HC 684750 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a impetração busca substituir recurso previsto e não demonstra flagrante ilegalidade; além disso, o tribunal de origem, soberano na análise fático-probatória, concluiu pela independência temporal e fática entre o porte da arma e o homicídio, de modo que reconhecer a consunção...
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- Parties
- Paciente: JEFFERSON FRANCKLIN MEDEIROS CLEMENTINO; Órgão De Origem: Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 December 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço da impetração (writ)
- Legal Topics
- Princípio Da Consunção, Homicídio Qualificado, Porte Ilegal De Arma De Fogo, Impossibilidade De Reexame De Matéria Fático Probatória (súmula 7/stj)
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Parties
JEFFERSON FRANCKLIN MEDEIROS CLEMENTINO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina
Órgão De Origem
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Aplicação do princípio da consunção entre homicídio e porte ilegal de arma de fogo
- 2 Cabimento de habeas corpus substitutivo do recurso ordinariamente previsto
- 3 Vedação ao reexame de fatos e provas nos moldes da Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a impetração busca substituir recurso previsto e não demonstra flagrante ilegalidade; além disso, o tribunal de origem, soberano na análise fático-probatória, concluiu pela independência temporal e fática entre o porte da arma e o homicídio, de modo que reconhecer a consunção exigiria reexame de provas, providência vedada pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Não conheço da impetração (writ)
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio impetrado em favor de JEFFERSON FRANCKLIN MEDEIROS CLEMENTINO contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina. Consta dos autos que o paciente foi condenado como incurso nas sanções do art. 121, § 2º, II, do Código Penal e do art. 16, parágrafo único, IV, da Lei n. 10.826/2003, na forma do art. 69 do CP, à pena de 15 anos de reclusão, em regime fechado, mais pagamento de 10 dias-multa (e-STJ, fls. 16-19). Irresignada, a defesa interpôs revisão criminal perante a Corte de origem, que indeferiu o recurso, nos moldes da seguinte ementa: "REVISÃO CRIMINAL. CRIME CONTRA A VIDA E CONEXO. ÉDITO CONDENATÓRIO PELA PRÁTICA DE HOMICÍDIO QUALIFICADO PELA FUTILIDADE DO MOTIVO E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO COM NUMERAÇÃO SUPRIMIDA (CÓDIGO PENAL, ART. 121, § 2º, II, E LEI 10.826/2003, ART. 16, PARÁGRAFO ÚNICO, IV). POSTULADA DESCONSTITUIÇÃO DA COISA JULGADA POR SUPOSTA CONTRARIEDADE AO TEXTO EXPRESSO DA LEI PENAL OU À EVIDÊNCIA DOS AUTOS E INJUSTIÇA NA APLICAÇÃO DA PENA (CPP, ART. 621, I). PRETENSO AFASTAMENTO DA QUALIFICADORA EM RELAÇÃO AO PRIMEIRO INJUSTO. IMPERTINÊNCIA. TIPICIDADE DERIVADA DEVIDAMENTE CONFIGURADA. ADEMAIS, CONSELHO DE SENTENÇA QUE OPTOU POR UMA DAS VERSÕES DEDUZIDAS EM PLENÁRIO E QUE ENCONTRA AMPARO NO CONJUNTO PROBATÓRIO ANGARIADO. OBSERVÂNCIA AO POSTULADO CONSTITUCIONAL DA SOBERANIA DOS VEREDICTOS. PLEITEADA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. TESE AFASTADA. CRIMES COMETIDOS EM CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. REVISIONANDO QUE ADQUIRIU E MANTINHA SOB SUA GUARDA, PASSANDO A PORTAR O ARTEFATO BÉLICO EM DATA QUE ANTECEDEU O INJUSTO CONTRA A VIDA. PRECEDENTES. PEDIDO REVISIONAL CONHECIDO E INDEFERIDO."(e-STJ, fl. 20) Neste writ, a os impetrantes sustentam constrangimento ilegal decorrente do não reconhecimento do princípio da consunção entre as condutas de homicídio e porte ilegal de arma da fogo. Aduzem que a arma foi utilizada como meio para a consumação do delito, não havendo fundamentos que indiquem contextos fáticos distintos. Asseveram que, ainda que o paciente tenha afirmado que adquiriu a arma de fogo antes do fato principal, tal ocorreu apenas para que pudesse se defender das constantes agressões e ameaças que sofria da vítima. Desse modo os delitos possuem relação de dependência. Pugnam pela concessão da ordem, a fim de que seja reconhecido e aplicado ao caso o princípio da consunção, de modo que o crime do art. 121, § 2º, II do CP absorva o do art. 16, parágrafo único, IV, da Lei n. 10.826/2003. Indeferido o pedido de liminar (e-STJ, fls. 29-30), a Subprocuradoria-Geral da República manifestou-se pelo não conhecimento do writ e, caso conhecido, pela sua denegação (e-STJ, fls. 32-34). É o relatório. Decido. Esta Corte e o Supremo Tribunal Federal pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Com efeito, o pleito de reconhecimento do princípio da consunção relativamente às condutas de homicídio e porte ilegal de arma de fogo foi rechaçado pela Corte de origem consoante a seguinte fundamentação: "Entretanto, a postulação não comporta provimento. Isso porque o crime de homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo com numeração suprimida restaram praticados em contextos fáticos distintos, já que o revisionando adquiriu o artefato bélico e o mantinha sob sua guarda, passando a portá-lo, em ocasião diversa daquela em que perpetrou o primeiro ilícito mencionado. Dessarte, entenderam os jurados que "O réu Jefferson Francklin Medeiros Clementino era quem possuía referida arma de fogo, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar em data anterior a 1º de setembro de 2017"(sic, fls. 51 do evento 11.22)."(e-STJ, fl. 25) De acordo com o que se extrai, a conclusão das instâncias ordinárias - soberanas na análise do acervo fático-probatório dos autos - foi no sentido de que as condutas de porte ilegal de arma de fogo e de homicídio foram independentes, não se aplicando ao caso o princípio da consunção, por não restar comprovadoo vínculo de dependência,a necessária relação "crime-meio e crime-fim" não foi reconhecida na hipótese. Desta feita, alterar este entendimento demandaria reexame de fatos e provas, providência incabível na estreita vias do habeas corpus. Nesse sentido: "AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PENAL E PROCESSO PENAL. TRIBUNAL DO JÚRI. HOMICÍDIO QUALIFICADO PELO MOTIVO FÚTIL, NA FORMA TENTADA. (ART. 121, § 2º, III E IV, C/C O ART. 14, II, AMBOS DO CP). LEGÍTIMA DEFESA. AUSÊNCIA DE PROVAS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 211/STJ, 282 e 356/STF. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. DOSIMETRIA. EXASPERAÇÃO DA PENA-BASE. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. ACÓRDÃO FIRMADO EM MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. STF. 1. Conforme disposto no art. 593, III, d, e § 3º, do Código de Processo Penal, cabível novo julgamento pelo Tribunal do Júri se a decisão dos jurados é manifestamente contrária à prova dos autos (AgRg no AREsp n. 1.369.974/MG, Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 21/10/2019). 2. Para alterar a conclusão a que chegaram as instâncias ordinárias e acolher a tese de legítima defesa e decidir pela absolvição sumária do agravante, ou desclassificar a conduta para lesão corporal ou, ainda, para excluir as qualificadoras, demandaria, necessariamente, revolvimento do acervo fático-probatório delineado nos autos, procedimento que encontra óbice na Súmula 7/STJ, que dispõe: a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial (AgRg no AREsp n. 1.482.074/SP, Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 30/9/2019). 3. O acolhimento da tese relativa à legítima defesa demanda o exame aprofundado do material fático-probatório, inviável em recurso especial, a teor da Súmula 7/STJ (AgRg no AREsp n. 1.476.923/RS, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 14/10/2019). 4. Da atenta leitura dos autos, denota-se que a suposta tese de legítima defesa nem sequer foi julgada ou debatida pelo acórdão estadual, o que atrai a incidência dos Enunciados n. 211/STJ, n. 282 e n. 356/STF, em decorrência da ausência de prequestionamento. 5. Etimologicamente, processo significa marcha avante, do latim procedere. Logo a interrupção de seu seguimento, por meio da imposição de nulidades infundadas, fere peremptoriamente o instituto jurídico. Em razão disso, segundo a legislação processual penal em vigor, é imprescindível - quando se trata de nulidade de ato processual - a demonstração do prejuízo sofrido, em consonância com o princípio pas de nullité sans grief, o que não ocorreu na espécie. 6. A verificação da real intenção da prática delitiva (homicídio) perpetrada pelo agravante envolve a análise do material fático-probatório disposto nos autos, o que, na via especial, esbarra no óbice da Súmula 7/STJ. 7. O voto condutor do acórdão estadual demonstrou não ter vinculação exclusiva entre o delito de porte de arma de fogo e o crime de homicídio, de maneira que aquele pudesse ser considerado crime meio e, portanto, ante factum impunível. Ao contrário, o Sodalício estadual apontou o porte do artefato pelo réu em outras ocasiões que não a prática do crime de homicídio, tornando inviável a aplicação da regra da consunção, haja vista a existência de crimes autônomos e independentes (HC n. 395.268/SP, Ministra Maria Thereza de Assis moura, Sexta Turma, DJe 19/12/2017). 8. A absorção do crime de porte ilegal de arma de fogo pelo de homicídio exige que as condutas tenham sido praticadas no mesmo contexto, guardando relação de dependência ou subordinação, de modo que o porte tenha como fim unicamente a prática do delito de homicídio. A reversão das premissas fáticas deduzidas no acórdão de apelação - que manteve a condenação pela prática de homicídio e de porte ilegal de arma de fogo, em concurso material - implica revisão fático-probatória, providência inadmissível na via eleita, nos termos da Súmula 7/STJ (AgRg no AREsp n. 1.186.399/MS, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 15/5/2018). 9. A elaboração da dosimetria, in casu, obedeceu ao princípio da persuasão racional ou livre convencimento motivado, a justificar adequadamente a fixação da pena-base. Dessa forma, a fixação da dosimetria está suficientemente fundamentada, inexistindo flagrante ilegalidade ou teratologia a ser sanada (HC n. 250.601/RJ, Ministro Marco Aurélio Bellizze, Quinta Turma, DJe 14/11/2012). 10. Fixada a redução da pena em razão da tentativa, com observância do iter criminis percorrido apurado nos autos, descabe em recurso especial a alteração da fração redutora, pois tal providência enseja o revolvimento fático-probatório, vedado pela Súmula n. 7/STJ (AgRg no AREsp n. 1.321.942/RS, Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 26/8/2019). 11. Extrai-se dos autos que os princípios do contraditório e da ampla defesa foram adequadamente observados durante o trâmite processual, logo, para possível declaração de nulidade, indispensável a demonstração do prejuízo sofrido pela parte - pas de nulitté sans grief (AgRg nos EDcl no REsp n. 721.555/PI, Ministro Celso Limongi (Desembargador convocado do TJ/SP), Sexta Turma, DJe 18/4/2011). 12. Inexistindo elementos capazes de alterar os fundamentos da decisão agravada, subsiste incólume o entendimento nela firmado, não merecendo prosperar o presente agravo. 13. Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp 1687824/RJ, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 18/02/2020, DJe 02/03/2020, grifou-se); "PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. TRIBUNAL DO JÚRI. HOMICÍDIO QUALIFICADO. MOTIVO TORPE. VINGANÇA. CIÚMES. EXCLUSÃO DA QUALIFICADORA. TEMA NÃO ENFRENTADO PELO TRIBUNAL A QUO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. ABSORÇÃO DO CRIME DE PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO PELO CRIME DE HOMICÍDIO. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO. PORTE DO ARTEFATO PELO RÉU EM OUTRAS OCASIÕES QUE NÃO A PRÁTICA DO CRIME CONTRA A VIDA. ORDEM DENEGADA. 1. O tema atinente à exclusão da qualificadora de motivo torpe não foi apreciado pelo Tribunal a quo, a caracterizar indevida supressão de instância, impossibilitando a análise da matéria, diretamente, por esta Corte. 2. A relação consuntiva é aferida por intermédio de uma análise entre continente e conteúdo, é dizer, deve haver um crime fim dentro de um contexto fático uno a indicar a prática de um crime meio como graduação necessária ao cometimento daquele. 3. No caso dos autos, não restou demonstrada a vinculação exclusiva entre o delito de porte de arma de fogo e o crime de homicídio, de maneira que aquele pudesse ser considerado crime meio e, portanto, ante factum impunível. Ao contrário, o Sodalício estadual apontou o porte do artefato pelo réu em outras ocasiões que não a prática do crime de homicídio, tornando inviável a aplicação da regra da consunção, haja vista a existência de crimes autônomos e independentes. 4. Ordem denegada." (HC 395.268/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 12/12/2017, DJe 19/12/2017); "PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO E PORTE DE ARMA DE FOGO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO E SUBORDINAÇÃO ENTRE AS CONDUTAS. IDENTIDADE DE CONTEXTO FÁTICO. ALTERAÇÃO DA CONCLUSÃO REALIZADA PELO TRIBUNAL DO JÚRI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. INCIDÊNCIA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. A absorção do crime de porte ilegal de arma de fogo pelo de homicídio exige que as condutas tenham sido praticadas no mesmo contexto, guardando relação de dependência ou subordinação, de modo que o porte tenha como fim unicamente a prática do delito de homicídio. 2. A reversão das premissas fáticas deduzidas no acórdão de apelação - que manteve a condenação pela prática de homicídio e de porte ilegal de arma de fogo, em concurso material - implica revisão fático-probatória, providência inadmissível na via eleita, nos termos da Súmula 7/STJ. 3. Agravo regimental improvido." (AgRg no AREsp 1186399/MS, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 03/05/2018, DJe 15/05/2018); "HABEAS CORPUS. ROUBO CIRCUNSTANCIADO E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE NO CASO CONCRETO. ORDEM DENEGADA. 1. "A conduta de portar arma ilegalmente é absorvida pelo crime de roubo, quando, ao longo da instrução criminal, restar evidenciado o nexo de dependência ou de subordinação entre as duas condutas e que os delitos foram praticados em um mesmo contexto fático, incidindo, assim, o princípio da consunção" (HC 178.561/DF, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado em 22/05/2012, DJe 13/06/2012). 2. In casu, as instâncias ordinárias concluíram que o porte ilegal de arma de fogo decorreu de desígnio autônomo e, para se chegar a qualquer conclusão em sentido contrário, seria necessária uma análise acurada dos fatos, depoimentos e elementos de convicção em que se arrimaram as instâncias ordinárias. Tal procedimento é inviável em sede de habeas corpus, pois importaria em transformar o writ em recurso dotado de ampla devolutividade. 3. Habeas corpus denegado." (HC 441.638/PR, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 21/08/2018, DJe 29/08/2018). Ante o exposto, não conheço do writ. Publique-se. Intimem-se.