AREsp 2075478 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque não trouxe elementos aptos a infirmar as conclusões do acórdão recorrido; reconhecer vício de consentimento ou cerceamento implicaria reexame de fatos e provas vedado pela Súmula nº 7/STJ; ademais, a aceitação por longo período (treze anos) das novas condições caracteriza...
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- Parties
- Agravante: A. J. PIAZZA LTDA.; Representada: ARCELORMITTAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Sessão Virtual Da Terceira Turma
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Nulidade De Aditivo Contratual, Diferenças De Comissões, Cerceamento De Defesa, Vício De Consentimento, Boa Fé Objetiva, Reexame De Fatos E Provas, Súmula Nº 7/stj
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Parties
A. J. PIAZZA LTDA.
Agravante
ARCELORMITTAL
Representada
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Sessão Virtual Da Terceira Turma
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da Súmula nº 7 do STJ e vedação ao reexame de fatos e provas
- 2 Existência ou não de vício de consentimento/controle externo na assinatura do aditivo contratual
- 3 Configuração de cerceamento de defesa pela não produção de prova oral
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque não trouxe elementos aptos a infirmar as conclusões do acórdão recorrido; reconhecer vício de consentimento ou cerceamento implicaria reexame de fatos e provas vedado pela Súmula nº 7/STJ; ademais, a aceitação por longo período (treze anos) das novas condições caracteriza supressio/violação da boa-fé objetiva, tornando inviável a pretensão de diferenças retroativas de comissões; a prova documental existente foi suficiente, afastando a necessidade de prova oral.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter integralmente o acórdão recorrido
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 27/02/2024 a 04/03/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. NULIDADE DE ADITIVO CONTRATUAL. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. DIFERENÇAS DE COMISSÕES. CERCEAMENTO DE DEFESA. VÍCIO DE CONSENTIMENTO. CONTROLE EXTERNO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INVIABILIDADE. SÚMULA Nº 7 DO STJ. DIFERENÇAS RETROATIVAS. LONGO PERÍODO. BOA-FÉ OBJETIVA. VIOLAÇÃO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O Tribunal estadual assentou que não houve qualquer vício de consentimento e que a pactuação do aditivo foi uma escolha da representante, exercida livremente dentro de sua atividade empresarial, bem como que seria desnecessária a prova oral pretendida. Alterar as conclusões do acórdão impugnado exigiria incursão fático-probatória, em afronta à Súmula nº 7 do STJ. 2. Viola a boa-fé objetiva a pretensão de exigir diferenças pretéritas de comissões referentes a longo período de tempo sem que tenha havido objeção da representante comercial, frustrando-se a legítima expectativa construída durante a relação comercial. 3. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 4. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por A. J. PIAZZA LTDA. (A. J. PIAZZA), contra decisão de minha relatoria assim ementada: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE ADITIVO CONTRATUAL. REPRESENTAÇÃO CONTRATUAL. DIFERENÇAS DE COMISSÕES. CERCEAMENTO DE DEFESA. VÍCIO DE CONSENTIMENTO. INOCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7 DO STJ. REDUÇÃO DAS COMISSÕES. COBRANÇA RETROATIVA. LONGO PERÍODO SEM OBJEÇÃO. BOA-FÉ OBJETIVA. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO (e-STJ, fl. 1.646). Nas razões do presente inconformismo, defendeu que (1) é inaplicável a Súmula nº 7 do STJ, visto que a ARCELORMITTAL, empresa gigantesca, submete a empresa familiar A. J. PIAZZA a aditivos contratuais manifestamente desvantajosos a esta, evidenciando-se hipótese de controle externo; (2) a conduta da ARCELORMITTAL contrariou a boa-fé; (3) a representante comercial deve ser protegida na relação contratual; e (4) houve cerceamento de defesa, tendo em vista que a prova oral era indispensável para a correta instrução do processo (e-STJ, fls. 1.656/1.673). Foi apresentada contraminuta (e-STJ, fls. 1.677/1.686). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. NULIDADE DE ADITIVO CONTRATUAL. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. DIFERENÇAS DE COMISSÕES. CERCEAMENTO DE DEFESA. VÍCIO DE CONSENTIMENTO. CONTROLE EXTERNO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INVIABILIDADE. SÚMULA Nº 7 DO STJ. DIFERENÇAS RETROATIVAS. LONGO PERÍODO. BOA-FÉ OBJETIVA. VIOLAÇÃO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O Tribunal estadual assentou que não houve qualquer vício de consentimento e que a pactuação do aditivo foi uma escolha da representante, exercida livremente dentro de sua atividade empresarial, bem como que seria desnecessária a prova oral pretendida. Alterar as conclusões do acórdão impugnado exigiria incursão fático-probatória, em afronta à Súmula nº 7 do STJ. 2. Viola a boa-fé objetiva a pretensão de exigir diferenças pretéritas de comissões referentes a longo período de tempo sem que tenha havido objeção da representante comercial, frustrando-se a legítima expectativa construída durante a relação comercial. 3. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 4. Agravo interno não provido. VOTO O inconformismo agora manejado não merece provimento por não ter trazido nenhum elemento apto a infirmar as suas conclusões. (1) Da Súmula nº 7 do STJ; e (4) D o cerceamento de defesa Nas razões do presente recurso, A. J. PIAZZA alegou que (1) é inaplicável a Súmula nº 7 do STJ, visto que a ARCELORMITTAL, empresa gigantesca, submete a empresa familiar A. J. PIAZZA a aditivos contratuais manifestamente desvantajosos a esta, evidenciando-se hipótese de controle externo; e (4) houve cerceamento de defesa, tendo em vista que a prova oral era indispensável para a correta instrução do processo. Contudo, o Tribunal estadual concluiu que não houve qualquer vício de consentimento e que a pactuação do aditivo foi uma escolha da representante, exercida livremente dentro de sua atividade empresarial. A propósito: In casu, não obstante a autora alegue ter assinado o aditivo sugerido pela representada por temer a extinção do contrato e paralisação de suas atividades, preocupando-se com o sustento de toda a família que da empresa dependia, a possibilidade de término da relação entre as partes não pode ser entendida como ameaça suficiente a macular o negócio celebrado por mais difícil que seja a decisão de aceitar novas condições. Até mesmo porque, escolhas como esta, sobre a permanência em um ramo de atuação, é fato corriqueiro das relações empresariais. Assim, depois de treze anos exercendo a atividade sob as novas regras contratadas, ou seja, baseada no pactuado no termo aditivo de contrato o (fl. 47), e diante da rescisão contratual, a parte autora arrepende-se de ter compactuado com a proposta que possibilitou a diminuição de seu faturamento, buscando anular o ato. Ora, o arrependimento ou mesmo a reflexão de qual atividade desse período poderia ter sido mais lucrativa não pode, por si só, desconstituir o ato jurídico. Destarte, não se vislumbra vício de consentimento mas a escolha feita pela representante, por mais difícil que seja, sobre o norte tomado pela sociedade, decisão essa de cunho negocial, que faz parte da atividade empresarial (e-STJ, fl. 1.471). No que se refere à prova oral, o acórdão vergastado salientou que não seria necessária, na medida em que apenas os documentos encartados são suficientes para elucidação da realidade de cada uma das partes. Confira-se o excerto: Como visto, a suposta "coação moral" (fl. 1054) que teria viciado o aditamento contratual está embasada na hipossuficiência da apelante frente à demandada. Tal fato, contudo, independe de prova oral (testemunhal e depoimento pessoal). Basta a análise dos documentos carreados ao processo, mormente do contrato social da apelante e as correspondentes alterações contratuais, bem como da "Ata de Reunião do Conselho de Administração" (fl. 190) e demais documentos carreados pela demandada às fls. 201-226, para se conhecer a realidade de cada parte processual. Merece destaque, ainda, o fato de que em suas razões de apelação a própria apelante aduz confiar "que esta Câmara reconhecerá que, diante dos argumentos aqui apresentados e da prova pericial já realizada nos autos a causa está madura para julgamento" (fl. 1065), tratando o alegado cerceamento de defesa e correlato pedido de produção de prova oral apenas quando do pedido subsidiário de anulação da sentença para o caso de "se entender que a prova dos autos é insuficiente" (fl. 1065). Tal pretensão, contudo, não encontra amparo porquanto despida de qualquer utilidade, razão pela qual entendeu o magistrado de primeiro grau por proceder ao julgamento do feito (e-STJ, fl. 1.467). Nesse ponto, alterar as conclusões do acórdão recorrido, a fim de reconhecer o cerceamento de defesa e o suposto controle externo a evidenciar que não houve livre pactuação do aditivo contratual, ensejaria reexame de fatos e provas, vedado em recurso especial, nos termos da Súmula nº 7 do STJ. Nessa linha é o julgado: RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E DIREITO BANCÁRIO. AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA PERICIAL. IMPRESTABILIDADE. REEXAME DE PROVA. SÚMULA Nº 7/STJ. APELAÇÃO. EFEITO DEVOLUTIVO. INOVAÇÃO DA LIDE. IMPOSSIBILIDADE. IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. REGRA. APLICABILIDADE. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. PERIODICIDADE. TEMA Nº 246/STJ. CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA-CORRENTE. RENOVAÇÃO PERIÓDICA. DISTINÇÃO. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 3. Hipótese em que houve direto enfrentamento da matéria deduzida em agravo retido, ao qual fora negado provimento por decisão devidamente fundamentada. 4. Modificar a conclusão do Tribunal de origem, soberano quanto à análise da necessidade ou não de se produzir outras provas além daquelas já produzidas, demandaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, providência vedada em recurso especial tendo em vista o óbice da Súmula nº 7/STJ. 5. A pretensão não deduzida na petição inicial não pode ser analisada no julgamento da apelação por constituir evidente inovação da lide em sede recursal, em completa afronta ao princípio do contraditório. 6. A regra da imputação do pagamento (art. 354 do Código Civil) só deve ser afastada se houver expressa previsão legal ou contratual. 7. Em recurso submetido ao rito do art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu ser permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior a 1 (um) ano em contratos celebrados após a publicação da Medida Provisória nº 1.963-17/2000, desde que expressamente pactuada. Tema nº 246/STJ. 8. O contrato de abertura de crédito em conta-corrente é renovado periodicamente, e nem sempre sob as mesmas condições inicialmente pactuadas, já tendo esta Corte decidido que a cláusula que prevê a renovação automática desse tipo de avença não é abusiva. 9. A renovação periódica é da própria essência do contrato de abertura de crédito em conta-corrente, tendo em vista que os custos da operação serão aqueles verificados no momento em que ocorre, de fato, a utilização do limite de crédito colocado à disposição do correntista. 10. A data a ser considerada para permitir ou não a capitalização de juros em período inferior ao anual, à luz do entendimento firmado por esta Corte Superior (Tema nº 246/STJ), é a da renovação automática do contrato de abertura de crédito em conta-corrente, e não a da abertura da conta-corrente. 11. Havendo renovação automática do contrato de abertura de crédito em conta-corrente após 31/3/2000, data da publicação da Medida Provisória nº 1.963-17/2000 (em vigor como MP nº 2.170-36/2001), faculta-se à instituição financeira, a partir de então, cobrar juros de forma capitalizada em período inferior a 1 (um) ano. 12. As disposições do art. 591, c/c o art. 406, do Código Civil são inaplicáveis aos juros remuneratórios dos contratos de mútuo bancário, conforme tese firmada no julgamento de recurso especial repetitivo (Tema nº 26/STJ). 13. Recurso especial não provido. (REsp n. 1.666.108/PR, relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, j. em 23/3/2021, DJe de 25/3/2021.) Assim, não merece reforma o acórdão recorrido. (2) Da violação da boa-fé; e (3) da proteção do representante comercial No agravo interno, A. J. PIAZZA também afirmou que (2) a conduta da ARCELORMITTAL contrariou a boa-fé; e (3) a representante comercial deve ser protegida na relação contratual. Nesse aspecto, o Tribunal estadual asseverou que as condições pactuadas na alteração contratual foram aceitas ao longo de treze anos. Veja-se o trecho do acórdão recorrido: Todavia, é preciso observar que a representante anuiu expressamente com referida alteração, prosseguindo em suas atividades por (treze) anos, até a extinção do contrato. Concordou igualmente com a rescisão contratual e com os valores pagos em virtude desta (fls. 232-234; 241-12). Posteriormente, contudo, entendeu que teria outros valores a receber, motivo pelo qual moveu a presente demanda. Em tais casos, este Tribunal de Justiça tem entendido que, transcorrido considerável lapso temporal é possível, inclusive, a aceitação tácita das novas condições contratuais, privilegiando-se a boa-fé objetiva, princípio basilar dos contratos (e-STJ, fls. 1.474). Sobre o tema, esta Terceira Turma firmou entendimento de que viola a boa-fé objetiva a pretensão de exigir diferenças pretéritas de comissões referentes a longo período de tempo sem que tenha havido objeção da representante comercial, frustrando-se a legítima expectativa construída durante a relação comercial. Nessa linha são os julgados: CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE COBRANÇA. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL AFASTADA. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. OBRIGAÇÃO CONTRATUAL. CITAÇÃO. REDUÇÃO DAS COMISSÕES. OBSCURIDADE CONFIGURADA. ART. 1022, II, DO NCPC. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. O TJ/RS manifestou a sua convicção de que a questão relativa aos juros, deduzida pelos embargantes, estaria prejudicada. Nesse contexto, ainda que a parte não concordasse com o entendimento, ou que a interpretação esposada pela Corte estadual não se revelasse precisa, não se justificava, no caso, a excepcional abertura da via integrativa, razão pela qual não se reconheceu a alegada violação do art. 1.022 do NCPC na hipótese. 3. No que tange ao termo inicial de incidência de juros, o acórdão recorrido segue a orientação jurisprudencial remansosa desta Corte Superior, no sentido de que, tendo em vista a responsabilidade do representado decorrer de inadimplemento contratual, o termo a quo de incidência dos juros moratórios deve ser a data da citação (REsp nº 1.001.525/MG, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, DJe 10/5/2013). Precedentes. 4. Em relação a cobrança de parcelas que, segundo a moldura fática assentada nos autos, foram tacitamente dispensadas no período de exercício da representação comercial, o aresto atacado também não destoa do entendimento consagrado por este STJ, no sentido de que o princípio da boa-fé objetiva torna inviável a pretensão da recorrente, de exigir retroativamente valores a título da diferença, que sempre foram dispensados, frustrando uma expectativa legítima, construída e mantida ao longo de toda a relação contratual pela recorrida (REsp nº 1.323.404/GO, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, DJe 5/9/2013). Precedentes. 5. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.115.144/RS, de minha relatoria, Terceira Turma, j. em 4/5/2020, DJe de 7/5/2020.) CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. AÇÃO DE COBRANÇA. CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. RESCISÃO INJUSTIFICADA PELA REPRESENTADA. PRETENSÃO DE COBRANÇA DAS COMISSÕES PAGAS A MENOR. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. OCORRÊNCIA. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DE COBRANÇA DAS VERBAS RESCISÓRIAS. INEXISTÊNCIA. JUSTO MOTIVO PARA A RESCISÃO UNILATERAL. AUSÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA INCIDENTE SOBRE AS VERBAS RESCISÓRIAS. TERMO INICIAL. RESCISÃO DO CONTRATO. COMISSÕES PAGAS A MENOR. SUPRESSIO. BASE DE CÁLCULO DAS VERBAS RESCISÓRIAS. CADA UMA DAS COMISSÕES CORRIGIDAS MONETARIAMENTE. 1. Ação de cobrança de comissões e de verbas rescisórias cumulada com pedido de indenização por danos morais ajuizada em 08/08/2008, da qual foram extraídos os presentes recursos especiais interpostos em 03/09/2019 e 22/08/2019 e atribuídos ao gabinete em 18/12/2020. 2. O propósito recursal do primeiro recurso especial é definir a) se está prescrita a pretensão de cobrança das comissões pagas a menor e da verba rescisória prevista no art. 27, "j", da Lei nº 4.886/65; b) se está configurada a justa causa para a rescisão do contrato de representação comercial e c) o termo inicial da correção monetária incidente sobre as verbas rescisórias. Já o propósito recursal do segundo recurso especial é dizer sobre a) a validade da redução tácita das comissões e b) a base de cálculo das verbas rescisórias. 3. Recurso especial de Copobrás S/A Indústria e Comércio de Embalagens. 3.1. A pretensão do representante comercial de cobrar as diferenças das comissões pagas a menor prescreve mês a mês e está sujeita ao prazo prescricional quinquenal previsto no art. 44 da Lei nº 4.886/65. Precedentes. Assim, está prescrita a pretensão de cobrança das parcelas vencidas antes do quinquênio que antecedeu a propositura da ação. 3.2. À pretensão de cobrança da indenização correspondente a 1/12 do total da remuneração auferida pelo representante comercial (art. 27, "j", da Lei nº 4.886/1965) também se aplica o prazo prescricional quinquenal e tem como termo inicial a data da rescisão injustificada do contrato. Nada obstante, nos termos da jurisprudência do STJ, a base de cálculo da indenização por rescisão sem justa causa deve incluir os valores recebidos durante todo o período de exercício da representação comercial, não ficando limitada ao quinquênio anterior ao ajuizamento da demanda. Na hipótese, a pretensão da recorrida (representada) remanesce hígida, porquanto entre a data da rescisão do negócio jurídico e do ajuizamento da ação não transcorreram cinco anos. 3.3. O descumprimento de quaisquer obrigações inerentes ao contrato de representação comercial qualifica-se como justo motivo para a rescisão do contrato pelo representado (art. 35, "c", da Lei nº 4.886/65). Desse modo, caso o representante descumpra qualquer atribuição expressamente pactuada, surgirá para o representado a possibilidade de rescindir o contrato por justa causa, circunstância na qual não serão devidos indenização e aviso prévio. O inadimplemento de outras obrigações que não estão previstas no contrato de representação comercial, mas que são implícitas ou decorrem da própria lei, também se caracteriza como justo motivo para a rescisão do contrato pelo representado. No particular, a recusa da representante (recorrida) em assinar os novos termos apresentados pela representada (recorrente), nos quais houve redução dos seus direitos, não configura justa causa, porquanto não há notícias de que, no instrumento original, a recorrida (representada) havia se obrigado a assinar, futuramente, um novo contrato no qual seus direitos seriam restringidos. 3.4. Na hipótese de rescisão injustificada do contrato de representação comercial, o valor da condenação relativo às verbas rescisórias deve ser corrigido monetariamente a partir da notificação do representante acerca da rescisão contratual. Precedentes. 3.5. A ausência de cotejo analítico e de demonstração da similitude fática entre os acórdãos confrontados impedem a análise do dissídio. 4. Recurso especial de Córrego Representações Ltda. 4.1. A ausência de decisão acerca de dispositivos legais indicados como violados impede o conhecimento do recurso especial. 4.2. A boa-fé objetiva induz deveres acessórios de conduta, impondo às partes comportamentos obrigatórios implicitamente contidos em todos os contratos, a serem observados para que se concretizem as justas expectativas oriundas da própria celebração e execução da avença, mantendo-se o equilíbrio da relação. Uma das funções exercidas pela boa-fé objetiva consiste na limitação ao exercício de direitos subjetivos, daí derivando o instituto da supressio, que visa a tutelar a estabilidade do comportamento. Essa figura viabiliza o reconhecimento da perda do direito subjetivo em razão da inatividade do seu titular por um período suficiente para criar na outra parte a sensação plausível de ter havido renúncia àquela prerrogativa. 4.3. Na espécie, ao longo de toda a relação negocial em que se implementaram as reduções das comissões de forma unilateral pela recorrida (representada), em nenhum momento houve insurgência por parte da recorrente (representante), que somente propugnou pelas diferenças das comissões após a rescisão unilateral do contrato pela recorrida. Ou seja, apesar das diminuições das comissões, a recorrente permaneceu no exercício da representação comercial por quase 22 (vinte e dois) anos, despertando na recorrida a justa expectativa de que não haveria exigência posterior. Diante desse panorama, o princípio da boa-fé objetiva torna inviável a pretensão da recorrente de exigir retroativamente valores a título de diferenças, que sempre foram dispensadas. 4.4. A base de cálculo das verbas rescisórias (indenização e aviso prévio) deve ser composta pelo valor atualizado monetariamente de cada uma das comissões recebidas pela recorrente (representante), com base no índice vigente à época do pagamento, que será o BTN, se anterior a março de 1991 (vigência a Lei nº 8.117/91), ou o INPC, se posterior a esse marco temporal. 5. Recurso especial de Copobrás S/A Indústria e Comércio de Embalagens conhecido e parcialmente provido e recurso especial de Córrego Representações Ltda parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (REsp n. 1.838.752/SC, relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, j. em 19/10/2021, DJe de 22/10/2021.) Portanto, as conclusões do acórdão vergastado devem ser mantidas. Dessarte, mantém-se a decisão proferida, por não haver motivos para sua alteração. Nessas condições, pelo meu voto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.