AREsp 2706661 - DECISAO
Reconsiderou-se a decisão de relatoria para conhecer do agravo em recurso especial, porém negou-se provimento ao recurso especial porque as alegações de cerceamento e de necessidade de produção de novas provas implicariam reexame do conjunto fático-probatório, vedado em recurso especial pela Súmula nº 7 do STJ; a...
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- Parties
- Agravante: UNIMED NORTE PAULISTA - COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO (UNIMED)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão / Reexame De Recurso Especial
- Outcome
- Agravo interno provido para conhecer do agravo em recurso especial; recurso especial (apelo nobre) negado provimento.
- Legal Topics
- Obrigação De Fazer, Cerceamento De Defesa, Reexame De Provas, Rol Da ANS, Dano Moral, Prequestionamento, Honorários Advocatícios
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Parties
UNIMED NORTE PAULISTA - COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO (UNIMED)
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão / Reexame De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Violação dos arts. 369 e 370 do CPC (alegado cerceamento de defesa pela negativa de dilação probatória)
- 2 Violação dos arts. 10, § 4º, 12 e 16 da Lei n. 9.656/1998 (alegada obrigação de cobertura por mera indicação médica) e alegado dissídio jurisprudencial
- 3 Violação dos arts. 186, 188, I, 884 e 944 do Código Civil/2002 (alegação de inexistência de dano moral)
Ratio Decidendi
Reconsiderou-se a decisão de relatoria para conhecer do agravo em recurso especial, porém negou-se provimento ao recurso especial porque as alegações de cerceamento e de necessidade de produção de novas provas implicariam reexame do conjunto fático-probatório, vedado em recurso especial pela Súmula nº 7 do STJ; a Corte de origem fundamentou a obrigatoriedade de cobertura do medicamento pela imprescindibilidade do tratamento em conformidade com a jurisprudência do STJ sobre medicamentos para câncer; e as alegações relativas ao Código Civil não foram prequestionadas, incidindo a Súmula nº 282 do STF por analogia.
Court Disposition
Agravo interno provido para conhecer do agravo em recurso especial; recurso especial (apelo nobre) negado provimento.
Orders
- Conhecer do agravo em recurso especial
- Negar provimento ao recurso especial
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto por UNIMED NORTE PAULISTA - COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO (UNIMED) contra decisão de relatoria do Ministro Presidente desta Corte, que não conheceu do agravo em recurso especial anteriormente manejado, com amparo no art. 21-E, V, c/c o art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, porque não foram atacados especificamente os fundamentos da decisão agravada. Nas razões do presente inconformismo, alegou que impugnou a incidência da Súmula nº 7 do STJ. Houve impugnação ao recurso (e-STJ, fls. 678/685). É o relatório. DECIDO. Reconsideração do decisum Tendo em vista as alegações trazidas no agravo interno, reconsidero a decisão agravada para conhecer do agravo em recurso especial e passo à nova análise do recurso especial. Em seu recurso especial, amparado no art. 105, III, a e c, da CF, alegou (1) violação dos arts. 369 e 370 do CPC sustentando cerceamento de defesa em virtude da negativa de dilação probatória; (2) afronta aos arts. 10, § 4º, 12 e 16 da Lei n. 9.656/1998 e dissídio jurisprudencial aduzindo que o v. acórdão entendeu que o medicamento deveria ser fornecido pelo simples fato de existir indicação médica; e, (3) violação dos arts. 186, 188, I, 884 e 944 do CC/2002 sob a alegação de não haver dano moral indenizável. O recurso não comporta provimento. (1) Do reexame fático-probatório. Em relação a alegada violação dos arts. 369 e 370 do CPC, no que concerne o cerceamento de defesa, o Tribunal local manifestou-se nos seguintes termos: Com relação à preliminar de cerceamento de defesa, registra-se, de início, que nos termos da jurisprudência do Colendo Superior Tribunal de Justiça "..cabe ao Juiz, como destinatário final da prova, respeitando os limites adotados pelo CPC, decidir pela produção probatória necessária à formação do seu convencimento. O Tribunal estadual assentou que era desnecessária a dilação probatória." (AgInt no AREsp n. 2.219.123/SC, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 27/3/2023, DJe 29/3/2023). No caso dos autos a ora apelante pleiteou a produção de prova documental, prova pericial e oral nos seguintes termos: .. Ao nosso ver era realmente desnecessária a produção da prova documental pleiteada por meio da expedição de ofício à ANS, primeiro porque já é conhecido o entendimento da ANS a respeito da ausência de obrigatoriedade de cobertura fora do rol, posto que manifestado em ato normativo da referida agência reguladora, depois porque a própria parte interessada poderia oficiar diretamente à ANS e obter a resposta solicitada e já esperada, não havendo necessidade de se valer do Poder Judiciário para tanto. Igualmente desnecessária a prova pericial médica para provar a inexistência das condições legais que tornam obrigatório o fornecimento de cobertura fora do rol, pois esse fornecimento pode ser deferido mediante decisão fundamentada na imprescindibilidade do tratamento, como se verá a seguir, diante do entendimento do Colendo Superior Tribunal de Justiça a respeito do fornecimento de medicamentos para o tratamento de neoplasia maligna. A ora apelante, por seu turno, não pediu a prova pericial para discutir a imprescindibilidade do tratamento, que já está atestada no laudo médico de p. 14. Quanto à prova oral para a comprovação da legalidade da conduta da ora apelante, não há controvérsia fática a respeito da recusa de fornecimento e dos motivos declarados pela ora apelante para tanto, de modo que a questão da recusa se coloca no plano do direito, e com relação à ocorrência de danos morais, quando presentes in re ipsa, como nos casos de recusa imotivada de cobertura assistencial em situações de urgência, dispensam a prova e quando não, o ônus de provar a sua ocorrência é do ofendido. Sendo assim, a preliminar de cerceamento de defesa não merece acolhimento (e-STJ, fls. 578/580). Desse modo, para se chegar à conclusão diversa da que chegou o eg. Tribunal de origem, seria inevitável o revolvimento do arcabouço fático-probatório, procedimento sabidamente inviável na instância especial por incidir a Súmula nº 7 do STJ: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. Nesse sentido os seguintes julgados: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSO CIVIL. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE COBERTURA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISIDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. MEDICAMENTO ANTINEOPLÁSICO. TRATAMENTO DE DOENÇA ONCOLÓGICA COBERTA PELO CONTRATO. RECUSA INDEVIDA. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há falar em violação do art. 1.022 do CPC/2015. 2. O princípio da persuasão racional ou da livre convicção motivada do juiz consigna caber ao magistrado apreciar livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, conferindo, fundamentadamente, a cada um desses elementos a sua devida valoração. 3. Rever a conclusão do Tribunal de origem - acerca da necessidade da prova requerida - demanda o reexame das provas produzidas no processo, o que é defeso na via eleita, nos termos do enunciado n. 7 da Súmula desta Corte Superior. 4. Consoante entendimento desta Corte Superior, "a natureza taxativa ou exemplificativa do rol da ANS é desimportante à análise do dever de cobertura de medicamentos para o tratamento de câncer, em relação aos quais há apenas uma diretriz na resolução normativa". 5. O mero não conhecimento ou a improcedência de recurso interno não enseja a automática condenação à multa dos arts. 1.021, § 4º e 1.026, § 2º, do CPC, devendo ser analisado caso a caso. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.148.364/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 14/10/2024, DJe de 16/10/2024.) CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APRECIAÇÃO DE TODAS AS QUESTÕES RELEVANTES DA LIDE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE AFRONTA AO ART. 1.022 DO CPC/2015. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 DO STF e 211 DO STJ. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROVA PERICIAL. AUSÊNCIA. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7/STJ. PLANO DE SÁUDE. MATERIAL ESSENCIAL. CUSTEIO. POSSIBILIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO CONFORME A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA N. 83/STJ. REEMBOLSO INTEGRAL. SÚMULA N. 83/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Inexiste afronta ao art. 1.022 do CPC/2015 quando o acórdão recorrido pronuncia-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. 2. A simples indicação de dispositivos e diplomas legais tidos por violados, sem que o tema tenha sido enfrentado pelo acórdão recorrido, obsta o conhecimento do recurso especial, por falta de prequestionamento, a teor das Súmulas n. 282 do STF e 211 do STJ. 3. Para a jurisprudência do STJ, o julgador pode determinar as provas pertinentes à instrução do processo, bem como indeferir aquelas consideradas inúteis ou protelatórias, à luz dos princípios da livre apreciação da prova e do livre convencimento do juiz (CPC/2015, art. 370, caput e parágrafo único). 4. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos e revisão das cláusulas contratuais (Súmulas n. 5 e 7 do STJ). 4.1. A Corte de origem afastou o alegado cerceamento de defesa, tendo em vista a desnecessidade da prova pericial. Modificar tal entendimento exigiria nova análise do conjunto probatório dos autos, medida inviável em recurso especial. 5. Os planos de saúde estão obrigados aos custeio de órteses, próteses e seus acessórios indispensáveis ao sucesso da cirurgia. Precedentes. 5.1. A Corte local impôs ao plano de saúde o custeio do eletrodo necessário ao sucesso da cirurgia de hérnia de disco da parte agravada, o que não diverge de tal orientação. 6. Inadmissível o recurso especial quando o entendimento adotado pelo Tribunal de origem coincide com a jurisprudência do STJ (Súmula n. 83/STJ). 7. O usuário faz jus ao reembolso integral das despesas médicas, quando comprovado o inadimplemento contratual do plano de saúde relativo à recusa do custeio do tratamento prescrito pelo médico assistente. Precedentes. 7.1. A Corte de origem condenou a empresa agravante ao reembolso integral das despesas médicas, ante sua recusa indevida de cobertura médica. Aplicação da Súmula n. 83/STJ. 8. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.590.921/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de 2/10/2024.) (2) Do v. acórdão em conformidade com a jurisprudência dessa Corte Em relação a alegada violação dos arts. 10, § 4º, 12 e 16 da Lei n. 9.656/1998 e dissídio jurisprudencial aduzindo que o v. acórdão entendeu que o medicamento deveria ser fornecido pelo si mples fato de existir indicação médica, o Tribunal local manifestou-se nos seguintes termos: Não se desconhece o teor do julgamento dos EREsp nº 1.886.929 e nº 1.889.704, realizado em junho de 2022, que reconheceu o caráter taxativo do rol de procedimentos e eventos da ANS. Entretanto, ressalta-se que mediante o cumprimento de determinadas condições e em diversas situações é possível reconhecer a obrigatoriedade de fornecimento do tratamento pleiteado. Ocorre que mesmo depois do julgamento acima referenciado e da alteração legislativa introduzida pelo parágrafo 13 do artigo 10, da Lei nº 9.656/98, em casos de neoplasia maligna tem havido firme posicionamento do Colendo Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o Poder Judiciário pode deferir tratamento ou procedimento que não se enquadra em diretriz de utilização (DUT), por meio de decisão racional e fundamentada na imprescindibilidade do tratamento, conforme os seguintes arestos: .. Nos presentes autos, como bem ressaltou a r. sentença recorrida: "..o caso do autor é gravíssimo, conforme se verifica dos atestados emitidos por médico integrante da própria cooperativa UNIMED ré." (p. 530). Além disso, consta do relatório médico (p. 14/15) que o paciente já havia realizado ao menos três ciclos de tratamento com outra medicação, entretanto a doença progrediu para o pulmão, evidenciando assim a imprescindibilidade do medicamento prescrito .. Quanto aos danos morais cremos igualmente devidos, tendo em vista o presumível abalo psíquico, com base nas regras da experiência comum, de quem investe na luta contra doença mortal, buscando tratamento e diante do insucesso com a progressão da patologia, tem frustrada esperança de sobrevida ou cura, pela recusa ilegítima de acesso ao tratamento previsto em contrato oneroso que lhe fora prescrito pelo médico assistente. Isto sem prejuízo de eventuais agravos à saúde decorrentes da demora no início ou continuidade do tratamento da patologia que acomete o paciente. .. Quanto ao valor arbitrado pelo d. juízo sentenciante mostra-se dentro dos limites da razoabilidade e proporcionalidade e de acordo com os valores fixados em casos análogos, de modo que também não merece reparo (e-STJ, fls. 581/587 - com destaques no original). Nesse contexto, Tribunal local estaria em conformidade com a jurisprudência firmada por essa Corte no sentido de que "a natureza taxativa ou exemplificativa do rol da ANS é desimportante à análise do dever de cobertura de medicamentos para o tratamento de câncer, em relação aos quais há apenas uma diretriz na resolução normativa". Precedentes. Nesse sentido os seguintes julgados: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. MEDICAMENTO PARA TRATAMENTO DE CÂNCER. COBERTURA OBRIGATÓRIA. SÚMULA N. 83/STJ. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. DISSÍDIO PREJUDICADO. 1. O órgão julgador não é obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa das teses apresentadas. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução (AgInt no AREsp n. 1.400.882/SP, Quarta Turma, DJe de 30/9/2019; AgInt no AREsp n. 1.475.564/RS, Terceira Turma, DJe de 29/10/2020). 2. Nos termos da jurisprudência desta Corte, a taxatividade do rol da ANS é desimportante para a análise do dever de cobertura de exames, medicamentos ou procedimentos para o tratamento de câncer, em relação aos quais há apenas uma diretriz na resolução. Súmula n. 83/STJ. 3. O usuário faz jus à indenização por danos morais se o descumprimento contratual, pela operadora de saúde, resultar em negativa indevida de cobertura e, dessa recusa, decorrer agravamento de sua dor, abalo psicológico ou prejuízos à sua saúde debilitada. 4. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que a redução ou a majoração do quantum indenizatório a título de dano moral é possível somente em hipóteses excepcionais, quando manifestamente irrisória ou exorbitante a indenização arbitrada, sob pena de incidência do óbice da Súmula n. 7 do STJ. 5. O não conhecimento do recurso pela alínea "a" pela aplicação das Súmulas n. 7 e 83 do STJ impede o conhecimento pela alínea "c" do permissivo constitucional. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.597.178/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 14/10/2024, DJe de 17/10/2024.) CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. RECUSA DE PROCEDIMENTO CIRÚRGICO PARA TRATAMENTO DE CÂNCER (CITORREDUÇÃO CIRÚRGICA COM QUIMIOTERAPIA INTRAPERITONEAL CHEMOTERAPY). RECUSA ABUSIVA. PRECEDENTES DO STJ. DANOS MORAIS. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. VALOR. RAZOABILIDAE E PROPORCIONALIDADE. 1. Nos termos da jurisprudência pacífica desta Corte, o rol de procedimentos editado pela ANS não pode ser considerado meramente exemplificativo. Contudo, a natureza taxativa ou exemplificativa do aludido rol não se aplica à análise do dever de cobertura de medicamentos/procedimentos para o tratamento de câncer, em relação aos quais há apenas uma diretriz na resolução da ANS. 2. No caso, trata-se de procedimentos para tratamento de câncer (citorredução cirúrgica com quimioterapia intraperitoneal "Chemoterapy"), hipótese em que a jurisprudência é assente no sentido de que o fornecimento é obrigatório. Precedentes. 3. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que "a recusa injustificada de cobertura de tratamento de saúde enseja danos morais em razão do agravamento da aflição e angústia do segurado que já se encontra com sua higidez físico-psicológica comprometida em virtude da enfermidade"(AgInt nos EDcl no REsp n. 1.963.420/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 14/2/2022, DJe de 21/2/2022). 4. Hipótese em que o Tribunal de origem concluiu pela existência de danos morais indenizáveis. Alterar esse entendimento demandaria o reexame de provas, inviável em recurso especial por esbarrar no óbice da Súmula n. 7/STJ. 5. Não se mostra exorbitante o quantum indenizatório fixado pelo TJPE em R$ 20.000,00. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.102.534/PE, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 29/2/2024.) Ademais, para se chegar à conclusão diversa da que chegou o eg. Tribunal de origem, em relação a configuração do dano moral ou revisão do seu quantum, seria inevitável o revolvimento do arcabouço fático-probatório, procedimento sabidamente inviável na instância especial por incidir a Súmula nº 7 do STJ: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. A propósito: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. MEDICAMENTO PARA TRATAMENTO DE CÂNCER. COBERTURA OBRIGATÓRIA. SÚMULA N. 83/STJ. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. DISSÍDIO PREJUDICADO. 1. O órgão julgador não é obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa das teses apresentadas. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução (AgInt no AREsp n. 1.400.882/SP, Quarta Turma, DJe de 30/9/2019; AgInt no AREsp n. 1.475.564/RS, Terceira Turma, DJe de 29/10/2020). 2. Nos termos da jurisprudência desta Corte, a taxatividade do rol da ANS é desimportante para a análise do dever de cobertura de exames, medicamentos ou procedimentos para o tratamento de câncer, em relação aos quais há apenas uma diretriz na resolução. Súmula n. 83/STJ. 3. O usuário faz jus à indenização por danos morais se o descumprimento contratual, pela operadora de saúde, resultar em negativa indevida de cobertura e, dessa recusa, decorrer agravamento de sua dor, abalo psicológico ou prejuízos à sua saúde debilitada. 4. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que a redução ou a majoração do quantum indenizatório a título de dano moral é possível somente em hipóteses excepcionais, quando manifestamente irrisória ou exorbitante a indenização arbitrada, sob pena de incidência do óbice da Súmula n. 7 do STJ. 5. O não conhecimento do recurso pela alínea "a" pela aplicação das Súmulas n. 7 e 83 do STJ impede o conhecimento pela alínea "c" do permissivo constitucional. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.597.178/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 14/10/2024, DJe de 17/10/2024.) (3) Da ausência de prequestionamento. De uma simples leitura do aresto recorrido pode-se observar que os temas referentes aos arts. 186, 188, I, 884 e 944 do CC/2002 não foram apreciados pelo v. acórdão recorrido e tampouco foram opostos embargos de declaração quanto a esses pontos. Não houve, portanto, o indispensável debate prévio, condição sem a qual fica obstaculizada a via de acesso ao apelo excepcional. Inafastável, assim, a incidência da Súmula nº 282 do STF, por analogia, in verbis: É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 282/STF. 1. .. . 2. Ausente o prequestionamento, até mesmo de modo implícito, do dispositivo apontado como violado no recurso especial, incide, por analogia, o disposto na Súmula nº 282 do Supremo Tribunal Federal. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1578006/MT, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, j. em 09/03/2020, DJe 13/03/2020) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. OMISSÃO NO ACÓRDÃO DE ORIGEM. NÃO OCORRÊNCIA. NEGATIVA INDEVIDA. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. DANO MORAL. VALOR. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL DE DISPOSITIVO TIDO COMO VIOLADO. SÚMULA 284/STF. COBERTURA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO PROVIMENTO. 1. .. . 4. Não se admite o recurso especial quando a questão federal nele suscitada não foi enfrentada no acórdão recorrido. Incidem as Súmulas 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1811358/PA, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, j. em 10/03/2020, DJe 17/03/2020) Nessas condições, DOU PROVIMENTO ao agravo interno para CONHECER do agravo em recurso especial e NEGAR PROVIMENTO ao apelo nobre. MAJORO os honorários advocatícios, anteriormente fixados, em desfavor de UNIMED em 5% sobre o valor da condenação, limitados a 20%, nos termos do art. 85, §§ 2º e 11, do NCPC. Por fim, advirta-se que eventual recurso interposto contra este julgado estará sujeito às normas do NCPC, inclusive no que tange ao cabimento de multa (arts. 1.021, § 4º e 1.026, § 2º). Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECONSIDERAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. CERCEAMENTO DE DEFESA. REVISÃO. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7, DO STJ. MEDICAMENTO PARA TRATAMENTO DE CÂNCER. COBERTURA OBRIGATÓRIA. PRECEDENTES. DANO MORAIS. CONFIGURADO. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. DISSÍDIO PREJUDICADO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADO. ATO ILÍCITO E ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. TEMA NÃO DEBATIDO PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 282 DO STF. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA CONHECER DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL E NEGAR PROVIMENTO AO APELO NOBRE.