AREsp 1769850 - ACORDAO
Prevalecendo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça de que o termo inicial da prescrição da pretensão executória é o trânsito em julgado da sentença condenatória para a acusação, e considerando que o embargante foi condenado a 2 anos de detenção (regime aberto) e 2 meses de suspensão da habilitação,...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 August 2021
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Da Sexta Turma Do STJ Embargos Acolhidos E Determinação De Arquivamento
- Outcome
- Embargos de declaração acolhidos; pretensão executória declarada prescrita; determinação de arquivamento dos autos.
- Legal Topics
- Prescrição Da Pretensão Executória, Contagem Do Prazo Prescricional, Execução Penal, Homicídio Culposo No Trânsito, Súmulas E Jurisprudência
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Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Da Sexta Turma Do STJ Embargos Acolhidos E Determinação De Arquivamento
Legal Issues
- 1 Termo inicial para a contagem do prazo prescricional da pretensão executória
- 2 Aplicação dos arts. 109, V, c/c 110, § 1º, e 112 do CP
- 3 Reconhecimento da prescrição da pretensão executória e consequente arquivamento dos autos
Ratio Decidendi
Prevalecendo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça de que o termo inicial da prescrição da pretensão executória é o trânsito em julgado da sentença condenatória para a acusação, e considerando que o embargante foi condenado a 2 anos de detenção (regime aberto) e 2 meses de suspensão da habilitação, aplica-se o prazo prescricional de 4 anos previsto nos arts. 109, V, c/c 110, § 1º, e 112 do CP; tendo decorrido mais de 4 anos desde o trânsito em julgado em 1º/11/2016 sem início da execução, reconheceu-se a prescrição da pretensão executória e determinou-se o arquivamento dos autos.
Court Disposition
Embargos de declaração acolhidos; pretensão executória declarada prescrita; determinação de arquivamento dos autos.
Orders
- Acolher os embargos de declaração.
- Declarar prescrita a pretensão executória.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA. TRÂNSITO EM JULGADO PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO. PRECEDENTES DO STJ. EMBARGOS ACOLHIDOS. 1. Prevalece o entendimento de que, "Enquanto não modificada a interpretação do art. 112, I, do CP à luz do art. 5º, II e LVII, da CF, prevalece neste Superior Tribunal o entendimento de que o termo inicial para a contagem do prazo prescricional da pretensão executória é o trânsito em julgado da sentença condenatória para a acusação" (EDcl no AgRg no AgRg no AREsp 736.623/RJ, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 11/05/2021, DJe 18/05/2021), adotando-se a interpretação literal mais benéfica ao condenado. 2. Considerando que o embargante foi condenado a 2 anos de detenção, no regime aberto, e 2 meses de suspensão da habilitação ou permissão para dirigir veículo automotor, prescreve em 4 anos a pretensão executória, nos termos do art. 109, V, c/c 110, § 1º, e 112, do CP. 3. Transcorrido o referido lapso temporal desde o trânsito em julgado da sentença condenatória para o Ministério Público, em 1º/11/2016, sem que tenha sido iniciada a execução da pena, tem-se por configurada a prescrição da pretensão executória. 4. Embargos de declaração acolhidos. Reconhecimento da prescrição da pretensão executória. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, acolher os embargos de declaração para declarar prescrita a pretensão executória e determinar o arquivamento dos autos, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. A Sra. Ministra Laurita Vaz e os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Antonio Saldanha Palheiro votaram com o Sr. Ministro Relator.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO) (Relator): Trata-se de embargos de declaração opostos a acórdão assim ementado: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO CULPOSO NO TRÂNSITO. INÉPCIA DA DENÚNCIA. MATÉRIA SUPERADA. SENTENÇA SUPERVENIENTE. CONDENAÇÃO FUNDAMENTADA. MATERIALIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. NULIDADE POR DEFICIÊNCIA NA DEFESA TÉCNICA. NULIDADE NÃO VERIFICADA. SÚMULA 523/STF. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. É firme a jurisprudência desta Corte Superior no sentido de que "a superveniência da sentença penal condenatória torna esvaída a análise do pretendido reconhecimento de inépcia da denúncia, isso porque o exercício do contraditório e da ampla defesa foi viabilizado em sua plenitude durante a instrução criminal" (AgRg no AREsp n. 537.770/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Sexta Turma, julgado em 4/8/2015, DJe 18/8/2015). 2. Consta na sentença fundamento válido para a condenação, pois "o depoimento do policial rodoviário, bem como do teor do boletim de acidente de trânsito, afasta a teste de insuficiência de provas arguida pela defesa, uma vez que demonstram que o réu foi negligente, invadindo a pista contrária, em que trafegava a vítima, dando causa ao acidente"; e que "diante dos elementos de prova contidos nos autos, resta devidamente comprovada a autoria e materialidade do crime de análise". Ademais, para afastar as conclusões das instâncias ordinárias é necessário o reexame fático-probatório, o que encontra óbice no verbete n. 7 da Súmula do STJ. 3. Sobre a deficiência na defesa técnica, o Tribunal estadual entendeu que "não há que se falar em deficiência da defesa técnica, eis que o recorrente, devidamente citado (f1.124), constituiu procurador de sua confiança (f1.126) Dr. Paulo Ribeiro Júnior, o qual apresentou resposta à acusação (fls.128/129), participou do interrogatório do réu (f1.199/200) e apresentou Alegações Finais (fis.348/352)". Então, a decisão impugnada está em conformidade com a jurisprudência desta Corte Superior, pois, conforme o verbete n. 523 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: "No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu". 4. Agravo regimental improvido. Sustenta a defesa que o aresto seria omisso, uma vez que, condenado o embargante à pena de 2 anos de detenção, cujo trânsito em julgado para o Ministério Público ocorreu em 1º/11/2016, já teria transcorrido lapso superior a 4 anos sem início do cumprimento da pena, de modo que prescrita estaria a pretensão executória, consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Requer seja sanado o vício apontado, concedendo-se efeitos infringentes aos embargos. Impugnação apresentada. É o relatório. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO)(Relator): - Consoante relatado, busca a defesa o reconhecimento da prescrição da pretensão executória, salientando o transcurso do lapso prescricional sem início do cumprimento da pena, contado a partir do trânsito em julgado da condenação para o Ministério Público. Prevalece o entendimento de que, "Enquanto não modificada a interpretação do art. 112, I, do CP à luz do art. 5º, II e LVII, da CF, prevalece neste Superior Tribunal o entendimento de que o termo inicial para a contagem do prazo prescricional da pretensão executória é o trânsito em julgado da sentença condenatória para a acusação" (EDcl no AgRg no AgRg no AREsp 736.623/RJ, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 11/05/2021, DJe 18/05/2021), adotando-se a interpretação literal mais benéfica ao condenado. Considerando que o embargante foi condenado a 2 anos de detenção, no regime aberto, e 2 meses de suspensão da habilitação ou permissão para dirigir veículo automotor, evidencia-se que, nos termos do art. 109, V, c/c 110, § 1º, e 112, do CP, prescreve em 4 anos a pretensão executória, se o máximo da pena é igual a 1 ano ou, sendo superior, não excede a 2. Assim, transcorrido o referido lapso temporal desde o trânsito em julgado da sentença condenatória para o Ministério Público em 1º/11/2016 (fl. 507), sem que tenha iniciada a execução da pena, fica configurada a prescrição da pretensão executória. Ante o exposto, acolho os embargos de declaração para declarar prescrita a pretensão executória e determinar o arquivamento dos autos. É o voto.