HC 1022655 - DECISAO
A alegação de aplicação do princípio da consunção não foi objeto de debate na apelação ao Tribunal a quo, razão pela qual sua análise pelo Superior Tribunal de Justiça importaria em supressão de instância; por esse motivo, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ e na jurisprudência citada,...
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- Parties
- Paciente: REGINALDO GONÇALVES MAIDANA; Órgão Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul (Apelação Criminal n. 0000411-77.2007.8.12.0005)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 August 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida (petição Inicial Indeferida)
- Outcome
- Indefiro liminarmente a petição inicial do habeas corpus
- Legal Topics
- Princípio Da Consunção, Porte Ilegal De Arma De Fogo, Homicídio, Supressão De Instância, Habeas Corpus
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Parties
REGINALDO GONÇALVES MAIDANA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul (Apelação Criminal n. 0000411-77.2007.8.12.0005)
Órgão Recorrido
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida (petição Inicial Indeferida)
Legal Issues
- 1 Aplicação do princípio da consunção
- 2 Supressão de instância por ausência de debate na instância anterior
- 3 Cabimento de habeas corpus para matéria não suscitada em apelação
Ratio Decidendi
A alegação de aplicação do princípio da consunção não foi objeto de debate na apelação ao Tribunal a quo, razão pela qual sua análise pelo Superior Tribunal de Justiça importaria em supressão de instância; por esse motivo, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ e na jurisprudência citada, indeferiu-se liminarmente a petição inicial do habeas corpus.
Court Disposition
Indefiro liminarmente a petição inicial do habeas corpus
Orders
- Indefiro liminarmente a petição inicial do habeas corpus.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de REGINALDO GONÇALVES MAIDANA contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul (Apelação Criminal n. 0000411-77.2007.8.12.0005). Consta dos autos que o paciente foi condenado como incurso no art. 121, caput, do Código Penal; e no art. 14 da Lei n. 10.826/2003, n/f do art. 69 do Código Penal, à pena de 8 anos de reclusão, em regime inicial semiaberto (e-STJ fls. 18/21). Interposta apelação, o Tribunal local negou provimento ao recurso, mantendo a condenação nos termos proferidos na sentença (e-STJ fls. 11/16). No presente writ (e-STJ fls. 2/10), o impetrante alega que o paciente está sofrendo constrangimento ilegal, em razão da condenação pelo delito do art. 14 da Lei n. 10.826/2003. Argumenta, em síntese, que o crime de porte ilegal de arma de fogo deveria ser absorvido pelo crime de homicídio, conforme o princípio da consunção, já que o porte da arma foi meio para a execução do crime mais grave (e-STJ fl. 4). Dessa forma, requer, na liminar e no mérito, a concessão da ordem para reconhecer e aplicar o princípio da consunção no caso em concreto, relativamente aos delitos insertos no art. no art. 121, §2º, II, do CP e art. 16, parágrafo único, IV, da Lei n. 10.826/03 (e-STJ fl. 10). É o relatório. Decido. Não obstante as razões deduzidas na petição inicial, não é possível dar seguimento ao presente writ. Afinal, a tese ora suscitada não foi objeto de debate pelo Tribunal a quo. Conforme se verifica, a defesa requereu na apelação apenas a anulação do julgamento, sob fundamento de que a decisão dos jurados foi contrário às provas dos autos, não tendo se insurgido quanto à aplicação do princípio da consunção. Dessa forma, revela-se incabível o respectivo exame no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, sob pena de supressão de instância. Nesse sentido, segue a jurisprudência desta Corte: PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS, ASSOCIAÇÃO PARA O MESMO FIM E ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. REVISÃO DE CONDENAÇÃO JÁ TRANSITADA EM JULGADO. INADMISSIBILIDADE. DOSIMETRIA. ARGUMENTAÇÃO GENÉRICA. CONDENAÇÃO BASEADA EM PROVAS LÍCITAS E AUTÔNOMAS. BIS IN IDEM. AUSÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. 1. Pretensão de revisão da pena já estabelecida, alegando desproporcionalidade no quantum fixado e fundamentação inadequada para o agravamento do regime de cumprimento das penas. 2. O pedido de revisão da dosimetria da pena é genérico, sem indicação específica de onde estaria a desproporcionalidade quando da fixação da pena, o que dificulta a análise da tese. 3. A condenação foi fundamentada em provas lícitas e autônomas, não havendo flagrante ilegalidade a ser reparada por habeas corpus. 4. A jurisprudência do STJ não reconhece bis in idem na condenação por organização criminosa e associação para o tráfico quando há prática autônoma das infrações. 5. Não há manifestação no acórdão impugnado a respeito da tese subsidiária de aplicação do princípio da consunção. Dessa forma, a análise da referida alegação por esta Corte de Justiça importaria em indevida supressão de instância. 6. Ordem denegada. (HC n. 969.062/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 4/6/2025, DJEN de 10/6/2025.) No mesmo sentido, é entendimento da Corte Maior que "o exaurimento da instância recorrida é, como regra, pressuposto para ensejar a competência do Supremo Tribunal Federal, conforme vem sendo reiteradamente proclamado por esta Corte (HC n. 129.142/SE, Relator Ministro MARCO AURÉLIO, Rel. p/ Acórdão Min. ALEXANDRE DE MORAES, Primeira Turma, DJe de 10/8/2017; RHC n. 111.935/DF, Relator Ministro LUIZ FUX, Primeira Turma, DJe de 30/9/2013; HC n. 97.009/RJ, Relator Ministro MARCO AURÉLIO, Rel. p/ Acórdão Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, DJe de 4/4/2014; HC n. 117.798/SP, Relator Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, DJe de 24/4/2014)" (AgRg no HC n. 177.820/SP, Relator Ministro ALEXANDRE DE MORAES, Primeira Turma, julgado em 06/12/2019, DJe 18/12/2019). Ante o exposto, com base no art. 210 do Regimento Interno do STJ, indefiro liminarmente a petição inicial do habeas corpus. Intimem-se. EMENTA