AREsp 1760833 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, com base na jurisprudência desta Corte e no entendimento do STF quanto à correção monetária, deu-se parcial provimento ao recurso especial para determinar que os cálculos da complementação de aposentadoria tenham como referência os valores previstos no plano de cargos e salários da extinta...
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- Parties
- Recorrente: União
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Conhecimento E Parcial Provimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Paridade De Remuneração, Complementação De Aposentadoria, Correção Monetária, Aplicação Do Art.1º F Da Lei 9.494/1997, Prescrição, Legitimidade Passiva
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Parties
União
Recorrente
Procedural Posture
Agravo / Conhecimento E Parcial Provimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula 83/STJ na inadmissão do recurso especial
- 2 Parâmetro aplicável à complementação de aposentadoria (tabela salarial da RFFSA/VALEC vs CBTU)
- 3 Efeito da decisão do STF no RE 870.947 sobre a atualização monetária (art.1º-F da Lei 9.494/1997)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, com base na jurisprudência desta Corte e no entendimento do STF quanto à correção monetária, deu-se parcial provimento ao recurso especial para determinar que os cálculos da complementação de aposentadoria tenham como referência os valores previstos no plano de cargos e salários da extinta RFFSA (VALEC) e que a atualização monetária observe o entendimento do STF (IPCA-E).
Court Disposition
Conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial.
Orders
- Determinar que os cálculos da complementação de aposentadoria tenham como referência os valores previstos no plano de cargos e salários da extinta RFFSA (VALEC)
- Publique-se. Intimem-se.
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DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de agravo interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial com base na incidência daSúmula83/STJ. Impugnados especificamente os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem, passo ao exame do recurso especial. É o relatório. Ultrapassados os requisitos de conhecimento do presente agravo, passo a examinar o recurso especial manejado pelaUnião, com base no art. 105, inc. III, alínea "a", da CRFB/1988, em oposição a acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado (e-STJ, fl. 310): PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. LEGITIMIDADE PASSIVA DA UNIÃO. PRESCRIÇÃO. FERROVIÁRIO DA RFFSA. COMPLEMENTAÇÃO DE PROVENTOS COMEQUIPARAÇÃO AOS FUNCIONÁRIOS DA ATIVA DA EMPRESA SUCESSORA (VALEC). PREVISÃO LEGAL (Lei n.º 8.186/1991 e Lei nº 10.478/2002). Embargos de declaração acolhidos, assim dispondo sua ementa (e-STJ, fl. 368): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PRESENÇA DE VÍCIO(S) ACLARATÓRIO(S). PROVIMENTO PARCIAL. I - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO: têm a finalidade de suprir Omissão, eliminar Contradição e/ou desfazer Obscuridade. É Recurso Supletivo ao Julgado, visando esclarecer a dicção do direito objetivo, de modo imediato, e restabelecer o aclaramento da Relação Jurídica e suas diretrizes pelo Órgão Judicial. É Recurso especialíssimo interposto no curso do exercício do Direito de Ação. Não é Recurso habilitado à rediscussão da matéria, quando não há ponto omisso a ser novamente posto e não desponta(m) Contradição e/ou Obscuridade na Motivação ou matéria factual. A rediscussão não configura pressuposto recursal específico. II - BENEFÍCIO FERROVIÁRIO: o Acórdão reconheceu a Aplicação da Paridade entre os Proventos dos Aposentados e Pensionistas da extinta Rede Ferroviária Federal e os Funcionários em atividade e assentou que a Prescrição atinge apenas as Parcelas anteriores aos cinco anos antecedentes à propositura da Ação. III - PARÂMETRO: quanto ao Parâmetro utilizado para a Complementação de Aposentadoria, assiste razão ao Embargante quanto à Omissão do critério a ser utilizado. Nos termos do art. 26, da Lei nº 11.483/2007, deverá ser utilizada como parâmetro para seu pagamento a tabela salarial da VALEC, que possui em seus quadros empregados oriundos da RFFSA. IV - JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA: Correção Monetária e Juros de Mora ajustados ao que decidido pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 870.947. V - Recurso parcialmente provido. Em suas razões, o recorrente sustenta violação aos arts.1º, 2º e 5º, da Lei nº 8.186/1991; e 17 e 26 da Lei nº 11.483/2007, ao fundamento de que " .. a complementação de aposentadoria terá como referência os valores previstos no plano de cargos e salários da extinta RFFSA, aplicados aos empregados cujos contratos detrabalho foram transferidos para quadro de pessoal especial da VALEC .. " (e-STJ, fl. 416), não podendo servir como parâmetro a CBTU. Ato contínuo, aponta ainda violação ao art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, dado que " .. até a expressa declaração de inconstitucionalidade pelo STF, com efeitos vinculantes, o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (na redação da Lei 11.960/2009) tem presunção de constitucionalidade. Logo, atentaria contra a segurança jurídica afirmar, à essa altura, cerca de 8 anos após a edição da Lei 11.960/2009, que a inconstitucionalidade surtiria efeitos "retroativos" .. " (e-STJ, fl. 423), razão pela qual deveincidir a TR. Com contrarrazões. É o relatório. Inicialmente, quando à tese de violação aos arts.1º, 2º e 5º, da Lei nº 8.186/1991; e 17 e 26 da Lei nº 11.483/2007, assevere-se que,na forma da jurisprudência hodiernafirmada nesta Corte Superior de Justiça, " .. os cálculos da complementação de aposentadoria não devem seguir os valores da tabela salarial da CBTU, pois o art. 118, § 1º, da Lei n. 10.223/2001 (com redação dada pela Lei 11.483/2007) é expresso em determinar que a paridade de remuneração entre ativos e inativos terá como referência os valores previstos no plano de cargos e salários da extinta RFFSA, aplicados aos empregados cujos contratos de trabalho foram transferidos para quadro de pessoal especial da VALEC - Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. (REsp 1.684.307/RJ, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 18.6.2019). A propósito: PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. EX-FERROVIÁRIO. PARIDADE COM A REMUNERAÇÃO DO PESSOAL DA ATIVA DA CBTU. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I -Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II -O acórdão recorrido adotou entendimento contrário ao consolidado nesta Corte segundo o qual "a paridade de remuneração entre ativos e inativos terá como referência os valores previstos no plano de cargos e salários da extinta RFFSA, aplicados aos empregados cujos contratos de trabalho foram transferidos para quadro de pessoal especial da VALEC - Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., nos termos preconizados no art. 118, § 1º, da Lei n. 10.233/2001" (AgInt no AgInt no REsp 1627535/PE, 2ªT., Rel. Min. Og Fernandes, DJe 29.08.2019). III -A Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. IV -Em regra, descabe a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015 em razão do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. V -Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp 1791657/PE, Segunda Turma, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, julgado em 31/08/2020, DJe 03/09/2020). No mais, é cediço que o Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 870.947/SE (Tema 810) assentou a compreensão de que o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina, estabelecendo, ainda, que a correção monetária deve observar o IPCA-E. Na esteira desse entendimento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ficou consolidada no julgamento do Recurso Especial Repetitivo 1.495.146/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. EXECUÇÃO. VERBAS REMUNERATÓRIAS. ADEQUAÇÃO DO JULGADO AO ENTENDIMENTO FIRMADO PELO STF (ART. 1.040, II, DO CPC/2015). ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 5º DA LEI N. 11.960/2009. REDAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI N. 9.494/1996. RE 870.947/SE E RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.495.146/MG. 1. O Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 870.947/SE (Tema 810), assentou a compreensão de que "o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina", estabelecendo, ainda, que a correção monetária deve observar o IPCA-E. 2. Na esteira desse entendimento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça restou consolidada no julgamento do Recurso Especial Repetitivo 1.495.146/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para realizar a adequação prevista no art. 1.040, II, do CPC/2015. (EDcl no AgRg no REsp 1221069/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/03/2020, DJe 06/03/2020). AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONDENAÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA. CORREÇÃO MONETÁRIA. TEMA 810 (RE 870.947). REPERCUSSÃO GERAL DECIDIDA. EXISTÊNCIA DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AGUARDAR O TRÂNSITO EM JULGADO. ENTENDIMENTO DO STF. 1. No julgamento do RE 870.947 (Tema 810), firmou-se entendimento, em repercussão geral, de que o "art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina.". 2. O acórdão proferido por esta Corte, objeto do recurso extraordinário, não discrepa dessas conclusões. 3. É do entendimento do Supremo Tribunal Federal que, decidido o mérito da questão, na sistemática da repercussão geral, autorizado está o julgamento das causas que tratarem de idêntico assunto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no RE no AgRg no REsp 1411245/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, CORTE ESPECIAL, julgado em 10/12/2019, DJe 13/12/2019). Ante o exposto,com fulcro no art. 932, V, do CPC/2015, c/c o art. 255, § 4º, III, do RISTJ e a Súmula 568/STJ, conheço do agravo paradar parcial provimento ao recurso especial e determinar que os cálculos da complementação de aposentadoria devem ter como referência os valores previstos no plano de cargos e salários da extinta RFFSA, na forma da fundamentação supra. Publique-se. Intimem-se.