REsp 2168057 - DECISAO
Não houve omissão no acórdão recorrido; o Tribunal a quo enfrentou a questão, o Município não comprovou a existência de causa interruptiva ou suspensiva da prescrição nem juntou os acordos assinados, e os parcelamentos alegadamente rompidos em 04/12/2011 e 01/01/2017 implicaram prescrição do crédito tributário antes...
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- Parties
- Recorrente: MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 September 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática (julgamento)
- Outcome
- Conheço em parte do recurso especial e nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Prescrição Tributária, Execução Fiscal, Parcelamento De Dívida, Honorários Advocatícios, Embargos De Declaração, Recurso Repetitivo
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Parties
MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática (julgamento)
Legal Issues
- 1 Momento da interrupção da prescrição em razão de parcelamento da dívida tributária
- 2 Marco inicial da contagem da prescrição do IPTU
- 3 Omissão alegada nos termos do art. 1.022 do CPC/2015
Ratio Decidendi
Não houve omissão no acórdão recorrido; o Tribunal a quo enfrentou a questão, o Município não comprovou a existência de causa interruptiva ou suspensiva da prescrição nem juntou os acordos assinados, e os parcelamentos alegadamente rompidos em 04/12/2011 e 01/01/2017 implicaram prescrição do crédito tributário antes do ajuizamento da execução fiscal, razão pela qual o recurso especial não merece provimento; majoram-se honorários recursais em 10%.
Court Disposition
Conheço em parte do recurso especial e nego-lhe provimento.
Orders
- Manter a sentença que acolheu a exceção de pré-executividade e extinguiu a execução fiscal
- Majorar em 10% o montante dos honorários advocatícios anteriormente fixados a título de honorários recursais
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto pelo MUNICÍPIO DE SÃO PAULO contra acórdão prolatado, por unanimidade, pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 526e): APELAÇÃO EXECUÇÃO FISCAL EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE IPTU EXERCÍCIOS DE 2010 e 2013 MUNICÍPIO DE SÃO PAULO Sentença que acolheu a exceção de pré-executividade. Apelo do exequente. IPTU PRESCRIÇÃO O Superior Tribunal de Justiça, nos Recursos Especiais nº 1.641.011/PA e nº 1.658.517/PA, submetidos ao julgamento dos Recursos Repetitivos (art.1.036 e seguintes do CPC/2015 e art. 543-C do CPC/73),fixou a tese de que o marco inicial para contagem do prazo de prescrição da cobrança judicial do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) é o dia seguinte à data estipulada para o vencimento da cobrança do tributo, bem como que o parcelamento da dívida tributária realizado de ofício pela Fazenda Pública não configura causa suspensiva da contagem da prescrição. Caso nos autos não conste a data do vencimento do tributo, outra data pode ser usada que sinalize o término do lançamento, o que a jurisprudência tem escolhido como sendo o dia 1º de janeiro do ano respectivo Havendo causa interruptiva da prescrição, cuja lista taxativa se encontra no art. 174, parágrafo único, o prazo recomeça da data dessa causa A interrupção da prescrição retroage à data da propositura da ação (R Esp. 1120295/SP) Ocorrendo a prescrição o crédito tributário é extinto Precedentes do STJ e do TJSP. EXERCÍCIOS DE 2010 E 2013 Vencimentos em09/05/2010 e 09/02/2013 (fls. 02/03) Execução fiscal ajuizada somente em 26/05/2022 (conforme consulta processual) Crédito tributário prescrito antes do ajuizamento da execução fiscal Embora o Município alegue a interrupção do prazo prescricional pela celebração de acordo de parcelamento do débito (fls. 27), deixou de trazer aos autos cópia dos referidos acordos devidamente assinados Inexistência de interrupção ou suspensão do prazo prescricional Ademais, verifica-se que, conforme alegado pelo Município (fls.27),os acordos de parcelamento dos exercícios de 2010 e 2013 teriam sido rompidos, respectivamente, em 04/12/2011 e 01/01/2017,ou seja, mais de cinco anos antes do ajuizamento da execução fiscal Prescrição reconhecida. Honorários advocatícios fixados nos percentuais mínimos para as faixas previstas no artigo 85, §§ 3º e 5º, do Código de Processo Civil - HONORÁRIOS RECURSAIS Majoração nos termos do artigo 85, §11 do Código de Processo Civil de 2015 POSSIBILIDADE Observância ao disposto nos §§ 2º a 6º do artigo 85, bem como aos limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do respectivo artigo Majoração da verba honorária em 1% (um por cento). Sentença mantida Recurso desprovido. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, a Recorrente aponta ofensa a dispositivos legais, alegando, em síntese: _ Art. 1.022 do CPC/2015 - A Corte de origem omitiu-se sobre questão relevante para o deslinde da controvérsia sobre o momento em que o parcelamento interrompeu a prescrição. Isso porque não foi enfrentado o argumento de que não obstante o entendimento acerca de o parcelamento ter sido rompido em "04/12/2011 e 01/01/2017, ou seja, mais de cinco anos antes do ajuizamento da execução fiscal", de rigor o rompimento ocorreu em 05/01/2020. Sentença mantida Recurso desprovido. Com contrarrazões, o recurso foi admitido. Feito breve relato, decido. Nos termos do art. 932, III, IV e V, do Código de Processo Civil de 2015, combinados com os arts. 34, XVIII, b e c, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, respectivamente, a: i) não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; ii) negar provimento a recurso ou pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ; e iii) dar provimento a recurso se o acórdão recorrido for contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: "O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". O Recorrente alega omissão no acórdão recorrido o momento em que o parcelamento interrompeu a prescrição. Isso porque não foi enfrentado o argumento de que não obstante o entendimento acerca de o parcelamento ter sido rompido em "04/12/2011 e 01/01/2017, ou seja, mais de cinco anos antes do ajuizamento da execução fiscal", de rigor o rompimento ocorreu em 05/01/2020. Sobre essa questão, revela-se pertinente transcrever o seguinte trecho do voto proferido pelo Colegiado a quo (fls. 76/79e): O CASO CONCRETO DOS AUTOS. Como visto, a prescrição se interrompe nos casos do art. 174 do Código Tributário Nacional. Este processo é posterior à Lei Complementar 118/2005, cuja vigência iniciou-se no dia 09 de junho de 2005 (art. 4º da lei), portanto a prescrição poderia ser interrompida pelo despacho que determinasse a citação do executado. A execução fiscal visa ao recebimento de IPTU dos exercícios de 2010 e 2013. O vencimento do tributo relativo aos exercícios de 2010 e 2013 ocorreu em09/05/2010 e 09/02/2013 (fls. 02/03). A partir do dia seguinte ao vencimento deve-se contar 5 (cinco) anos, ou seja, a prescrição a princípio ocorreria em entre 10/05/2015 e 10/02/2018. A execução fiscal foi ajuizada somente em 26/05/2022 (conforme consulta processual). Assim, verifica-se que se encontra prescrito o crédito tributário. Embora o Município defenda a interrupção do prazo prescricional pela celebração de acordos de parcelamento do débito (fls. 27), deixou de trazer aos autos cópia dos referidos acordos devidamente assinados, de forma que não restou comprovada qualquer causa suspensiva ou interruptiva da prescrição. Ademais, verifica-se que, conforme alegado pelo Município (fls. 27), os acordos de parcelamento dos exercícios de 2010 e 2013 teriam sido rompidos, respectivamente, em04/12/2011 e 01/01/2017, ou seja, mais de cinco anos antes do ajuizamento da execução fiscal. Observa-se que independe o fato de o Município alegar ter havido posteriores acordos de parcelamento, tendo em vista que a prescrição somente se interrompe uma única vez, nos termos do artigo 202 do Código Civil. .. Por tais razões, a r. sentença deve ser mantida, extinguindo-se a execução fiscal. No caso, não verifico omissão acerca de questão essencial ao deslinde da controvérsia e oportunamente suscitada, tampouco de outro vício a impor a revisão do julgado. Consoante o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas em seu art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Esposando tal entendimento, o precedente da Primeira Seção desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeu-se pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812-80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebe-se, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra DIVA MALERBI - DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO -, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2016, DJe 15/06/2016). Depreende-se do excerto que a controvérsia foi examinada de forma satisfatória, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao firme posicionamento jurisprudencial aplicável ao caso. O procedimento encontra amparo em reiteradas decisões no âmbito desta Corte Superior, de cujo teor merece destaque a rejeição dos embargos declaratórios uma vez ausentes os vícios do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (v.g. Corte Especial, EDcl no AgRg nos EREsp 1431157/PB, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJe de 29.06.2016; 1ª Turma, EDcl no AgRg no AgRg no REsp 11041181/SP, Rel. Min. Napoleão Nunes, DJe de 29.06.2016; e 2ª Turma, EDcl nos EDcl no REsp 1334203/PR, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe de 24.06.2016). Por fim, no que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos enunciados administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos, quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais, em favor do patrono da parte recorrida, está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou improvimento do recurso. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/15), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. Na aferição do montante a ser arbitrado a título de honorários recursais, deverão ser considerados o trabalho desenvolvido pelo patrono da parte recorrida e os requisitos previstos nos §§ 2º a 10 do art. 85 do estatuto processual civil de 2015, sendo desnecessária a apresentação de contrarrazões (v.g. STF, Pleno, AO 2.063 AgR/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, Redator para o acórdão Min. Luiz Fux, j. 18.05.2017), embora tal elemento possa influir na sua quantificação. Assim, nos termos do art. 85, §§ 3º e 11, de rigor a majoração dos honorários anteriormente fixados. Posto isso, com fundamento no art. 932, III, IV, do Código de Processo Civil e art. 34, XVIII, a e b, do Regimento Interno desta Corte, CONHEÇO EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E NEGO-LHE PROVIMENTO. Majoro em 10% (dez por cento), a título de honorários recursais, o montante dos honorários advocatícios resultante da condenação anteriormente fixada. Publique-se e intimem-se. EMENTA