REsp 2213995 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno com fundamento na orientação jurisprudencial do STJ de que, respeitada a cooperação entre o juízo da execução e o juízo da recuperação judicial (art. 69 do CPC/2015), a concessão da recuperação judicial não impede, por si só, a ordem de penhora de ativos financeiros via sisbajud...
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- Parties
- Agravante: IPERFOR INDUSTRIAL LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Sessão Virtual (19/08/2025 a 25/08/2025)
- Outcome
- Agravo interno não provido (negado provimento)
- Legal Topics
- Penhora De Ativos Financeiros, Competência Jurisdicional, Sisbajud, Cooperação Jurisdicional, Substituição De Atos De Constrição
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Parties
IPERFOR INDUSTRIAL LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Sessão Virtual (19/08/2025 a 25/08/2025)
Legal Issues
- 1 Competência para ordenar penhora de ativos financeiros/dinheiro em face de pessoa jurídica em recuperação judicial
- 2 Aplicação do § 7º-B do art. 6º da Lei nº 11.101/2005 quanto à competência do juízo da recuperação judicial
- 3 Exigência dos requisitos de admissibilidade de recurso interposto na vigência do CPC/2015
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno com fundamento na orientação jurisprudencial do STJ de que, respeitada a cooperação entre o juízo da execução e o juízo da recuperação judicial (art. 69 do CPC/2015), a concessão da recuperação judicial não impede, por si só, a ordem de penhora de ativos financeiros via sisbajud ou de bens de capital pelo juízo da execução, cabendo ao juízo recuperacional avaliar posteriormente a proporcionalidade e eventual substituição da medida de constrição.
Court Disposition
Agravo interno não provido (negado provimento)
Orders
- Negar provimento ao agravo interno; manter o acórdão recorrido.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 19/08/2025 a 25/08/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. PARTE EXECUTADA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. PENHORA DE ATIVOS FINANCEIROS/DINHEIRO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM PACÍFICA ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015 - CPC/2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. No processo executivo fiscal, a ordem de penhora de ativos financeiros, via sisbajud, e de bens de capital é da competência do juízo da execução fiscal, mas, deferida a recuperação judicial à pessoa jurídica executada, compete ao juízo especializado da recuperação a análise e a decisão a respeito da necessidade de manutenção ou substituição dos atos de constrição até o encerramento da recuperação judicial, mediante a cooperação jurisdicional, na forma do art. 69 do CPC/2015. Precedentes. 3. No caso dos autos, o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência deste Tribunal Superior. 4. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Trata-se de agravo interno interposto por IPERFOR INDUSTRIAL LTDA (em recuperação judicial) contra decisão que, com apoio em entendimento jurisprudencial, não conheceu de recurso especial em que discute a competência do juízo da execução para decidir a respeito da penhora de ativos financeiros/dinheiro, na hipótese em que a devedora-executada se encontra em recuperação judicial. A parte agravante sustenta, em síntese (fls. 372/383): A decisão recorrida desconsidera a correta aplicação do § 7º-B do art. 6º da Lei nº 11.101/2005, que expressamente atribui ao juízo da recuperação judicial a competência para decidir sobre a manutenção ou substituição de atos de constrição que incidam sobre bens essenciais à atividade empresarial. Ao permitir a penhora de ativos financeiros sem a prévia manifestação do juízo recuperacional, a decisão viola a finalidade do instituto da recuperação judicial, que é garantir a viabilidade econômica da empresa e a preservação de sua função social, conforme disposto nos arts. 47 e 66 da mesma lei. 18. Além disso, a determinação de penhora, ainda que sujeita a posterior contestação perante o juízo recuperacional, inverte indevidamente a ordem procedimental e pode comprometer a continuidade das atividades da empresa recuperanda. A jurisprudência do próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgados como o Tema 987 (REsp 1.694.261-SP) e os Conflitos de Competência n. 159.771/PE e n. 173.179/PE, reforça a necessidade de que o juízo da recuperação judicial seja previamente informado da intenção de constrição para que, antes da efetivação da medida, possa indicar bens passíveis de penhora sem comprometer a recuperação da empresa. Impugnação apresentada pela parte agravada (fls. 388/389). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. PARTE EXECUTADA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. PENHORA DE ATIVOS FINANCEIROS/DINHEIRO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM PACÍFICA ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015 - CPC/2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. No processo executivo fiscal, a ordem de penhora de ativos financeiros, via sisbajud, e de bens de capital é da competência do juízo da execução fiscal, mas, deferida a recuperação judicial à pessoa jurídica executada, compete ao juízo especializado da recuperação a análise e a decisão a respeito da necessidade de manutenção ou substituição dos atos de constrição até o encerramento da recuperação judicial, mediante a cooperação jurisdicional, na forma do art. 69 do CPC/2015. Precedentes. 3. No caso dos autos, o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência deste Tribunal Superior. 4. Agravo interno não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015 - CPC/2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/ 2016/STJ. Após nova análise processual, verifica-se que a conclusão da decisão agravada deve mantida, pois a orientação deste Tribunal Superior é no sentido de que, observada a cooperação judicial entre os juízos da execução e da recuperação, o só fato de ter sido deferida a recuperação judicial não impede a ordem de penhora de ativos financeiros, via sisbajud, nem de bens de capital; e eventual desproporcionalidade da medida está sujeita à comprovação perante o juízo da recuperação judicial. A respeito, confira-se: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. PARTE EXECUTADA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. PENHORA DE ATIVOS FINANCEIROS/DINHEIRO. ACÓRDÃO RECORRIDO PELA POSSIBILIDADE E PELA SUBMISSÃO AO JUÍZO DA RECUPERAÇÃO. CONFORMIDADE COM PACÍFICA ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. .. 2. No processo executivo fiscal, a ordem de penhora de ativos financeiros, via sisbajud, e de bens de capital é da competência do juízo da execução fiscal, mas, deferida a recuperação judicial à pessoa jurídica executada, compete ao juízo especializado da recuperação a análise e a decisão a respeito da necessidade de manutenção ou substituição dos atos de constrição até o encerramento da recuperação judicial, mediante a cooperação jurisdicional, na forma do art. 69 do CPC/2015. Precedentes. 3. No caso dos autos, o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência deste Tribunal Superior, pois, conforme delineamento fático descrito pelo órgão julgador, houve penhora sobre o capital de giro da parte executada e, por isso, cabe ao juízo da recuperação judicial avaliar adequação e a proporcionalidade da constrição em atenção ao fim pretendido pelo deferimento da recuperação judicial. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.202.519/CE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 26/5/2025, DJEN de 30/5/2025) Na mesma linha, entre outros, vide: AgInt no AREsp n. 2.583.436/MT, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, julgado em 14/5/2025, DJEN de 20/5/2025; AgInt no AREsp n. 2.668.475/SP, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, julgado em 19/3/2025, DJEN de 24/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.488.307/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 4/9/2024; AgInt no AREsp n. 2.524.376/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 12/2/2025, DJEN de 17/2/2025; AgInt no REsp n. 2.152.198/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 26/8/2024, DJe de 28/8/2024. No caso dos autos, como registrado na decisão agravada, o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência deste Tribunal Superior. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.