AREsp 2422875 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno por entender que a alteração da taxa de correção monetária e dos juros de mora fixados no título judicial exequendo na fase de cumprimento de sentença violaria a coisa julgada, entendimento este em consonância com a jurisprudência desta Corte; assim, não se admite a aplicação da...
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- Parties
- Agravante: MAURÍCIO DAL AGNOL (MAURICIO)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 May 2025
- Procedural Posture
- AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE Declaração NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / Sessão Virtual De 13/05/2025 a 19/05/2025
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Prestação De Serviços Advocatícios, Ação De Indenização, Danos Materiais E Morais, Cumprimento De Sentença, Taxa Selic, Coisa Julgada, Juros De Mora E Correção Monetária
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Parties
MAURÍCIO DAL AGNOL (MAURICIO)
Agravante
Procedural Posture
AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE Declaração NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / Sessão Virtual De 13/05/2025 a 19/05/2025
Legal Issues
- 1 Possibilidade de aplicação da taxa Selic na fase de cumprimento de sentença
- 2 Alteração dos índices de juros de mora e correção monetária em cumprimento de sentença e sua compatibilidade com a coisa julgada
- 3 Aplicabilidade da Lei n. 14.905/2024 ao cumprimento de sentença com título exequendo transitado em julgado
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno por entender que a alteração da taxa de correção monetária e dos juros de mora fixados no título judicial exequendo na fase de cumprimento de sentença violaria a coisa julgada, entendimento este em consonância com a jurisprudência desta Corte; assim, não se admite a aplicação da taxa Selic ao caso nem a incidência retroativa da Lei n. 14.905/2024 diante da imutabilidade do título.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 13/05/2025 a 19/05/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANOS MATERIAIS E MORAIS. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA APÓS A ENTRADA EM VIGOR DO CC/2002. PRETENSÃO DE APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. INVIABILIDADE. AFRONTA À COISA JULGADA. ENTENDIMENTO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não é possível a modificação, na fase de liquidação ou cumprimento de sentença, dos juros de mora e da correção monetária estabelecidos no título exequendo, sob pena de ofensa à coisa julgada. 2. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por MAURÍCIO DAL AGNOL (MAURICIO) contra decisão monocrática de minha relatoria, assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECONSIDERAÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANOS MATERIAIS E MORAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA APÓS A ENTRADA EM VIGOR DO CC/2002. PRETENSÃO DE APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. INVIABILIDADE. AFRONTA À COISA JULGADA. ACÓRDÃO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA CONHECER DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL E NEGAR PROVIMENTO AO APELO NOBRE (e-STJ, fl. 1.442). Nas razões do presente inconformismo, defendeu que (1) deve ser aplicada a taxa Selic; (2) a taxa SELIC deve ser aplicada, se não em todo o período, ao menos a partir da edição da Lei n. 14.905/2024; (3) é inquestionável que os juros de mora e a correção monetária são obrigações acessórias de trato sucessivo, portanto, devem observar a legislação regente na data da sua aplicação; (4) a jurisprudência do STJ admite a modificação das taxas de juros de mora e de correção monetária na fase de cumprimento de sentença, com a aplicação da taxa Selic, ainda que outros índices tenham sido estabelecidos na fase de conhecimento; (5) a coisa julgada não é dotada de imutabilidade inabalável, visto que não atingem os juros de mora e a correção monetária; (6) são inaplicáveis as Súmulas n. 7 do STJ, por se tratar de matéria jurídica, e n. 83 do STJ. Foi apresentada contraminuta . É o relatório. EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANOS MATERIAIS E MORAIS. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA APÓS A ENTRADA EM VIGOR DO CC/2002. PRETENSÃO DE APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. INVIABILIDADE. AFRONTA À COISA JULGADA. ENTENDIMENTO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não é possível a modificação, na fase de liquidação ou cumprimento de sentença, dos juros de mora e da correção monetária estabelecidos no título exequendo, sob pena de ofensa à coisa julgada. 2. Agravo interno não provido. VOTO Da incidência da taxa Selic Como emana dos autos, MAURÍCIO postula a incidência da taxa Selic nos autos do cumprimento de sentença, por entender que os juros de mora e a correção monetária são obrigações acessórias de trato sucessivo, portanto, devem observar a legislação regente na data da sua aplicação. Sobre o tema, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul ressaltou que a pretensão da parte, em conferir outra interpretação ao dispositivo da sentença, configura violação da coisa julgada, conforme trecho que ora se transcreve: Alega a parte agravante que há excesso de execução no cálculo apresentado pelo credor, sustentando que deve ser aplicada a taxa SELIC para correção do valor da condenação. Dispôs a decisão proferida em sede recursal (recurso de apelação nº 70075697953) nos autos da ação de conhecimento: "Destarte, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento à apelação para desconstituir a sentença e, com fulcro no artigo 1.103, § 3º, I, do Código de Processo Civil, julgar procedente a ação para condenar o réu a pagar ao autor a importância de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a título de reparação dos danos morais, com aplicação da correção monetária pelo IGP-M, a contar da data deste acórdão, e incidentes os juros de mora de 1% (um por cento) desde a citação, readequada a sucumbência nos termos da fundamentação." O cálculo apresentado pelo credor no evento 1 - CALC 4 está em conformidade com os parâmetros adotados pela decisão transitada em julgado, não cabendo discussão acerca dos juros aplicados no valor da condenação, sob pena de ofensa à coisa julgada (e-STJ, fl. 772). E ao contrário do que afirma MAURÍCIO, o entendimento do acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que já se pronunciou no sentido de que não é possível a modificação, na fase de liquidação ou de cumprimento de sentença, dos juros de mora e da correção monetária estabelecidos no título exequendo, sob pena de ofensa à coisa julgada. Nesse sentido, seguem novos precedentes: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. ALTERAÇÃO DOS ÍNDICES DE JUROS MORATÓRIOS E CORREÇÃO MONETÁRIA FIXADOS EM SENTENÇA COM TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. "A jurisprudência desta Corte Superior dispõe no sentido de não ser possível, na fase de liquidação ou cumprimento de sentença, alterar o critério estabelecido, no título exequendo, para a fixação dos juros de mora, sob pena de ofensa à coisa julgada. Súmula 568 do STJ" (AgInt no REsp 1.960.296/SP, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 13.3.2023, DJe de 16.3.2023). 2. Conforme consignado no julgamento do Tema 176 dos Recursos Repetitivos, "o pagamento de juros moratórios é obrigação de trato sucessivo, que se renova mês a mês, devendo incidir a taxa prevista na lei vigente à época de seu vencimento, a menos que o título exequendo seja posterior ao novo regramento e estabeleça índice diverso." 3. Caso concreto no qual a sentença exequenda, proferida em 2016, com trânsito em julgado, estabeleceu o índice de correção monetária e a incidência de juros moratórios, distintamente da Taxa Selic, já então prevista pelo ordenamento como a taxa de juros aplicável, nos termos do art. 406 do CC, conforme interpretação conferida desde 2008 pela Corte Especial do STJ e no julgamento dos Temas 99 e 176 dos Recursos Repetitivos. Por isso, é inviável a alteração do título na fase de cumprimento de sentença, sob pena de violação à coisa julgada. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.042.830/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 16/12/2024, DJEN de 20/12/2024 - sem destaque no original) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 182 DO STJ. FUNDAMENTOS ALTERADOS. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. IMPUGNAÇÃO. ÍNDICE APLICADO AOS JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA. ART. 406 DO CÓDIGO CIVIL. TAXA SELIC. SUBSTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. OFENSA À COISA JULGADA. SÚMULA N. 83 DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Proceder à alteração, na fase de cumprimento de sentença, dos índices de correção monetária estabelecidos no título judicial configura violação da coisa julgada. Incidência da Súmula n. 83 do STJ. 2. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.606.648/RS, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 23/9/2024, DJe de 25/9/2024 - sem destaque no original) RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. TERMO INICIAL DOS JUROS DE MORA. EFETIVA CITAÇÃO. CUMULAÇÃO COM JUROS REMUNERATÓRIOS. OBSERVÂNCIA DO TÍTULO JUDICIAL EXEQUENDO. COISA JULGADA. 1. Ação de cobrança, atualmente na fase de cumprimento de sentença, da qual foi extraído o presente recurso especial, interposto em 12/11/2021 e concluso ao gabinete em 20/06/2022. 2. O propósito recursal é decidir sobre: (i) a negativa de prestação jurisdicional; (ii) o termo inicial dos juros de mora; e (iii) a cumulação dos juros de mora e dos juros remuneratórios. 3. O momento da constituição em mora do devedor, como um dos efeitos da efetiva citação, não se confunde com o momento em que se inicia o prazo para resposta do réu, razão pela qual não se aplica, como termo inicial dos juros de mora, regra processual disciplinadora do início do prazo para contestar (art. 335, III, c/c 231, II, do CPC/2015), em detrimento da regra geral de direito material pertinente (art. 405 do CC/2002). 4. O critério estabelecido no título judicial exequendo, com relação à correção monetária e aos juros, não pode ser alterado na fase de liquidação ou cumprimento de sentença, sob pena de ofensa à coisa julgada. 5. Recurso especial conhecido e desprovido. (REsp n. 2.055.693/RJ, relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, julgado em 13/6/2023, DJe de 16/6/2023 sem destaque no original) O entendimento esposado está em conformidade com a jurisprudência desta Corte, de modo que não há mesmo como acolher a pretensão da parte. Por fim, a aplicação da Lei n. 14.905/2024 não se justifica, uma vez que a decisão agravada se fundamenta na imutabilidade da coisa julgada. Nessas condições, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.