AREsp 1911102 - DECISAO
Conhecimento do agravo e negativa de provimento ao recurso especial porque o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do STJ que aplica o prazo prescricional decenal do art. 205 do Código Civil ao beneficiário de seguro de vida não obrigatório; o art. 206, § 3º, IX do CC é aplicado ao seguro de...
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- Parties
- Autor: herdeiros; Corré: seguradora; Ré: Fazenda do Estado de São Paulo; Terceiro Interessado: policial militar (óbito/segurado)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Negativa De Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Prescrição, Seguro De Vida, Pecúlio Por Morte, Indenização Por Morte De Policial, Admissibilidade Recursal (cpc/2015), Súmula 83/stj, Súmula 7/stj, Enunciado Administrativo 3/stj
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Parties
herdeiros
Autor
seguradora
Corré
Fazenda do Estado de São Paulo
Ré
policial militar (óbito/segurado)
Terceiro Interessado
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Negativa De Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Prazo prescricional aplicável à ação do beneficiário: dez anos (art.205 CC) ou três anos (art.206, §3º, IX CC)
- 2 Aplicabilidade da indenização do seguro de vida aos beneficiários de policial que falece no exercício das funções
- 3 Admissibilidade do recurso à luz do Enunciado Administrativo 3/STJ e do CPC/2015
Ratio Decidendi
Conhecimento do agravo e negativa de provimento ao recurso especial porque o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do STJ que aplica o prazo prescricional decenal do art. 205 do Código Civil ao beneficiário de seguro de vida não obrigatório; o art. 206, § 3º, IX do CC é aplicado ao seguro de vida obrigatório; ademais, o Tribunal a quo concluiu que a morte decorreu do exercício da atividade policial, circunstância que autoriza a indenização, e o reexame de fatos é vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial
Orders
- Publique-se
- Intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que inadmitiu recurso especial interposto em face de acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulocuja ementa é a seguinte: AÇÃO DE COBRANÇA. Policial militar. Morte causada por disparo de arma de fogo efetuado por assaltante durante tentativa de assalto a estabelecimento comercial. Pretensão dos herdeiros à indenização prevista na Lei Estadual n. 14.984/13. Militar que estava de folga e em trajes civis no momento dos fatos. Elementos dos autos que demonstram que o disparo ocorreu porque o policial agiu para evitar a consumação do crime. Existência de nexo causal com as funções policiais. Indenização devida, nos termos do art. 2º, III da Lei Estadual n. 14.984/13. Seguradora contratada pelo Estado de São Paulo que responde pela parcela da indenização correspondente ao total do capital segurado. Lei Estadual que majorou o teto indenizatório. Fazenda do Estado que deve responder pela parcela da indenização que exceder o previsto no contrato de seguro. Sentença que julgou procedente a ação para reconhecer que o óbito do policial se deu em razão das funções e condenara seguradora ao pagamento do valor total da indenização. Recurso dos autores provido em parte para condenar a Fazenda do Estado ao pagamento de metade do valor, recurso da corré seguradora provido em parte para reduzir o valor da indenização devida por ela à metade do total, alterado, de ofício, o termo inicial da correção monetária, e recurso da Fazenda do Estado não provido. No recurso especial, interposto com base naalíneaa do permissivo constitucional, aora agravantesustenta violação aoart. 206, § 3º, inciso IX,do CC, alegando, em síntese, que "a decisão, tal como proferida, violou o artigo 206, § 3º, inciso IX, primeira parte, do Código Civil, visto que nesta primeira parte do inciso é claro que a prescrição da pretensão do beneficiário em face do segurador é de 03 (três) anos, para qualquer espécie de seguro, sem restrições, a qual é feita apenas para o terceiro prejudicado (segunda parte do referido inciso), na qual a prescrição trienal se aplica apenas aos seguros de responsabilidade civil obrigatório". O recurso foi inadmitido pela decisão de fls. 739/740, cujos fundamentos foram impugnados por meio do presente agravo. É o relatório. Passo a decidir. Inicialmente, cumpre esclarecer que o presente recurso submete-se à regra prevista no Enunciado Administrativo n. 3/STJ, in verbis: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". Não prospera a pretensão recursal. Isso porque o acórdão recorrido está em sintonia com o entendimento do STJ, no sentido de que"o prazo prescricional para a propositura da ação pelo beneficiário é de dez anos, na forma do art. 205 do Código Civil, e não o de três anos, previsto no art. 206, § 3º, IX, do mesmo diploma legal, que se aplica à pretensão ao recebimento de seguro de vida obrigatório, o que não é a hipótese dos autos" (AgRg no n. REsp 1.311.406/SP, Relator o Ministro Sidnei Beneti, DJe de 28/5/2012).A respeito: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL.PECÚLIO POR MORTE. NATUREZA JURÍDICA. SEGURO DE VIDA. AÇÃO DE COBRANÇA. BENEFICIÁRIO. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. DECISÃO MANTIDA.1.1. Cuida-se de hipótese em que a participante de plano de previdência privada aderiu a um segundo contrato, denominado pecúlio, no qual contratou cobertura financeira em caso de morte do cônjuge - que não tem nenhum vínculo com a entidade previdenciária -, indicando a si mesma como beneficiária no caso de falecimento.Portanto, não se trata de pecúlio contratado para garantir o evento morte da participante.1.2. Segundo a jurisprudência desta Corte Superior, o contrato de pecúlio por morte se assemelha ao seguro de vida.1.3. Tal contratação, ao tempo da celebração, tinha seus elementos delineados no art. 1.472, caput e parágrafo único, do CC/1916 (correspondente ao art. 790, caput e parágrafo único, do CC/2002).Nessa modalidade, "a figura do estipulante não coincide com a do segurado. Este nem sempre é a pessoa exposta ao risco, podendo, pois, ser terceira, como é, no seguro sobre a vida de outrem. Nessa hipótese, a obrigação de pagar o prêmio não corresponde ao segurado.Assim, a parte contraposta ao segurador não pode, em todos os casos, ser denominada segurado" (GOMES, Orlando: Contratos. 11ª Ed. Rio de Janeiro. Forense, 1986, p. 471).2. No caso de beneficiário de seguro de vida, quando este não se confunde com a figura do próprio segurado, o prazo prescricional para o ajuizamento da ação de cobrança do capital segurado é o de dez anos, nos termos do art. 205 do CC/2002.3. Tratando-se de repetição de indébito decorrente de relação contratual, ausente exceção legal específica, aplica-se o prazo de prescrição decenal previsto no art. 205 do CC/2002.4. Agravo interno a que se nega provimento.(AgInt no REsp 1384942/RN, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 15/06/2021, DJe 22/06/2021). Grifou-se. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA.CONTRATO DE SEGURO DE VIDA. PRAZO PRESCRICIONAL. TERCEIRO BENEFICIÁRIO. DEZ ANOS. SÚMULA 83/STJ. POLICIAL NO EXERCÍCIO DE SUA ATIVIDADE. INDENIZAÇÃO. NECESSIDADE. SÚMULA 83/STJ. REVER O QUADRO FÁTICO DELINEADO PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO IMPROVIDO.1. A orientação adotada pela Corte estadual está em harmonia com a jurisprudência desta Casa, segundo a qual "o prazo prescricional para a propositura da ação pelo beneficiário é de dez anos, na forma do art. 205 do Código Civil, e não o de três anos, previsto no art.206, § 3º, IX, do mesmo diploma legal, que se aplica à pretensão ao recebimento de seguro de vida obrigatório, o que não é a hipótese dos autos." (AgRg no n. REsp 1.311.406/SP, Relator o Ministro Sidnei Beneti, DJe de 28/5/2012). Incidência do enunciado n. 83/STJ.2. No tocante ao pedido de afastamento da condenação ao pagamento do seguro, tendo em vista a ocorrência do sinistro fora do horário de trabalho do policial, o acórdão recorrido asseverou que a morte do segurado decorreu do exercício inerente à sua atividade policial, pois ao tentar impedir a fuga dos criminosos do estabelecimento comercial, pretendia evitar ou minorar os efeitos do delito. Diante disso, constata-se que o entendimento do Tribunal a quo se coaduna com a jurisprudência desta Corte Superior, a qual se firmou no sentido de ser devida a indenização do seguro de vida aos beneficiários do policial (militar, civil ou federal) que falece no exercício de suas atividades profissionais, estando ou não em escala. Súmula n. 83/STJ.3. Infirmar as conclusões do acórdão recorrido acerca do fato de o agente estar ou não no exercício de suas funções, demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, providência vedada em tema de recurso especial, consoante dispõe a Súmula 7/STJ.4. Agravo regimental a que se nega provimento.(AgRg no AREsp 832.566/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 17/03/2016, DJe 05/04/2016). Grifou-se. Diante do exposto, com fundamento no art. 932, IV, do CPC/2015 c/c o art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ e a Súmula 568/STJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 03/STJ. ADMINISTRATIVO. POLICIAL MILITAR. SEGURO DE VIDA. AÇÃO DE COBRANÇA. BENEFICIÁRIO. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL.AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.