AREsp 2635057 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem corretamente reconheceu a prescrição quinquenal da pretensão de ajuizamento da ação anulatória (decorrendo mais de cinco anos entre o trânsito em julgado do processo administrativo e o ajuizamento da ação) e o recorrente deixou de indicar com precisão...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Agravante; Agravada: FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2024
- Procedural Posture
- Ação Anulatória / Recurso Especial (não Conhecido)
- Outcome
- Recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Prescrição, Anulação De Lançamento Tributário, ICMS, Multa E Juros, Requisitos Do Recurso Especial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Agravante
Agravante
FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Agravada
Procedural Posture
Ação Anulatória / Recurso Especial (não Conhecido)
Legal Issues
- 1 Reconhecimento da prescrição quinquenal da pretensão de ajuizamento da ação anulatória de débito fiscal
- 2 Aplicabilidade do art. 1º do Decreto nº 20.910/32 às dívidas da Fazenda Pública
- 3 Obrigatoriedade de indicação precisa dos dispositivos legais violados em recurso especial (Súmula 284/STF)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem corretamente reconheceu a prescrição quinquenal da pretensão de ajuizamento da ação anulatória (decorrendo mais de cinco anos entre o trânsito em julgado do processo administrativo e o ajuizamento da ação) e o recorrente deixou de indicar com precisão os dispositivos legais federais supostamente violados, problema que caracteriza deficiência de fundamentação nos termos da Súmula 284/STF, impedindo o exame do recurso especial pelo STJ.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação de rito comum ajuizada pelo ora Agravante contra a FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO, ora Agravada, referente a autuação por não recolhimento de ICMS, alegando que a multa e juros são abusivos e que aderiu a programa de parcelamento. Na sentença, julgou-se parcialmente procedente o pedido, para determinar a adoção da SELIC no cálculo e limitar a multa punitiva a 100% (cem por cento) do tributo da CDA. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada, reconhecendo o implemento da prescrição da pretensão de ajuizamento de ação anulatória de débito fiscal. O valor da causa foi fixado em R$ 669.694,62 (Seiscentos e sessenta e nove mil, seiscentos e noventa e quatro reais e sessenta e dois centavos). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: REEXAME NECESSÁRIO E APELAÇÃO - AÇÃO ANULATÓRIA VISANDO À NULIDADE DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO - PRESCRIÇÃO - PRETENSÃO DA AUTORA NA DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO DA DÍVIDA DO ICMS (AIIM Nº 3101376 E CDA Nº 1.091.779.215), EM RAZÃO DE TER SIDO APLICADA MULTA EM PERCENTUAL ABUSIVO E JUROS SUPERIORES À TAXA SELIC SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA RECURSO DE AMBAS AS PARTES PREJUDICADOS - RECONHECIMENTO, DE OFÍCIO, DA PRESCRIÇÃO, NOS TERMOS DO ART. 487, II. DO CPC/2015 - APLICABILIDADE DO ART. 1º DO DECRETO Nº 20.910/32 NO SENTIDO DE QUE PRESCREVEM EM CINCO ANOS AS DÍVIDAS PASSIVAS DA UNIÃO, DOS ESTADOS E DOS MUNICÍPIOS, BEM ASSIM TODO E QUALQUER DIREITO OU AÇÃO CONTRA A FAZENDA PRECEDENTES DO C. STJ E DESTE EG. TRIBUNAL NO CASO DOS AUTOS, A AÇÃO ANULATÓRIA FOI AJUIZADA EM 26/04/2022. E O AUTO DE INFRAÇÃO Nº 3101376 FOI LAVRADO EM 17/09 2008, COM NOTIFICAÇÃO DA CONTRIBUINTE EM 25/09 2008 (FL. 24) E CDA INSCRITA EM 24/05/2012. PORÉM O PRAZO PRESCRICIONAL ESTEVE SEM CORRER, ANTE A DISCUSSÃO SOBRE O DÉBITO TRIBUTÁRIO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO VISANDO A GARANTIA DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA DO CONTRIBUINTE, QUE SOMENTE TRANSITOU EM JULGADO EM 17/12/2012 LAPSO ENTRE O TRÂNSITO EM JULGADO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO (17/12/2012) E DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO ANULATÓRIA (26 04/2022) SUPERIOR AO PRAZO PRESCRICIONAL QÜINQÜENAL SENTENÇA REFORMADA REEXAME NECESSÁRIO PROVIDO. RECURSOS VOLUNTÁRIOS PREJUDICADOS. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: .. No caso dos autos, a ação anulatória foi ajuizada em26/04/2022, e o Auto de Infração nº 3101376 foi lavrado em 17/09/2008, com notificação da contribuinte em 25/09/2008 (fl. 24), tendo sido a CDA inscrita em24/05/2012, porém o prazo prescricional esteve sem correr, ante a discussão sobre o débito tributário em processo administrativo visando a garantia do contraditório e ampla defesa do contribuinte, que somente transitou em julgado em17/12/2012 (vide fl. 24). Assim, percebe-se que entre a data do trânsito em julgado do processo administrativo (17/12/2012) e do ajuizamento da ação anulatória (26/04/2022) perfez-se mais de 9 anos, superando-se, assim, o prazo prescricional quinquenal. .. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. A competência do Superior Tribunal de Justiça, na via do recurso especial, encontra-se vinculada à interpretação e à uniformização do direito infraconstitucional federal. Nesse contexto, impõe-se não apenas a correta indicação dos dispositivos legais federais supostamente contrariados pelo Tribunal a quo, mas também a delimitação da violação da matéria insculpida nos regramentos indicados, para que, assim, seja viabilizando o necessário confronto interpretativo e, consequentemente, o cumprimento da incumbência constitucional revelada com a uniformização do direito infraconstitucional sob exame. Dessa forma, verificado que o recorrente deixou de indicar com precisão quais os dispositivos legais que teriam sido violados, apresenta-se evidente a deficiência do pleito recursal, atraindo o teor da Súmula n. 284 do STF. Acerca do assunto, destaco os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO TIDO POR VIOLADO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA 284/STF. ALEGAÇÃO DE JULGAMENTO EXTRA PETITA. NECESSIDADE DE REEXAME DOS FATOS E DAS PROVAS. INCIDÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. "A via estreita do recurso especial exige a demonstração inequívoca da ofensa ao dispositivo inquinado como violado, bem como a sua particularização, a fim de possibilitar o seu exame em conjunto com o decidido nos autos, sendo certo que a falta de indicação dos dispositivos infraconstitucionais tidos como violados caracteriza deficiência de fundamentação, em conformidade com o Enunciado Sumular nº 284 do STF". (AgRg no REsp n. 919.239/RJ; Rel. Min. Francisco Falcão; Primeira Turma; DJ de 3/9/2007.) 2. O Tribunal de origem concluiu: "No mérito, trata-se de ação de obrigação de fazer cumulada com pleito indenizatório, através da qual objetivou a autora obstar cobrança pela ré em relação à tarifa de esgoto, serviço não prestado pela concessionária, bem como a repetição, em dobro, dos valores já pagos" (fl. 167, e-STJ). 3. A agravante sustenta não haver na demanda pedido que objetive o cumprimento de obrigação de fazer/não fazer. Decidir de forma contrária ao que ficou expressamente consignado no v. acórdão recorrido, com o objetivo de rever o objeto do pedido deduzido na petição inicial, implica revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 983.543/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 5/5/2017.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. SUPOSTO ERRO MATERIAL. NÃO INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS VIOLADOS. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284/STF. SERVIDOR PÚBLICO. GDAR. TRANSFORMAÇÃO EM VPNI. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. I - Pretende o agravante o reconhecimento de que a gratificação GDAR, transformada em VPNI, não foi retirada do ordenamento jurídico pela Lei n. 11.784/08 e que sua supressão vai de encontro ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à irredutibilidade de vencimentos. II - Considera-se deficiente a fundamentação do recurso que deixa de estabelecer, com a precisão necessária, quais os dispositivos de lei federal que considera violados, para sustentar sua irresignação pela alínea a do permissivo constitucional, o que atrai a incidência do enunciado n. 284 da Súmula STF. III - O Tribunal de origem não analisou o erro material mencionado nas razões recursais, não debateu a suposta afronta ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à irredutibilidade de vencimentos, tampouco examinou a matéria recursal à luz do art. 29 da Lei n. 11.094/05. IV - Descumprido o necessário e indispensável exame dos dispositivos de lei invocados pelo acórdão recorrido, apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente, de maneira a atrair a incidência dos enunciados n. 282 e n. 356 da Súmula do STF, sobretudo ante a ausência de oposição dos cabíveis embargos declaratórios a fim de suprir os supostos erro material e a contradição do julgado. V - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.597.355/CE, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJe 10/3/2017.) O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA