AREsp 2722766 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque, segundo jurisprudência consolidada do STJ, as ações de repetição de indébito decorrentes de revisões contratuais prescrevem em dez anos a contar da data de assinatura do contrato; sendo a ação proposta após esse prazo, resta configurada a...
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- Parties
- Agravante: CLAUDIO FERREIRA DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Prescrição, Ação Revisional De Contrato Bancário, Repetição De Indébito, Incidência De Súmulas Do STJ
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Parties
CLAUDIO FERREIRA DA SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Qual é o termo inicial do prazo prescricional em ação revisional de contrato bancário?
- 2 Admissibilidade do recurso especial diante da questão de prescrição
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque, segundo jurisprudência consolidada do STJ, as ações de repetição de indébito decorrentes de revisões contratuais prescrevem em dez anos a contar da data de assinatura do contrato; sendo a ação proposta após esse prazo, resta configurada a prescrição, e a matéria não comporta reexame fático-probatório, por força das Súmulas n. 5 e 7/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Majoro os honorários em favor dos advogados da parte recorrida em 2% sobre o valor atualizado da causa, suspensa a exigibilidade em razão da gratuidade de justiça deferida na origem.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por CLAUDIO FERREIRA DA SILVA contra decisão que não admitiu recurso especial, manejado em desfavor do acórdão do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba assim ementado (e-STJ, fl. 255): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE CLÁUSULA CONTRATUAL COM REPETIÇÃO DO INDÉBITO. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. PREJUDICIAL PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. DATA DA ASSINATURA DO CONTRATO. SENTENÇA MANTIDA. DESPROVIMENTO. As ações revisionais de contrato bancário são fundadas em direito pessoal, cujo prazo prescricional é decenal, conforme o art. 205 do Código Civil. O termo inicial do prazo prescricional decenal nas ações de revisão de contrato bancário, em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, é a data da assinatura do contrato. No recurso especial, alegou o recorrente a ofensa ao art. 205 do Código de Processo Civil de 2015, sustentando, em síntese, que não há falar em ocorrência da prescrição, haja vista que o termo inicial do prazo prescricional é a data da última parcela do contrato de financiamento. O Tribunal de origem não admitiu o processamento do recurso especial, o que levou o insurgente à interposição de agravo. O agravante impugna os fundamentos da decisão denegatória do recurso especial (e-STJ, fls. 347-355). Contraminuta apresentada (e-STJ, fls. 410-412). Brevemente relatado, decido. A controvérsia refere-se, em síntese, ao termo inicial do prazo prescricional em ação revisional de contrato bancário. O Tribunal de origem, ao dirimir a questão posta nos autos, assim consignou (e-STJ, fls. 257-258; sem grifo no original): A irresignação da parte apelante reside na necessidade de reforma da sentença de primeiro grau, sob o argumento de que o termo inicial, para fins de prescrição, é o pagamento da última parcela do contrato. Pois bem. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacífico que as ações de repetição de indébito decorrentes de revisões contratuais prescrevem em 10 (dez) anos, a contar da data da assinatura do contrato. .. Na hipótese vertente, o contrato foi firmado em 10/10/2007, ao passo que a ação foi promovida em 22/11/2019, portanto, após o prazo decenal do art. 205 do CC, motivo pelo qual deve ser reformada a sentença. Com efeito, verifica-se que a irresignação do agravante não merece prosperar, haja vista que o acórdão recorrido, ao concluir que "as ações de repetição de indébito decorrentes de revisões contratuais prescrevem em 10 (dez) anos, a contar da data da assinatura do contrato" (e-STJ, fl. 257), está em consonância com o entendimento desta Corte Superior, veja-se: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. DATA DA ASSINATURA DO CONTRATO. ACÓRDÃO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. ÓBICE DA SÚMULA N. 83/STJ. De acordo com a jurisprudência desta corte, o termo inicial do prazo prescricional decenal nas ações de revisão de contrato bancário, em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, é a data da assinatura do contrato. Incidência da Súmula n. 83/STJ. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.386.595/PR, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 6/12/2023.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO DE FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO PRESCRICIONAL. DATA DA ASSINATURA DO CONTRATO. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não há falar em ofensa ao art. 1022 do CPC, porquanto todas as questões fundamentais ao deslinde da controvérsia foram apreciadas pelo Tribunal estadual, sendo que não caracteriza omissão ou falta de fundamentação a mera decisão contrária ao interesse da parte. 2. O termo inicial do prazo prescricional, no qual o mutuário pretende rever cláusulas de contrato de empréstimo pessoal, é a data da assinatura do contrato. 2.1 "A jurisprudência desta Corte é firme em determinar que o termo inicial do prazo prescricional decenal nas ações de revisão de contrato bancário, em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, é a data da assinatura do contrato" (REsp n. 1.996.052/RS, Rel Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, DJe de 19/5/2022). 3. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AgInt no AREsp n. 2.124.449/MG, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 21/8/2023, DJe de 23/8/2023.) Dessa forma, percebe-se que não merece reparo o acórdão recorrido, sendo de rigor a incidência da Súmula n. 83 do STJ. Ademais, vislumbra-se que afastar a conclusão do acórdão recorrido quanto à ocorrência da prescrição, demandaria a revisão de cláusulas contratuais e o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, providências que esbarram no óbice constante das Súmulas n. 5 e 7/STJ. Assi m, melhor sorte não socorre ao agravante. Ante o exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro os honorários em favor dos advogados da parte recorrida em 2% (dois por cento) sobre o valor atualizado da causa, suspensa a exigibilidade em razão da gratuidade de justiça deferida na origem. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela apresentação de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios contra esta decisão, ensejará a imposição, conforme o caso, das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE CLÁUSULA CONTRATUAL C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. DATA DA ASSINATURA DO CONTRATO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE SUPERIOR. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/STJ. REINTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 5 E 7/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.