EAREsp 2635782 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque os dispositivos invocados (art. 397 do CC/2002 e art. 25, II, do Decreto-Lei n. 167/1967) não têm alcance normativo sobre hipóteses interruptivas da prescrição, tornando a fundamentação recursal deficiente nos termos da Súmula 284/STF, e porque tais dispositivos não foram...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual (quarta Turma)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Prescrição Da Pretensão Executiva, Interrupção Da Prescrição, Prequestionamento, Súmula 284/stf, Súmulas 282 E 356/stf
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Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual (quarta Turma)
Legal Issues
- 1 Prescrição da pretensão executiva
- 2 Interrupção da prescrição com base em notificação extrajudicial
- 3 Alcance normativo dos arts. 397 do CC/2002 e 25, II, do Decreto-Lei n. 167/1967
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque os dispositivos invocados (art. 397 do CC/2002 e art. 25, II, do Decreto-Lei n. 167/1967) não têm alcance normativo sobre hipóteses interruptivas da prescrição, tornando a fundamentação recursal deficiente nos termos da Súmula 284/STF, e porque tais dispositivos não foram analisados pelo Tribunal de origem no enfoque pretendido, acarretando a ausência de prequestionamento e a incidência das Súmulas 282 e 356 do STF.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Nego provimento ao agravo interno.
- Publique-se e intimem-se.
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 05/11/2024 a 11/11/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTIVA. INTERRUPÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ALCANCE NORMATIVO DOS ARTIGOS INDICADOS. SÚMULA N. 284/STF. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. DECISÃO MANTIDA. 1. Considera-se deficiente, a teor da Súmula n. 284/STF, a fundamentação recursal que alega violação de dispositivos legais cujo conteúdo jurídico não tem alcance normativo para amparar a tese defendida no recurso especial. 2. A simples indicação dos dispositivos legais tidos por violados, sem que o tema tenha sido enfrentado pelo acórdão recorrido, obsta o conhecimento do recurso especial, por falta de prequestionamento, a teor das Súmulas n. 282 e 356 do STF. 3. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno (e-STJ fls. 159/162) interposto contra decisão desta relatoria que negou provimento ao agravo nos próprios autos, mantendo a inadmissibilidade do recurso especial (e-STJ fls. 154/156). Em suas razões, a agravante defende a inaplicabilidade das Súmulas n. 282, 284 e 356 do STF. No mérito, reitera as alegações de contrariedade aos arts. 397 do CC/2002 e 25, II, do Decreto-Lei n. 167/1967, para sustentar a prescrição da pretensão executiva da parte agravada. Acrescenta que, "se o devedor foi constituído em mora no vencimento da obrigação (artigo 397, do Código Civil), se o contrato possui vencimento em data certa (artigo 25, inciso II, do Decreto-Lei nº 167/1967), a notificação extrajudicial não detém sequer razão para sua existência, não sendo, portanto, causa para a considerada interrupção da prescrição" (e-STJ fl. 160). Ao final, pede a reconsideração da decisão monocrática ou a apreciação do agravo pelo Colegiado. Foram apresentadas contrarrazões, requerendo a condenação da agravante ao pagamento da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 (e-STJ fls. 168/173). É o relatório. EMENTA DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTIVA. INTERRUPÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ALCANCE NORMATIVO DOS ARTIGOS INDICADOS. SÚMULA N. 284/STF. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. DECISÃO MANTIDA. 1. Considera-se deficiente, a teor da Súmula n. 284/STF, a fundamentação recursal que alega violação de dispositivos legais cujo conteúdo jurídico não tem alcance normativo para amparar a tese defendida no recurso especial. 2. A simples indicação dos dispositivos legais tidos por violados, sem que o tema tenha sido enfrentado pelo acórdão recorrido, obsta o conhecimento do recurso especial, por falta de prequestionamento, a teor das Súmulas n. 282 e 356 do STF. 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO A insurgência não merece ser acolhida. A agravante não trouxe nenhum argumento capaz de afastar os termos da decisão agravada, motivo pelo qual deve ser mantida por seus próprios fundamentos (e-STJ fls. 154/156): Trata-se de agravo nos próprios autos (CPC/2015, art. 1.042) interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial, ante a ausência de demonstração da ofensa aos artigos de lei indicados (e-STJ fls. 119/121). O acórdão do TJSP traz a seguinte ementa (e-STJ fl. 80): AGRAVO DE INSTRUMENTO. Ação de Execução de Título Extrajudicial. Cédula de crédito rural. Decisão que rejeitou a alegação de prescrição. Inconformismo. Não acolhimento. Inocorrência. Decisão que acertadamente afastou a alegação de ocorrência de prescrição. Executados constituídos em mora. Interrupção da prescrição. Prescrição não configurada. Muitas e complexas alegações que clamam pelo contraditório. Questões que demandam dilação probatória na Origem. Decisão mantida. RECURSO NÃO PROVIDO. No recurso especial (e-STJ fls. 86/92), fundamentado no art. 105, III, "a", da CF, a recorrente requereu, preliminarmente, a concessão de efeito suspensivo à insurgência. Aduziu ofensa aos arts. 397 do CC/2002 e 25, II, do Decreto-Lei n. 167/1967, porque "o vencimento da cédula rural hipotecária constituiu automaticamente os devedores em mora, sendo desnecessária qualquer notificação para constituição do estado de inadimplência. Assim, considerando o vencimento constante da cédula, a notificação não pode representar marco interruptivo da prescrição" (e-STJ fl. 88). Acrescentou que: (a) "havendo termo estipulado no contrato (13/05/1996), a sua superveniência, sem que tenha havido o adimplemento da obrigação, é suficiente para a constituição do devedor em mora, sendo desnecessária a interpelação judicial ou extrajudicial, havendo, pois, a constituição automática da mora" (e-STJ fl. 90), e (b) "em se tratando de dívida positiva, líquida e com termo certo para adimplemento, é desnecessária qualquer interpelação ao devedor, vez que este incorre em mora automaticamente após o vencimento da obrigação (mora ex re)" (e-STJ fl. 90). Foram ofertadas contrarrazões (e-STJ fls. 97/113). No agravo (e-STJ fls. 124/127), afirma a presença de todos os requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta apresentada (e-STJ fls. 130/144). É o relatório. Decido. A fim de revisar o entendimento da Corte de apelação referente à interrupção da pretensão executiva da contraparte com base na notificação extrajudicial da devedora, a recorrente apontou violação dos arts. 397 do CC/2002 e 25, II, do Decreto-Lei n. 167/1967. Ocorre que tais dispositivos legais não possuem o alcance normativo pretendido, porque nada dispõem a respeito das hipóteses de interrupção da prescrição. Dessa forma, a fundamentação recursal mostra-se deficiente e atrai, por analogia, a Súmula n. 284/STF. Nesse aspecto: AgInt no AgInt no AREsp n. 984.530/SP, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 21/9/2017, DJe 20/10/2017, e AgInt no REsp n. 1.505.441/SC, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 27/6/2017, DJe 2/8/2017. A Corte local não se manifestou quanto aos arts. 397 do CC/2002 e 25, II, do Decreto-Lei n. 167/1967 sob o enfoque pretendido pela recorrente. Dessa forma, sem ter sido objeto de debate na decisão recorrida e ante a falta de aclaratórios no ponto, a matéria contida em tais dispositivos carece de prequestionamento e sofre, por conseguinte, o empecilho das Súmulas n. 282 e 356 do STF. Desprovido o recurso, descabe cogitar de efeito suspensivo. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Publique-se e intimem-se. Como destacado, considera-se deficiente, a teor da Súmula n. 284/STF, a fundamentação recursal que alega violação de dispositivos legais cujo conteúdo jurídico não tem alcance normativo para amparar a tese defendida no recurso especial. Os arts. 397 do CC/2002 e 25, II, do Decreto-Lei n. 167/1967 não têm alcance normativo para amparar a tese de inexistência da interrupção da pretensão executiva com fundamento na notificação extrajudicial da devedora, ora agravante, porque não tratam especificamente das hipóteses interruptivas da prescrição. Inafastável, desse modo, a Súmula n. 284/STF. Ademais, o conteúdo dos arts. 397 do CC/2002 e 25, II, do Decreto-Lei n. 167/1967 não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem sob o enfoque pretendido pela recorrente, qual seja, o implemento da prescrição executiva da contraparte, porque a Corte local concluiu pela necessidade de dilação probató ria, com o devido contraditório, antes de acolher a tese da prescrição (e-STJ fl. 82). A simples indicação de dispositivos e diplomas legais tidos por violados, sem que o tema tenha sido enfrentado pelo acórdão recorrido, obsta o conhecimento do recurso especial, por falta de prequestionamento. A agravante não embargou. Ressalte-se ainda que "o prequestionamento ficto somente pode ser reconhecido se a parte alegar expressamente sua incidência nos embargos declaratórios e justificar o vício de omissão nas razões do apelo especial" (AgInt no REsp n. 1.798.197/CE, Relator Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/4/2020, DJe 28/4/2020), o que não ocorreu. Do mesmo modo: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. PREQUESTIONAMENTO FICTO. ART. 1.025 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO LIMINAR. NÃO RECONHECIMENTO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência deste Sodalício é firme no sentido de que, à luz do Novo Código de Processo Civil, admite-se o prequestionamento ficto, contudo, é necessário que a parte aponte, no apelo nobre, e não somente nos embargos de declaração encaminhados ao Tribunal de origem, o vício no acórdão recorrido, para que se proceda ao debate acerca das matérias federais indicadas no recurso especial - exegese dos arts. 1.022 e 1.025 do CPC/2015, o que não ocorreu na presente hipótese. Precedentes. 2. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão se fez omisso, contraditório ou obscuro. Incidência da Súmula 284 do STF. .. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.772.010/CE, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 24/9/2019, DJe 21/10/2019.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA REQUERIDA. 1. Não havendo oposição de embargos de declaração na origem, resta inviabilizado o conhecimento da tese de negativa de prestação jurisdicional. Precedentes. 2. A ausência de enfrentamento da matéria objeto da controvérsia pelo Tribunal de origem impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento. Incidência da Súmula 282/STF. 3. Majorados para 16,5% (dezesseis e meio por cento) os honorários sucumbenciais, não há que se falar em afronta aos limites previstos no art. 85, §§ 2º e 11, do CPC/2015. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.385.697/MA, Relator Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 27/5/2019, DJe 3/6/2019.) Aplicáveis, dessa maneira, as Súmulas n. 282 e 356 do STF. Assim, não prosperam as alegações deduzidas, incapazes de alterar os fundamentos da decisão impugnada. Conforme a jurisprudência deste Tribunal Superior, a multa do art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 incide apenas na hipótese de o órgão colegiado considerar o recurso manifestamente inadmissível ou improcedente. Sobre o tema: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO CONHECIDO APENAS NO CAPÍTULO IMPUGNADO DA DECISÃO AGRAVADA. ART. 1.021, § 1º, DO CPC/2015. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA APRECIADOS À LUZ DO CPC/73. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE NÃO CONHECEU DO RECURSO ESPECIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA 7/STJ. PARADIGMAS QUE EXAMINARAM O MÉRITO DA DEMANDA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. REQUERIMENTO DA PARTE AGRAVADA DE APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO § 4º DO ART. 1.021 DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, IMPROVIDO. .. 3. A aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 não é automática, não se tratando de mera decorrência lógica do não provimento do agravo interno em votação unânime. A condenação do agravante ao pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso concreto, em decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno mostre-se manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou protelatória, o que, contudo, não ocorreu na hipótese examinada. 4. Agravo interno parcialmente conhecido e, nessa extensão, improvido. (AgInt nos EREsp 1.120.356/RS, Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 24/8/2016, DJe 29/8/2016.) A ora agravante apenas exerceu seu direito de petição, visando à reforma de uma decisão desfavorável a seus interesses, não se evidenciando conduta maliciosa ou temerária a ensejar a aplicação da mencionada sanção processual. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.