REsp 2196035 - DECISAO
Não conheceu-se do recurso especial por deficiência de fundamentação, uma vez que o recorrente não indicou o dispositivo de lei federal supostamente violado, incidindo o óbice da Súmula 284/STF; adicionalmente, o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência desta Corte quanto à inaplicabilidade do...
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- Parties
- Recorrente: FRANCISCO RUANO NETO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Princípio Da Insignificância, Recurso Especial, Súmula 284 STF, Súmula 7 STJ, Súmula 83 STJ, Art. 386, III, CPP
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Parties
FRANCISCO RUANO NETO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Incidência do princípio da insignificância
- 2 Obrigatoriedade de indicação do dispositivo de lei federal violado em recurso especial
- 3 Vedação ao reexame de matéria fática em recurso especial
Ratio Decidendi
Não conheceu-se do recurso especial por deficiência de fundamentação, uma vez que o recorrente não indicou o dispositivo de lei federal supostamente violado, incidindo o óbice da Súmula 284/STF; adicionalmente, o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência desta Corte quanto à inaplicabilidade do princípio da insignificância quando o valor da res furtiva supera parâmetro jurisprudencial e diante das circunstâncias do caso, de modo que não se admite o reexame probatório em sede de recurso especial.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por FRANCISCO RUANO NETO contra acórdão prolatado pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO. Informam os autos que o recorrente foi absolvido, em primeiro grau, da imputação do crime do art. 155, §§1º e 4º, inciso II, do Código Penal. Em segunda instância, o Tribunal de origem deu provimento ao recurso acusatório, condenando o réu na forma da denúncia e fixando a pena em 3 (três) anos, 7 (sete) meses e 16 (dezesseis) dias de reclusão, em regime inicial fechado, e 16 (dezesseis) dias-multa (fls. 290-301). Nas razões do recurso especial (fls. 311-329), interposto com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a ", da Constituição da República, a parte recorrente sustenta a violação ao art. 386, inciso III, do Código de Processo Penal. Embora sejam veiculadas outras questões, com referências legislativas, não há indicação concreta do dispositivo de lei federal violado. Apresentadas as contrarrazões, o recurso foi parcialmente admitido na origem (fls. 352-353), e os autos encaminhados a esta Corte Superior. O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do recurso (fls. 375-379). É o relatório. DECIDO. Conforme relatado, no recurso especial, o insurgente pleiteia a absolvição pela aplicação do princípio da insignificância, bem como trata de outras questões, mas sem indicar concretamente a lei federal violada. O recurso especial não ultrapassa a barreira do conhecimento. A peça recursal apenas indica de forma expressa a violação ao art. 386, III, do Código de Processo Penal, conjuntamente à fundamentação relativa à incidência do princípio da insignificância. Quanto aos demais temas, a argumentação não segue a lógica de um recurso especial, sendo caso de deficiência da fundamentação, com incidência da Súmula n. 284 do STF, aplicada por analogia. Neste sentido é a jurisprudência desta Corte: "AGRAVO RE GIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. APROPRIAÇÃO INDÉBITA. NULIDADE. CERCEAMENTO DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. NÃO INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 284 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Esta Corte possui o entendimento de que, uma vez assumido pela defesa o compromisso de apresentação espontânea de suas testemunhas na audiência, o não comparecimento destas configura desídia defensiva, sendo que eventual indeferimento do pedido de realização de nova audiência para produção da prova testemunhal não caracteriza cerceamento de defesa. 2. Quanto ao pleito absolutório, verifica-se que o recorrente, nas razões do recurso especial, não apontou de maneira clara e objetiva o artigo de lei porventura violado pelo acórdão recorrido, incidindo o óbice contido na Súmula n. 284/STF. 3. "A alteração do julgado, a fim de se constatar a inexistência de elementos suficientes de autoria e de materialidade delitivas, ou, ainda, que a prova produzida é deficitária, tal como pleiteado pelo acusado, demandaria o revolvimento do acervo fático e probatório dos autos, o que é vedado em sede de recurso especial, a teor do que dispõe a Súmula 7/STJ" (AgRg no AREsp 237.445/RS, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, DJe 29/11/2017). 4. Agravo regimental desprovido." (AgRg no REsp n. 1.947.065/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 19/10/2021, DJe de 26/10/2021.) "PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AFRONTA AO ART. 65, III, "D", DO CP. CONFISSÃO ESPONTÂNEA. CONCESSÃO DA ATENUANTE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. PLEITO DE NOVO JULGAMENTO PELO TRIBUNAL DO JÚRI. LEGÍTIMA DEFESA. (I) - NÃO INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS LEGAIS VIOLADOS. SÚMULA 284/STF. (II) - REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. VEDAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O Tribunal de origem reformou a sentença a fim de diminuir a pena do recorrente na segunda fase da dosimetria penal, tendo em vista o reconhecimento da atenuante da confissão espontânea prevista no artigo 65, inciso III, alínea "d", do Código Penal, conforme se observa das fls. 310/311 do acórdão de apelação criminal. Desse modo, não há interesse recursal quanto ao pleito. 2. Nas razões do apelo nobre, faz-se necessária a expressa e correta indicação dos dispositivos legais eventualmente ofendidos pela decisão recorrida, como também a indicação precisa dos parágrafos e/ou alíneas, a fim de que se possa identificar clara e fundamentadamente as razões da irresignação, e de que modo consistiram as tais ofensas, sob pena de ser incabível a admissibilidade do recurso, em decorrência da deficiência na sua fundamentação. Incidência do enunciado n. 284 da Súmula do STF. 3. É assente que cabe ao aplicador da lei, em instância ordinária, fazer um cotejo fático e probatório a fim de analisar se, por ocasião do julgamento perante o Tribunal Popular, a opção dos jurados encontra ou não ressonância no conjunto probatório dos autos. Nesse contexto, verifica-se não possuir esta senda eleita espaço para a análise da matéria suscitada pelo recorrente, cuja missão pacificadora restara exaurida pela instância ordinária. Incidência do enunciado n. 7 da Súmula do STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento." (AgInt no REsp n. 1.679.614/PE, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, julgado em 5/9/2017, DJe de 18/9/2017.) Outrossim, incide o óbice da Súmula n. 83, STJ, uma vez que a decisão recorrida está em conformidade com a jurisprudência desta Corte. O acórdão afirma que o objeto subtraído seria um celular "Iphone", ao que seu valor não seria inferior a 10% do salário- mínimo à época dos fatos, afastando-se assim a incidência do princípio, independentemente de outras questões (recuperação da coisa, qualificadora e reincidência). Veja-se: "RECURSO ESPECIAL ADMITIDO COMO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. JULGAMENTO SUBMETIDO À SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. FURTO. RESTITUIÇÃO IMEDIATA E INTEGRAL DOS BENS SUBTRAÍDOS. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. DESCABIMENTO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS VETORES FIXADOS PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E CONSOLIDADO PELA JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. MAIOR REPROVABILIDADE DA CONDUTA. FURTO QUALIFICADO MEDIANTE CONCURSO DE PESSOAS. VALOR DO OBJETO SUBTRAÍDO SUPERIOR A 10% DO SALÁRIO MÍNIMO. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. O Supremo Tribunal Federal consolidou entendimento no sentido de exigir o preenchimento simultâneo de quatro condições para que se afaste a tipicidade material da conduta. São elas: a) a mínima ofensividade da conduta do agente; b) ausência de periculosidade social na ação; c) o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; e d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada. Saliente-se que o Direito Penal não deve se ocupar de condutas que, diante do desvalor do resultado produzido, não representem prejuízo relevante, seja ao titular do bem jurídico tutelado, seja à integridade da própria ordem social. 2. No caso, as peculiaridades do caso concreto - prática delituosa na forma qualificada mediante concurso de pessoas somado ao valor da res furtivae superior a 10% do valor do salário mínimo da época (equivalente a cerca de 55% do salário mínimo) -, demonstram significativa reprovabilidade do comportamento e relevante periculosidade da ação, o que é suficiente ao afastamento da incidência do princípio da insignificância. 3. Recurso especial desprovido, com a fixação da seguinte tese: a restituição imediata e integral do bem furtado não constitui, por si só, motivo suficiente para a incidência do princípio da insignificância." (REsp n. 2.062.375/AL, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Terceira Seção, julgado em 25/10/2023, DJe de 30/10/2023.) "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PENAL. FURTO QUALIFICADO PELO CONCURSO DE AGENTES. BENS AVALIADOS EM 40% (QUARENTA POR CENTO) DO SALÁRIO MÍNIMO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICAÇÃO. INVIABILIDADE. DEVOLUÇÃO DA RES FURTIVA A VÍTIMA. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Hipótese em que o Agravante foi denunciado pela prática, em tese, do crime previsto no art. 155, § 4.º, inciso IV, do Código Penal, porque subtraiu, para si, coisas alheias móveis, consistentes em 2 (dois) ovos de chocolate da marca Kinder ovo, 3 (três) ovos de chocolate da marca Arcor, 2 (dois) ovos de chocolate da marca Lacta, 1 (um) ovo da marca Arcor com fone de ouvido e 4 (quatro) velas de aniversário, avaliados em R$ 419,14 (quatrocentos e dezenove reais e quatorze centavos). 2. A aplicabilidade do princípio da insignificância deve observar as peculiaridades do caso concreto, de forma a aferir o potencial grau de reprovabilidade da conduta e identificar a necessidade, ou não, da utilização do direito penal como resposta estatal. 3. Além de o crime de furto ter sido qualificado pelo concurso de agentes, circunstância objetiva que denota a maior reprovabilidade da conduta, o valor da res furtiva não é insignificante pois equivale a 40% do salário mínimo vigente à época. E conforme a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça é "incabível a aplicação do princípio da insignificância quando o montante do valor da res furtiva superar o percentual de 10% do salário mínimo vigente à época dos fatos" (AgRg no REsp 1.729.387/MG, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 03/05/2018, DJe 09/05/2018). 4. De acordo com o entendimento pacificado do Superior Tribunal de Justiça, o fato de o produto do furto ter sido devolvido à Vítima não afasta a tipicidade material da conduta delitiva, pela aplicação do princípio da bagatela. 5. Agravo regimental desprovido." (AgRg no RHC n. 161.195/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 13/3/2023, DJe de 23/3/2023.) Ante o exposto, não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA