REsp 2155486 - DECISAO
Reconsideraram-se as decisões anteriores em razão da afetação, pela Primeira Seção do STJ, da controvérsia ao regime dos recursos repetitivos (Tema 1364), que trata da possibilidade de apuração de créditos de PIS/COFINS sobre o ICMS próprio após a Lei 14.592/2023; por medida de economia processual e para evitar...
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- Parties
- Agravante: COOPERATIVA VINÍCOLA AURORA LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Recurso Especial / Decisão Reconsideração E Devolução Dos Autos À Origem Com Suspensão Da Tramitação
- Outcome
- Decisão reconsiderada; autos devolvidos ao Tribunal de origem e tramitação suspensa até julgamento do Tema 1364.
- Legal Topics
- Pis/cofins Não Cumulativo, Creditamento Do ICMS, Recursos Repetitivos, Suspensão De Tramitação, Prequestionamento
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Parties
COOPERATIVA VINÍCOLA AURORA LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Recurso Especial / Decisão Reconsideração E Devolução Dos Autos À Origem Com Suspensão Da Tramitação
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial por ausência de prequestionamento
- 2 possibilidade de apuração de créditos de PIS/COFINS sobre o ICMS próprio após a Lei 14.592/2023
- 3 afetação ao regime dos recursos repetitivos (Tema 1364) e consequente devolução dos autos à origem
Ratio Decidendi
Reconsideraram-se as decisões anteriores em razão da afetação, pela Primeira Seção do STJ, da controvérsia ao regime dos recursos repetitivos (Tema 1364), que trata da possibilidade de apuração de créditos de PIS/COFINS sobre o ICMS próprio após a Lei 14.592/2023; por medida de economia processual e para evitar decisões conflitantes, determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para sobrestamento até a publicação do acórdão paradigma e posterior juízo de adequação nos termos dos arts. 1.039 a 1.041 do CPC/2015.
Court Disposition
Decisão reconsiderada; autos devolvidos ao Tribunal de origem e tramitação suspensa até julgamento do Tema 1364.
Orders
- Reconsiderar as decisões de fls. 382-3856 e 404-409.
- Determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com baixa, para sobrestamento e realização do juízo de adequação após publicação dos acórdãos dos recursos representativos da controvérsia (Tema 1364), nos termos dos arts. 1.039 a 1.041 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interno interposto por COOPERATIVA VINÍCOLA AURORA LTDA contra decisão que conheceu parcialmente do recurso especial, e nessa extensão, negou-lhe provimento. No que interessa, eis os termos do julgado (fls. 383-385): A irresignação não merece prosperar. A indicada afronta aos arts. 97 e 108 do CTN e 2º da LC 87/1996 não pode ser examinada, pois sobre eles não foi emitido juízo de valor. É inadmissível o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por contrariados não foram apreciados na origem, ainda que se trate de matéria de ordem pública, como a prescrição, e a despeito da oposição de Embargos Declaratórios, haja vista a ausência de prequestionamento. Incide na espécie a Súmula 211/STJ. (..) O Tribunal a quo, soberano na avaliação do conjunto fático-probatório produzido nos autos, dirimiu a controvérsia com base no preceito constitucional da não cumulatividade do PIS e da COFINS, in verbis (fls. 247-248): (..) No caso, em face dos aclaratórios ofertados, reputo necessário acrescentar fundamentação, para explicitar que vedação de crédito de PIS e COFINS se aplica tanto na aquisição de mercadorias, quanto na prestação de serviços. Para fins de esclarecimento, adiciono que não há violação ao preceito constitucional da não cumulatividade do PIS e da COFINS na sistemática adotada, isso porque a lógica escolhida pelo legislador ordinário de vedar o creditamento de tais contribuições sobre parcelas onde não houve incidência de PIS e COFINS não gera o chamado efeito em cascata na cobrança do tributo, efeito este que justamente o texto constitucional pretendeu afastar. É dizer, a alteração normativa promovida pela Lei 14.592, de 30/05/2023, apenas positivou expressamente o que já se poderia extrair de uma interpretação sistemática das Leis 10.637/2022 e 10.833/2003, que estabelecem ser vedado o creditamento em relação aos custos de aquisição de bens ou serviços (transportes ou outros serviços) não sujeitos ao pagamento das contribuições. Enfim, como salientado no acórdão embargado, a Medida Provisória 1.159/2023, convertida na Lei nº 14.592/2023, ao incluir o inciso III ao §2º do artigo 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, vedando expressamente o ICMS (incidente na aquisição) na base de cálculo dos créditos da não cumulatividade do PIS/COFINS, foi consentânea com a decisão do STF no RE nº 574.706/PR (Tema 69), pois se afigura incongruente com o regime não cumulativo permitir que o contribuinte se beneficie duplamente: primeiro excluindo o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS e, depois, creditando o ICMS não incluído na base de cálculo do PIS e COFINS para gerar créditos quanto a estas mesmas contribuições (negritei). Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça analisar infração a norma constitucional, ainda que para viabilizar a interposição de Recurso Extraordinário, sob pena de invasão da competência do Supremo Tribunal Federal. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 390-393). Em suas razões, a agravante afirma que a matéria em debate foi enfrentada pelo acórdão produzido em segundo grau e assinala que a jurisprudência desta Corte não exige que a decisão recorrida aponte expressamente o dispositivo legal em que amparou o seu pronunciamento. Sustenta que o Supremo Tribunal Federal já assentou o entendimento de que o debate relacionado à matéria em comento é de índole infraconstitucional, e acrescenta que "Ao admitir que a questão debatida não seria infraconstitucional, mas sim constitucional, a r. decisão agravada jogará a contribuinte num "limbo" processual, terreno de incerteza jurídica que não pode persistir" (fl. 422). Requer a reconsideração do julgado, com a admissão do rcurso especial e reforma do tribunal local. O prazo para as contrarrazões transcorreu in albis (fl. 430). É o relatório. A Primeira Seção do STJ, ao apreciar os Recursos Especiais n. 2150894/SC, 2150848/RS, 2150097/CE e 2151146/RS, decidiu submeter à sistemática dos recursos repetitivos questão jurídica relacionada à apuração de créditos de PIS /COFINS em regime não cumulativo sobre o valor do ICMS incidente sobre a operação de aquisição. O julgado produzido na ProAfR no REsp 2150097/CE (Tema 1364), sob a relatoria do Ministro Paulo Sérgio Domingues, foi assim resumido: PROCESSUAL CIVIL - TRIBUTÁRIO - CONTROVÉRSIA ACERCA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES AO ICMS PRÓPRIO APÓS A PROMULGAÇÃO DA LEI 14.592/2023 - QUESTÃO DE DIREITO - MULTIPLICIDADE DE CAUSAS PARELHAS - RECURSO SELECIONADO COMO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA - AFETAÇÃO AO REGIME DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS. 1. Delimitação da controvérsia: "possibilidade de apuração de créditos de PIS/COFINS em regime não cumulativo sobre o valor do ICMS incidente sobre a operação de aquisição, à luz do disposto no art. 3º, § 2º, III, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, incluído pela Lei 14.592/2023". 2. A questão aqui identificada difere daquela que já foi objeto de afetação sob a relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques no EREsp 1.959.571/RS e nos REsps 2.075.758/ES e 2.072.621/SC (Tema Repetitivo 1.231/STJ). Nesses casos, cuidava-se de discussão jurídica referente à possibilidade de creditamento, no âmbito do regime não-cumulativo das contribuições ao PIS e COFINS, dos valores que o contribuinte, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS-substituição (ICMS-ST) e aqui, trata-se do creditamento no ICMS próprio após a promulgação da Lei 14.592/2023. 3. O STF decidiu que a matéria é infraconstitucional. Consequente superação do óbice de admissibilidade do recurso especial pela fundamentação constitucional do acórdão recorrido. 4. Existência de multiplicidade de causas parelhas a espelhar a mesma controvérsia. 5. Afetação do recurso especial ao regime dos recursos repetitivos. (ProAfR no REsp n. 2.150.097/CE, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Seção, julgado em 17/6/2025, DJEN de 24/6/2025.) Por considerar que a hipótese se amolda ao caso em exame e que o seu debate é prejudicial à análise do recurso especial, a decisão há de ser reconsiderada. Nesses casos, consoante o entendimento das duas Turmas da Primeira Seção do STJ, por medida de economia processual e para evitar decisões conflitantes, os autos vêm sendo devolvidos à origem para o sobrestamento do recurso especial até que ocorra o julgamento do recurso repetitivo afetado nesta Corte ou com repercussão geral reconhecida pelo STF. Publicado o acórdão paradigma, o Tribunal de origem procederá ao juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, conforme for o caso, nos termos do artigo 1.040 do Código de Processo Civil. Confira-se o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022, II, DO CPC/2015. OMISSÃO CONFIGURADA. ATRIBUIÇÃO DE EXCEPCIONAIS EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE NO CASO CONCRETO. 1. Nos termos do que dispõe o artigo 1.022 do CPC/2015, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material. 2. Configurada omissão quanto à alegação de suspensão do julgamento de REsp e AREsp, com a devolução dos autos à origem, determinada no acórdão de afetação de controvérsia para julgamento pelo rito dos repetitivos relativo ao Tema. 1.170/STJ. 3. Via de regra, os embargos de declaração não se prestam à rediscussão do mérito, sob a roupagem de ocorrência de vício do art. 1.022 do CPC/2015. Todavia, em virtude da própria natureza integrativa dos embargos de declaração, eventual produção de efeitos infringentes é excepcionalmente admitida na hipótese em que, corrigida premissa equivocada ou sanada omissão, contradição, obscuridade ou ocorrência de erro material, a alteração da decisão surja como consequência necessária. 4. Evidenciada a omissão relevante, impõe-se o acolhimento dos presentes embargos de declaração, com efeitos infringentes, a fim de, em juízo de retratação, reconsiderar as decisões prolatadas, tornando-as sem efeitos, e determinar a devolução dos autos à origem, para fins de cumprimento do disposto nos arts. 1.039, 1.040, I e II, e 1.041 do CPC/2015. 5. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes. (EDcl no AgInt no AREsp n. 2.231.686/SP, rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 14/12/2023) Ante o exposto, reconsidero as decisões de fls. 382-3856 e 404-409, e determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a respectiva baixa, a fim de que, em observância aos artigos 1.039 a 1.041 do Código de Processo Civil, após a publicação dos acórdãos dos recursos representativos da controvérsia (Tema 1364), realize o juízo de adequação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECUSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. CREDITAMENTO DO ICMS NA OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO. TEMA 1364. SUSPENSÃO DA TRAMITAÇÃO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM.