AREsp 2702418 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o agravante não demonstrou dissenso com a orientação do STJ nem colacionou precedentes contemporâneos ou distinções capazes de afastar o óbice da Súmula 83; o entendimento consolidado no Tema 190/STJ mantém a incidência da Súmula 231, impedindo a redução da pena abaixo do mínimo...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 January 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo/regimental (inadmissão De Recurso Especial)
- Outcome
- Nego provimento ao agravo em Recurso Especial.
- Legal Topics
- Prescrição Da Pretensão Punitiva, Atenuante Da Confissão Espontânea, Redução Da Pena Abaixo Do Mínimo Legal, Súmula 83 Do STJ, Súmula 231 Do STJ, Tema 190/stj, Inadmissão De Recurso Especial E Requisitos De Admissibilidade, Agravo Interno Vs Agravo Em Recurso Especial (art. 1.030 Cpc)
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Procedural Posture
Agravo Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo/regimental (inadmissão De Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva (art. 109, VI, CP)
- 2 Aplicação da atenuante da confissão e possibilidade de redução da pena abaixo do mínimo legal (art. 65, III, d, CP)
- 3 Incidência das Súmulas 83 e 231 do STJ
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o agravante não demonstrou dissenso com a orientação do STJ nem colacionou precedentes contemporâneos ou distinções capazes de afastar o óbice da Súmula 83; o entendimento consolidado no Tema 190/STJ mantém a incidência da Súmula 231, impedindo a redução da pena abaixo do mínimo legal por atenuantes; e a contagem do prazo prescricional foi corretamente retomada com a revogação da suspensão condicional do processo, não havendo prescrição.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo em Recurso Especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo em Recurso Especial.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial manejado pelo ora agravante, em virtude do óbice da Súmula 83 do STJ. O agravante requer o reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva, na forma do art. 109, VI, do Código Penal, bem como o afastamento da Súmula 231 do STJ, que impede a redução da pena abaixo do mínimo legal, para fins de diminuição da pena em razão da confissão espontânea (art. 65, III, do CPB). Sustenta que não há jurisprudência consolidada sobre as questões debatidas, tornando indevida a aplicação da Súmula 83 para obstar o seguimento do recurso. (e-STJ fls. 338/340). Contraminuta apresentada (e-STJ fls. 360/365). Parecer do Ministério Público Federal pelo "não conhecimento do agravo. Caso conhecido, pelo não conhecimento do recurso especial." (e-STJ fls. 384/390). É o relatório. Decido. O Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial interposto pela parte agravante com amparo nos seguintes fundamentos (e-STJ fls. 338/340): 1.1. Da alegada violação ao art. 110 do Código Penal. Entende a defesa técnica que "o mencionado artigo foi violado pois, mesmo após demonstrado ao Tribunal de Justiça a ocorrência da prescrição, a mesma não foi reconhecida" (evento 33, doc. 1). (..) É que o seu entender está sufragado em idêntico posicionamento das duas Turmas competentes do Superior Tribunal de Justiça, incidindo na espécie a sua Súmula n. 83 ("Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida"). (..) 2.1. Da alegada violação ao art. 65, inc. III, alínea "d", do Código Penal, e da suscitada divergência jurisprudencial relativamente a ele. Segundo a defesa técnica, "nos presentes autos foi reconhecida a atenuante da confissão qualificada na segunda fase de aplicação da pena, contudo, deixou de ser aplicada por conta de vedação jurisprudencial (Enunciado da Súmula 231 do STJ). Desta forma, não produziu nenhum reflexo na pena do recorrente, pois o Tribunal de Justiça argumentou que a pena não poderia ficar abaixo do mínimo legal, tendo em vista o óbice da Súmula 231. Desse modo, manteve a pena no patamar fixado. Violando, portanto, o disposto no artigo 65, III, d, do Código Penal, não foi reconhecida a atenuante da confissão" (evento 33, doc. 1). (Negritei e sublinhei) Nessa perspectiva, sabe-se que o tema em debate já foi alvo de multiplicidade de recursos com o mesmo desiderato, sendo que, sob a relatoria da Ministra Laurita Vaz, a Corte Superior de Justiça firmou entendimento no sentido de que a incidência da circunstância atenuante não pode conduzir a redução da pena para patamar abaixo do mínimo legal (TEMA 190/STJ). (..) Portanto, verifica-se que o acórdão objurgado decidiu em consonância ao entendimento da matéria por parte do Tribunal da Cidadania em demanda relativa ao rito dos recursos repetitivos (TEMA 190/STJ), de modo que se aplica ao ponto o disposto no art. 1.030, inc. I, alínea "b", do Código de Processo Civil, a fim de que seja negado seguimento. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que "a decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. (..) A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais" (EAREsp 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, redator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018). Esse posicionamento vem guiando a jurisprudência das Turmas Criminais desta Corte, como se nota a partir dos acórdãos que consignam que "a falta de impugnação específica aos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial obsta o conhecimento do agravo, nos termos dos arts. 932, III, do CPC, e 253, parágrafo único, I, do RISTJ e da Súmula 182 do STJ, aplicável por analogia" (AgRg no AREsp 2.225.453/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 7/3/2023, DJe de 13/3/2023; AgRg no AREsp 1.871.630/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 14/2/2023). Postas essas premissas, verifica-se, inicialmente, que o Tribunal de origem negou seguimento ao recurso especial em relação ao argumento da violação do art. 65, III, do Código Penal, com base no Tema n. 190 do STJ. Nesse aspecto, de acordo com o disposto no art. 1.030, § 2º, do CPC/2015, cabe agravo interno contra decisão que nega seguimento a recurso especial interposto contra acórdão que está em conformidade com o entendimento do STF ou do STJ exarado no julgamento de recursos repetitivos. Na hipótese dos autos, a decisão de inadmissibilidade do recurso especial fundamentou-se, em parte, no entendimento do STJ firmado no julgamento do Tema Repetitivo n. 190. Portanto, conclui-se que, no caso em questão, a utilização exclusiva do agravo em recurso especial para contestar a decisão que negou seguimento ao recurso especial configura erro grosseiro. Esse equívoco inviabiliza a aplicação do princípio da fungibilidade recursal, resultando no não conhecimento do recurso. A propósito: " .. "se a negativa de seguimento ao recurso especial estiver amparada no fundamento de que o acórdão recorrido está alinhado a entendimento exarado pelo STF ou pelo STJ sob a sistemática dos repetitivos, o recurso cabível em face de tal decisão será o agravo interno para o próprio Tribunal originário. Inteligência do art. 1.030, I, b, e § 2º, do Código de Processo Civil" (AgRg no AREsp n. 1.076.600/BA, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/4/2018)" 3. Agravo regimental desprovido" (AgRg no AREsp n. 2.405.455/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe de 23/2/2024). Em seguida, observo que o recurso especial foi inadmitido com base no óbice previsto na Súmula 83 do STJ em relação ao artigo 110 do Código Penal. Nas razões do agravo em recurso especial, todavia, a parte limitou-se a afirmar que "não há que se falar acerca da aplicação da súmula 83 do STJ, uma vez que não há entendimento consolidado neste C. STJ sobre a matéria ventilada no Recurso Especial, ou seja, sobre art. 110 c/c art. 65, III, d, ambos do Código Penal, ou ainda, em relação à divergência jurisprudencial" (e-STJ fl. 355). Na esteira da jurisprudência dominante desta Corte, a superação do óbice da Súmula 83/STJ exige que o recorrente colacione precedentes deste Superior Tribunal de Justiça, contemporâneos ou supervenientes a seu favor, ou demonstre alguma distinção entre os julgados mencionados na decisão agravada e o caso em exame, o que não fez. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL PENAL. ROUBO MAJORADO. DECISÃO DE INADMISSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA. SÚMULA N. 182/STJ. INCIDÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A decisão que, na origem, ensejou a inadmissão dos recursos especiais, pautou-se nos óbices das Súmulas n. 7 e 83 do STJ. Todavia, nos respectivos agravos, as defesas deixaram de rebater, de forma concreta e arrazoada, o último dos fundamentos. 2. Especificamente, no que diz respeito à impugnação da Súmula 83/STJ, conforme a assente jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, incumbe à parte apontar julgados, deste Superior Tribunal, contemporâneos ou supervenientes sobre a matéria, procedendo ao cotejo entre eles a fim de demonstrar que a orientação desta Corte Superior é diversa da do Tribunal a quo ou que não se encontra pacificada, ou mesmo demonstrar a existência de distinção do caso tratado nos autos, o que não ocorreu na espécie (AgRg no AREsp n. 2.253.769/PR, relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 14/08/2023, DJe de 18/08/2023). 3. Conclui-se, portanto, que os agravos em recurso especial não preencheram os requisitos de admissibilidade, uma vez que deixaram de impugnar, de forma dialética, todos os fundamentos da decisão que, na origem, ensejaram a inadmissão do apelo nobre, o que faz incidir a Súmula n. 182/STJ e o comando do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil, aplicável à seara processual penal por força do art. 3º do Código de Processo Penal. 4. Agravo Regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.578.837/SC, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, julgado em 11/6/2024, DJe de 17/6/2024). Efetivamente, para superar o óbice da Súmula 83/STJ exige-se que o recorrente colacione precedentes deste Superior Tribunal de Justiça, contemporâneos ou supervenientes a seu favor, ou demonstre alguma distinção entre os julgados mencionados na decisão agravada e o caso em exame. Com efeito, o recorrente requer a superação do entendimento firmado no enunciado da Súmula 231/STJ pugnando pela fixação da pena-base abaixo do mínimo legal tendo em vista o reconhecimento das atenuantes da confissão espontânea e da menoridade relativa. Destaca-se que o conteúdo do enunciado da Súmula n. 231 desta Corte continua hígido e ainda aplicável aos casos em julgamento, razão pela qual a decisão do Tribunal de origem não merece reparos, encontra-se em consonância com a jurisprudência desta Corte, conforme se infere das ementas abaixo: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTELIONATO. ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE DE REDUÇÃO DA PENA AQUÉM DO MÍNIMO LEGAL. SÚMULA N. 231 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Nos termos da Súmula n. 231 do STJ, "a incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal". 2. "A incidência do verbete n. 231/STJ permanece firme na jurisprudência desta Corte e o Agravante não trouxe argumento idôneo que, em tese, poderia justificar uma modificação do entendimento acerca do tema (overruling)" (AgRg no AREsp n. 2.243.342/PA, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 2/5/2023, DJe de 9/5/2023.) 3.Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 915.328/DF, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18/6/2024, DJe de 21/6/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. DOSIMETRIA. PRETENSÃO DE FIXAÇÃO DA PENA INTERMEDIÁRIA EM PATAMAR AQUÉM DO MÍNIMO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 231 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Embora reconhecidas as atenuantes da confissão e da menoridade relativa, a negativa de redução da reprimenda, na segunda fase da dosimetria, está de acordo com o disposto no enunciado n. 231 da Súmula do STJ, o qual prescreve: "a incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal", não havendo, portanto, nada que justifique a concessão da ordem, de ofício. 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 840.009/MG, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 19/6/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MOEDA FALSA. DOSIMETRIA. SEGUNDA FASE. ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. REDUÇÃO ABAIXO DO MÍNIMO LEGAL. SÚMULA N. 231 DO STJ. APLICABILIDADE MANTIDA. REGIME FECHADO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O acórdão recorrido está em consonância com a orientação firmada no Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual a incidência de circunstância atenuante, como a confissão espontânea, não pode conduzir à redução da pena para aquém do mínimo legal, conforme dispõe a Súmula n. 231 do STJ. 2. Conquanto haja sido afetado à Terceira Seção o julgamento da questão, a "incidência do verbete n. 231/STJ permanece firme na jurisprudência desta Corte (..)" (AgRg no AREsp n. 2.243.342/PA, Rel. Ministra Laurita Vaz, 6ª T., DJe 9/5/2023). 3. "O regime inicial fechado é o adequado para o cumprimento da pena superior a 4 e não excedente a 8 anos, em razão da reincidência da acusada, a teor do art. 33, §§ 2º, do Código Penal" (HC n. 470.694/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, 5ª T., DJe 23/10/2018). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 2.522.067/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 21/5/2024, DJe de 28/5/2024.) DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. ROUBO. ATENUANTE DA CONFISSÃO. REDUÇÃO DA PENA ABAIXO DO MÍNINO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 231, STJ. PLENA APLICABILIDADE. SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SOBRESTAMENTO DO FEITO. INEXISTÊNCIA DE DETERMINAÇÃO. PRECEDENTES. SÚMULA N. 568, STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I- A Defesa pretende a redução da pena abaixo do mínimo legal, em razão da incidência da atenuante da confissão na segunda fase da dosimetria. II- Entretanto, esta Corte Superior de Justiça, ao apreciar o Tema Repetitivo n. 190, pacificou o entendimento segundo o qual a aplicação de circunstância atenuante não pode implicar redução da reprimenda para aquém da pena mínima legalmente prevista. III - A Terceira Seção se debruçou novamente sobre o tema, por ocasião do julgamento dos Recursos Especiais nº. 1.869.764/MS, 2.052.085/TO e 2.057.181/SE, oportunidade em que concluiu, por maioria, pela rejeição da proposta de cancelamento do referido enunciado sumular. Em que pese ainda não ter havido o trânsito em julgado dessa decisão, é certo que a Terceira Seção não determinou o sobrestamento dos processos pendentes no tocante à matéria, o que autoriza a conclusão do caso concreto para manter o entendimento de ser impossível a redução da pena abaixo do mínimo legal na segunda fase da dosimetria, ainda que pela confissão. IV- Neste agravo regimental, não foram apresentados argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, razão pela qual deve ser mantida a decisão agravada por seus próprios e jurídicos fundamentos. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 2.163.440/PA, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 8/10/2024, DJe de 22/10/2024.) Quanto ao reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva estatal, a Corte de origem assim se manifestou (e-STJ fl. 293): De fato, a pena fixada para cada delito - 6 meses de detenção - possui o prazo prescricional de 3 anos, à luz do que determina o art. 109, VI, do Código Penal. O caso, entretanto, não é de prescrição da pretensão punitiva, na forma retroativa. Isso porque, entre a data do recebimento da denúncia (24.09.2020) e a data da suspensão condicional do processo e do prazo prescricional (10.11.2020) transcorreu o tempo de 1 mês e 16 dias. Ainda, entre a data da revogação da suspensão condicional do processo (24.01.2022) e a publicação do acórdão condenatório (12.03.2024), deu-se o intervalo de 2 anos, 1 mês e 18 dias, totalizando o lapso temporal de 2 anos, 3 meses e 4 dias, inferior, portanto, ao prazo prescricional de 3 anos. Assim, verifica-se que, considerando o período em que o processo permaneceu suspenso, não foi atingido o lapso de 3 anos. No caso, a contagem do prazo prescricional é retomada com a decisão que revoga o benefício da suspensão condicional do processo, de modo que a decisão não merece reparos. Nesse sentido: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO (SURSI PROCESSUAL). PRAZO PRESCRICIONAL. RETOMADA DA CONTAGEM COM A REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus substitutivo e afastou a alegação de prescrição da pretensão punitiva. O paciente foi condenado à pena de 6 meses de detenção e 10 dias-multa por crime processado com benefício de suspensão condicional do processo, revogado em razão de descumprimento das condições. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão central consiste em definir o momento da retomada do prazo prescricional: (i) se a partir do último descumprimento das condições do sursis processual, ou (ii) da decisão judicial que revogou o benefício da suspensão condicional do processo. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A contagem do prazo prescricional, após a concessão de suspensão condicional do processo, é retomada a partir da data em que ocorre a revogação formal do benefício pela decisão judicial, e não do momento do descumprimento das condições impostas, conforme entendimento consolidado pela jurisprudência desta Corte. 4. No caso concreto, o sursis processual foi revogado em 29/7/2019, com a subsequente retomada da ação penal, sendo o paciente condenado em 6/6/2022. Considerando-se as interrupções e suspensões processuais, o prazo prescricional de 3 anos não foi ultrapassado, conforme cálculo detalhado pelas instâncias ordinárias. 5. Não há flagrante ilegalidade ou irregularidade que justifique a concessão de habeas corpus de ofício, sendo inviável, neste caso, a reanálise do conjunto fático-probatório. IV. DISPOSITIVO 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 860.518/SC, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 8/10/2024, DJe de 14/10/2024.) Ante o exposto, ausente demonstração do preenchimento dos requisitos processuais, nego provimento ao agravo em Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA