AREsp 2940868 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e decidiu-se não conhecer do Recurso Especial em razão da deficiência de fundamentação do recurso (ausência de indicação dos incisos do art. 1.022 do CPC) e da incidência de óbices processuais (Súmula 284/STF e, quanto ao reexame de provas, Súmula 7/STJ); aplicou-se o art. 21-E, V, do Regimento...
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- Parties
- Agravante: DJALMA ALVES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 July 2025
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial
- Legal Topics
- Prescrição, Promoção De Militar, Vedação À Decisão Surpresa, Supressão De Instância, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios, Recurso Especial, Agravo De Instrumento
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Parties
DJALMA ALVES
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Violação do art. 1.022 do CPC (alegada negativa de prestação jurisdicional)
- 2 Violação dos arts. 5º, 6º, 9º, 10 e 489, §1º, IV, do CPC (alegada vedação à decisão surpresa e supressão de instância)
- 3 Reconhecimento ex officio da prescrição quinquenal e termo inicial do prazo prescricional
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e decidiu-se não conhecer do Recurso Especial em razão da deficiência de fundamentação do recurso (ausência de indicação dos incisos do art. 1.022 do CPC) e da incidência de óbices processuais (Súmula 284/STF e, quanto ao reexame de provas, Súmula 7/STJ); aplicou-se o art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ para conhecer do agravo e, por força do efeito translativo, extinguiu-se o feito originário com resolução do mérito nos termos do art. 487, II, do CPC; majoraram-se honorários em 15% com fundamento no art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial
Orders
- Majo ro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem
- Publique-se
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por DJALMA ALVES à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOAS, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. POLICIAL MILITAR NA INATIVIDADE. REVISÃO DO ATO DE TRANSFERÊNCIA PARA RESERVA REMUNERADA PARA CONCEDER A PROMOÇÃO DE V SARGENTO PARA SUBTENENTE. DECISÃO RECORRIDA QUE INDEFERIU O PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA. PREJUDICIAL DE MÉRITO VERIFICADA EX OFFICIO. PRESCRIÇÃO DE FUNDO DE DIREITO. OCORRÊNCIA. PRESCRICÃO QÜINQÜENAL. DECRETO FEDERAL 20.910/32. TERMO INICIAL DO PRAZO PRESCRICIONAL. DATA DO ATO ADMINISTRATIVO QUE TRANSFERIU O MILITAR Ã INATIVIDADE OCORRIDO EM 2014. AJUIZAMENTO DA AÇÃO .APENAS EM 2023. RECURSO CONHECIDO PARA. DE OFÍCIO. POR FORCA DO EFEITO TRANSLATIVO, EXTINGUIR O FEITO ORIGINÁRIO, COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO, NOS TERMOS DO ART. 487, II. DO CPC. ANÁLISE DAS RAZÕES RECURSAIS PREJUDICADA. Quanto à primeira controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 1.022 do CPC, no que concerne ao reconhecimento de negativa de prestação jurisdicional. Quanto à segunda controvérsia, a parte recorrente alega violação dos arts. 5º, 6º, 9º, 10 e 489, §1º, IV, do CPC, no que concerne ao reconhecimento de nulidade por inobservância dos princípios da vedação à decisão surpresa e de supressão de instância, na hipótese em que houve o reconhecimento de prescrição da pretensão de promoção por ressarcimento de preterição sem prévia manifestação das partes, trazendo a seguinte argumentação: No caso em testilha, o Tribunal de Justiça de Alagoas, em que pese ter conhecido do recurso de agravo de instrumento, extinguiu o feito originário com resolução do mérito, entendendo pela prescrição de fundo de direito e, por consequência, julgou prejudicada a análise das razões recursais do agravo de instrumento. Conforme esclarecido nos embargos de declaração, a decisão restou omissa quanto aos princípios basilares da vedação à decisão surpresa, uma vez que o Magistrado está impedido de decidir com base em fundamento a respeito do qual não tenha dado às partes a oportunidade de se manifestarem, ainda que se trate de matéria de ordem pública, cognoscível de ofício (fl. 106). Deflui-se daí, portanto, que, de acordo com a jurisprudência pacífica da Corte Especial, é defeso ao órgão ad quem o conhecimento de matérias quando o órgão jurisdicional de primeira instância, ainda atuante na causa, não se pronunciou sobre o tema, sob pena de incorrerem supressão de instância (fl. 109). Assim, tendo o Tribunal Local entendido pelo reconhecimento da prescrição em sede de agravo de instrumento sem que houvesse prévia decisão pelo juízo primário e sem anterior manifestação das partes nos autos, configura supressão de instância por decisão surpresa e inviabilizou a análise dos fundamentos do recurso, na forma do art. 489, §1º, IV, do CPC (fl. 110). É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente aponta ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem especificar, todavia, quais incisos foram contrariados, a despeito da indicação de omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Nesse sentido: "A ausência de indicação dos incisos do art. 1.022 configura deficiência de fundamentação, o que enseja o não conhecimento do recurso especial" (AgInt no AREsp n. 2.697.337/MT, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 10/2/2025, DJEN de 13/2/2025). Confira-se também os seguintes julgados: ;AgInt no REsp n. 2.129.539/CE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.069.174/MS, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJe de 4/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.543.862/RN, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 30/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.452.749/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 20/8/2024; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.260.168/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 6/12/2023; AgInt no AREsp n. 1.703.490/MT, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 24/11/2020. Quanto à segunda controvérsia, o acórdão recorrido assim decidiu: Ademais, ressalta-se que é entendimento do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA que o contraditório afasta a violação do princípio da vedação à decisão surpresa (fl. 87). No caso em apreço, foi proferida decisão de caráter precário às fls. 13/19, posteriormente e antes da prolação de decisum de caráter definitivo, as partes foram devidamente intimadas para se manifestar. De forma que o recorrente tomou ciência do posicionamento adotado e o recorrido apresentou contraminuta, isto é, o contraditório foi devidamente respeitado. No mais, a prescrição é matéria de ordem pública e pode ser reconhecida a qualquer momento, inexistindo a hipótese de supressão de instância como pretende o embargante (fl. 88). Aplicável, portanto, a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 2.604.183/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados:AgInt no AREsp n. 2.734.491/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.267.385/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.638.758/RJ, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.722.719/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 5/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.787.231/PR, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Terceira Turma, DJEN de 28/2/2025; AgRg no AREsp n. 2.722.720/RJ, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 26/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.751.983/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no REsp n. 2.162.145/RR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 20/2/2025; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.256.940/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgRg no AREsp n. 2.689.934/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.421.997/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJe de 19/11/2024; EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.563.576/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 7/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.612.555/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 5/11/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.489.961/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 28/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.555.469/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 20/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.377.269/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 7/3/2024. Por fim, segundo o trecho do acórdão recorrido acima transcrito , incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.113.579/MG, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.691.829/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AREsp n. 2.839.474/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgInt no REsp n. 2.167.518/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 27/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.786.049/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.753.116/RN, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no REsp n. 2.185.361/CE, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgRg no REsp n. 2.088.266/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AREsp n. 1.758.201/AM, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.643.894/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 31/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.636.023/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgInt no REsp n. 1.875.129/PE, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA