REsp 1934468 - DECISAO
Não conheço do recurso especial porque o recorrente não impugnou a fundamentação autônoma do acórdão recorrido, que reconheceu a prescrição da pretensão executória; ademais, o recurso especial não é via adequada para análise de alegação de violação de súmula não enquadrada como lei federal.
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: IBAMA; Requerente: União; Requerente: João Castilho da Silva
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 May 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- Recurso não conhecido.
- Legal Topics
- Prescrição, Embargos À Execução, Ação Popular, Súmula 283/stf, Cabimento Do Recurso Especial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
IBAMA
Recorrente
União
Requerente
João Castilho da Silva
Requerente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Cabimento do recurso especial para análise de alegada ofensa a súmula vinculante
- 2 Aplicação do prazo prescricional da execução previsto no art. 21 da Lei n. 4.717/65
- 3 Incidência da Súmula 283/STF por ausência de impugnação de fundamento autônomo do acórdão recorrido
Ratio Decidendi
Não conheço do recurso especial porque o recorrente não impugnou a fundamentação autônoma do acórdão recorrido, que reconheceu a prescrição da pretensão executória; ademais, o recurso especial não é via adequada para análise de alegação de violação de súmula não enquadrada como lei federal.
Court Disposition
Recurso não conhecido.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região, assim ementado (fls. 593): ADMINISTRATIVO. EMBARGOS À EXECUÇÃO DE SENTENÇA.RESTITUIÇÃO DE VALORES DESTINADOS A PROJETOS DE REFLORESTAMENTO. PRESCRIÇÃO. Reconhecida a prescrição da pretensão executória do IBAMA relativa à condenação em restituição dos valores liberados pelo respectivo órgão público para projetos de reflorestamento não cumpridos. O recorrente aponta violação do artigo 21 da Lei n. 4.717/65 e da Súmula 150/STF. Defende, em síntese, que " .. promoveu a execução do julgado dentro do prazo prescricional de cinco anos, contados a partir do trânsito em julgado do acórdão proferido no agravo de instrumento, momento em que os autores foram novamente intimados para promoverem a execução do julgado." (fls. 614). Com contrarrazões. Juízo positivo de admissibilidade às fls. 835. É o relatório. Passo a decidir. De início, o recurso especial não constitui via adequada para a análise de eventual ofensa a Súmula, ainda que vinculante, porque o termo não está compreendido na expressão "lei federal", constante da alínea "a" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal. No que diz respeito à alegação de ofensa ao artigo 21 da Lei n. 4.717/65o acórdão recorrido consignou o seguinte (fl. 595/598): Levando-se em conta o acima exposto, observe-se, agora, a sequência processual, precisamente descrita na sentença: a ação popular foi proposta em 18 de junho de 1976, com sentença, como se viu, proferida em 25 de fevereiro de 1986. O trânsito em julgado se deu em 08 de agosto de 1991, conforme informação da folha 1.067 dos autos 00.0027567-0. O autor requereu a liquidação em setembro de 1991, conforme as s. 1070/1073 dos autos 00.0027567-0. O IBDF, por sua vez, teve ciência do retorno dos autos em 11 de outubro de 1991, mas nada requereu. Seguiu-se que o procedimento liquidatório foi declarado insubsistente por despacho proferido em 24 de maio de 1995 ( . 1113 dos autos 00.0027567-0), proferido em 24 de maio de 1995, determinando-se a execução do julgado. União e João Castilho da Silva requereram a execução dos honorários advocatícios, em junho e agosto de 1995, respectivamente. O despacho da folha 1121/1122 dos autos 00.0027567- 0, proferido em 19 de janeiro de 1996, segue relatando a sentença, tornou sem e feito o despacho da folha 1113, determinando que os credores apresentassem memória discriminada do cálculo das verbas honorárias e que o IBAMA se manifestasse sobre a execução da parte ilíquida da sentença. O IBAMA pediu vista dos autos em 21 de outubro de 1997. Em 29 de março de 1999 os autores foram novamente intimados para a execução do julgado, após o trânsito em julgado de agravo de instrumento interposto pelos autores populares quanto ao rateio dos honorários sucumbenciais. O IBAMA, nalmente, em 16 de abril de 1999, promoveu a execução do julgado quanto aos honorários sucumbenciais e restituição dos valores liberados para implantação e manutenção dos projetos de reflorestamento. Ao contrário da conclusão do juízo, no sentido de que não houve demora injusti cável ou desídia para a promoção da execução, parece-me evidente que a execução proposta pelo IBAMA foi extemporânea. Em primeiro lugar, era imprescindível a liquidação do julgado, como a sentença expressamente a rmou. Não se trata apenas de um comando vazio. No caso, fazia-se necessário demonstrar, para cada incentivo scal concedido, a ausência de execução de projeto de orestamento/re orestamento aprovado. A autarquia ambiental nada fez além daquelas informações já disponíveis aojuízo por ocasião da sentença, como se disse. Em segundo, caso de fato fosse possível a execução sem a necessidade de liquidação, deveria ter sido promovida a partir do trânsito em julgado, não socorrendo ao IBAMA, agora, o fato de que a verba honorária estava sendo liquidada. Não havia necessidade de que se aguardasse a solução daquela liquidação, eis que independente. Deste modo, levando em conta que o prazo prescricional da execução é de cinco anos, mesmo prazo da ação popular, nos termos do artigo 21 da Lei nº 4.717/65, forçoso é o reconhecimento de que prescrita a pretensão executória do IBAMA, levando-se em conta que o trânsito em julgado da ação popular se deu em 08 de agosto de 1991 e a execução foi proposta apenas em 16 de abril de 1999, transcorridos, portanto, quase três anos após da data limite. Assim, deve ser provido o recurso de apelação interposto, reformando-se a sentença proferida nos embargos à execução para dar-lhe provimento, reconhecendo-se a prescrição da pretensão executória do IBAMA. Ocorre que o recorrente não impugna a referida fundamentação nas razões do recurso especial que, por si só, assegura o resultado do julgamento ocorrido na Corte de origem e torna inadmissível o recurso que não a impugnou. Aplica-se ao caso a Súmula 283/STF. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO.VIOLAÇÃO A SÚMULA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE LEI FEDERAL.PRESCRIÇÃO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF.RECURSO NÃO CONHECIDO.