AREsp 2983268 - ACORDAO
Negou‑se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem decidiu de forma clara e suficiente sobre as questões suscitadas, não havendo negativa de prestação jurisdicional; a alegação de ofensa ao art. 5º da Lei n. 8.245/1991 estava dissociada da decisão recorrida, configurando deficiência na fundamentação...
Source-derived case information.
- Parties
- Autor: CASCOL COMBUSTÍVEIS PARA VEÍCULOS LTDA.; Réu: ANDRE MARQUES DE OLIVEIRA ROSA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada (sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo interno desprovido
- Legal Topics
- Negativa De Prestação Jurisdicional, Fundamentação Deficiente, Súmula N. 284/stf, Súmula N. 7/stj, Tutela De Urgência, Ação De Despejo, Cláusula Compromissória Arbitral
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CASCOL COMBUSTÍVEIS PARA VEÍCULOS LTDA.
Autor
ANDRE MARQUES DE OLIVEIRA ROSA
Réu
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Existência ou não de negativa de prestação jurisdicional por deficiência de fundamentação
- 2 Aplicabilidade da Súmula n. 284/STF à hipótese
- 3 Inadmissibilidade de reexame de matéria fático-probatória em recurso especial (Súmula n. 7/STJ)
Ratio Decidendi
Negou‑se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem decidiu de forma clara e suficiente sobre as questões suscitadas, não havendo negativa de prestação jurisdicional; a alegação de ofensa ao art. 5º da Lei n. 8.245/1991 estava dissociada da decisão recorrida, configurando deficiência na fundamentação que obsta o conhecimento do recurso especial (Súmula n. 284/STF); além disso, alterar a conclusão exigiria reexame do conjunto fático-probatório, vedado em recurso especial pela Súmula n. 7/STJ.
Court Disposition
Agravo interno desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Publique-se e intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 09/12/2025 a 16/12/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Marco Buzzi, João Otávio de Noronha, Raul Araújo e Maria Isabel Gallotti votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284/STF. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/ STJ. DECISÃO MANTIDA. I. Caso em exame 1. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que negou provimento a recurso. II. Razões de decidir 2. Inexiste afronta aos arts. 489 e 1.022 do CPC quando a Corte local pronunciou-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. 3. A deficiência na fundamentação do recurso, de modo a impedir a compreensão da alegada ofensa ao dispositivo legal invocado, obsta o conhecimento do recurso especial (Súmula n. 284/STF). 4. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento de elementos fático-probatórios dos autos (Súmula n. 7/STJ). III. Dispositivo 5. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno (fls. 601-605) interposto contra decisão desta relatoria, que negou provimento ao agravo nos próprios autos, mantendo a inadmissibilidade do recurso especial (fls. 594-597). Em suas razões, a parte agravante reitera a tese de negativa de prestação jurisdicional, destacando que "as questões prejudiciais NÃO foram apreciadas pelo Tribunal de origem, não existindo fundamentação foi clara, objetiva e suficiente para o deslinde da controvérsia" (fl. 603) e que "o fato de o TJDFT ter se recusado em enfrentar os argumentos da Autora acerca da intempestividade do agravo do Réu contra a decisão de determinou a desocupação do imóvel, constitui inequívoca negativa de prestação jurisdicional" (fl. 604). Alega a inaplicabilidade da Súmula n. 284 do STF, afirmando que "a negativa de vigência do art. 5º, da Lei nº 8.245/91, na espécie, não está relacionada com o mérito da causa, mas com a negativa de o Poder Judiciário negar a prestação jurisdicional, ou seja, o despejo, diante de uma questão processual prejudicial ao Réu: a intempestividade de seu Agravo de Instrumento" (fl. 605). Sustenta não ser caso de incidência da Súmula n. 7 do STJ e acrescenta que "não há que se falar em impossibilidade de se analisar a negativa de vigência ao art. 5º, da Lei nº 8.245/91, aplicando-se o entendimento esposado por ocasião do julgamento do REsp nº 765.375/MA, pois não há similitude fática entre o paradigma invocado pela Decisão agravada e a questão discutida no presente recurso" (fls. 604-605) Ao final, pede a reconsideração da decisão monocrática ou a apreciação do agravo pelo Colegiado. A parte agravada apresentou impugnação (fls. 610-612). É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284/STF. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/ STJ. DECISÃO MANTIDA. I. Caso em exame 1. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que negou provimento a recurso. II. Razões de decidir 2. Inexiste afronta aos arts. 489 e 1.022 do CPC quando a Corte local pronunciou-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. 3. A deficiência na fundamentação do recurso, de modo a impedir a compreensão da alegada ofensa ao dispositivo legal invocado, obsta o conhecimento do recurso especial (Súmula n. 284/STF). 4. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento de elementos fático-probatórios dos autos (Súmula n. 7/STJ). III. Dispositivo 5. Agravo interno desprovido. VOTO A insurgência não merece acolhida. A parte agravante não trouxe nenhum argumento capaz de afastar os termos da decisão agravada, motivo pelo qual deve ser mantida por seus próprios fundamentos (fls. 594-597): Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da inexistência de violação de lei federal e da incidência da Súmula n. 7 do STJ (fls. 520-522). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (fl. 395): CIVIL E PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ORDEM DE DESPEJO. SUSPENSÃO. LIMINAR DEFERIDA EM PARTE. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. A tutela de urgência é medida excepcional por meio da qual se antecipam os efeitos jurisdicionais pretendidos, fundamentando-se em um juízo de probabilidade, ou seja, na mera aparência de que o direito requerido exista. 1.1. Para sua concessão é necessário que estejam presentes todos os requisitos dispostos no artigo 300 ou 995, do Código de Processo Civil: a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. 1.2. A concessão ou não de medida liminar/tutela de urgência se insere no poder geral de cautela do julgador e está adstrita ao livre convencimento do magistrado, em atenção à evidenciada demonstração dos requisitos autorizativos. 2. Na hipótese há plausibilidade do direito vindicado, quanto à efetivação da ordem de despejo, determinada pelo juiz, o que atrai a possibilidade de quanto ao tema, seja determinada a suspensão do despejo, enquanto não definida a questão de fundo, o que se consubstancia na aferição de que a sua não concessão poderá advir dano à parte, ou risco ao resultado útil do processo. 3. Recurso conhecido, preliminar rejeitada e, no mérito, parcialmente provido. Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 4350-443). Nas razões do recurso especial (fls. 459-490), interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da CF, a parte recorrente alegou violação dos seguintes dispositivos legais: (a) arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, parágrafo único, II, do CPC, por negativa de prestação jurisdicional quanto à tese de que, "além do disposto no art. 5, da Lei nº 8.245/91, tanto a doutrina, como a jurisprudência, reconhece a AÇÃO DE DESPEJO, eleita pela Lei nº 8.245/91, como meio para o locador reaver o imóvel, como uma ação executiva lato sensu, mediante a qual, ao final, será emitido mandado visando à desocupação do imóvel" (fl. 477) e (b) art. 5º da Lei n. 8.245/1991, sustentando que, "não obstante a cláusula compromissória, é de se ter presente que o que a Autora da ação pretende, essencialmente, é a rescisão do contrato e a consequente desocupação compulsória do imóvel pelo Requerido, pela via de ordem judicial de despejo. 94. Porém, cediço que falta ao juízo arbitral o poder de promover o despejo do inquilino do imóvel, razão pela qual não se mostra razoável submeter o litígio à sua prévia apreciação se ele se mostra incapaz de satisfazer a pretensão de uma das partes" (fl. 483). No agravo (fls. 526-561), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta não apresentada (fl. 572). É o relatório. Decido. Na origem, trata-se de Ação de Despejo por Denúncia Vazia, ajuizada por CASCOL COMBUSTÍVEIS PARA VEÍCULOS LTDA. em face de ANDRE MARQUES DE OLIVEIRA ROSA, com fundamento no artigo 5º da Lei nº 8.245/91, visando à retomada de imóvel não residencial sublocado, localizado em Brasília/DF. A autora notificou extrajudicialmente o réu, concedendo prazo de 30 dias para desocupação voluntária, o qual não foi atendido, ensejando o ajuizamento da demanda. O Juízo de primeiro grau, ao analisar o pedido liminar, deferiu a desocupação compulsória do imóvel, determinando o despejo do réu no prazo de 15 dias, condicionado à prestação de caução no valor de três meses de aluguel, nos termos do artigo 59, §1º, VIII, da Lei nº 8.245/91. A decisão foi fundamentada na ausência de interesse na continuidade da locação e no cumprimento dos requisitos legais para a concessão da medida. Contra essa decisão, o réu interpôs Agravo de Instrumento, alegando, entre outros pontos, a existência de cláusula compromissória arbitral no contrato de sublocação, que, segundo ele, deslocaria a competência para o juízo arbitral. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), ao apreciar o agravo, concedeu parcialmente o efeito suspensivo, determinando a suspensão da ordem de despejo até a resolução definitiva do litígio na instância originária. O acórdão entendeu que a cláusula arbitral poderia ensejar o deslocamento da controvérsia para o juízo arbitral, considerando a liberdade contratual e o fomento aos métodos adequados de solução de conflitos (fls. 391-393). Inexiste afronta aos arts. 489 e 1.022 do CPC quando o acórdão recorrido pronuncia-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. De fato, em relação à tese, o Tribunal de origem determinou a suspensão da ordem de despejo até a resolução definitiva do litígio na instância originária Desse modo, não assiste razão à parte, visto que o Tribunal a quo decidiu a matéria controvertida nos autos, ainda que contrariamente a seus interesses, não incorrendo em nenhum dos vícios previstos nos arts. 489 e 1.022 do CPC. Além disso, o recurso deve observar o princípio da dialeticidade, ou seja, apresentar os motivos pelos quais a parte recorrente não se conforma com o acórdão proferido pelo Tribunal de origem, a fim de permitir ao órgão colegiado cotejar os fundamentos lançados na decisão judicial com as razões expendidas no recurso. No caso, o TJDFT reconheceu, a partir dos requisitos da tutela provisória, a plausibilidade do direito alegado quanto à ordem de despejo determinada pelo juiz, admitindo a possibilidade de suspensão da medida até o julgamento de mérito. Tal conclusão decorreu da constatação de que a negativa da tutela poderia acarretar dano à parte ou comprometer o resultado útil do processo. Portanto, as razões recursais apresentadas (ofensa ao art. 5º da Lei n. 8.245/1991) encontram-se dissociadas do que foi decidido pelo Tribunal de origem, o que caracteriza deficiência na fundamentação do recurso especial e atrai, por analogia, o óbice da Súmula n. 284/STF. Outrossim, para alterar os fundamentos aqui transcritos quanto aos requisitos para a concessão da medida de urgência, seria imprescindível o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é inviável em recurso especial, haja vista o teor da Súmula n. 7 do STJ. Além do mais, em relação à suposta afronta ao art. 5º da Lei n. 8.245/1991, aplica-se o entendimento segundo o qual "não pode ser conhecido o recurso especial quanto à alegação de ofensa a dispositivos de lei relacionados com a matéria de mérito da causa, que, em liminar, é tratada apenas sob juízo precário de mera verossimilhança. Quanto a tal matéria, somente haverá "causa decidida em única ou última instância" com o julgamento definitivo" (STJ, REsp n. 765.375/MA, Relator Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, DJe de 8/5/2006). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Publique-se e intimem-se. Trata-se de ação de despejo por denúncia vazia proposta por Cascol Combustíveis para Veículos Ltda. contra André Marques de Oliveira Rosa, visando à retomada de imóvel não residencial sublocado em Brasília/DF, com base no art. 5º da Lei n. 8.245/1991. Após notificação extrajudicial não atendida, a autora ajuizou a demanda. O Juízo de primeiro grau deferiu li minar de despejo, concedendo 15 dias para desocupação, condicionada à caução de três meses de aluguel, nos termos do art. 59, § 1º, VIII, da Lei do Inquilinato. O réu interpôs agravo de instrumento, sustentando a existência de cláusula compromissória arbitral. O TJDFT, ao apreciar o recurso, suspendeu a ordem de despejo, entendendo que a cláusula arbitral poderia deslocar a competência para o juízo arbitral, em respeito à autonomia privada e ao fomento à arbitragem. A Corte local pronunciou-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. Ficou assentado que "o recurso se mostra tempestivo pois interposto no prazo processual legal, razão pela se rejeita a preliminar do agravado de não conhecimento do agravo" (fl. 388). Desse modo, não há falar em negativa de prestação jurisdicional, vício de fundamentação ou violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC. A parte alega violação do art. 5º da Lei n. 8.245/1991, que disciplina o seguinte: Art. 5º Seja qual for o fundamento do término da locação, a ação do locador para reaver o imóvel é a de despejo. Contudo, o dispositivo legal apontado como descumprido não ampara a tese da parte recorrente, apresentando conteúdo dissociado da pretensão recursal. Dessa forma, está caracterizada a deficiência na fundamentação recursal, a teor da Súmula n. 284/STF. Além do mais, o TJDF reconheceu a inexistência dos requisitos legais para a concessão da tutela de urgência requerida. Tendo o Tribunal de origem assim decidido com base nos elementos de prova, concluir diversamente atrai a Súmula n. 7 do STJ. Assim, não prosperam as alegações constantes no recurso, incapazes de alterar os fundamentos da decisão impugnada. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.