REsp 2202695 - DECISAO
Não conheço do recurso especial porque o recorrente não comprovou o alegado dissídio jurisprudencial mediante o cotejo analítico exigido; subsidiariamente, aplica-se a teoria da actio nata, e, no caso concreto, a pretensão estava prescrita em razão do saque da conta PASEP em 1992.
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 May 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (não Conhecido)
- Outcome
- Recurso não conhecido
- Legal Topics
- Prescrição Decenal, PASEP, Ação Indenizatória, Dissídio Jurisprudencial, Tema 1.150 STJ, Teoria Da Actio Nata
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Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (não Conhecido)
Legal Issues
- 1 Termo inicial da prescrição para pretensão de ressarcimento por desfalques em conta vinculada ao PASEP
- 2 Existência de dissídio jurisprudencial sobre a interpretação do art. 205 do Código Civil
- 3 Requisitos formais para demonstração de divergência jurisprudencial nos autos de Recurso Especial
Ratio Decidendi
Não conheço do recurso especial porque o recorrente não comprovou o alegado dissídio jurisprudencial mediante o cotejo analítico exigido; subsidiariamente, aplica-se a teoria da actio nata, e, no caso concreto, a pretensão estava prescrita em razão do saque da conta PASEP em 1992.
Court Disposition
Recurso não conhecido
Orders
- Não conheço do recurso especial.
- Caso tenham sido fixados honorários sucumbenciais anteriormente pelas instâncias ordinárias, majoro-os em 10% observados os limites e parâmetros dos §§ 2º, 3º e 11 do artigo 85 do CPC/2015 e eventual Gratuidade da Justiça (§ 3º do artigo 98 do CPC/2015).
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "c", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TJDFT, assim ementado: PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS E MORAIS. CONTA VINCULADA AO PASEP. PRESCRIÇÃO DECENAL. TEMA 1.150 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. TERMO INICIAL DA PRESCRIÇÃO. TEORIA DA ACTIO NATA. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. Ao apreciar o Tema 1.150, o STJ firmou o seguinte entendimento: "a pretensão ao ressarcimento dos danos havidos em razão dos desfalques em conta individual vinculada ao Pasep se submete ao prazo prescricional decenal previsto pelo artigo 205 do Código Civil". 2. O termo inicial de contagem do referido prazo, à luz da teoria da actio nata, é a data em que o beneficiário da conta individual teve ciência do saldo ou do saque que reputa indevido, o que coincide, no caso concreto, com o momento em que os valores depositados em conta vinculada ao PASEP foram sacados. 3. No caso concreto, considerando que a apelante se aposentou em 1992 e, no mesmo ano, sacou o saldo da sua conta PASEP, a pretensão se encontra fulminada pela prescrição. 4. Apelação não provida. Unânime. No recurso especial, o recorrente aponta divergência jurisprudencial na interpretação do art. 205 do Código Civil, defendendo que o acórdão recorrido incorreu em erro ao fixar como termo inicial da prescrição a data do saque dos valores da conta Pasep, e não o momento em que o titular comprovadamente toma ciência do desfalque e da extensão dos seus efeitos. Sustenta que tal entendimento diverge da orientação firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Tema 1.150, em que se definiu que o prazo prescricional decenal inicia-se apenas quando o titular, de forma inequívoca, conhece o fato e a extensão das consequências decorrentes da má-gestão do fundo. Sem contrarrazões. Juízo positivo de admissibilidade. É o relatório. Passo a decidir. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. O recurso não merece prosperar. O alegado dissídio jurisprudencial não foi comprovado nos moldes estabelecidos nos artigos 1.029, § 1º, do CPC/2015 e 255, § 1º do RISTJ, tendo em vista que não foi realizado o devido cotejo analítico, com a demonstração clara do dissídio entre os casos confrontados, identificando os trechos que os assemelhem, não se oferecendo, como bastante, a simples transcrição de ementas ou votos. A demonstração da divergência jurisprudencial, por meio do necessário cotejo analítico, exige que a parte recorrente comprove, de forma minuciosa, as semelhanças fáticas e jurídicas entre os casos, evidenciando divergências interpretativas sobre pontos de direito idênticos. A falta dessa análise detalhada, com a confrontação direta dos elementos que configuram o alegado dissídio, impede o reconhecimento da divergência, uma vez que a mera transcrição de ementas ou trechos isolados de decisões, sem aprofundamento comparativo, não atende ao requisito jurisprudencial exigido por esta Corte Superior. A propósito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 5º, LIV, DA CF/88. INVIABILIDADE DE ANÁLISE EM RECURSO ESPECIAL. COMPETÊNCIA DO STF. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. SÚMULA 211/STJ. PREQUESTIONAMENTO FICTO. QUESTÃO DE FATO. NÃO APLICAÇÃO DO ART. 1.025 DO CPC/2015. REQUISITOS DA CDA. NECESSIDADE DE REVISÃO DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO.
9. A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fático-jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar o entendimento legal divergente. 10. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais (art. 541, parágrafo único, do CPC e art. 255 do RI/STJ) impede o conhecimento do Recurso Especial com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal. 11. A parte recorrente não realizou o adequado cotejo entre o acórdão recorrido e as decisões que aponta como paradigmas. Limitou-se a transcrever trechos dos julgados que aponta como paradigmas, sem, contudo, esclarecer de forma detalhada quais circunstâncias identificam ou assemelham os casos confrontados, bem como as soluções jurídicas dadas em cada hipótese. 12. Recurso Especial não conhecido. (REsp n. 1.766.829/ES, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 13/11/2018, DJe de 21/11/2018.) Ante o exposto, não conheço do recurso especial. Caso tenham sido fixados honorários sucumbenciais anteriormente pelas instâncias ordinárias, majoro-os em 10% (dez por cento), observados os limites e parâmetros dos §§ 2º, 3º e 11 do artigo 85 do CPC/2015 e eventual Gratuidade da Justiça (§ 3º do artigo 98 do CPC/2015). Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. PASEP. PRESCRIÇÃO DECENAL. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO CONHECIDO.