AREsp 2505534 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem analisou e fundamentou adequadamente a controvérsia, houve falta de prequestionamento de algumas matérias, incidiu a Súmula 126 do STJ em razão de trânsito em julgado do fundamento constitucional e não foi demonstrado dissídio jurisprudencial nos...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 February 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial (não Conhecido)
- Outcome
- Recurso Especial não conhecido
- Legal Topics
- Prescrição Quinquenal, Competência Dos Juizados Especiais Da Fazenda Pública, Prequestionamento, Súmula 126 Do STJ, Honorários Advocatícios (art. 85, § 11, Cpc/2015)
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Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial (não Conhecido)
Legal Issues
- 1 Conhecimento de recurso especial e requisitos de admissibilidade (prequestionamento)
- 2 Incidência da Súmula 126 do STJ por trânsito em julgado de fundamento constitucional
- 3 Competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública vs. escolha pelo rito comum
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem analisou e fundamentou adequadamente a controvérsia, houve falta de prequestionamento de algumas matérias, incidiu a Súmula 126 do STJ em razão de trânsito em julgado do fundamento constitucional e não foi demonstrado dissídio jurisprudencial nos termos exigidos pelo art. 1.029 do CPC/2015, tornando inviável o conhecimento do recurso.
Court Disposition
Recurso Especial não conhecido
Orders
- Não conhecer do recurso especial
- Conhecer do agravo quanto à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação de obrigação de fazer referente a verbas salariais. Na sentença, julgou-se o pedido parcialmente procedente. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 20.403,97 (Vinte mil, quatrocentos e três reais e noventa e sete centavos). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA PARAÍBA contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: COBRANÇA. SERVIDORA PÚBLICA. CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA POR EXCEPCIONAL INTERESSE PÚBLICO. PEDIDO DE INDENIZAÇÃO PELA NÃO REALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS NO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO - FGTS E DE PAGAMENTO DAS FÉRIAS, ACRESCIDAS DO TERÇO CONSTITUCIONAL, E DE DIFERENÇAS SALARIAIS ORIUNDAS DA REMUNERAÇÃO INFERIOR AO SALÁRIO-MÍNIMO. PROCEDÊNCIA PARCIAL. APELAÇÃO. RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TESE ADOTADA NA SENTENÇA. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DESSA FRAÇÃO DO RECURSO. CONHECIMENTO DA FRAÇÃO RESTANTE. APLICAÇÃO DO RITO DOS JUIZADOS ESPECIAIS DA FAZENDA PÚBLICA OU DE SUSPENSÃO EM RAZÃO DA PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE IRDR. USO DO RITO COMUM. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PROCESSUAL. PROVIMENTO NEGADO. 1. Verificado que a fundamentação adotada na Sentença coincide com a argumentação recursal, resta configurada a falta de interesse recursal da parte Apelante. 2. O pedido de aplicação do rito dos Juizados Especiais da Fazenda Pública ou de suspensão do processo em razão da pendência de análise da referida matéria por meio de IRDR tornam-se inócuos quando ocorre a tramitação do processo pelo rito comum sem ensejar prejuízo às partes. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: Quanto ao referido tema, filio-me ao entendimento de que a tramitação do processo pelo rito comum por escolha do Apelado não enseja prejuízo processual às partes, tornando inócua a discussão da1matéria constante do procedimento incidental (competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública)na hipótese vertente. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Por outro lado, considerando que não foi interposto recurso extraordinário contra o julgado vergastado, verificou-se o trânsito em julgado do fundamento constitucional, o que faz com que na hipótese incida o enunciado da Súmula n. 126 do Superior Tribunal de Justiça, inviabilizando a análise do recurso especial. Relativamente às demais alegações de violação dos arts. 320, 373 e 982 do CPC/2015, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA