AREsp 2838964 - DECISAO
Aplicou-se o art. 110, § 1º do CP (não havendo recurso ministerial) e, com fundamento no art. 109, VI, do CP, verificou-se que as penas aplicadas são inferiores a um ano, implicando prazo prescricional de três anos; descontado o período de suspensão, o lapso entre o recebimento da denúncia e a publicação da sentença...
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- Parties
- Agravante: MARIVALDO DE SOUZA RODRIGUES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Declaro extinta a punibilidade estatal de MARIVALDO DE SOUZA RODRIGUES pela prescrição da pretensão punitiva; agravo em recurso especial prejudicado.
- Legal Topics
- Prescrição Da Pretensão Punitiva, Extinção Da Punibilidade, Embriaguez Ao Volante (art. 306 Ctb), Desacato (art. 331 Cp)
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Parties
MARIVALDO DE SOUZA RODRIGUES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 Ocorrência da prescrição da pretensão punitiva
- 2 Aplicação do art. 110, § 1º, do Código Penal
- 3 Contagem do prazo prescricional após trânsito em julgado para a acusação
Ratio Decidendi
Aplicou-se o art. 110, § 1º do CP (não havendo recurso ministerial) e, com fundamento no art. 109, VI, do CP, verificou-se que as penas aplicadas são inferiores a um ano, implicando prazo prescricional de três anos; descontado o período de suspensão, o lapso entre o recebimento da denúncia e a publicação da sentença configurou a prescrição da pretensão punitiva, levando à extinção da punibilidade e ao julgamento do agravo em recurso especial como prejudicado.
Court Disposition
Declaro extinta a punibilidade estatal de MARIVALDO DE SOUZA RODRIGUES pela prescrição da pretensão punitiva; agravo em recurso especial prejudicado.
Orders
- Declaro extinta a punibilidade estatal de MARIVALDO DE SOUZA RODRIGUES pela prescrição da pretensão punitiva.
- Julgo prejudicado o agravo em recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por MARIVALDO DE SOUZA RODRIGUES contra a decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS que inadmitiu recurso especial dirigido contra o acórdão prolatado na Apelação Criminal n. 0003383-67.2015.8.27.2706/TO. O Ministério Público Federal apresentou parecer opinando pelo reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva (fls. 542/544). É o relatório. Como bem observado pelo parecer ministerial, está caracterizada a prescrição da pretensão punitiva. De acordo com o art. 110, § 1º, do Código Penal, a prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada. Aplica-se o dispositivo ao caso dos autos, pois não houve recurso ministerial contra o acórdão proferido pelo Tribunal de origem. Transcrevo, por pertinente, trecho do parecer subscrito pela Subprocuradora-Geral da República Sônia Maria de Assunção Macieira (fls. 543/544 - grifos no original): Na hipótese, Marivaldo de Souza Rodrigues foi condenado pela prática dos delitos tipificados nos arts. 306, caput, do Código de Trânsito Brasileiro (embriaguez ao volante), e 331, caput, do Código Penal (desacato), em concurso material de crimes, às seguintes penas: (i) art. 306, caput, CTB: 6 (seis) meses de detenção; (ii) art. 331, caput, CP: 8 (oito) meses e 7 (sete) dias de detenção. No caso, as duas penas cominadas ao Agravante são inferiores a 1 (um) ano, razão pela qual a prescrição se verifica em 3 (três) anos, conforme art. 109, VI, do CP. Entende esse Tribunal Superior que depois do advento da Lei n.º 12.234/2010, ocorreu a derrogatória do art. 110, § 1.º, do Código Penal, e assim a contagem da prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação, ou depois de improvido seu recurso, regular-se-ia pela pena em concreto aplicada ao condenado, não se admitindo, durante este interstício, a contagem do termo a quo com data anterior à do recebimento da denúncia ou da queixa. Na espécie temos a ocorrência do trânsito em julgado para a acusação apenas depois de proferido o acórdão em apelação, razão pela qual, não poderia o Tribunal de origem reconhecer a prescrição, todavia na fase que se encontra os autos, é possível o reconhecimento, senão vejamos. Consoante o consignado nas contrarrazões ministeriais, o STJ decidiu da seguinte forma: " 6. Conforme ora pontuado pelo Agravante, bem como já reconhecido pelo Parquet nas contrarrazões ao Recurso Especial então interposto (evento 34), ocorreu a prescrição da pretensão punitiva estatal considerando o lapso transcorrido entre o recebimento da denúncia (18/03/2015) e a publicação da sentença condenatória (07/03/2024), mesmo computando-se o período em que a ação permaneceu suspensa (entre 21/09/2018 a 28/09/2023). 17. É dizer, decotando-se o prazo de suspensão, transcorreu o lapso de 3 (três) anos, 11 (onze) meses e 10 (dez) dias entre o recebimento da denúncia e a publicação da sentença condenatória. 18. Nesse cenário, forçoso concluir pela extinção da punibilidade do Agravante, relativamente aos dois delitos perpetrados, na medida em que ocorreu a prescrição da pretensão punitiva pela pena em concreto" (e-STJ Fl.516). Sendo assim, conforme o art. 109, VI, do CP, o Ministério Público Federal opina pelo reconhecimento da extinção da punibilidade do recorrente. Ante o exposto, declaro extinta a punibilidade estatal de MARIVALDO DE SOUZA RODRIGUES pela prescrição da pretensão punitiva e, por consequência, julgo prejudicado o agravo em recurso especial. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL. PROCESSUAL PENAL. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. Declarada extinta a punibilidade. Agravo em recurso especial prejudicado.