AREsp 2610005 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem reconheceu e aplicou a prescrição, decisão que foi mantida pelo STJ por estar em conformidade com sua jurisprudência; além disso, o recurso impugnava matéria fático-probatória, cuja reanálise é vedada pela Súmula 7, e não se demonstrou...
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- Parties
- Réu: ESTADO DO PIAUÍ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Pela Segunda Turma
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Prescrição, Reintegração, Prequestionamento, Súmula 7 Do STJ (reexame De Provas), Súmula 211 Do STJ (prequestionamento), Súmula 83 Do STJ (orientação Jurisprudencial), Ampla Defesa, Processo Administrativo Disciplinar, Lei 8.112/90
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Parties
ESTADO DO PIAUÍ
Réu
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Pela Segunda Turma
Legal Issues
- 1 Incidência da prescrição sobre a ação de reintegração
- 2 Suposta nulidade do processo administrativo por inobservância do contraditório e da ampla defesa
- 3 Vedação ao reexame fático-probatório em recurso especial (Súmula 7)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem reconheceu e aplicou a prescrição, decisão que foi mantida pelo STJ por estar em conformidade com sua jurisprudência; além disso, o recurso impugnava matéria fático-probatória, cuja reanálise é vedada pela Súmula 7, e não se demonstrou prequestionamento suficiente de outras matérias aptas a autorizar conhecimento do recurso especial, nos termos da Súmula 211, estando o caso ainda alinhado à orientação consolidada (Súmula 83).
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão do Tribunal de origem que reconheceu a prescrição e a sentença que extinguiu o feito por prescrição
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DIREITO ADMINISTRATIVO. POLÍCIA MILITAR. FALTAS DISCIPLINARES E MÁ CONDUTA. SINDICÂNCIA. SUPOSTA INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. REINTEGRAÇÃO. PRESCRIÇÃO. INCIDÊNCIA DOS ÓBICES SUMULARES N. 7, 83 E 211 DO STJ. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação de rito comum ajuizada contra o ESTADO DO PIAUÍ, requerendo reintegração ao cargo público, com pagamento dos valores supostamente devidos. Na sentença, julgou-se extinto o feito, ante o implemento da prescrição. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. III - Quanto à matéria de fundo, (art. 114 e 174 da Lei n. 8.112/90) verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". IV - Relativamente às demais alegações de violação, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. V - Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Nesse sentido:AgInt nos EDcl no REsp n. 1.340.026/SP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 14/3/2017, DJe de 27/3/2017. VI - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que julgou agravo em recurso especial com fundamento no art. 1.042 do Código de Processo Civil. O recurso especial, fundamentado no art. 105, III, a, da Constituição Federal, foi interposto contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, com o seguinte resumo de ementa: ADMINISTRATIVO. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE ATO JURÍDICO C/C REINTEGRAÇÃO EM CARGO PÚBLICO. PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO. ACOLHIDA. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial." No agravo interno, a parte recorrente traz, resumidamente, os seguintes argumentos: .. Porém, houve pelo agravante a impugnação da decisão agravada, pois conforme discriminado no agravo em recurso especial, o agravante promoveu o devido pré-questionamento de todos os artigos arguidos, em sede de embargos declaratórios, apelação, e recurso especial, sendo assim, a matéria foi devidamente préquestionada. .. Veja excelência, os embargos declaratórios relatam que o Agravado não entende como ilegal fazer um processo administrativo de expulsão de uma corporação como a Policia Militar sem que seja proporcionado o contraditório e a ampla defesa que são ditames constitucionais, foge de tudo que estudamos nas universidades nos cursos de bacharelado em direito, conforme transcrição dos incisos LIV E LV do artigo 5o da Constituição de 1988, a seguir: .. Assim, o processo administrativo que culminou com a exclusão do agravante da Policia Militar do Piauí é totalmente nulo, e sendo nulo tem de se submeter aos ditames dos artigos 114 e 174 da Lei 8.112/90, sendo assim, a prescrição não pode atingir o agravante. .. O fato novo a que se refere o artigo 174 da Lei 8.112/90 é justamente a falta pela administração publica de ter ofertado ao agravante o contraditório e a ampla defesa, pois se a administração pública tivesse agido dentro do devido processo legal com certeza não estaríamos a pleitear a reintegração do agravante. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DIREITO ADMINISTRATIVO. POLÍCIA MILITAR. FALTAS DISCIPLINARES E MÁ CONDUTA. SINDICÂNCIA. SUPOSTA INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. REINTEGRAÇÃO. PRESCRIÇÃO. INCIDÊNCIA DOS ÓBICES SUMULARES N. 7, 83 E 211 DO STJ. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação de rito comum ajuizada contra o ESTADO DO PIAUÍ, requerendo reintegração ao cargo público, com pagamento dos valores supostamente devidos. Na sentença, julgou-se extinto o feito, ante o implemento da prescrição. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. III - Quanto à matéria de fundo, (art. 114 e 174 da Lei n. 8.112/90) verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". IV - Relativamente às demais alegações de violação, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. V - Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Nesse sentido:AgInt nos EDcl no REsp n. 1.340.026/SP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 14/3/2017, DJe de 27/3/2017. VI - Agravo interno improvido. VOTO O agravo interno não merece provimento. A parte agravante repisa os mesmos argumentos já analisados na decisão recorrida. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: .. Assim, o prazo para o ajuizamento da ação prescreveu há mais de 30 anos, evidenciado está a prescrição do direito, por força da regra contida no art. 1º do Decreto 20.910/1932. Pelo exposto, e o mais que dos autos constam, acolho a preliminar suscitada, conheço do recurso, mas para negar-lhe provimento, para manter a r. sentença fustigada em todos os seus termos. .. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, (art. 114 e 174 da Lei n. 8.112/90) verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Nesse sentido:AgInt nos EDcl no REsp n. 1.340.026/SP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 14/3/2017, DJe de 27/3/2017. Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisão recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.