HC 863666 - ACORDAO
O agravo regimental foi improvido pois o habeas corpus foi impetrado em paralelo ao agravo em recurso especial (AREsp n. 2.407.849/RJ) contra o mesmo acórdão, configurando violação ao princípio da unirrecorribilidade, e não se constatou flagrante ilegalidade no ato impugnado, já que a condenação pelo art. 35 da Lei...
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- Parties
- Agravante: THALES HENRIQUE JOSÉ DOS SANTOS LOPES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento (sessão Virtual De 28/08/2025 a 03/09/2025)
- Outcome
- Agravo regimental improvido
- Legal Topics
- Princípio Da Unirrecorribilidade, Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio, Tramitação Simultânea De Habeas Corpus E Recurso Especial, Art. 35 Da Lei N. 11.343/2006 (associação Para O Tráfico)
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Parties
THALES HENRIQUE JOSÉ DOS SANTOS LOPES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento (sessão Virtual De 28/08/2025 a 03/09/2025)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do princípio da unirrecorribilidade perante a interposição simultânea de agravo em recurso especial e habeas corpus
- 2 Possibilidade de conhecimento do habeas corpus quando há recurso especial/agravo já em tramitação
- 3 Existência de flagrante ilegalidade que justifique concessão de ofício
Ratio Decidendi
O agravo regimental foi improvido pois o habeas corpus foi impetrado em paralelo ao agravo em recurso especial (AREsp n. 2.407.849/RJ) contra o mesmo acórdão, configurando violação ao princípio da unirrecorribilidade, e não se constatou flagrante ilegalidade no ato impugnado, já que a condenação pelo art. 35 da Lei n. 11.343/2006 foi fundamentada com elementos concretos que evidenciam estabilidade e permanência do vínculo associativo.
Court Disposition
Agravo regimental improvido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 28/08/2025 a 03/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Antonio Saldanha Palheiro e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL PARALELAMENTE À IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não admite o processamento conjunto de habeas corpus e o outro recurso cabível se apresentados contra o mesmo ato jurisdicional, sob pena de ofensa ao princípio da unirrecorribilidade. Precedentes. 2. Impetrada a ação constitucional paralelamente à apresentação do agravo em recurso especial, que já se encontrava neste Tribunal Superior e já transitou em julgado, é inviável a apreciação do pedido em habeas corpus, ainda que se alegue complementariedade entre as alegações. 3. Inexistência de flagrante ilegalidade que autorize a concessão da ordem de ofício, pois a condenação pelo delito previsto no art. 35 da Lei n. 11.343/2006 foi devidamente fundamentada, destacando-se, com base em elementos concretos, a estabilidade e a permanência do vínculo associativo. 4. Agravo regimental improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por THALES HENRIQUE JOSÉ DOS SANTOS LOPES contra decisão que não conheceu do habeas corpus (fls. 106-110). A parte agravante afirma a ocorrência de erro no julgado, pois do AREsp 2.407.849/RJ não se conheceu porque o substabelecimento da advogada anterior para a atual defensora não estava assinado, o que impediu a análise da matéria. Aduz que o Habeas Corpus n. 828.551/RJ foi rejeitado porque havia um agravo em recurso especial ainda em trâmite, impedindo a tramitação simultânea dos pedidos. Acrescenta que o Superior Tribunal de Justiça rejeitou os pedidos por suposta reiteração indevida. Contudo, argumenta que essa era a única via processual disponível para garantir a análise da ilegalidade alegada. Requer o provimento do recurso para a análise de mérito e concessão da ordem a fim de cessar o constrangimento ilegal. Às fls. 114-126, o agravante opôs embargos de declaração que foram convertidos em agravo regimental (fl. 132). Houve complementação, com a reiteração das razões recursais (fls. 137-139). É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL PARALELAMENTE À IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não admite o processamento conjunto de habeas corpus e o outro recurso cabível se apresentados contra o mesmo ato jurisdicional, sob pena de ofensa ao princípio da unirrecorribilidade. Precedentes. 2. Impetrada a ação constitucional paralelamente à apresentação do agravo em recurso especial, que já se encontrava neste Tribunal Superior e já transitou em julgado, é inviável a apreciação do pedido em habeas corpus, ainda que se alegue complementariedade entre as alegações. 3. Inexistência de flagrante ilegalidade que autorize a concessão da ordem de ofício, pois a condenação pelo delito previsto no art. 35 da Lei n. 11.343/2006 foi devidamente fundamentada, destacando-se, com base em elementos concretos, a estabilidade e a permanência do vínculo associativo. 4. Agravo regimental improvido. VOTO Conforme consignado na decisão agravada, em consulta ao sistema processual do Superior Tribunal de Justiça, constata-se que o writ foi ajuizado paralelamente ao AREsp n. 2.407.849/RJ, interposto com o objetivo de modificar o mesmo acórdão objeto desta impetração, o qual transitou em julgado em 24/10/2023. A controvérsia tratada neste writ, portanto, coincide com aquela objeto do recurso especial manejado pela defesa do paciente nos autos de origem e, por consequência, no agravo referido anteriormente, que ainda se encontra pendente de julgamento. Contudo, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não admite o processamento conjunto de recursos e habeas corpus apresentados contra o mesmo ato jurisdicional, sob pena de ofensa ao princípio da unirrecorribilidade. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS, FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO E USO DE DOCUMENTO FALSO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL E IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS. INEVIDÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. 1. Não viola o princípio da colegialidade a decisão monocrática do Relator calcada em jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a possibilidade de submissão do julgado ao exame do Órgão Colegiado, mediante a interposição de agravo regimental. 2. Hipótese em que houve a interposição de recurso especial na origem e, na sequência, do respectivo agravo, e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não admite a tramitação concomitante de recursos e habeas corpus manejados contra o mesmo ato, sob pena de violação do princípio da unirrecorribilidade (AgRg no HC n. 678.593/SP, Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 27/9/2022). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 918.633/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 9/9/2024, DJe de 12/9/2024 - grifo próprio.) PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. WRIT SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. NÃO CABIMENTO. PRECEDENTES DO STF E STJ. TRAMITAÇÃO EM PARALELO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AFRONTA AO PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. MEDIDAS CAUTELARES. CONSTRANGIMENTO ILEGAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PEDIDO SUBSIDIÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. INADMISISBILIDADE. AGRAVO CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO. 1. Esta Corte - HC 535.063, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgRg no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. 2. Não bastasse o mencionado entendimento pacificamente adotado por esta Corte Superior, no sentido da inviabilidade de uso do remédio constitucional em substituição a recurso previsto em lei, na hipótese em exame constata-se que o presente habeas corpus tramita em paralelo ao recurso especial interposto em face do acórdão proferido pela instância ordinária, em evidente violação ao princípio da unirrecorribilidade. .. 5. Agravo regimental conhecido em parte e, nessa extensão, desprovido. (AgRg no HC n. 880.190/RO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 20/6/2024 - grifo próprio.) Na mesma direção, citem-se, ainda, os seguintes precedentes: AgRg no HC n. 865.449/SC, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 26/6/2024; AgRg no HC n. 887.255/PB, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024; AgRg no HC n. 831.891/PB, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 12/12/2023, DJe de 15/12/2023; e AgRg no HC n. 848.280/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 5/10/2023. Não há, ademais, teratologia ou manifesta ilegalidade para justificar a concessão da ordem de ofício. Consoante se extrai dos autos, a condenação pelo delito previsto no art. 35 da Lei n. 11.343/2006 foi devidamente fundamentada nas instâncias de origem, destacando-se, com base em elementos concretos, a estabilidade e a permanência do vínculo associativo. O acórdão impugnado foi assim fundamentado (fls. 40-41 - destaquei): Contudo, após detida análise do caderno de provas, constatam-se presentes elementos empíricos que, conjugados com aqueles colhidos no curso da instrução, demonstram a indisfarçável prática do delito do art. 35, da Lei nº 11.343/06: 1) segundo o relato dos agentes da lei, cujas palavras merecem credibilidade a teor do que dispõe o verbete nº 70, da súmula deste Sodalício, no local onde o apelante se encontrava foi encontrada certa quantidade de drogas; 2) o papel exercido pelo recorrente Rafinha (Thales), que distribuía a droga para os meninos, tem importância estratégica para o tráfico, garantindo a venda a varejo das drogas, o que requer atenção e vigilância contínua, revelando situação de perenidade. 3) o recorrente possuía diversos tipos e drogas em sua residência, também em grande quantidade, revelando não se tratar de tráfico eventual. Diante de tais elementos, não há como concluir de outro modo, senão por caracterizada a estabilidade e permanência do vínculo associativo do apelante com integrantes do tráfico na localidade em que foi preso. Sabemos da existência de diversas funções nas associações para fins de traficância, tais como gerente, passador, olheiro, radinho, fogueteiro, mula, vapor etc. Todos devem ser considerados coautores do delito do art. 33 ou art. 35, da referida Lei, de acordo com as circunstâncias de cada caso concreto. Constou, ainda, da sentença (fls. 63-64 - destaquei): Sobre o crime do artigo 35 da Lei 11.434/06, há grandes indícios de que os réus, juntamente com os adolescentes, estavam associados entre si para a prática do crime de tráfico de drogas. Conforme demonstrado acima, os réus Gleidson, João Vitor e os adolescentes Antonio ("toninho"), Hiago, Gabriel e Lucas Ferreira estariam no beco praticando o tráfico de drogas a mando de Thales, no chamado "plantão". Os indícios apontam que o adolescente Antonio seria o responsável pelo tal "plantão" e distribuiria a droga entre os demais para venda. O adolescente Victor Hugo estava com o grupo e, em determinado momento, foi até a residência de Thales, Thales, onde também foram encontrados fogos de artifícios, normalmente utilizados para noticiar a presença da polícia ou a chegada do entorpecente. Os réus utilizaram um sofá no meio do beco para estabelecer seu ponto de venda. Junto ao sofá, os policiais militares encontraram parte da droga. Na residência de Thales foi encontrada a outra parte. Vale lembrar que as denúncias davam conta de que ali seria o ponto de venda de drogas de "Rafinha" (Thales). Desse modo, a desconstituição da conclusão exarada pelo Tribunal local implicaria revolvimento de matéria fático-probatória, o que não se coaduna com o rito sumário do habeas corpus. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.