REsp 2191486 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido em razão da ausência de prequestionamento da matéria relativa ao art. 47 da Lei 11.101/2005 (Súmula 211/STJ), da necessidade de reexame de matéria fático-probatória para acolher a tese da recorrente (Súmula 7/STJ) e da existência de fundamentos suficientes no acórdão recorrido,...
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- Parties
- Recorrente: TRANSBRI ÚNICA TRANSPORTES LTDA; Recorrido: Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 May 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Recurso não conhecido
- Legal Topics
- Penhora De Ativos Financeiros, Preservação Da Empresa (art.47 Lei 11.101/2005), Penhora on Line (bacen Jud), Prequestionamento, Cooperação Jurisdicional, Competência Para Substituição De Bens Constritos
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Parties
TRANSBRI ÚNICA TRANSPORTES LTDA
Recorrente
Estado de São Paulo
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Possibilidade de penhora de ativos financeiros de empresa em recuperação judicial
- 2 Conflito entre bloqueio de ativos financeiros e princípio da preservação da empresa (art.47 Lei 11.101/2005)
- 3 Competência para determinar ou substituir atos de constrição (art. 6º, §7º-B da Lei 11.101/2005)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido em razão da ausência de prequestionamento da matéria relativa ao art. 47 da Lei 11.101/2005 (Súmula 211/STJ), da necessidade de reexame de matéria fático-probatória para acolher a tese da recorrente (Súmula 7/STJ) e da existência de fundamentos suficientes no acórdão recorrido, não impugnados pela parte, além da conformidade da decisão com a jurisprudência desta Corte (incidência das Súmulas 83, 283 e 284).
Court Disposition
Recurso não conhecido
Orders
- Não conheço do recurso especial.
- Por tratar-se de recurso interposto contra decisão interlocutória, não incide a regra do art. 85, §11, do CPC.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial, interposto por TRANSBRI ÚNICA TRANSPORTES LTDA contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, no julgamento do Agravo de Instrumento n. 3007166-32.2023.8.26.0000. Na origem, cuida-se de execução fiscal proposta pelo Estado de São Paulo no qual postulou a penhora de ativos financeiros da empresa em recuperação judicial para satisfazer o crédito tributário. Em primeiro grau, a sentença foi proferida para determinar a penhora de bens, exceto dinheiro. A Corte local, em julgamento do Agravo de Instrumento, deu provimento ao recurso, em acórdão assim resumido (fls. 121): "EXECUÇÃO FISCAL Penhora no rosto do processo de recuperação judicial Nomeação Fazenda Recusa Possibilidade: É justa a recusa do bem nomeado à penhora, quando não observada a ordem legal de preferência. EXECUÇÃO FISCAL Penhora Ativos financeiros Possibilidade: A execução se destina à satisfação do credor, de forma que o devedor só pode exigir que se faça pelo modo menos gravoso, provando cabalmente que apresentou outros meios, tão eficientes quando o bloqueio de seu dinheiro, para quitar o débito. EXECUÇÃO FISCAL Devedor Recuperação judicial Constrição de bens Juízo da execução Possibilidade: Após as alterações promovidas pela Lei 14.112/20, não há mais dúvida acerca da competência do juízo da execução fiscal para realizar a constrição de bens de devedor em recuperação judicial. Entendendo o devedor que a constrição recai sobre bem essencial às suas atividades ou que prejudicará o cumprimento do plano de recuperação, é ônus seu provocar o juízo recuperacional para que se promova a substituição do bem constrito, conforme art. 6º, § 7º-B, da Lei 11.101/05." Os embargos de declaração opostos ao julgado foram rejeitados (fls. 141-147). Nas razões do apelo nobre, interposto com base no art. 105, incisos III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, a recorrente aponta afronta ao art. 47 da Lei n. 11.101/2005, declinando os seguintes argumentos (fls. 168-171): "Conforme alhures mencionado, o agravo de instrumento interposto pelo Estado de São Paulo, ora recorrido, foi provido para determinar que o Juízo de origem proceda à busca de ativos financeiros da Recorrente, sob a alegação de que a penhora online não é excepcional e pode ser efetuada pelo juiz da execução fiscal. Ocorre que ao entender dessa forma, houve nítida violação ao artigo 47 da Lei 11.101/2005. Isso porque, é cediço que o princípio balizador da recuperação judicial, consagrado no artigo 47 da Lei 11.101/2005, é a preservação da empresa, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a sua função social e o estímulo à atividade econômica, razão pela qual se mostra absolutamente inviável a prática de qualquer ato que impeça o soerguimento da atividade empresarial." Ao final, requer o provimento do recurso especial para que seja mantida a decisão agravada na integralidade (fls. 175). Houve interposição de contrarrazões pelo Estado de São Paulo (fls. 191-195). O recurso especial não foi admitido pelo Tribunal de origem (fls. 197-199), e motivo pelo qual a recorrente interpôs agravo em recurso especial (fls. 202-216), que fora conhecido na decisão de fls. 250-251, a fim de permitir a análise do recurso especial pelo STJ. É o relatório. Decido. O recurso não merece prosperar. Ao decidir sobre a ausência de interesse de agir da recorrente, a Corte a quo, entendeu que seria devida a penhora sobre dinheiro, ante a ordem preferência legal, cabendo à recorrente provocar o juízo da recuperação para eventual substituição dos bens constritos (fls. 135), concluindo, com base no acervo fático-probatório dos autos, inexistir ofensa ao princípio da menor onerosidade, nos seguintes termos: Apesar de regularmente citada, a executada não pagou o débito, limitando-se a nomear a penhora no rosto dos autos da recuperação judicial, que não tem preferência sobre o dinheiro, na ordem legal prevista nos art.11, inc. I da Lei nº 6.830/80 e 835, inciso I, do Código de Processo Civil. Como já salientado, compete exclusivamente ao Juízo da Recuperação Judicial, caso requerido pelo devedor, promover a substituição de eventual bem constrito pelo Juízo da Execução Fiscal, conforme art. 6º, par. 7º-B, da Lei 11.101/05. Ausente, assim, ofensa ao art. 829, par.2º do Código de Processo Civil e ao princípio da onerosidade. Outrossim, a Corte de origem consignou que a ordem de bloqueio de ativos financeiros "não é medida excepcional, não se confunde com a expedição de ofícios ao Banco Central e respeita a ordem de preferência de que trata o art. 11 da Lei n. 6.830/80.". Fundou seu entendimento também nos art. 835, §1º e 854 do CPC. Em sede de julgamento dos embargos, entendeu que; .. inexiste a omissão apontada, pois o acórdão apreciou, expressamente, a questão relativa à competência do Juízo recuperacional para substituir a constrição caso recaia sobre bem essencial à manutenção da atividade da devedora, conforme expressamente reconhecido pela própria embargante. Compete a ela, portanto, caso assim entenda, provocar o juízo recuperacional para que promova a substituição da penhora. Vê-se, pois, que o Tribunal de origem, apesar da oposição de embargos de declaração, não apreciou a tese de que o bloqueio de ativos financeiros é incompatível com o princípio da preservação da empresa, consoante previsto no art. 47 da Lei n. 11.101/05, motivo pelo qual está ausente o necessário prequestionamento, nos termos da Súmula n. 211 do STJ ("Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"). O recurso especial não trouxe a alegação de violação ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, a fim de que fosse constatada a eventual omissão por parte da Corte de origem, indispensável, inclusive, para fins de configuração do prequestionamento ficto de matéria estritamente de direito, nos termos do art. 1.025 do Estatuto Processual. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.076.255/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023; AgInt no REsp n. 2.049.701/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 21/12/2023. Ademais, considerando a fundamentação do acórdão recorrido acima transcrita, os argumentos utilizados pela parte recorrente - no sentido de que o bloqueio de suas contas implicaria em impedimento para o soerguimento da atividade empresarial - somente poderiam ter a sua procedência verificada mediante necessário reexame de matéria fático-probatório. Todavia, não cabe a esta Corte, a fim de alcançar conclusão diversa, reavaliar todo o conjunto de fatos e provas da causa, conforme preceitua o enunciado da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"). Nesse sentido (sem grifos no original): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/1973 NÃO CONFIGURADA. EXECUÇÃO FISCAL. NOMEAÇÃO DE BENS A PENHORA. PRECATÓRIO. RECUSA DA FAZENDA PÚBLICA. SÚMULA 406/STJ. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.337.790/PR. PRINCÍPIO DA MENOR ONEROSIDADE. SÚMULA 7/STJ. NÃO PROVIMENTO DO RECURSO PELA ALÍNEA "A". DISSÍDIO PRETORIANO PREJUDICADO. .. 8. A Corte de origem consignou, de forma expressa: "em que pese esteja a empresa sob recuperação judicial (fls. 104/125), a irresignação da agravante contra a ordem de bloqueio online de seus ativos financeiros não procede, uma vez ausente prova categórica de que a constrição determinada possa implicar a total inviabilização do funcionamento da empresa, limitando-se a tecer meras alegações". 9. Modificar essa conclusão, de modo a acolher a tese da parte recorrente de que a não substituição dos bens ofertados em garantia viola os princípios da menor onerosidade e da preservação da empresa, demanda reexame do acervo fático-probatório dos autos, o que é inviável em Recurso Especial, sob pena de violação da Súmula 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Precedentes: AgInt no AgInt no AREsp 1.043.733/SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 21.2.2018; AgInt nos EDcl no REsp 1.690.351/SP, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 6.12.2017; AgInt no REsp 1.526.188/AL, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 13.9.2016; AgRg no AREsp 793.055/SP, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 17.3.2016. 10. Fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese sustentada já foi afastada na apreciação do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional. Precedentes: AgInt nos EDcl no AREsp 917.494/DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 18.12.2018; AgInt no AREsp 1.336.834/RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 17.12.2018; AgInt no AREsp 909.861/SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 17.5.2018. 11. Recurso Especial não provido. (REsp n. 1.793.282/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 26/2/2019, DJe de 12/3/2019.) Além disso, o acórdão recorrido, quanto à possibilidade de bloqueio dos ativos financeiros da empresa em recuperação, está assentado nos seguintes fundamentos, cada qual suficiente, por si só, para dar suporte à conclusão do Tribunal de origem: a) o bloqueio de dinheiro obedece a ordem legal prevista nos art.11, inc. I da Lei n. 6.830/80 e 835, inciso I, do Código de Processo Civil; b) caberia à recorrente provocar o juízo da recuperação para eventual substituição de constrição sobre bens essenciais à atividade empresarial, conforme art. 6º, par. 7º-B, da Lei n. 11.101/05. A parte recorrente, no entanto, não impugnou nenhum dos fundamentos utilizados na origem. Portanto, incidem, também, os óbices das Súmulas n. 283 ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles") e 284 do STF e ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"). Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 2.299.240/RN, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 18/10/2023; AgInt no AREsp n. 2.174.200/MG, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 24/4/2023, DJe de 26/4/2023. AgInt no AREsp n. 2.290.902/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023; AgInt no REsp n. 2.101.031/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 7/12/2023. Além disso, ainda que superados todos os óbice mencionados, o recurso não poderia ser conhecido, também, considerando que o entendimento firmado no acórdão recorrido, no sentido de que é devida a constrição sobre os ativos financeiros da empresa em recuperação, encontra-se em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, conforme se extrai dos seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. PARTE EXECUTADA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. PENHORA DE ATIVOS FINANCEIROS/RECEBÍVEIS. ACÓRDÃO RECORRIDO PELA POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA PRESERVAÇÃO DA EMPRESA. COMPETÊNCIA DO JUÍZO ESPECIALIZADO DA RECUPERAÇÃO. ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL PACÍFICA. ARTIGO DE LEI FEDERAL. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Não há violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 quando o órgão julgador, de forma clara e coerente, externa fundamentação adequada e suficiente à conclusão do acórdão embargado. 3. Nos termos do § 7º-B do art. 6º da Lei n. 11.101/2005, incluído pela Lei n. 14.112/2020, no processo executivo fiscal, a ordem de penhora e a determinação de eventuais atos de constrição são da competência do juízo da execução fiscal; contudo, deferida a recuperação judicial à sociedade empresária executada, compete ao juízo especializado da recuperação a análise e a decisão a respeito da necessidade de manutenção ou substituição dos atos de constrição determinados no processo de execução até o encerramento da recuperação judicial, mediante a cooperação jurisdicional, na forma do art. 69 do CPC/2015. Precedentes. 4. Observada a cooperação judicial entre os juízos da execução e da recuperação, o só fato de ter sido deferida a recuperação judicial não impede a ordem de penhora de ativos financeiros e eventual desproporcionalidade da medida está sujeita à comprovação perante o juízo da recuperação judicial. Precedentes. 5. No caso dos autos, o recurso especial não pode ser conhecido porque o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência deste Tribunal Superior e porque não houve o prequestionamento do art. 32, § 2º, da Lei n. 6.830/1980. Observância das Súmulas 83 do STJ e 282 do STF. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.488.307/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 4/9/2024.) PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA ON-LINE. EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. QUESTÕES RELEVANTES. OMISSÃO CONFIGURADA. 1. A controvérsia tem por objeto acórdão que anulou o bloqueio de dinheiro, preparatório da penhora on-line (Bacen Jud), com base em dupla fundamentação: a) ausência de demonstração, pelo juízo de primeiro grau, dos fundamentos que justificariam essa medida, realizada antes da citação da parte executada; e b) impossibilidade da prática de atos judiciais que inviabilizem o plano de Recuperação Judicial. 2. Os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional foram rejeitados. 3. Não obstante, está configurado o vício da omissão, pois o primeiro fundamento adotado pelo órgão fracionário da Corte local revela a jurisprudência do STJ relativa à exegese do art. 655-A do CPC/1973, quando a regra consistia na utilização do sistema Bacen Jud após a citação da parte devedora, mas, excepcionalmente, admitia-se a sua utilização cautelar, antes mesmo do ato citatório, desde que demonstrado o preenchimento de seus requisitos pertinentes (fumus boni iuris e periculum in mora). 4. O ponto suscitado nos aclaratórios do ente público, porém, defende a tese de que, na vigência do CPC/2015, o art. 854 retirou a natureza acautelatória da penhora on-line, que agora poderia ser realizada in limine como instrumento de efetivação do princípio da efetividade da tutela jurisdicional. 5. Essa questão é relevante, pois o Tribunal a quo somente se reportou à jurisprudência do STJ, sem distinguir se o ato processual foi realizado na vigência do atual ou do antigo CPC, e, consequentemente, não examinou se o novo CPC traria disciplina distinta à matéria, tal qual defendido pelo ente fazendário. 6. O segundo ponto discutido nos aclaratórios também possui relevância, pois, não obstante o entendimento da Segunda Seção do STJ, quanto à vedação à prática de atos de constrição nas Execuções Fiscais, o entendimento da Segunda Turma é de que é necessário que as instâncias de origem analisem se a Recuperação Judicial foi deferida com ou sem a exigência da prévia apresentação de Certidão Negativa de Débitos. 7. Com efeito, diante da redação do art. 6º, § 7º, da Lei 11.101/2005, e do fato de que no Plano de Recuperação Judicial não há inclusão ou negociação dos créditos tributários, a Execução Fiscal poderá ter regular prosseguimento, inclusive com penhora de bens, caso constatado que não há CND e que os débitos tributários não se encontram suspensos. Nesse sentido: REsp 1.645.655/SC, de minha relatoria, DJe 18/04/2017. 8. Note-se que não é possível concluir, abstratamente, que a penhora on-line sempre acarretará a inviabilidade da Recuperação Judicial. No caso dos autos, o bloqueio judicial atingiu o montante de R$25.256,79 (segundo informa a empresa recorrida à fl. 4, e-STJ). É necessário, então, que a Corte local, no julgamento dos aclaratórios, examine se a empresa comprovou, mediante exposição devidamente fundamentada, e com suporte probatório adequado, que a medida constritiva concretamente acarretará eventual violação do princípio da menor onerosidade. 9. Deve-se ter em mente que o tema do prosseguimento da Execução Fiscal, com todos os atos a ela inerentes, encontra respaldo legal no art. 73, parágrafo único, c/c o art. 94, II, da Lei 11.101/2005, os quais expressamente afirmam que a empresa que não providenciar o pagamento, o depósito ou a nomeação de bens à penhora nas Execuções que não se suspendem (portanto, pressupõem não apenas o prosseguimento dessas ações, como também a prática de atos de invasão ao seu patrimônio) está sujeita a ver a Recuperação Judicial convertida em Falência. 10. Recurso Especial parcialmente provido, com determinação de remessa dos autos ao Tribunal de origem, para novo julgamento dos aclaratórios. (REsp n. 1.681.463/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 3/10/2017, DJe de 19/12/2017.) Incide, portanto, sobre a espécie, o verbete sumular n. 83 do STJ ("Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida"). Por fim, conforme jurisprudência desta Corte Superior, a existência de óbice processual, impedindo o conhecimento de questão suscitada com base na alínea a do permissivo constitucional, prejudica a análise da alegada divergência jurisprudencial acerca do mesmo tema. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 2.370.268/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 19/12/2023; AgInt no REsp n. 2.090.833/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 14/12/2023. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Por tratar-se, na origem, de recurso interposto contra decisão interlocutória, na qual não houve prévia fixação de honorários, não incide a regra do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PENHORA DE ATIVOS FINANCEIROS. EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. PRINCÍPIO DA PRESERVAÇÃO DA EMPRESA. ART. 47 DA LEI N 11.101/05. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 211 DO STJ. BLOQUEIO COMO IMPEDIMENTO PARA SOERGUIMENTO DA EMPRESA. QUESTÃO FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO, SÚMULAS N. 283 E 284 DO STF . DECISÃO DE ACORDO COM JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA N. 83 DO STJ. RECURSO NÃO CONHECIDO.