AREsp 2715306 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a agravante não impugnou de forma específica e concreta a aplicação da Súmula 7/STJ, atraindo a incidência da Súmula 182/STJ e impedindo o exame de mérito; assim, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ, não se conhece do agravo.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: JULIANA CONCEICAO DE SOUSA; Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (MPF)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Perseguição (art.147 a Cp), Ameaça (art.147 Cp), Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JULIANA CONCEICAO DE SOUSA
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (MPF)
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Aplicação da Súmula 7/STJ para inadmissão de recurso especial
- 2 Necessidade de impugnação específica e concreta do acórdão para afastar a Súmula 7
- 3 Impossibilidade de reexame de provas em recurso especial quando incide a Súmula 7
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a agravante não impugnou de forma específica e concreta a aplicação da Súmula 7/STJ, atraindo a incidência da Súmula 182/STJ e impedindo o exame de mérito; assim, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ, não se conhece do agravo.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por JULIANA CONCEICAO DE SOUSA, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS, assim ementado (e-STJ, fls. 318-337): "Perseguição. Ameaça. Dolo. Continuidade delitiva. 1-0 crime do art. 147-A do CP (perseguição), habitual, ocorre com a prática reiterada de perseguir alguém, por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade. 2 - A conduta consistente em, diversas vezes, abordar as vítimas em frente da casa de uma delas, xingando-as com palavras de baixo calão, tentando impedir a entrada em casa, e jogar líquido nos veículos das vítimas, causando-lhes tensão e forte abalo psicológico e restringindo a esfera da privacidade e liberdade das vítimas, caracteriza o crime de perseguição ("stalking"). 3 - Para os crimes de ameaça e de perseguição não se exige tranquilidade e reflexão do autor. O estado de ira, paixão ou forte emoção precede ou é concomitante à prática do delito. E não afasta a tipicidade da conduta (art. 28,1, do CP). 4 - Não provado que eventual debilidade psicológica da ré retirou sua capacidade de discernimento - instaurado incidente de insanidade mental, o laudo foi inconclusivo -, é de se tê-la por imputável. 5 - Se, embora cometidos contra vítimas diversas, os crimes de perseguição foram cometidos em intervalo de tempo próximo, no mesmo lugar, modus operandi, sendo o cometido contra a segunda vítima desdobramento da perseguição cometida contra a primeira há continuidade delitiva. 6 - Apelação provida em parte." Em suas razões recursais, a defesa aponta afronta aos arts. 386, incisos III e VII, do CPP e aos arts. 147 e 147-A, ambos do Código Penal, sustentando que o acórdão impugnado invocou standard probatório insuficiente para manter a condenação. Com contrarrazões (e-STJ, fls. 358-360, o recurso especial da defesa foi inadmitido (e-STJ, fls. 363-365), ao que se seguiu a interposição de agravo. Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo desprovimento do agravo em recurso especial (e-STJ, fls. 402-406). É o relatório. Decido. A decisão que inadmitiu o recurso especial na origem pautou-se na incidência da Súmula 7/STJ; no agravo, todavia, a defesa não combateu especificamente este motivo da decisão agravada. Afinal, para que se considere adequadamente impugnada a Súmula 7/STJ, o agravo precisa empreender um cotejo entre os fatos estabelecidos no acórdão e as teses recursais, mostrando em que medida estas não exigem a alteração do quadro fático delineado pelo Tribunal local, o que não ocorreu no caso em análise . Nesse sentido: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. SÚMULA N. 182/STJ. PENAL E PROCESSUAL PENAL. FURTO SIMPLES NA MODALIDADE TENTADA. MINUTA DE AGRAVO QUE NÃO INFIRMA DE FORMA ESPECIFICA E CONCRETA TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SÚMULA N. 7 DO STJ. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA N. 83/STJ. APLICÁVEL AOS RECURSOS INTERPOSTOS COM BASE NA ALÍNEA A DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL. HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. UTILIZAÇÃO COMO MEIO PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO RECURSO INADMITIDO. DESCABIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Nas razões do agravo em recurso especial, não foram rebatidos, de modo específico e concreto, os fundamentos da decisão agravada relativos à aplicação das Súmulas n. 7 e 83, ambas do Superior Tribunal de Justiça, atraindo, à espécie, a incidência da Súmula n. 182 do Superior Tribunal de Justiça. 2. No tocante à incidência da Súmula n. 7/STJ, a Agravante limitou-se a sustentar, genericamente, que as pretensões elencadas no apelo nobre envolvem mero debate jurídico, não demandando, assim, reexame de provas, sem explicitar, contudo, à luz da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame de provas. Assim, não houve a observância da dialeticidade recursal, motivo pelo qual careceu de pressuposto de admissibilidade, qual seja, a impugnação efetiva e concreta aos fundamentos utilizados para inadmitir o recurso especial, no caso, a incidência da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. .. 6. Agravo regimental desprovido". (AgRg no AREsp 1789363/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 02/02/2021, DJe 17/02/2021) Por conseguinte, a Súmula 182/STJ impede que se passe ao mérito recursal, o qual não supera o juízo de admissibilidade. Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA