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. GRATIFICAÇÃO. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICA. NECESSIDADE. SÚMULA 7/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Não ocorreu omissão no aresto combatido, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos; não se pode, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 2. A alteração das premissas adotadas pela Corte de origem, quanto à ilegitimidade ativa ad causam dos recorrentes, tal como colocada a questão nas razões recursais, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): Trata-se de agravo interno interposto por Eugênio Mário de Lima e outros desafiando decisão que negou provimento ao recurso especial, sob os seguintes fundamentos: (I) inexistência de ofensa aos artigos 489, § 1º, e 1.022 do CPC; e (II) a alteração das premissas adotadas pela Corte de origem demandaria novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada pela Súmula 7/STJ. A parte agravante, em suas razões, repisa seus argumentos quanto à negativa de prestação jurisdicional, bem como a não aplicação ao caso de reexame de provas dos autos, sob a alegação de que "o que se discute, na realidade, a valoração equivocada de um fato que é incontroverso, isto é, se os recorrentes, herdeiros de servidor do extinto DNER, tem direito à paridade quanto ao pagamento da gratificação requerida" (fl. 391) As razões do recurso não foram impugnadas. É o relatório. EMENTA SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489, § 1º, E 1.022, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. GRATIFICAÇÃO. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICA. NECESSIDADE. SÚMULA 7/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Não ocorreu omissão no aresto combatido, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos; não se pode, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 2. A alteração das premissas adotadas pela Corte de origem, quanto à ilegitimidade ativa ad causam dos recorrentes, tal como colocada a questão nas razões recursais, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 3. Agravo interno não provido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): A irresignação não merece acolhimento, tendo em conta que a parte recorrente não logrou desenvolver argumentação apta a desconstituir os alicerces adotados pelo decisório recorrido. Como asseverado no decisum, verifica-se não ter ocorrido qualquer omissão no aresto combatido, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos; não se pode, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. A propósito, " n ão há que se falar em negativa de prestação jurisdicional, visto que tal somente se configura quando, na apreciação de recurso, o órgão julgador insiste em omitir pronunciamento sobre questão que deveria ser decidida, e não foi. .. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza negativa de prestação jurisdicional" (AgInt no AREsp 879.172/MG, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 22/9/2016, DJe de 28/9/2016). Nesse sentido: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/73. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. MINISTÉRIO PÚBLICO. ATUAÇÃO COMO PARTE. INTERVENÇÃO COMO FISCAL DA LEI. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES DO STJ. ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA. REQUISITOS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. QUESTÃO DE MÉRITO AINDA NÃO JULGADA, EM ÚNICA OU ÚLTIMA INSTÂNCIA, PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. EXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 735/STF. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. .. III. Não há falar, na hipótese, em violação ao art. 535 do CPC/73, porquanto a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, de vez que os votos condutores do acórdão recorrido e do acórdão dos Embargos Declaratórios apreciaram fundamentadamente, de modo coerente e completo, as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida. .. VII. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 698.557/BA, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 13/9/2016, DJe de 27/9/2016.) Ademais, colhe-se do acórdão o seguinte trecho, verbis (fl. 253): .. A sentença da ação coletiva original julgou procedente o pedido para condenar o DNIT ao pagamento da Gratificação de Desempenho de Atividade de Transportes (GDIT), utilizando-se os mesmos critérios e mesmo percentual que vêm sendo pagos aos servidores ativos. Ocorre que, de fato, a parte ora apelante não se desincumbiu do ônus de comprovar vínculo ao DNIT, conforme pleiteia. Nesse sentido, observo que bem fundamentou a decisão o Juízo a quo, verbis: Há de ser acolhida a preliminar de ilegitimidade ativa suscitada pelo DNIT. Isso porque o título executivo foi formado apenas contra o DNIT, de sorte que ele somente beneficia os substituídos da Associação dos Servidores do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens - ASDNER que haviam sido redistribuídos ao DNIT, não contemplando os servidores do antigo DNER cujos benefícios passaram a ser pagos pela União, como no caso dos autos em que os documentos de id. 4058400.8247106 comprovam que os genitores dos exequentes possuíam benefícios vinculados ao Ministério dos Transportes. Assim, não havendo vínculo dos inativos Alfredo Pereira de Lima (ex- servidor aposentado do DNER) e Tereza de Jesus Lima (pensionista) com o DNIT, não é possível que os exequentes sejam beneficiados de título executivo formado apenas contra o DNIT. Ademais, não tendo a União integrado a lide referente ao Processo n.º 46702-38.2011.4.01.3400 também não é possível que a obrigação seja redirecionada a esse ente federativo. Dessa forma, não restam dúvidas de que os exequentes não possuem legitimidade para executar a sentença proferida nos autos do Processo n.º 46702-38.2011.4.01.3400. .. Nesse contexto, está correta a decisão ao observar que a alteração das premissas adotadas pela Corte de origem quanto à ilegitimidade ativa ad causam dos recorrentes, tal como colocada a questão nas razões recursais, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. HOMOLOGAÇÃO DOS CÁLCULOS TRANSITADOS EM JULGADO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. LEGITIMIDADE. NÃO PRECLUSÃO. CONCLUSÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM, À LUZ DAS PROVAS DOS AUTOS, PELA ILEGITIMIDADE ATIVA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Não há ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem examina, de forma fundamentada, a questão submetida à apreciação judicial e na medida necessária para o deslinde da controvérsia, ainda que em sentido contrário à pretensão da parte. 2. Consoante a orientação jurisprudencial do STJ, a legitimidade das partes, por constituir uma das condições da ação, perfaz questão de ordem pública e pode ser alegada a qualquer tempo e grau de jurisdição ou mesmo declarada de ofício. 3. Inviável a análise da pretensão veiculada no recurso especial, por demandar o reexame do contexto fático-probatório dos autos, atraindo a incidência da Súmula 7 do STJ. 4. Não apresentação pela parte agravante de argumentos novos capazes de infirmar os fundamentos que alicerçaram a decisão agravada. 5. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 2.696.621/MA, Relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, julgado em 30/4/2025, DJEN de 7/5/2025.) ANTE O EXPOSTO, nega-se provimento ao agravo interno. É o voto.