AREsp 2456834 - ACORDAO
O acórdão manteve o indeferimento do parcelamento das custas por ausência de comprovação da hipossuficiência da pessoa jurídica; a alteração dessa conclusão exigiria reexame do conjunto fático-probatório, o que é vedado pela Súmula n.º 7 do STJ, motivo pelo qual se negou provimento ao agravo interno.
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- Parties
- Agravante: LUIZ ANTONIO DE JESUS - ME (LUIZ)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial (agravo De Instrumento) / Julgamento Pela Terceira Turma Em Sessão Virtual De 05/03/2024 a 11/03/2024
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Parcelamento De Custas Judiciais, Gratuidade De Justiça, Hipossuficiência, Pessoa Jurídica, Súmula 7/stj
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Parties
LUIZ ANTONIO DE JESUS - ME (LUIZ)
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial (agravo De Instrumento) / Julgamento Pela Terceira Turma Em Sessão Virtual De 05/03/2024 a 11/03/2024
Legal Issues
- 1 Comprovação da hipossuficiência da pessoa jurídica para concessão de parcelamento das custas
- 2 Aplicabilidade da Súmula n.º 7 do STJ diante da necessidade de reexame do conjunto fático-probatório
Ratio Decidendi
O acórdão manteve o indeferimento do parcelamento das custas por ausência de comprovação da hipossuficiência da pessoa jurídica; a alteração dessa conclusão exigiria reexame do conjunto fático-probatório, o que é vedado pela Súmula n.º 7 do STJ, motivo pelo qual se negou provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão que indeferiu o parcelamento das custas e que não conheceu do recurso especial com fundamento na Súmula n.º 7 do STJ.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 05/03/2024 a 11/03/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PARCELAMENTO DAS CUSTAS JUDICIAIS. INDEFERIMENTO. RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO CONJUNTO PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.º 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O Tribunal a quo decidiu, com amparo no contexto fático probatório, que o agravante não comprovou a sua hipossuficiência financeira, devendo ser mantida a decisão que indeferiu o parcelamento das custas. Assim, rever as conclusões demandaria, necessariamente, reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em razão do óbice da Súmula n.º 7 do STJ. 2. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por LUIZ ANTONIO DE JESUS - ME (LUIZ) contra decisão da Ministra Presidente desta Corte, que conheceu do agravo em recurso especial para não conhecer do recurso especial com fundamento na incidência da Súmula n.º 7 do STJ. Nas razões do presente inconformismo, defendeu a inaplicabilidade da Súmula n.º 7 do STJ. Foi apresentada impugnação (e-STJ, fls. 168/180). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PARCELAMENTO DAS CUSTAS JUDICIAIS. INDEFERIMENTO. RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO CONJUNTO PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.º 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O Tribunal a quo decidiu, com amparo no contexto fático probatório, que o agravante não comprovou a sua hipossuficiência financeira, devendo ser mantida a decisão que indeferiu o parcelamento das custas. Assim, rever as conclusões demandaria, necessariamente, reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em razão do óbice da Súmula n.º 7 do STJ. 2. Agravo interno não provido. VOTO O inconformismo agora manejado não merece provimento por não ter trazido nenhum elemento apto a infirmar as conclusões externadas na decisão recorrida. Do parcelamento das custas No apelo especial, LUIZ sustentou a ausência de recursos financeiros para arcar com as custas iniciais, sendo necessário o seu parcelamento. Sobre o assunto, o Tribunal paulista concluiu que LUIZ não comprovou a sua hipossuficiência financeira, devendo ser mantida a decisão que indeferiu o parcelamento das custas. Confira-se trecho do acórdão: (..). O Código de Processo Civil, ao dispor sobre a gratuidade da justiça, previu a possibilidade do referido benefício conforme dispõe o caput do art. 98: " A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei.x. O § 6.º do mesmo artigo acrescenta que, conforme o caso, o juiz poderá conceder direito ao parcelamento de despesas processuais que o beneficiário tiver de adiantar no curso do procedimento. Isto é, a concessão de qualquer um dos benefícios supracitados depende de comprovação da insuficiência financeira da parte. No caso, o autor-agravante é pessoa jurídica, micro-empresário individual e atua no ramo de construção civil. Contudo, o recorrente não comprovou de forma contundente o seu real faturamento e nem que está em condição de hipossuficiência econômica, de forma que inviabilize o pagamento das custas em uma única parcela. Inexiste nos autos qualquer documento que demonstre de forma contundente quais os valores são recebidos mensalmente, bem como os gastos mensais com a atividades empresarial. (..). Assim, deve ser mantida a decisão que indeferiu o parcelamento das custas, em face da ausência de documentos que comprovassem a alegada situação de hipossuficiência do autor (e-STJ, fls. 89/91). Assim, rever as conclusões do Tribunal a quo demandaria, necessariamente, reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em razão do óbice da Súmula n.º 7 do STJ. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO. FALTA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL TIDO POR VIOLADO. SÚMULA 284/STF. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. PESSOA FÍSICA. INDEFERIMENTO PELO TRIBUNAL APÓS ANÁLISE DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. PESSOA JURÍDICA. NÃO COMPROVAÇÃO DA DIFICULDADE FINANCEIRA PARA PAGAMENTO DAS CUSTAS JUDICIAIS. PARCELAMENTO DAS CUSTAS. INDEFERIMENTO. REEXAME. INVIABILIDADE. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO PROVIDO. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. .. . 2. .. . 3. .. . 4. Tratando-se de pessoa física, há presunção juris tantum de que quem pleiteia o benefício não possui condições de arcar com as despesas do processo sem comprometer seu próprio sustento ou de sua família. Tal presunção, contudo, é relativa, podendo o magistrado indeferir o pedido de justiça gratuita se encontrar elementos que infirmem a hipossuficiência do requerente. Precedentes. 5. A concessão do benefício da gratuidade de justiça à pessoa jurídica está condicionada à prova da hipossuficiência, conforme o preceito da Súmula 481 deste Superior Tribunal. 6. No caso, as instâncias ordinárias, examinando a situação patrimonial e financeira dos recorrentes, concluíram haver elementos suficientes para afastar a declaração de hipossuficiência, indeferindo, por isso, o benefício da justiça gratuita, bem como o parcelamento das custas. Nesse contexto, a alteração das premissas fáticas adotadas no acórdão recorrido demandaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, o que é defeso na via estreita do recurso especial (Súmula 7/STJ). 7. Agravo interno provido para reconsiderar a decisão agravada e, em novo exame, conhecer do agravo para negar provimento ao recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.858.982/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 27/9/2021, DJe de 3/11/2021 - sem destaque no original) Nesse contexto, não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundam entos invocados pela decisão agravada, o presente agravo interno não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. Nessas condições, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.