AREsp 2550351 - ACORDAO
Negar provimento ao agravo interno porque o recurso especial padecia de deficiência de fundamentação por não indicar de forma adequada quais dispositivos de lei federal teriam sido violados e por não abrange r fundamento autônomo e suficiente do acórdão recorrido, incidindo os óbices decorrentes das Súmulas n. 284 e...
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- Parties
- Agravante: Estado de Pernambuco; Autor: autor
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgado Pela Segunda Turma Do STJ (decisão Colegiada)
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Piso Nacional Do Magistério, Contrato Temporário, Diferença Remuneratória, Súmulas 283 E 284/stf, Recursos Repetitivos, Fundamento Autônomo
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Parties
Estado de Pernambuco
Agravante
autor
Autor
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgado Pela Segunda Turma Do STJ (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da Lei 11.738/2008 aos professores contratados temporariamente
- 2 Deficiência de fundamentação do recurso especial por ausência de indicação do dispositivo legal violado
- 3 Incidência das Súmulas n. 283 e 284 do STF
Ratio Decidendi
Negar provimento ao agravo interno porque o recurso especial padecia de deficiência de fundamentação por não indicar de forma adequada quais dispositivos de lei federal teriam sido violados e por não abrange r fundamento autônomo e suficiente do acórdão recorrido, incidindo os óbices decorrentes das Súmulas n. 284 e n. 283 do STF; ademais, o pedido de suspensão pela sistemática de recursos repetitivos restou prejudicado em razão de decisão desta Corte que rejeitou a qualificação do recurso paradigmático como representativo da controvérsia.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manutenção da decisão recorrida
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 18/06/2024 a 24/06/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. PISO NACIONAL DO MAGISTÉRIO. CONTRATO TEMPORÁRIO. DIFERENÇA REMUNERATÓRIA DEVIDA. DEFICIÊNCIA RECURSAL. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ABARCADO. NECESSIDADE DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 283 e 284/STF. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação de cobrança proposta pelo autor que trabalhou na condição de professor contratado temporariamente, no entanto, recebeu abaixo do piso nacional do magistério. Assim veio a requerer o pagamento dos valores restantes, bem como as repercussões inerentes. Na sentença, o pedido foi julgado improcedente. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada. II - Primeiramente, no tocante à necessidade de suspensão dos autos e julgamento pela sistemática dos recursos repetitivos, tendo em vista a decisão do Tribunal a quo nos autos do Processo n. 0000173-84.2022.8.17.2950 que determinou "no âmbito de sua competência, a suspensão dos demais processos que versem sobre a matéria, nos termos do art. 1.036, § 1º, do CPC", e, por conseguinte, a remessa ao STJ, não assiste razão a agravante. Veja-se que nesta Corte, em 10 de abril de 2024 (REsp n. 2.119.804/PE), após análise pormenorizada realizada naqueles autos, percebeu-se que a demanda não cumpria os requisitos regimentais para sua indicação à metodologia em questão, rejeitando-se a qualificação do referido recurso como representativo da controvérsia. Ademais, o recurso especial não foi conhecido pelos mesmos fundamentos ora analisados nestes autos. Prejudicado o pedido da agravante. III - Quanto à controvérsia, evidencia-se a deficiência na fundamentação recursal quando o recorrente não indica qual dispositivo de lei federal teria sido violado, bem como não desenvolve argumentação a fim de demonstrar em que consiste a ofensa aos dispositivos tidos por violados. IV - A via estreita do recurso especial exige a demonstração inequívoca da ofensa ao dispositivo mencionado nas razões do recurso, bem como a sua particularização, a fim de possibilitar exame em conjunto com o decidido nos autos, sendo certo que a falta de indicação dos dispositivos infraconstitucionais, tidos como violados, caracteriza deficiência de fundamentação, fazendo incidir, por analogia, o disposto no enunciado n. 284 da Súmula do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." V - Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AREsp n. 1.641.118/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 25/6/2020; AgInt no AREsp n. 744.582/SC, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 1º/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.305.693/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 31/3/2020; AgInt no REsp n. 1.475.626/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 4/12/2017; AgRg no AREsp n. 546.951/MT, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe de 22/9/2015; e REsp n. 1.304.871/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º/7/2015. VI - Por fim , incide o óbice da Súmula n. 283/STF, uma vez que a parte deixou de atacar fundamento autônomo e suficiente para manter o julgado, qual seja: "Em que pese a relação entre as partes tenha sido entabulada sem a observância da exigência de concurso para o ingresso no serviço público, tal fato não autoriza o serviço sem a devida contraprestação remuneratória, sob pena de se agasalhar o enriquecimento ilícito e beneficiar a torpeza do Administrador Público (fls. 133-134)". VII - Verifica-se que acórdão objeto do recurso especial tem mais de um fundamento, cada qual suficiente e autônomo para mantê-lo. Consoante a jurisprudência desta Corte, é inadmissível o recurso especial quando o acórdão recorrido assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 1.389.204/MG, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 29/6/2020, DJe 3/8/2020; EDcl no AgInt no REsp n. 1.838.532/CE, relator Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 24/8/2020, DJe 27/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.623.926/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 4/8/2020, DJe 26/8/2020. VIII - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que julgou recurso especial, fundamentado no art. 105, III, a, da Constituição Federal, Na origem, cuida-se de ação de cobrança proposta pelo autor que trabalhou na condição de professor contratado temporariamente, no entanto, recebeu abaixo do piso nacional do magistério. Assim veio a requerer o pagamento dos valores restantes, bem como as repercussões inerentes. Na sentença, o pedido foi julgado improcedente. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada, tendo sido proferido acórdão, assim resumido: APELAÇÃO. CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. PISO NACIONAL DO MAGISTÉRIO. LEI FEDERAL 11.738/2008. CONTRATO TEMPORÁRIO. INEXISTÊNCIA DE DISTINÇÃO EM RELAÇÃO AOS SERVIDORES EFETIVOS. DIFERENÇA REMUNERATÓRIA DEVIDA. RECURSO PROVIDO. SENTENÇA REFORMADA. Quanto à controvérsia, a parte recorrente alega violação da Lei n. 11.738/2008, no que concerne à impossibilidade de extensão do piso salarial para professores contratados na modalidade temporária, tendo em vista a distinção entre os regimes jurídicos dos professores efetivos e temporários. Após a interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial." No agravo interno, a parte recorrente traz, resumidamente, os seguintes argumentos: Tal como explicitado na fundamentação do recurso especial, o recurso merece o seu conhecimento, em face de clara identificação diversos dispositivos federias violados. Em seu recurso especial, o ora Agravante destaca que o acórdão recorrido conferiu interpretação equivocada a dispositivo de lei federal, fazendo com que abrangesse professores contratados temporariamente. Em outras palavras, o recurso especial demonstra que foram violados os arts. 2º, §§ 1º e 5º, 3º e 6º da Lei nº 11.738/2008, pois o acórdão do TJPE conferiu interpretação ampliativa à norma e, indevidamente, estendeu aos professores contratados temporariamente o direito ao piso do magistério público, indo de encontro aos conceitos jurídicos determinados de vencimento e carreira, expressamente consignados na legislação violada. Assim, devidamente prequestionados os dispositivos apontados como violados pelo Tribunal a quo, nos termos do art. 1.025 do CPC, o ora AGRAVANTE procedeu, em seu recurso especial, a uma ampla exegese dos conceitos expressos na norma, aptos, por si, a justificar a diferença de tratamento entre professores efetivos e contratados e, por conseguinte, a não aplicação do piso nacional a estes últimos. Identificada a premissa do acórdão paradigma (que a Lei nº 11.738/2008 não teria feito distinções entre professores temporários e efetivos para fins de aplicação do piso da categoria), apontou como violados os dispositivos supracitados e procedeu, em suas razões, a uma ampla exegese deles. O recurso contém argumentação que revela a controvérsia, de forma clara e delimitada. Não há alegação genérica dos dispositivos, mas uma detida análise deles, na qual se indica o seu conteúdo, alcance e como a Corte a quo procedeu à sua vulneração. Assim, na esteira do entendimento desse Colendo STJ, "o recurso especial também foi suficientemente fundamentado, visto que as razões expendidas viabilizaram a plena compreensão da controvérsia e atacaram o argumento mencionado na decisão monocrática quanto à prova testemunhal. Inaplicabilidade, portanto, da Súmula nº 284 do STF" (STJ, 3ª Turma, AgInt no AREsp 1.487.241/SC, rel. Min. Moura Ribeiro, DJe 14.8.2020). (..) Em análise a recurso especial interposto pelo ora AGRAVANTE nos autos do Processo nº 0000173-84.2022.8.17.2950, o qual versa sobre a mesma questão de direito objeto desta qual seja, a (in)aplicabilidade do piso salarial previsto na Lei 11.738/2008 aos professores contratados temporariamente, o Egrégio TJPE houve por bem admiti-lo e afetá-lo como representativo da controvérsia, determinando, no âmbito de sua competência, a suspensão dos demais processos que versem sobre a matéria, nos termos do art. 1.036, § 1º, do CPC. Na decisão que ordenou a remessa dos autos a esse Colendo STJ, o Tribunal a quo destacou que "a Lei Federal nº 11.738/2008 é objeto de interpretação em diversas demandas individuais que buscam a condenação do Estado de Pernambuco e, por via de consequência, resultam em vários recursos especiais que tratam da mesma questão de direito (..). Nesse norte, o excesso de recursos revela a necessidade de uma hermenêutica sistemática e precisa do Superior Tribunal de Justiça". Todavia, apesar de versar sobre a mesma questão jurídica, ao tempo da prolação da decisão de afetação, os autos do presente processo já estavam sendo processados perante essa Corte Superior, de modo que não foram atingidos pela suspensão, limitada ao âmbito estadual. Considerando que a controvérsia diz respeito a qual interpretação deve ser dada à legislação infraconstitucional (Lei nº 11.738/2008), com ampla repercussão não só no ESTADO DE PERNAMBUCO, mas em todos os demais entes federativos, haja vista tratar-se de piso nacional, é inevitável a admissão do recurso afetado pelo Tribunal a quo (interposto nos autos do Processo nº 0000173-84.2022.8.17.2950) para julgamento pela sistemática dos recursos repetitivos. Consequentemente, faz-se necessária a suspensão, a nível nacional, de todos os processos que versem sobre o tema, nos termos do art. 1.037,II, do CPC, o que, por óbvio, inclui o presente O agravado, por sua vez, em contrarrazões, sustenta em síntese que "os recursos especiais interpostos pelo Estado de Pernambuco não só neste processo, como em todos os demais que tramitam no STJ, são carentes dos requisitos de admissibilidade". É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. PISO NACIONAL DO MAGISTÉRIO. CONTRATO TEMPORÁRIO. DIFERENÇA REMUNERATÓRIA DEVIDA. DEFICIÊNCIA RECURSAL. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ABARCADO. NECESSIDADE DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 283 e 284/STF. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação de cobrança proposta pelo autor que trabalhou na condição de professor contratado temporariamente, no entanto, recebeu abaixo do piso nacional do magistério. Assim veio a requerer o pagamento dos valores restantes, bem como as repercussões inerentes. Na sentença, o pedido foi julgado improcedente. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada. II - Primeiramente, no tocante à necessidade de suspensão dos autos e julgamento pela sistemática dos recursos repetitivos, tendo em vista a decisão do Tribunal a quo nos autos do Processo n. 0000173-84.2022.8.17.2950 que determinou "no âmbito de sua competência, a suspensão dos demais processos que versem sobre a matéria, nos termos do art. 1.036, § 1º, do CPC", e, por conseguinte, a remessa ao STJ, não assiste razão a agravante. Veja-se que nesta Corte, em 10 de abril de 2024 (REsp n. 2.119.804/PE), após análise pormenorizada realizada naqueles autos, percebeu-se que a demanda não cumpria os requisitos regimentais para sua indicação à metodologia em questão, rejeitando-se a qualificação do referido recurso como representativo da controvérsia. Ademais, o recurso especial não foi conhecido pelos mesmos fundamentos ora analisados nestes autos. Prejudicado o pedido da agravante. III - Quanto à controvérsia, evidencia-se a deficiência na fundamentação recursal quando o recorrente não indica qual dispositivo de lei federal teria sido violado, bem como não desenvolve argumentação a fim de demonstrar em que consiste a ofensa aos dispositivos tidos por violados. IV - A via estreita do recurso especial exige a demonstração inequívoca da ofensa ao dispositivo mencionado nas razões do recurso, bem como a sua particularização, a fim de possibilitar exame em conjunto com o decidido nos autos, sendo certo que a falta de indicação dos dispositivos infraconstitucionais, tidos como violados, caracteriza deficiência de fundamentação, fazendo incidir, por analogia, o disposto no enunciado n. 284 da Súmula do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." V - Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AREsp n. 1.641.118/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 25/6/2020; AgInt no AREsp n. 744.582/SC, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 1º/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.305.693/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 31/3/2020; AgInt no REsp n. 1.475.626/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 4/12/2017; AgRg no AREsp n. 546.951/MT, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe de 22/9/2015; e REsp n. 1.304.871/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º/7/2015. VI - Por fim , incide o óbice da Súmula n. 283/STF, uma vez que a parte deixou de atacar fundamento autônomo e suficiente para manter o julgado, qual seja: "Em que pese a relação entre as partes tenha sido entabulada sem a observância da exigência de concurso para o ingresso no serviço público, tal fato não autoriza o serviço sem a devida contraprestação remuneratória, sob pena de se agasalhar o enriquecimento ilícito e beneficiar a torpeza do Administrador Público (fls. 133-134)". VII - Verifica-se que acórdão objeto do recurso especial tem mais de um fundamento, cada qual suficiente e autônomo para mantê-lo. Consoante a jurisprudência desta Corte, é inadmissível o recurso especial quando o acórdão recorrido assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 1.389.204/MG, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 29/6/2020, DJe 3/8/2020; EDcl no AgInt no REsp n. 1.838.532/CE, relator Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 24/8/2020, DJe 27/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.623.926/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 4/8/2020, DJe 26/8/2020. VIII - Agravo interno improvido. VOTO O agravo interno não merece provimento. A parte agravante repisa os mesmos argumentos já analisados na decisão recorrida. Primeiramente, no tocante à necessidade de suspensão dos autos e julgamento pela sistemática dos recursos repetitivos, tendo em vista a decisão do Tribunal a quo nos autos do Processo n. 0000173-84.2022.8.17.2950 que determinou "no âmbito de sua competência, a suspensão dos demais processos que versem sobre a matéria, nos termos do art. 1.036, § 1º, do CPC" e, por conseguinte, a remessa ao STJ, não assiste razão a agravante. Nesta Corte, em 10 de abril de 2024 (REsp n. 2119804/PE), após análise pormenorizada realizada naqueles autos, percebeu-se que a demanda não cumpria os requisitos regimentais para sua indicação à metodologia em questão, rejeitando-se a qualificação do referido recurso como representativo da controvérsia. Ademais, o recurso especial não foi conhecido pelos mesmos fundamentos ora analisados nestes autos. Prejudicado o pedido da agravante. Quanto à controvérsia, evidencia-se a deficiência na fundamentação recursal quando o recorrente não indica qual dispositivo de lei federal teria sido violado, bem como não desenvolve argumentação a fim de demonstrar em que consiste a ofensa aos dispositivos tidos por violados. A via estreita do recurso especial exige a demonstração inequívoca da ofensa ao dispositivo mencionado nas razões do recurso, bem como a sua particularização, a fim de possibilitar exame em conjunto com o decidido nos autos, sendo certo que a falta de indicação dos dispositivos infraconstitucionais, tidos como violados, caracteriza deficiência de fundamentação, fazendo incidir, por analogia, o disposto no enunciado n. 284 da Súmula do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AREsp n. 1.641.118/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 25/6/2020; AgInt no AREsp n. 744.582/SC, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 1º/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.305.693/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 31/3/2020; AgInt no REsp n. 1.475.626/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 4/12/2017; AgRg no AREsp n. 546.951/MT, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe de 22/9/2015; e REsp n. 1.304.871/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º/7/2015. Por fim, incide o óbice da Súmula n. 283/STF, uma vez que a parte deixou de atacar fundamento autônomo e suficiente para manter o julgado, qual seja: Em que pese a relação entre as partes tenha sido entabulada sem a observância da exigência de concurso para o ingresso no serviço público, tal fato não autoriza o serviço sem a devida contraprestação remuneratória, sob pena de se agasalhar o enriquecimento ilícito e beneficiar a torpeza do Administrador Público (fls. 133-134). Verifica-se que acórdão objeto do recurso especial tem mais de um fundamento, cada qual suficiente e autônomo para mantê-lo. Consoante a jurisprudência desta Corte, é inadmissível o recurso especial quando o acórdão recorrido assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Nesse sentido: AgInt no REsp n.1.389.204/MG, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 29/6/2020, DJe 3/8/2020; EDcl no AgInt no REsp n. 1.838.532/CE, relator Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 24/8/2020, DJe 27/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.623.926/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 4/8/2020, DJe 26/8/2020. Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisão recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.