AREsp 2903956 - DECISAO
Conhecer do agravo e não conhecer do recurso especial porque o recurso especial carece de fundamentação suficiente: o dispositivo indicado não apresenta comando normativo apto a sustentar a tese recursal (incidindo Súmula 284/STF), não há prequestionamento da matéria e não se admite recurso especial fundado em...
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- Parties
- Recorrente: VALDIRENE LOURES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 July 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Prescrição, Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Súmulas, Competência Recursal
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Parties
VALDIRENE LOURES
Recorrente
Procedural Posture
Agravo / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do Recurso Especial
- 2 Ofensa ao art. 1º do Decreto n. 20.910/1932 e à Súmula 383/STF quanto à contagem do prazo prescricional
- 3 Incidência da Súmula 284/STF por deficiência de fundamentação
Ratio Decidendi
Conhecer do agravo e não conhecer do recurso especial porque o recurso especial carece de fundamentação suficiente: o dispositivo indicado não apresenta comando normativo apto a sustentar a tese recursal (incidindo Súmula 284/STF), não há prequestionamento da matéria e não se admite recurso especial fundado em violação de enunciado de súmula (Súmula 518/STJ).
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por VALDIRENE LOURES à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, assim resumido: AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA - VALOR DÁ CAUSA NÃO SUPERIOR A VINTE VEZES O SALÁRIO MÍNIMO VIGENTE NO PAÍS À ÉPOCA DO AJUIZAMENTO - COMPETÊNCIA RECURSAL DO TRIBUNAL DE ALÇADA DO ESTADO - OBSERVÂNCIA DOS ARTS. 275, INCISO I, DO CPC E 103, INCISO III, ALÍNEA "F", DA CE. APELAÇÃO - NÃO CONHECIMENTO, COM O ENVIO DOS AUTOS ÀQUELA EGRÉGIA CORTE DE JUSTIÇA. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 1º do Decreto n. 20.910/1932 e a Súmula n. 383/STF, no que concerne ao reconhecimento da ausência de prescrição da pretensão executória sob o fundamento de que prazo para a prescrição finda-se em 14/06/2022, tendo em vista o reinício do prazo prescricional deve ser contabilizado com o tempo faltante para totalizar os cinco anos conforme o art. 1º do Decreto n. 20.910/32 e a Súmula n. 383/STF, trazendo a seguinte argumentação: O recorrente apelou da decisão (mov. 23.1, autos originários) postulando o afastamento da prescrição e usando como fundamento, a inexistência da prescrição, visto que o reinício do prazo prescricional deve ser contabilizado com o tempo faltante para totalizar os cinco anos pois o ato interruptivo foi de um ano, quatro meses e um dia, respeitando a Súmula nº 383 do STF, não podendo o prazo prescricional ser inferior ao período de cinco anos. .. O reinício do prazo prescricional deveria ser contabilizado com o tempo faltante para totalizar os cinco anos. Ao realizar a contagem para o reinício do prazo prescricional, o juízo desconsiderou o lapso temporal entre o termo inicial e o ato interruptivo. Contudo, o juízo a quo considerou que a contagem deveria ser recomeçada pela metade do prazo de cinco anos, ou seja, por dois anos e meio. .. No caso em tela, a contagem do prazo prescricional começou no dia que houve o trânsito em julgado da ação de conhecimento, ou seja, dia 18.mar.03. No dia 19.jul.04 foi ajuizada a ação de execução coletiva, havendo a interrupção da contagem do prazo prescricional. Nota-se que da data de início da contagem do prazo prescricional até o ato que causou a interrupção da prescrição passou apenas um ano quatro meses e um dia. Para totalizar os cinco anos, faltariam 3 anos, 7 meses e 29 dias, conforme demonstrado na linha do tempo: .. O tempo total jamais poderia ser inferior a cinco anos. Para tanto, deveriam ser somados os anos anteriores com os posteriores ao momento interruptivo. A contagem do prazo prescricional foi reiniciada com o trânsito em julgado da sentença que extinguiu a ação de execução coletiva, em 16.out.2018. .. Dessa forma, o prazo prescricional não voltaria a correr pela metade do prazo de cinco anos, ou seja, dois anos e meio, mas sim pelo tempo que falta a totalizar cinco anos do ato interruptivo (fls. 609-612). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, em relação ao art. 1º do Decreto nº 20.910/1932, incide a Súmula n. 284/STF devido à ausência de comando normativo do(s) dispositivo(s) apontado(s) como violado(s) para sustentar a tese recursal, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Segundo a jurisprudência do STJ, o óbice de ausência de comando normativo do artigo de lei federal apontado como violado ou como objeto de divergência jurisprudencial incide nas seguintes situações: quando não tem correlação com a controvérsia recursal, por versar sobre tema diverso; e quando sua indicação não é apta, por si só, para sustentar a tese recursal, seja porque o dispositivo legal tem caráter genérico, seja porque, embora consigne em seu texto comando específico, exigiria a combinação com outros dispositivo legais. Ressalte-se, por oportuno, que a indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, pois a ofensa aos seus desdobramentos também deve ser indicada expressamente. Nesse sentido, já decidiu o STJ que quando "o dispositivo legal indicado como malferido não tem comando normativo suficiente para infirmar os fundamentos do acórdão recorrido, tampouco para sustentar a tese defendida pelo recorrente, o que configura deficiência de fundamentação do recurso especial, atraindo, por analogia, o óbice da Súmula nº 284/STF" ;(AgInt no AREsp n. 2.586.505/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 26/8/2024, DJe de 29/8/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 2.136.718/PR, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.706.055/DF, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 5/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.670.085/RS, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Terceira Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no REsp n. 2.084.597/SC, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.520.394/RS, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 19/2/2025; AgInt no REsp n. 1.885.160/MG, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.394.457/BA, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 12/12/2024; AgRg no AREsp n. 1.245.830/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 9/12/2024; AREsp n. 2.320.500/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 3/12/2024; AgRg no REsp n. 1.994.077/SE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 29/11/2024; AgRg no AREsp n. 2.600.425/SC, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 28/8/2024; REsp n. 2.030.087/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 28/8/2024; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.426.943/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 14/8/2024. Ademais, não é cabível Recurso Especial fundado na ofensa a enunciado de súmula dos tribunais, inclusive em se tratando de súmulas vinculantes. Logo, incide o óbice da Súmula n. 518 do STJ: "Para fins do art. 105, III, "a", da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula". Outrossim: "A interposição de recurso especial não é cabível com fundamento em violação de súmula vinculante do STF, porque esse ato normativo não se enquadra no conceito de lei federal previsto no art. 105, III, "a" da CF/88". (REsp n. 1.806.438/DF, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 19/10/2020.) Ainda, os seguintes julgados: ;AgRg no REsp n. 1.990.726/RS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.518.851/PR, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 18/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.683.592/SE, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Terceira Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.735.927/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 27/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.736.901/GO, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 20/2/2025; AgInt no REsp n. 2.125.846/RJ, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 17/2/2025; AgRg no AREsp n. 1.989.885/TO, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 17/2/2025; AgInt no REsp n. 2.098.711/SC, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 10/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.521.353/CE, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 23/12/2024; AREsp n. 2.763.962/AP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 18/12/2024. Além disso, não houve o prequestionamento da tese recursal, porquanto a questão postulada não foi examinada pela Corte a quo sob o viés pretendido pela parte recorrente. Dessarte: "Não há prequestionamento da tese recursal quando a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente" ;(AgInt no AREsp n. 1.946.228/DF, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 28/4/2022). Em consonância : AgInt no AREsp n. 2.023.510/GO, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 29/2/2024; AgRg no AREsp n. 2.354.290/ES, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/2/2024; AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/5/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.9.2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA