AREsp 2631633 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque a recorrente não indicou, de forma clara e precisa, o dispositivo de legislação infraconstitucional supostamente violado e não demonstrou a divergência jurisprudencial nos moldes exigidos pelo art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e pelo RISTJ,...
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- Parties
- Agravante: COOPERATIVA AGRARIA DE MACHADO LIMITADA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Penhorabilidade De Imóvel Rural, Impenhorabilidade, Admissibilidade De Recurso Especial, Dissídio Jurisprudencial, Agravo Em Recurso Especial, Súmula 284/stf
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Parties
COOPERATIVA AGRARIA DE MACHADO LIMITADA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Indicação do dispositivo infraconstitucional supostamente violado
- 2 Demonstração de dissídio jurisprudencial nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do RISTJ
- 3 Aplicação da Súmula 284/STF por deficiência de fundamentação
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque a recorrente não indicou, de forma clara e precisa, o dispositivo de legislação infraconstitucional supostamente violado e não demonstrou a divergência jurisprudencial nos moldes exigidos pelo art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e pelo RISTJ, caracterizando deficiência de fundamentação e ensejando a aplicação da Súmula 284/STF.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Partes cientificadas sobre possibilidade de imposição de multas nos termos dos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015.
- Publique-se.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto por COOPERATIVA AGRARIA DE MACHADO LIMITADA contra decisão que não admitiu seu recurso especial, este por sua vez, manejado, com fundamento no art. 105, inciso III, c, da Constituição Federal, visando reformar acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais assim ementado (e-STJ, fl. 505): AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. PRELIMINAR. INADMISSIBILIDADE. CABIMENTO. ROL DO ART. 1.015 DO CPC. REJEIÇÃO. IMÓVEL CONSTRITO. PEQUENA PROPRIEDADE RURAL. IMPENHORABILIDADE. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. 1. Consoante expressa disposição contida no art. 1.015, parágrafo único do CPC, as decisões interlocutórias proferidas em sede de processo de execução são atacáveis pela via do agravo de instrumento. 2. O imóvel rural será impenhorável se for direta e pessoalmente explorado pelo agricultor e sua família, garantindo-lhes a subsistência e o progresso socioeconômico, e não supere a extensão de um a quatro módulos fiscais, cujo valor é fixado de acordo com o município no qual se localiza a propriedade (art. 5º, inc. XXVI, da CF c/c art. 833, inc. VIII, do CPC c/c art. 4º, inc. II, do Estatuto da Terra). 3. Preenchidos os requisitos, a declaração de impenhorabilidade é medida de rigor. Nas razões do recurso especial (e-STJ, fls. 517-527), a recorrente alegou a existência dissídio jurisprudencial interpretativo, sustentando, em síntese, que é possível mitigar a proteção da impenhorabilidade do imóvel rural discutido nos autos, ao argumento de que a penhora de fração do bem não compromete a subsistência e a atividade produtiva do devedor. Contrarrazões às fls. 586-609 (e-STJ). O Tribunal de origem não admitiu o recurso especial, o que levou a insurgente à interposição de agravo (e-STJ, fls. 683-709). Contraminuta. Brevemente relatado, decido. A insurgência não merece conhecimento. No caso em estudo, verifica-se que, nas razões do recurso especial, a parte recorrente não indicou, de forma clara e precisa, nenhum dispositivo da legislação infraconstitucional que teria supostamente sido contrariado ou objeto de interpretação divergente pelo acórdão recorrido, circunstância que inviabiliza a compreensão da controvérsia discutida nos autos. O recurso especial é reclamo de natureza vinculada e, para o seu cabimento, inclusive quando apontado o dissídio jurisprudencial, é imprescindível que se demonstrem, de forma clara, os dispositivos apontados como violados pela decisão recorrida, sob pena de inadmissão. Nessas condições, conforme a orientação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, constata-se a deficiência da argumentação recursal, justificando a incidência da Súmula n. 284/STF. Além disso, não é possível conhecer do recurso especial interposto com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, porque a parte recorrente não demonstrou a divergência nos moldes exigidos pelos arts. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ. É assente nesta Corte Superior que a mera transcrição de ementas e excertos, desprovida da realização do necessário cotejo analítico entre os arestos confrontados, mostra-se insuficiente para comprovar a divergência jurisprudencial ensejadora da abertura da via especial com base na alínea c do permissivo constitucional. Confiram-se: DIREITO CIVIL E PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO ARTIGO QUE CONSIDERA VIOLADO OU OBJETO DE DIVERGÊNCIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 284/STF. 1. Observa-se que, nas razões do recurso especial, a parte recorrente deixou de estabelecer qual o dispositivo de lei federal que considera violado para sustentar sua irresignação pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. 2. Ressalte-se que a mera menção ao tema em debate, sem que se aponte com precisão a contrariedade ou a negativa de vigência pelo julgado recorrido, não preenche o requisito formal de admissibilidade recursal. 3. Diante da deficiência na fundamentação, o conhecimento do recurso especial encontra óbice na Súmula n. 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Precedentes. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.566.815/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 27/6/2024.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CÉDULA DE CRÉDITO RURAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 98 e 99, §§ 2º e 4º, DO CPC. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. DEFICIÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. ACÓRDÃOS DO MESMO TRIBUNAL. SÚMULA N. 13 DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O dissídio jurisprudencial deve ser demonstrado conforme preceitua o art. 1.029, § 1º, do Código de Processo Civil, mediante o cotejo analítico dos arestos e a demonstração da similitude fática, indicando-se as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados. 2. A simples transcrição de trechos do acórdão recorrido e paradigma, sem o correspondente cotejo analítico e a demonstração da identidade ou similitude fática entre eles nos moldes do RISTJ, impede o conhecimento do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional. 3. Aplica-se a Súmula 13 do STJ quando a divergência jurisprudencial é baseada em acórdãos proferidos pelo mesmo tribunal prolator do acórdão recorrido. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.416.811/MG, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 28/2/2024.) Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela apresentação de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios contra esta decisão, ensejará a imposição, conforme o caso, das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. PENHORABILIDADE DE IMÓVEL RURAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL TIDO POR VIOLADO OU OBJETO DE INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO NÃO COMPROVADO. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL.