REsp 1881857 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o recorrente dirigiu sua insurgência contra a decisão do Juízo estadual que determinou a constrição, quando o mandado de penhora no rosto dos autos foi dirigido à 3ª Vara Federal de Porto Alegre/RS; por precedentes do STJ, é competência do juízo que recebeu o mandado de...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 May 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento (acórdão)
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Penhora No Rosto Dos Autos, Liberação Dos Valores Bloqueados, Competência Do Juízo a Quem Direcionado O Pedido De Constrição, Precedente
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Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento (acórdão)
Legal Issues
- 1 Competência para apreciar alegação de impenhorabilidade de verba alimentícia decorrente de penhora no rosto dos autos
- 2 Determinação de qual juízo deve apreciar pedido de desbloqueio de valores constritos por mandado de penhora no rosto dos autos
- 3 Efeito de precedentes do STJ sobre a competência entre juízos distintos em execuções
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o recorrente dirigiu sua insurgência contra a decisão do Juízo estadual que determinou a constrição, quando o mandado de penhora no rosto dos autos foi dirigido à 3ª Vara Federal de Porto Alegre/RS; por precedentes do STJ, é competência do juízo que recebeu o mandado de penhora avaliar e decidir sobre a impenhorabilidade e eventual desconstituição do gravame, razão pela qual não há motivo para reformar a decisão agravada.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF-5ª Região) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Benedito Gonçalves. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PENHORA NO ROSTO DOS AUTOS. LIBERAÇÃO DOS VALORES BLOQUEADOS. EXAME. COMPETÊNCIA DO JUÍZO A QUEM DIRECIONADO O PEDIDO DE CONSTRIÇÃO. PRECEDENTE. 1. O Tribunal de origem, ao apreciar a controvérsia, negou provimento ao agravo de instrumento sob o fundamento de que a alegação de impenhorabilidade deverá ser efetuada perante o Juízo que determinou a contrição. Precedente: CC 167.917/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, DJe 15/05/2020. 2. Todavia, o recorrente se insurgiu contra decisão do Juízo estadual que determinou a constrição, quando, na verdade, deveria ter se insurgido contra o Juízo da 3ª Vara Federal de Porto Alegre/RS, a quem direcionado o mandado de penhora no rosto dos autos, sendo dele a competência para avaliar e decidir se é cabível ou não a constrição do crédito constituído perante sua jurisdição. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Trata-se de agravo interno interposto contra decisão assim ementada (fl. 220): PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 489 E 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. PENHORA NO ROSTO DOS AUTOS. LIBERAÇÃO DOS VALORES BLOQUEADOS. EXAME. COMPETÊNCIA DO JUÍZO FEDERAL A QUEM DIRECIONADO O PEDIDO DE CONSTRIÇÃO. PRECEDENTE. RECURSO NÃO PROVIDO. Nas razões do agravo interno, a parte agravante sustenta, em síntese, que "a C. Corte de origem se distanciou da jurisprudência desse Eg. Tribunal Superior que expressamente reconhece a competência do juízo que recebeu o mandado de penhora e não aquele que a ordenou como trazido no julgado recorrido" (..) "Neste sentido, merece reconsideração, ou reforma, o r. decisum proferido uma vez que o julgado recorrido não apreciou a lide nos termos dos precedentes dessa Eg. Corte, tornando necessário o provimento do apelo autoral para reconhecer a competência do juízo que recebeu o mandado de penhora para apreciar sua inviabilidade e, consequentemente, seu desbloqueio por se tratar de verba alimentar"(fls. 228-229). Impugnação às fls. 239-241. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PENHORA NO ROSTO DOS AUTOS. LIBERAÇÃO DOS VALORES BLOQUEADOS. EXAME. COMPETÊNCIA DO JUÍZO A QUEM DIRECIONADO O PEDIDO DE CONSTRIÇÃO. PRECEDENTE. 1. O Tribunal de origem, ao apreciar a controvérsia, negou provimento ao agravo de instrumento sob o fundamento de que a alegação de impenhorabilidade deverá ser efetuada perante o Juízo que determinou a contrição. Precedente: CC 167.917/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, DJe 15/05/2020. 2. Todavia, o recorrente se insurgiu contra decisão do Juízo estadual que determinou a constrição, quando, na verdade, deveria ter se insurgido contra o Juízo da 3ª Vara Federal de Porto Alegre/RS, a quem direcionado o mandado de penhora no rosto dos autos, sendo dele a competência para avaliar e decidir se é cabível ou não a constrição do crédito constituído perante sua jurisdição. 3. Agravo interno não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): O presente recurso não merece êxito, tendo em vista que dos argumentos apresentados no agravo interno não se vislumbram razões para reformar a decisão agravada. Em que pese os argumentos apresentados pelo agravante, o Tribunal de origem, ao apreciar a controvérsia, negou provimento ao agravo de instrumento manejado pela parte ora agravante, sob o fundamento de que a alegação de impenhorabilidade deverá ser efetuada perante o Juízo que determinou a contrição, nos seguintes termos (fls. 48-49): .. Em que pese a alegação de impenhorabilidade da verba, dada a sua natureza alimentar, e ainda que tal alegação se paute na ilegalidade da medida, é jurisprudência pacífica desta Corte Regional que o Juízo que determinou a constrição é o responsável pela análise da insurgência e eventual desconstituição do gravame, competindo ao Juízo de origem, que proferiu a decisão ora agravada, o mero cumprimento da ordem advinda da Justiça Estadual. .. Desta sorte, o Juízo Estadual, que determinou a penhora no rosto dos autos, é quem detém a competência para declarar a eventual impenhorabilidade da verba, razão pela qual a insurgência da parte agravante há de ser dirigida àquele. Todavia, o recorrente se insurgiu contra decisão do Juízo estadual que determinou a constrição, quando, na verdade, deveria ter se insurgido contra o Juízo da 3ª Vara Federal de Porto Alegre/RS, a quem direcionado o mandado de penhora no rosto dos autos (fl. 3), sendo dele a competência para avaliar e decidir se é cabível ou não a constrição do crédito constituído perante sua jurisdição. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está firmada no sentido de que cada um dos juízos é competente para processar e julgar a execução que tramita sob sua jurisdição. A propósito: CONFLITO DE COMPETÊNCIA. ORDEM DE INDISPONIBILIDADE EMANADA DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. IMPENHORABILIDADE DE CRÉDITOS TRABALHISTAS. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS PARA CARACTERIZAÇÃO DO CONFLITO - NÃO CONHECIMENTO. I - A orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a penhora no rosto dos autos, situação análoga à dos presentes autos, não é apta a motivar conflito de competência, tendo em vista que cada um dos juízos é competente para processar e julgar a execução que tramita sob sua jurisdição. Precedentes: AgRg no CC 115.211/SP, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, julgado em 11/04/2012, DJe 18/04/2012; AgRg no CC 79323/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 28/03/2007, DJ 09/04/2007, p. 222; CC 37952/SP, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Seção, julgado em 13/04/2005, DJ 09/05/2005, p. 287. II - Cada um dos juízos é competente para disciplinar os atos que são praticados nos processos sob sua jurisdição. III - Conflito de competência não conhecido. (CC 167.917/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, julgado em 13/05/2020, DJe 15/05/2020) Portanto, correta a decisão monocrática que negou provimento ao recurso especial, uma vez que o recorrente não se insurgiu contr a a decisão do Juízo da 3ª Vara Federal de Porto Alegre/RS, a quem direcionado o mandado de penhora no rosto dos autos, mas contra a decisão do Juízo estadual que determinou a constrição. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.